Recreio
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
A batida dos sapatinhos pretos no piso do corredor quebravam o silêncio, de forma harmônica (apesar de um pouco enjoativa).
Conforme andava, os cabelos loiros, presos nas quatro chiquinhas pulavam um pouco, assim como a sainha do uniforme que usava.
A pequena Sabaku no Temari caminhava pelos corredores da escola, procurando um lugar tranquilo para poder lanchar. Aquele pátio estava uma zona, e Temari odiava dividir o lanche com as crianças pidonas de sua sala. Chatos, hnpf.
Passou pelo corredor do primeiro ano, entrando logo na primeira sala, junto com a lancheira das Disney Faires. Os olhos grandes e esmeraldinos passaram pela sala toda, e constou-se que não estava completamente sozinha.
A loira caminha até a carteira á frente de uma cabeça deitada na mesa, que aparentava dormir pesadamente. Olhou, olhou, olhou. Estava um pouco curiosa acerca de quem seria, mas não via nada além de cabelos negros e um par de mãos entre eles. Cutucou o braço do garoto de maneira irritante e frenética, enquanto ele nem sequer se movia significativamente. Continuou cutucando.
– Hey, menino! Menino acorda! — disse Temari, com sua voz agudinha, o fazendo acordar.
Os olhos negros dele estavam um pouco fechados e marejados. A bochecha gorduchinha estava vermelha e com as marcas das aspirais do caderno da Hot Wheels. As sobrancelhas estavam arqueadas, sinal de que não gostou mesmo de ser acordado.Temari continuou á olhá-lo por cerca de três segundos, quando a cabeça do garoto tombou mais uma vez.
– Menino, acorda! — chacoalhou sua cabeça, e ele se levantou de novo, resmungando. — Você não vai pro recreio?
– Eu já estou no recreio — a olhou com cara de pouquíssimos amigos.
– Não tá não, você tá na sala! — colocou as mãos na cintura, e balançava a cabeça enquanto falava alto.
– E você tá na sala também — Temari abriu a boca para respondê-lo, mas não tinha o que falar. Emburrada, cruzou os braços, inchou as bochechas e virou a cara. O menino forçou para não rir da cena. Mas ainda estava com sono, e voltou a tombar a cabeça.
– Menino, acorda! — Temari voltou á irritar.
– O que foi? — ergueu o rosto.
– Por que não vai para o pátio? — perguntou ela.
– Porque eu não quero ir para o pátio — respondeu impaciente.
– Por que não?
– Porque não.
– Mas por que não?!
– Porque não!
– Mas por quê...
– EU NÃO VOU PORQUE EU NÃO QUERO! — berrou o moreno, fazendo com que os olhos verdes de Temari se abrissem mais. — Para de encher o saco menina! Você é muito porblemartica!
Temari refletiu. Jurava que tentou realmente entender.
– Eu sou o quê? — arqueou as sobrancelhas.
– Não. É problerm... Poblerm... Proberm...
– Problemática? — corrigiu.
– É, você é muito isso. Me deixa dormir — cruzou os braços e pousou a cabeça sobre eles. Temari riu alto, e o pequeno olhou para ela. — O que foi?
– Você nem sabe falar, e vem querer gritar comigo — cruzou os braços contra a camisa branca. O menino suspirou e voltou a deitar a cabeça. — Hey... — o cutucou de novo.
– Hn? — resmungou, não muito a fim de falar.
– Como é seu nome? — perguntou, e o fitou com os olhos brilhantes.
Ainda com a cabeça baixa, pegou o estojo com a sua identificação, e empurrou para que Temari visse. Ela o pegou em suas mãos e leu o nome do garoto na etiqueta, o que provavelmente fora escrito por sua mãe ou professora.
– Na...ra... Shika...ma...ru — leu enfim, com um pouco de dificuldade.
– Sabe ler? — Shikamaru ergueu o rosto para a loira, que o fitou.
– Claro — colocou as mãos na cintura de forma metida, estampando um sorriso orgulhoso.
– Hn... — assentiu levemente com a cabeça.
– Aposto que você não sabe — ergueu uma das sobrancelhas.
– Sei sim — respondeu bocejando. — Aprendi a ler ano passado.
– Mentira — duvidou.
– Verdade — deu de ombros.
– Quero ver! Me empresta uma folha! — pediu pegando um lápis de dentro do estojo de Shikamaru.
O menino abriu um dos cadernos na última folha e entregou para Temari. Ela pensou, colocando o fundo do lápis no queixo, voltando os olhos para cima. Depois de pensar, começou á escrever.
– Pronto, lê o que tá escrito aí! — colocou o caderno em cima da carteira novamente.
Shikamaru pegou o caderno em mãos com a folha por cima e fitou as letras com atenção.
– Sabaku no Temari — depois de cinco segundos de silêncio, Shikamaru despejou rapidamente, jogando o caderno sobre a mesa e cruzando os braços.
Temari piscou os dois olhos duas vezes, visivelmente surpresa.
– Eu disse que eu sabia ler — o menino se gabou um pouco.
– Agora lê o que tá ali na lousa! — apontou para o quadro verde na parede da sala.
– Quer que eu leia o quê? — perguntou, aceitando o desafio.
– Lê essa palavra aqui — caminhou até a lousa e apontou para uma palavra.
Shikamaru estreitou os olhos e moveu um pouco os lábios. Três segundos e meio depois, já tinha a resposta.
– Matemática — falou rápido com um sorriso pequeno.
– E aqui? — apontou para outro lugar.
– Kurenai — leu o nome da professora.
– E... — ia apontar para outra palavra, para continuar a desafiá-lo. — Ok, você venceu — revirou os olhos, com um sorriso pequenino, e voltou para onde estava.
– Eu falei que eu sabia ler — apontou a língua, divertido.
Os dois riram um pouco.
– Temari é o seu nome? — perguntou ele, já sem todo aquele sono que tinha. Como resposta, ela balançou a cabeça freneticamente, enquanto pegava sua lancheira, para comer.
– Gosta de sanduíche com patê de atum? — perguntou Temari, ao abrir a lancheira.
– Gosto — falou o menino.
Temari pegou o sanduíche que sua mãe havia preparado para ela, e, com cautela, partiu no meio (ou tentou), entregando uma das "metades" á Shikamaru.
– 'Brigado — ele sorriu, e Temari o fez também.
– Quer maçã também? — pegou um pedaço da fruta (já cortada e descascada) e ofereceu ao moreno.
– Não — balançou a cabeça também.
– Bom, só o suco que eu não posso dividir pela metade... — olhou para o copinho tampado que tinha na lancheira.
– Não liga não — Shikamaru sorriu. — Quer que eu divida meu lanche com você também?
– O que você trouxe? — Temari pulou um pouco na cadeira.
Shikamaru se virou e pegou a lancheira, que estava pendurada ao lado da cadeira. A colocou sobre a mesa, tirando antes os cadernos, e a abriu.
– Eu trouxe um sanduíche de queijo, presunto e tomate, suco de limão e uma banana — conferiu seus lanches. — Vai querer?
– Quero um pedaço de sanduíche — sorriu ela.
Shikamaru, assim como a pequena Sabaku, partiu com as mãos o sanduíche, e cedeu um pedaço á Temari.
– Obrigada — agradeceu, e deixou-o de canto, para que comesse depois.
Ficaram quietos por um momento, pois começaram a comer. Temari balançava os pés, e Shikamaru a fitava.
Era tão bonitinha... Tinha as bochechas gordinhas e rosadas, e aquelas chiquinhas lhe davam um ar mais infantil ainda. Quando sorria, parecia um anjinho.
Por um momento, Shikamaru se esqueceu da garotinha chata que foi acordá-lo.
De repente um barulho alto. Era o sinal do fim do recreio. Temari suspirou.
– Tenho que ir... — guardou o copinho vazio de volta na lancheira, e se levantou, batendo na saia, tirando os farelos do pão de forma que comeu.
– Ah... — o moreno se decepcionou. — Tchau então.
– Tchau — Temari foi até Shikamaru, parando ao seu lado, dando-lhe um beijo na bochecha. O menino corou bastante, e a loira virou as costas. — Gostei de te conhecer — começou aandar em direção á saída.
– Hey! — antes que a loira chegasse na porta, Shikamaru lhe chamou a atenção. — Você vai vir amanhã? — Temari assentiu com um sorriso. — Então até amanhã — sorriu também.
– Até – acenou, e saiu da sala correndo, para não perder a aula.
Shikamaru colocou a mão sobre a bochecha ainda quente, sorrindo bobamente, enquanto os outros alunos da sala entravam e tomavam os seus lugares.
Nunca mais dormiria na hora do recreio.
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