Red
11 I think about you day and night
Notas iniciais
Renji retornou para casa sorrindo. Era impossível mentir para si mesmo, estava nas nuvens e rendido aquele momento. Reencontrar Byakuya ali, tão longe de casa, ascendeu aquela famosa chama. Uma saudade inabalável, um suspiro e alguns tapinhas na cara. Ele precisava se conter.
Era um homem adulto, estava compartilhando um apartamento com outro homem adulto, e ferozmente perigos. Pensar em Grimmjow fez Renji murchar. Não era medo do tamanho, da força e a instabilidade emocional de Grimmjow. Era mais porque ele gostava bastante dele.
Tentou parecer natural quando chegou em casa, mas a primeira coisa que viu foi uma mesa arrumada para o almoço, apesar de já ser mais de 3 da tarde.
— Você fez sukiyaki? — Renji perguntou, dando uma olhada no que tinha dentro da travessa.
— Melhor do que isso — Grimmjow entregou uma lata de cerveja para Renji — Fui até Kowloon, num restaurante japonês que tem lá. Achei que você fosse gostar, a gente comia isso sempre na minha casa depois da escola. E você vivia falando que queria ter uma mãe para cozinhar.
Aquele gesto significava muito para Renji, ele sabia que demonstração de afeto era uma coisa bastante restrita na vida de Grimmjow, por isso apreciaria o momento.
Após comerem o sukiyaki, sentaram no sofá e assistiram ao jogo de basquete, Renji não era muito bom nesse jogo, mas Grimmjow explicou tudo o que um iniciante precisava saber.
— Então, você me enrolou e não disse ainda como foi a entrevista.
Renji tentou de todas as formas mudar o rumo daquela conversa, mas não poderia fazer isso para sempre.
— Estou animado, mas ainda tenho que aguardar. Deve ter uma fila de gente para ser entrevistada.
— Você é competente, vai conseguir.
Uau, Renji estava no céu, primeiro o almoço e agora um elogio. Ele beijou Grimmjow e o fez desistir de ver o restinho de jogo.
De madrugada, Renji despertou, após um sonho bastante conturbado. Ele viu Grimmjow dormir ao seu lado, com a cabeça enfiada no travesseiro, e as costas largas nuas.
O ruivo queria poder apagar de sua memória aqueles pensamentos, o sonho que tivera a pouco com uma certa pessoa. Mas não estava sendo fácil ignorar.
— Qual o seu problema?
— Hã? — Renji mexeu os ombros e virou-se para ver Grimmjow.
— Tira a porra dessa luz da minha cara. — ele rosnou, sua voz era bloqueada pela fronha do travesseiro. — Tá ligando para quem a essa hora?
— Ah! Não, não estou. — Renji desligou o celular que estava em suas mãos. Sequer tinha notado que havia pego o aparelho. — Queria ver a hora, vai dormir.
— Eu tô tentando. — Grimmjow ergueu o braço e soltou-o sobre o corpo do ruivo, puxando ele para mais perto, num abraço.
Renji deu uma risada boba, e aconchegou-se no abraço. Mas todas as vezes que fechava os olhos, a imagem de Byakuya surgia. Então decidiu não dormir, porém, não conseguia fugir de seus pensamentos.
Era tarde demais.
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