Red

24 Carry on


Notas iniciais
Dia 24 - Carry on my Wayward son - Kansas Música puro amor.

Apesar de ainda estar com o corpo envolto por curativos, Renji já se sentia muito melhor. Sua recuperação não se demorou mais do que três dias. Assim que estava apto para retornar às suas obrigações, o tenente chegou na sexta divisão e foi recebido como um herói, por ter tido coragem de enfrentar o capitão Kuchiki Byakuya.

Descostumado com aquele tipo de tratamento, Renji ficou um pouco envergonhado, mas agradeceu os companheiros. Ele estava até começando a gostar daquela popularidade toda, quando um silêncio tomou conta da divisão.

O capitão Kuchiki havia acabado de chegar e caminhava em direção ao seu escritório. Durante o trajeto ele manteve a cabeça erguida, e não falou com ninguém, como era de costume. Renji pediu licença e seguiu o capitão.

Assim que entrou em sua sala, Byakuya ordenou que a porta fosse fechada. Até dava para ouvir seus subordinados soltarem o ar dos pulmões.

Voltar ao trabalho parecia ser a opção mais correta depois dos eventos protagonizados nos últimos dias. Renji se sentia disposto e queria mostrar-se ainda mais valoroso para seu capitão.

Byakuya estava mais silencioso do que o normal. O Abarai poderia dar 10 moedas de ouro pelos pensamentos dele, caso tivesse 10 moedas de ouro. Só que não foi preciso perguntar, o próprio Kuchiki começou a falar por vontade própria.

— Aquilo que você falou sobre mim. — O capitão abriu os olhos, revelando uma certa preocupação. — Sobre eu não dar a mínima para meus subordinados.

— Senhor, aquilo eu falei num momento de tensão. — Renji pareceu desconcertado, recordando-se de como tinha sido duro com o capitão. Embora ele que tivesse apanhado mais.

— Renji. — Byakuya ergueu a mão, fazendo-o se calar imediatamente. — Você tem razão.

O ruivo arregalou os olhos.

— Tenho, é?

— Sim. Eu não tenho sido o capitão que essa divisão precisa. Obrigado por abrir meus olhos.

— Senhor… — Renji sentiu o coração apertar. — O senhor é um homem bom, eu vou segui-lo até o fim.

— Agradeço. — Byakuya fechou os olhos lentamente e Renji pensou em falar mais do que isso. Queria dizer que seu coração havia se partido quando eles entraram em divergência. Queria poder falar em voz alta o quanto Byakuya era importante para sua vida, não como um obstáculo a ser superado, mas como algo precioso a ser alcançado.

— O que pretende fazer para mudar isso? Digo, ser um capitão que a divisão merece.

— Hmm. Eu ainda não pensei nisso. Talvez você possa me ajudar, pode começar me falando mais sobre o que as pessoas pensam de mim.

— Ah! Isso? — Renji mexeu nos cabelos. — Bem, sabe... — ele tentou escolher as palavras certas, para não magoar o capitão. — Acham o senhor muito sério. A maioria tem medo de fazer algo errado na sua frente. Poderia se mostrar mais humano para eles.

— Humano?

— Sim, digo, não. Quero dizer. O senhor é humano, mas é alguém muito mais importante. Está num outro nível. — Renji falou, olhando para o chão. — Como o senhor me disse naquele dia. Estamos em níveis diferentes.

Renji não viu quando foi que Byakuya apareceu ao seu lado, foi tão rápido que foi pego desprevenido.

— Eu peço desculpas por ter dito isso. Nossas origens não podem definir quem somos, mas sim as nossas ações. E você se mostrou um homem honrado e cheio de valor ao me enfrentar, se unir aquele jovem humano e salvar Rukia.

— Obrigado, senhor. — Renji deixou um sorriso bobo transparecer.

— Agora vamos trabalhar.

— Sim, senhor.