Notas iniciais
it is time.... *tambores* agr é o momento que muitos dizem ser o clímax da história *se bem que eu não sou boa em literatura, mas deixa pra la*

Luce ainda não conseguia compreender o motivo pelo qual ela aceitou fazer aquilo. Era completamente irresponsável e perigoso. Por que ela sairia com seu irmão na cidade caótica de Nova Deli? O sol não descansava, não dava trégua do seu incessante calor. Luce não sabia que horas eram e nem como voltar para casa. Tudo isso por causa de um simples sim sem pensar.

– Para onde nós estamos indo exatamente? – ela perguntou a Justin quando ficaram presos numa feira aberta de roupas e tecidos.

– Eu estou tentando sair dessa confusão de panos e gente gritando no meu ouvido. Mais que coisa! Esse povo só sabe gritar! – ele esbravejou, irritado.

– Mas eles são comerciantes, Justin. – justificou Luce, mas logo depois que terminou de pronunciar as palavras, ela percebeu que não foi um bom argumento.

Ele provavelmente também notou isso e resolveu não continuar a discussão. Permaneceu andando, se desviando e soltando insultos baixinhos para aqueles que apareciam no seu caminho. Assim que a feira pareceu ter chegado ao final, Justin e Luce se encontravam numa rua feita de paralelepípedos regulares de uma mão. Um cheiro forte de gás carbônico com matéria orgânica em decomposição se estagnou no pulmão de Luce e, cada vez mais que ela inalava aquele ar, a respiração se tornava difícil. Do outro lado da rua, havia um conjunto de bares e restaurantes. Em cima, o que pareciam ser casas de moradia dava ao lugar um aspecto mais denso e fechado.

Justin começou a caminhar em direção a um desses bares, ignorando sua irmã, que o seguia. Eles entraram pela porta de vidro e um barulho de um sino inundou o local. O ambiente estava com uma temperatura maravilhosa e Luce aproveitou o momento para descansar numa das mesas. Seu irmão se aproximou do bar e falou alguma coisa com o barman.

– O que você pediu? – ela perguntou ao seu irmão.

– Água.

Mas, quando o barman voltou, não era água que ele segurava.

– Você pediu bebida?!

– Sou maior de idade, lembra? – ele tirou do seu bolso da calça a carteira de identidade falsa que Ian e Megan usavam com eles. Nelas, os dois irmãos eram maior de idade.

– Não faça isso, por favor. – Luce pediu séria.

– Me dê um motivo.

– Porque... – ela pensou nas melhores palavras para dizer aquilo, mas não estava tão calma assim – Eu já vi o que acontece quando você bebe. Não consegue mais parar.

Justin deu o primeiro gole, levanto junto com o gosto forte da bebida o amargor daquela frase.

– Mas eu não quero parar, Luce. Nunca quis.

– Mas precisa. Você não pode continuar assim. Você...

– Eu sou alcoólatra? – uma deu um riso, um riso seco e sem graça. – Posso ser muito pior que isso.

– Esta não é a questão.

– Realmente, essa não é a minha questão. – Justin começou a ficar alterado, com raiva. Bebeu mais um gole e prosseguiu – Você quer que todos ao seu redor sejam iguais a você, certinhos, seguindo regras e normas. Tudo tem seu lugar. Definitivamente, essa é a sua questão. Você, Luce, no fim das contas, é uma controladora.

Ela nunca ouvira isso antes. Nunca tinha visto alguém proferir essas palavras com tamanha ira. Inconscientemente, tampou sua respiração e esperou seu irmão se acalmar. Enquanto seu pulmão queimava por falta de oxigênio, as lágrimas começaram a brotar em seus olhos e a imagem de Justin ficou cada vez mais embaçada.

– Finalmente te fiz calar a boca. – ele comemorou e bebeu mais um pouco.

Então, a ficha caiu. Ela estava na Índia com seu meio-irmão, fugindo de uma guerra civil com dois agentes mal-humorados da CIA. O que a vida podia aprontar mais? Só faltava um avião cair bem em cima da cabeça dela. Luce percebeu que ela podia ser diferente. Ela podia ser quem ela quisesse, não precisava mais tentar manter o controle, porque nem sequer havia um e, se tivesse, nunca o alcançaria.

– Uma dose do que você tiver de mais forte – ela disse, com a voz embargada por causa do choro para o barman.

Justin lançou um olhar estranho para ela ao mesmo tempo em que se divertia com aquilo. O homem com um avental preto trouxe um copo com um líquido e o colocou em cima da mesa. Luce devolveu o olhar, desafiando-o, e bebeu todo de uma vez só. O que não foi algo inteligente, pois ela tossiu furtivamente até ter ânsia de vômito.

– Vá com calma, manhinha. – aconselhou ele, brincando.

– Mais uma dose. – pediu com a voz rouca.

Durante a degustação de Justin com a cerveja, Luce continuava a beber desesperadamente. Quando o barman disse que aquela bebida tinha acabado, ela agarrou a garrafa do seu irmão e a esvaziou. Depois pediu a segunda coisa mais forte que o bar tinha. No começo, Justin até se divertiu vendo o líquido escorrer no canto da boca dela, os seus sentidos ficando cada vez mais distantes, a cor que sua bochecha ganhava devido ar calor que o álcool proporcionava. Ele meio que desejava esse tipo de prazer a ela – sentir seus problemas sumindo junto com a sua sobriedade. Mas, o momento crítico chegou. Luce estava tão bêbada que deixou cair o copo de vidro no chão, provocando um estalo agudo.

– Luce. – Justin a chamou – Luce, é melhor irmos para o hotel.

– Maas por quee? – perguntou com a voz arrastada. – Não era vocêee que queria fuugir?

– Vamos. – ele disse, sem dar muita ousadia a ela.

– Só se você me baijaaar, bem aquiii, na minha boca.

Justin prendeu uma risada.

– O que você disse?

– Nãao se finja de surdo.

– Vamos, Luce. Não é hora para brincadeiras. – segurou seu braço e a levantou da cadeira, conduzindo-a para fora. Ela caiu para frente, sendo parada pelos seus braços musculosos.

– Você me segurou. – ela disse.

Seus rostos estavam quase colados. A tensão do momento serpenteava entre a opção de se beijarem ou de seguir adiante. Justin não estava bêbado. Ele apenas tinha bebido meia garrafa de cerveja. Já Luce tinha experimentado quase todos os drinks daquele bar. Ela não sabia o que estava fazendo. Provavelmente o álcool deixou-a excitada a ponto de tomar a iniciativa de beijar seu irmão. Por outro lado, ele sabia muito bem o que estava fazendo e, na lado de fora do bar, enquanto redescobria pela segunda vez a maciez dos lábios de Luce, Justin, em uma das poucas vezes de sua vida, fez algo que valia a pena.

Quando eles se desvencilhavam daquele beijo intenso e pouco conveniente, demoraram cerca de dez segundos para se lembraram do que iam fazer em seguida. Ir para o hotel. Mas então o corpo dela se encurvou para frente e de sua boca saiu um jato de vômito.

– Eca! Que nojo! – exclamou Justin.

Luce cuspiu e levantou a cabeça. Começou a andar feito um zumbi, sem nenhum tipo de coordenação motora ou senso de direção. Seu irmão acelerou o passo para guiá-la.

– Você é uma bêbada bem excêntrica, Luce.

– O que foi que aconteceu?! – Ian questionou quando os dois irmãos entraram no quarto.

– Ela está bebeu um pouco mais do que deveria. – explicou Justin.

– Quem? Ela? – deu uma risada irônica – Ela nunca tocou num copo de cerveja.

– Tudo tem sua primeira vez, não é?

Luce estava com uma aparência de um judeu depois de um ano num campo de concentração. Seu cabelo estava parecendo um ninho de passarinho, havia vômito pelo seu rosto e olheiras debaixo dos olhos. Andava desengonçada até o banheiro, com suas roupas bagunçadas e um pouco sujas.

– Qual é! Ela é inteligente de mais para ficar desse jeito. – comentou Ian, atordoado com sua visão da menina. – Alguma coisa aconteceu. – lançou um olhar interrogativo para Justin.

– O que? É minha culpa agora? – Ian continuou sustentando o olhar. – Tá bem, talvez eu tenha irritado ela.

– Por que você fez isso?

– Eu só disse a verdade! – ele se defendeu.

A conversa foi interrompida pelo barulho da comida misturada com a bebida saindo de estômago de Luce e indo diretamente para a privada.

– O que está acontecendo aqui?! – indagou Megan assim que abriu a porta.

– Ah, não. A cascavel descobriu. – Justin murmurou baixinho.

– Do que você me chamou? – em menos de três segundos, ela tinha ido parar na frente dele e o estava enforcando-o com a mão direita sem dificuldade.

– Ele não é o problema agora. – argumentou Ian. – Vá cuidar da menina que eu mesmo me viro com esse ai.

Megan encarou Justin por meros cinco segundos. A profundidade de seus olhos negros era de arrepiar, mas ele continuava a desafia-la com o olhar, como se dissesse “Vá em frente. Não tenho medo de você”. Aos poucos, ela foi soltando sua garganta e ele foi procurando o ar.

– O que aconteceu? – ela repetiu a pergunta, já com a paciência se esgotando.

– Ele embebedou a garota. – respondeu Ian.

– O que?! Foi ela quem escolheu beber! – ele se defendeu.

– Eu te disse para não colocar esses dois como maiores de idade! – Megan falou com Ian. – Olhe só para eles! São duas crianças insolentes!

– Eles precisam aprender a se comportarem se não...

– Se não o que? – Justin perguntou primeiro que a mulher.

– É, agente, se não o que? – ela repetiu a pergunta.

Tentar manter segredo em relação à Edward estava começando a sufocar Ian. Ele e Paul, seu irmão, eram os únicos que sabiam sobre a verdadeira identidade de Luce. Não seria fácil explicar isso, ainda mais porque todos eles, os quatros, estavam passando por situações difíceis ultimamente e revelar isso poderia complicar ainda mais as coisas.

– Alguém vá ajudar Luce, por favor. Antes que ela vomite sangue! – ele pediu, tentando manter a calma.

Megan ainda ficou olhando para ele, tentando investiga-lo.

– Mais tarde teremos uma conversa. – ela disse, antes de entrar no banheiro.

[...]

Ian estava terminando de ajeitar Luce na cama, cobrindo-a com o lençol quando Megan apareceu dizendo:

– Precisamos conversar. – ela parou na frente dele, da lado da cama onde a garota dormia.

– Vamos lá para fora. – ele sussurrou como resposta e levantou dando um suspiro de cansaço.

Ambos caminharam para fora do quarto, apagando a luz e fechando a porta.

– Como o menino está? – Ian perguntou, apoiando as costas na parede do corredor.

– Com a consciência limpa.

– O que?! Ele não pode estar com a consciência limpa! Não depois do que ele fez! Eu vou falar com ele.

Rápido e agilmente, Megan segurou com firmeza o braço dele, impedindo-o de ir embora.

– Antes me fale o que você está escondendo de mim. – falou séria. Ela soltou o pulso dele e esperou uma resposta com os braços cruzados.

Ian respirou fundo e soltou a respiração devagar.

– O que eu tenho para te falar não é nada fácil... – ele olhou para os dois lados do corredor, certificando-se de que ninguém ouviria. – Podemos conversar em outro lugar?

– Vamos, Ian! Se tem algo pra me falar, diga agora.

– Tudo bem... – seu corpo se tencionou e seus olhos encontraram os dela – Lucinda Stark é sua filha, Megan.

– O que?! – uma voz conhecida veio do lado esquerdo do corredor.

– Justin...

Notas finais
Etchan mainha!!! super tenso né! e o que foi aquilo??? nem eu esperava que Luce fosse capaz de fazer uma coisa dessas! mas fazer o que?? como eu já disse aqui uma vez, às vezes, a história manda no escritor e não o contrário.