Recovery
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Notas iniciais
Carol Peletier mantinha um sorriso largo em seus lábios, o que fazia seus olhos enrugarem levemente. Era uma mulher bela, firme e dona de sua própria vida. Independente, se houvesse como descrevê-la em uma palavra, seria independente. Carol poderia, sem dúvida alguma, dizer que comeu o pão que o diabo amassou nos anos em que foi casada com Ed, sofreu os piores abusos e humilhações, mas agora, quem poderia dizer que aquela mulher já havia passado por tudo aquilo?
– Tudo bem, agora já pode me dizer qual a razão disso tudo? — Carol pergunta para a amiga, ainda sem compreender por que estavam tão eufóricos naquele dia.
– Se esqueceu que o amigo de Rick chega hoje? Daqui a pouco, aliás. — Lori responde a amiga, olhando preocupada para o relógio e se perguntando se tudo estaria pronto para a chegada de um dos seus mais antigos amigos.
– Oh, eu quase havia me esquecido. Hun... Senhor Dixon, se não me falha a memória. — Carol diz, tentando se lembrar do primeiro nome do homem ao qual Lori se referia.
– Não o deixei ouvi-la chamando-o dessa maneira — Lori sorri abertamente para a amiga. — É Daryl. Daryl Dixon.
Carol concordou gentilmente, sem ter tempo de dizer qualquer coisa já que Lori correu de encontro ao casal de filhos que brigavam por conta de algum brinquedo. Sua filha, Sophia, se encontrava em uma discussão com Rick sobre algum assunto bobo. Sorriu ao olhar para a filha, admirando a si mesma por ter conseguido criá-la tão bem.
A mulher foi puxada de seus pensamentos, ao ouvir Lori chamando-a para ajuda-la na cozinha.
A viajem havia sido cansativa para Daryl e Beth, exceto Aurora que havia dormido praticamente o caminho todo. A garotinha acabava de despertar de seu sono, coçando os pequenos olhos e olhando para o pai que ainda estava ao volante.
– Já chegamos? — A voz infantil desperta Daryl de seus devaneios, fazendo-o olhar pelo retrovisor a garotinha com cara de sono. Sorriu alegremente para ela.
– Estamos quase lá. Se sente animada? — Pergunta para a menina, que o olha com um sorriso empolgado nos lábios. É claro que Aurora estaria empolgada, não via a hora de conhecer a tão falada cidade de Woodbury, assim como o tal Rick de quem seu pai e sua tia tanto falavam.
– Podemos tomar sorvete? — A garotinha pergunta, balançando as perninhas.
– Claro que nós vamos tomar sorvete. — Daryl balança a cabeça negativamente, enquanto mais um sorriso brota de seus lábios ao pensar no quanto sua pequena adorava um sorvete.
Não demorou muito para que Daryl entrasse na cidade, podendo ver as casas simples e comportadas, as pessoas conversando alegremente umas com as outras, como se fossem todas uma grande família. O homem sacudiu o braço de Beth levemente, despertando a garota.
– Acorda pra cuspir. — Daryl diz, puxando um sotaque extremamente caipira, o que arranca gargalhadas das duas garotas no carro.
Beth sentia falta do bom humor de seu irmão mais velho, assim como daquele sorriso maroto que brilhava em seus lábios enquanto ele fazia palhaçadas para as duas. A garota levou a mão até os fios negros de Daryl, acariciando o cabelo do irmão e logo depois o rosto, sentindo uma alegria imensa por vê-lo finalmente voltando a ser o Daryl de sempre.
– Tia Beth, papai falou que vamos tomar sorvete. — Aurora sorri para a tia, claramente animada.
– Mas é claro que ele disse. Tenho certeza que ele disse também que nós vamos almoçar primeiro, não é Daryl? — Beth olha para o irmão, que faz uma careta de desgosto com aquilo, assim como a garotinha no banco de trás. — Daryl! Você deveria servir de exemplo.
– Maninha, você é tia dela exatamente pra fazer esse tipo de coisa. Tornar algo legal em uma tarefa chata. — Beth não se contem em dar um leve tapa no braço de Daryl, que sorri para ela. — Eu acho que nós chegamos.
O homem diz, estacionando a caminhonete de frente para a casa que ele se lembrava vagamente. Não demorou muito para que avistasse o xerife abrindo a porta e sorrindo abertamente.
Beth saiu do veículo junto de Aurora, logo indo cumprimentar o homem, abraçando-o por um logo minuto.
Daryl não demorou para sair da caminhonete, indo logo de encontro ao amigo que o recebia de braços abertos, abraçando-o com força, dando uma risada enquanto dizia o quanto ele havia feito falta.
– É bom te ver também. — Daryl diz, retribuindo ao abraço de Rick, seu irmão. Ele não teria outro lugar para recomeçar sua vida se não ao lado de sua família, Rick Grimes fazia parte de sua família. Daryl deu alguns tapinhas nas costas dele, fechando os olhos e sentindo que poderia respirar novamente. Nunca havia se sentido tão em casa, quanto se sentia naquele momento.
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