Red
1 Prólogo - Recomeço
Triiiiiiiim!
Ai meu Deus! Sério que você já está tocando? Eu não consegui pregar os olhos. Que isso? Parece até que eu fui atropelada por um caminhão. Estou morta. Estou cansada. Estou eu.
Mal conseguindo andar vou correndo para o armário, na verdade, eu estou tentando correr. Pego uma calça jeans e a primeira camiseta que vejo na minha frente. Coloco a camiseta por cima da regata com que me deitei noite passada, enfio a calça jeans por uma perna até que perco o equilíbrio e vou de cara no chão. Acho que só não quebrei o meu nariz porque sou uma garota muito sortuda, sabe? Até que ouço a linda voz rouca do meu pai berrar da escada:
-Filha, vem logo tomar seu café, você vai se atrasar. Vem!
-Já estou indo! — grito irônicamente.
Pego um moletom, coloco por cima de tudo que já tentei vestir, coloco duas meias completamente diferentes porque não tive tempo de achar um par, coloco meu típico all star rasgasdo, pego minha mochila velha do ano passado e vou em direção a porta. Desço as escadas quase tropeçando novamente. Entro na cozinha rezando para conseguir, pelo menos, tomar um café da manhã decente, mas quando sento na mesa:
-Mais que raios é isso? — pergunto assustasda querendo saber o que que está na minha frente.
-A empregada não veio hoje por causa de um imprevisto, então foi isso que eu consegui fazer de imediato. — responde meu pai rindo de si mesmo.
-Torradas queimadas, café sem açúcar, pote de manteiga sem manteiga e como você conseguiu deixar um ovo sem gema? — grito.
-Não sei querida, só fecha os olhos, não liga para o cheiro e enfia pra dentro!
Finjo para meu pai que tive coragem de "enfiar pra dentro" aquela coisa que pra mim estava viva e jogo pela janela que tem em cima da pia sem que ele perceba. Pego minha mochila e saiu correndo em direção a porta, até que meu pai me impede e diz:
-Não! Hoje eu vou te levar para o colégio. Primeiro dia tem que chegar com "estilo" não é isso que os adolescentes dizem hoje em dia?
-Não pai! Nenhum adolescente pelo menos, um adolescente normal diz isso. — resmungo.
-Pare de resmungar e vamos logo se não você vai se atrasar. — diz meu pai me puxando pelo braço para fora de casa em direção ao carro.
Tento fugir, mas não tem como. Além de meu pai ser muito forte, eu até prefiro ir de carro do que ir andando 19 quadras com esse all star velho.
Entro no carro e me escondo no capuz do moletom vermelho, que é a minha cor favorita. Ligo o ipod no máximo no meu rock antigo favorito e me isolo do mundo por alguns instantes. Até que em cerca de minutos já sinto meu pai me cutucando e gritando me avisando que tinhamos chegado no colégio.
Saiu do carro as pressas porque não quero que meu pai me faça pagar nenhum tipo de mico como por exemplo me chamar de "amorzinho" ou bebe que era o que ele fazia quando eu era menor. Quando sinto meus pés tocarem o chão, saiu correndo pedindo para que meu pai não fale nada até que ele berra:
-TCHAU MEU AMORZINHO!
Eu aceno disfarçadamente, tampo o rosto e corro, até que bato de frente com a "perfeitinha" do colégio Summerland High School. Caímos no chão e eu só escuto o grito dela entrando pelos meus ouvidos.
-Mil desculpas. — grito.
Tento ajuda-la, mas ela me empurra, se levanta sozinha, joga o cabelo e vai embora. Enquanto todos riem da minha cara, penso "respira fundo e vai".
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