Red

12 Milagres Acontecem


Notas iniciais
Alguém? ~le eco

É sério gente, eu sei que demorei muito pra postar, eu não sou de fazer essas coisas, mas é que minha semana foi bem emocionante. Tipo, eu troquei de sala, tive que estudar os assuntos atrasados, prova, livros e mais livros para ler... Enfim, meus finais de semanas tb estão mais agitados do que o normal.
Parando um pouco de falar sobre minha vida, esse capítulo, gEENNTEE, é tipo o meu predileto nessa primeira parte. Ai vcs param e pensam: então existe uma suposta segunda parte?
Ashuahsuahsuhausha
Boa leitura ;)

Milagrosamente, o senhor e a senhora Stark compareceram para um jantar em família. Era o segundo que Luce participava, pois o primeiro tinha sido quando ela se juntou à família. Neste em especial, ela percebeu que Justin era um garoto problemático e antissocial. Riu dela mesma com esse pensamento. “Se eu não fosse tão tola, teria descoberto logo de cara que ele não passa de um mal amado.”

Agora, todos estavam sentados ao redor da mesa, saboreando a comida tailandesa preparada por um chefe refinado tailandês. Era tanto luxo que Luce achava que para cada prato diferente servido, Eric contratava um novo cozinheiro especializado. Dinheiro para isso não faltava.

Fazia um mês desde que os irmãos haviam descoberto sobre a passagem e as armas. Nenhum dos dois tinham trocado uma palavra sobre o assunto durante esse tempo, o que era bom para Luce, pois assim, ela se sentia mais confiante de que nada de ruim poderia acontecer.

Anita estava sentada na cabeceira da mesa, oposta ao seu marido. Justin estava sentado ao lado de Luce, mas não porque ele queria; fora obrigado a fazer isso. “Milagre”, a menina tinha pensado. Já era estranho o suficiente ter seus pais jantando em família, seu irmão que tinha jurado vingança estava sentado ao seu lado. Luce se sentia completamente vulnerável. A qualquer momento, ele podia pegar uma faca e atirar contra ela, acertando seu fígado. Depois, venderia seus órgãos para o mercado negro para comprar drogas e bebidas, mesmo não precisando, pois tinha dinheiro para isso, porém o que a satisfação não é capaz de fazer?

Entretanto, os pensamentos de Justin estavam longe disso. Como ela o havia conscientizado anteriormente, se a matasse, iria voltar para o orfanato, coisa que estava fora de cogitação. Seu plano era outro, bem mais cruel e prazeroso. A morte era algo fácil, ele queria vê-la sofrer, ficar confusa e com medo. Parte disso ela já sentia, mesmo Justin não tendo conhecimento. O seu plano era chegar até o coraçãozinho puro e inocente de sua irmã e deixá-lo podre e duro. Ele sorriu demoníaco, emitindo energias tão densas e negativas que Luce chegou a se engasgar com a bebida. Tinha acabado de ter um pressentimento ruim.

- Tudo bem, querida? – Anita perguntou.

- Sim, mãe – respondeu com a cabeça baixa. Ainda era estranho se referir a ela como mãe, sem ao menos Anita se comportar como uma.

Luce não gostava de culpá-la pelo vazio imenso que sentia em seu peito. O culpado era o trabalho dela, entretanto ele fornecia aos filhos uma vida esplêndida, com coisas que quase nenhum adolescente possui o privilégio de vivenciar, porém, quanto mais roupas caras e objetos de valor Luce possuía, mais se sentia oca. Uma hora aquilo viraria compulsão, e ela tinha noção disso. Não queria virar uma garota fútil e materialista. Tinha que arranjar uma companhia imediatamente antes que se tornasse como seu irmão.

- Então – Eric se pronunciou pela primeira vez durante o jantar. Todos direcionaram sua atenção a ele, menos um – Como foram os seus dias?

Sua mulher foi a primeira a responder, interrompendo Luce inconscientemente.

- Foi péssimo! Cheio de exigências e caprichos. Quando é que a Beyoncé irá entender que depois de uma gravidez o corpo nunca volta a ser como era antes?

A partir daí, Luce não ouviu mais nada. Tinha focado seus sentidos no que Justin estava fazendo, o que a estressou de uma maneira absurda. Como uma criança de três anos que ainda não aprendeu a comer, ele havia lambuzado a toalha da mesa ao redor do seu prato, e para completar, tomou vários goles de refrigerante e soltou um arroto tão forte que sua mãe parou de falar.

- Você só pode estar de brincadeira comigo! – Luce se levantou num pulo da cadeira e se virou para ele.

- O que foi agora, em?! – respondeu, tendo a mesma atitude que ela.

- Não vem pra cima de mim com essa cara de cínico, porque comigo não rola! Como você consegue ser tão obtuso, garoto?

- Ahn? – ele franziu a cenho, sem entender nada.

- Por que será que até mesmo quando, por um milagre de Deus, nossos pais ficam mais de cinco minutos pertos de nós, você tem que estragar tudo?!

- Esse é meu modo de aproveitar o momento em família! Respeite-o!

- Como eu posso respeitar uma pessoa que nem se respeita?! – ela gritou com ele.

- Silêncio! – uma voz grossa estrondou na sala. Luce sentiu suas pernas tremerem, até Justin teve o estômago embrulhado – Vocês dois, já para o quarto!

O filho mais velho o encarou com uma cara de revolta e raiva, até mesmo um pouquinho de ira.

- Que porra, Eric! Já estou tão acostumado a ir para meu quarto que, se você me mandasse para o inferno, eu me sentiria mais confortável!

- Não me responda, Justin!

- Cansei de ficar calado nessa merda de família! Se é que isso – ele apontou para todos ali presentes — pode ser chamado assim!

- Justin,olha os modos! – Anita o reprimiu.

- Que modos? – ele deu um riso de deboche – Os que você me ensinou?

- Justin Stark, o senhor está de castigo por duas semanas! – Eric anunciou em voz alta.

- Ótimo! Pelo menos assim, eu não tenho que ver a sua cara! – ele olhou para todos, inclusive Luce, que assistia aquela desordem assustada e um pouco aliviada. Depois, subiu as escadas. Ela não pensou duas vezes e o seguiu.

Eric desabou na cadeira com dor de cabeça. Anita correu para socorrê-lo.

- O que eu fiz de errado com aquele menino? – lamentava-se.

- A culpa não foi sua, querido – ela o consolou – Nós sabíamos que esse dia iria chegar, que ele iria se expressar de alguma maneira tudo o que está por trás desses comportamentos grosseiros.

- Eu sei, eu sei. Mas, eu poderia ter impedido isso.

- Não, você não podia. – se ajoelhou ao seu lado – Não percebe como Luce está fazendo bem a ele? Qual foi a última vez que ele dirigiu mais de três palavras a nós?

Ele parou para refletir um pouco.

- Você tem razão – ele a abraçou – Não sei o que faria sem você do meu lado.

Sorriu.

- Vai ficar tudo bem. Você vai ver.

- Justin! – Luce gritou enquanto andava atrás dele.

- O que é?! – perguntou de costas, ainda andando em direção ao seu quarto, impaciente. De repente, ele se virou para ela. O movimento foi tão repentino que ela não teve tempo de parar e acabou ficando frente a frente com ele.

- Obrigado – simplesmente disse.

Ele riu sarcástico.

- Pelo o que?

- Por ter falado tudo o que estava preso na minha garganta há semanas.

- Não precisa me agradecer por ter me ferrado.

- Eu não tinha essa intenção – desculpou-se.

- O que você queria, então? Me irritar?

Na verdade, nem a própria sabia exatamente o motivo. Era uma mistura de várias coisas, e mesmo se achasse uma definição para aquilo, não iria contar a ele. Além de soar estranho, com certeza, ele caçoaria dela pela eternidade.

- É coisa minha, você não vai entender. – inventou uma desculpa esfarrapada.

- Às vezes acho que você, no fundo, é apaixonada por mim, só está com medo de admitir.

- Quem que está apaixonado por alguém fica toda hora brigando e discutindo com essa pessoa? – cruzou os braços.

- Você – riu, zombador.

- Idiota.

- Quer que eu te prove que você está apaixonada por mim?

- Eu não...

Justin não esperou ela terminar. Em questão de segundos, ele tinha posto sua mão na cintura dela e a puxado para perto dele. O beijo nasceu de um toque de lábios inesperado e sem emoção, já que não era nada agradável beijar uma pessoa contra sua vontade. Luce não cedia de jeito nenhum, por mais que ele afagasse suas costas ou tornasse o beijo mais intenso. Porém, houve um momento em que ela parou de lutar, pois tinha se concentrado em outra coisa.

De repente, Luce não estava mais em sua casa, nem com seu irmão. Estava num lugar diferente, num quarto, para ser mais específico, e ela não era ela. Se viu diante de um espelho no banheiro deste mesmo quarto, e do reflexo brilhou dois olhinhos intensamente verdes, os quais eram inesquecíveis. O menino sorriu, deixando aparecer dois buracos na sua arcada dentária. Provavelmente, ele tinha perdido dois dentinhos de leite recentemente. Ele não gostou daquilo.

Luce abriu os olhos, espantada e com falta de ar. Se deu conta de que ainda continuava beijando Justin. Eles se separaram.

- Eu não te disse? – deu um sorriso vitorioso.

Ela percebeu que tinha gostado do beijo em si, mais ainda do que acontecia quando o fazia. Não pensando direito, ela puxou-o para perto dela.

Agora, se encontrava num parque bem gramado e florido. Era primavera, ela sentia. Havia uma toalha de piquenique estendida abaixo de uma árvore. Duas pessoas estavam sentadas lá, um homem e uma mulher. Eles pareciam felizes. Também tinha um cachorro da raça labrador cor champanhe que sempre estava com o menino. O nome dele era... era... Rex.

- Justin, vem lanchar!

Ele correu até o casal e foi recebido por uma avalanche de beijos da mulher, evidentemente, sua mãe. E ele sorriu. Sorriu como se no mundo não houvesse maldade, sorriu como se não houvesse doença ou morte. Sorriu banguelo sem se importar com o que os outros iriam falar. Pode-se dizer que sorriu como nenhuma outra criança no mundo havia sorrido, pois esta seria a última vez que sorriria assim.

Luce sentiu a mão de Justin tirando sua blusa. A sua primeira reação foi se afastar dele e depois, dá-lhe um tapa na cara.

- O que tem de errado com você?! – ele brigou, colocando a mão delicadamente no local dolorido.

- O que em de errado com você?! O que pensa que ia fazer?

- Sexo – respondeu de cara-lisa – Não era isso o que você queria?

- Nem se eu estivesse hipnotizada!

- Pois não era isso o que parecia há alguns segundos!

- Eu estava fora de mim! – tentou se explicar, mas aquilo soou como se ela fosse uma doente mental – Eu nunca iria transar com você!

- Tem razão. A Luce de agora é tão certinha que vai morrer virgem! Mas a Luce de cinco segundos atrás... Eu tenho que te contar! Aquela ali tinha fogo no rabo!

- Me respeite, seu metido arrogante! – gritou vermelha de tanta raiva.

- Não vai me dizer que não gostou. – Justin se aproximou dela – Que não gostou do meu toque, do sabor da minha boca – sussurrou em seu ouvido.

- Eu prefiro chupar limão! – e cuspiu na cara dele.

Não só ele ficou assustado. Luce nunca seria capaz de cometer uma atrocidade dessas. O que tinha acontecido com ela?

- Depois você fica falando que eu sou repugnante e nojento! – disse depois de se limpar com a camisa – Agora, eu e você estamos no mesmo patamar.

Confusa, ela saiu do quarto. Estamos no mesmo patamar. Aquelas palavras ecoavam em sua mente e a perseguiam como se fossem espíritos vingativos. Por que ela tinha feito tamanha falta de educação? Ela não era assim. O que havia transformado-a em uma pessoa má? Justin. Só podia ter sido ele. A convivência dos dois estava estragando a personalidade de Luce. Ela se sentia perdida. Será que continuava sabendo quem era? Será que fora sua própria curiosidade que a havia mudado?

Entrando em seu quarto, ela resolveu desconsiderar todas essas perguntas de sua mente. Tinha algo mais importante para pensar. O que tinha sido aquela visão que tivera quando beijou seu irmão? Era realmente ele? Ou será que era uma alucinação causada pelo beijo? O mais provável era que fosse verdade. Luce tinha visto através das memórias dele a sua infância. Mas como isso era possível?

Ela entrou no banheiro e fechou a porta. Se olhou no espelho e lembrou-se do menino banguelo. Como pudera duvidar de que não era Justin? Aquele mesmo brilho intenso que saía dos olhos da criança, saía dos de Justin. Mas por que estava tão mudado? Parecia mais denso e escuro. Luce era a única pessoa no mundo capaz de reconhecer este brilho. Ela apenas não sabia disso.

Ela se concentrou em seu rosto. Estava pálido e acabado. Parecia um morto vivo com os seus cabelos levemente bagunçados. Aparentemente, podia jurar que era a mesma pessoa, a mesma Luce que saiu do orfanato Green Day com idealizações de uma família perfeita. Mas agora, de alguma maneira, ela sabia que havia mudado.

Notas finais
Tam-tam! Esse é plano maligno de Justin ashuashuashuashua.
Comentem o que acharam, babies.
Até a próxima semana.