Recovery
3 Consultation.
Notas iniciais
— Olá...? — a voz grossa dele invadiu os tímpanos dela, causando na morena um leve arrepio.
Afinal, quanto tempo fazia-se desde a última vez que falara com Damon Salvatore? Ela não sabia e certamente o tempo não importava naquele momento. Aquele homem era o adolescente que ela fora apaixonada durante três longos anos! Como agir diante dele? E se ele soubesse de sua paixonite?
Suas bochechas queimaram, corando. Ela lembrou-se então de que Damon era o irmão aparentemente com graves problemas de Stefan e usou sua melhor máscara profissional. Ele era apenas seu paciente, ela não deveria agir como uma adolescente perto dele – por mais que ele fosse lindo –, afinal ela crescera.
— Sou Damon Salvatore. — ele continuou, seus olhos fixos nela.
De onde a conhecia? Certamente já vira aqueles olhos chocolates antes, mas... onde? Ele não conseguia se lembrar.
— Eu sei quem é você. — ela sorriu. — O-O seu irmão falou de você quando me procurou. — ela tentou consertar seu gafe, engolindo em seco em seguida.
Ele nem deveria saber que ela estudou com ele, então para que lembra-lo de um fato por ele desconhecido? Ela agiria como uma boa psicóloga que era e não abriria a boca para contar sobre o passado. Ele tinha um problema e ela tinha a função de ajuda-lo.
— Muito bem. — ele respondeu e ela notou seu tom de voz meio emburrado. Será que o moreno estava sendo forçado a se encontrar com ela? — Vamos começar logo com isso. — ele entrou sem que ela dissesse nada, passando pela morena e entrando no belo consultório da mesma.
Seus grandes olhos azuis analisaram todo o local, reparando que cada detalhe era tão feminino e delicado quanto a sua nova psicóloga. Parecia ter traços da morena em cada canto da sala. Assim como ela, sua psicóloga parecia ser alguém muito bem organizado.
Damon balançou a cabeça de um lado para o outro afastando as memórias de sua mente e virou-se para fitar a morena, que agora havia fechado a porta e já caminhava até sua confortável cadeira de couro.
— Sente-se, por favor. — ela pediu, a voz delicada e suave.
— Obrigado. — ele sentou-se na cadeira de frente para a mesa dela.
— Então, Damon, primeiramente... Meu nome é Elena. — ela sorriu e ele assentiu, ainda com uma expressão mal humorada que a incomodava. — Seu irmão me disse que você não queria ir a um psicólogo... Poderia me explicar por quê? — ela abriu um novo documento em seu computador, colocando no título o nome de Damon e esperando que ele falasse.
O moreno, no entanto, apenas revirou os olhos. Não estava com a mínima vontade começar um diálogo com a psicóloga a sua frente, por mais simpática que ela parecesse. Era simplesmente ridículo que ele tivesse que relatar toda a sua vida aquela mulher.
— Damon?
— Olha, você parece ser uma boa pessoa, mas realmente eu não quero falar nada. — ele cruzou os braços, encarando-a. Sua expressão desmoronou e ela respirou fundo, minimizando o documento e cruzando as mãos abaixo da mesa.
Seus olhos fixos nele. Ela o analisava intensamente, cada detalhe daquele homem era interessante ao seu ver, mas por que ele estava sendo tão difícil? Ela deveria tentar ser mais dura com ele? As perguntas rondavam sua mente enquanto ela o analisava. O moreno, sentindo-se extremamente desconfortável, desviou os olhos dos dela.
— Para com isso! — exclamou. — Não gosto disso, que as pessoas fiquem me encarando. — ela piscou algumas vezes, abrindo o documento novamente e digitando no mesmo. Era uma informação interessante que ela poderia trabalhar.
— Por que não? — perguntou, ainda com os olhos fixos no documento.
— Como assim por que não? — ele se virou para encará-la. — Eu não gosto. Simples assim. — ela digitou rapidamente, os olhos fixos na tela. — Vai mesmo digitar tudo o que eu disser? — seu tom de voz entediado puxou a atenção de Elena para ele.
— É o meu trabalho. Simples assim. — ela respondeu, voltando a se concentrar em seu novo documento.
Damon respirou fundo. Não estava gostando nada daquela consulta e torcia para que as horas passassem mais rápidos para que assim finalmente pudesse estar em casa. Ficar longe de casa o angustiava. Ele precisava das drogas e de seu cigarro, esquecido em cima da mesa de centro de seu apartamento.
— Por que não queria vim na consulta Damon? — ela repetiu a pergunta, seus olhos fitando-o.
Ele bufou.
— Não é óbvio? — perguntou para ela, que balançou a cabeça negativamente. Ele franziu o cenho. — Não é legal abrir toda a sua vida para uma desconhecida. — respondeu emburrado, desviando os olhos dela.
Elena soltou um sorriso, digitando rapidamente e minimizando o documento. Deixaria para escrever sobre o moreno depois da consulta já que o incomodava. Damon não se lembrava mesmo dela, o que era completamente compreensível. Eles não eram desconhecidos, mas também não eram conhecidos, afinal nunca sequer tiveram uma conversa antes.
— Mas para a pessoa deixar de ser uma desconhecida precisamos conversar com ela, confiar nela, criar uma história com ela, certo? — ela sorriu doce.
Damon encarou-a. Aquela mulher estava mesmo falando sério? Seus olhos gentis lhe diziam que sim, mas por que afinal ele precisava contar sua vida para ela? Maldito Stefan, pensou, seu maxilar travando.
— O que quer saber Doutora Elena? — seu tom de voz sarcástico pegou a morena de surpresa.
— Por que seu irmão procurou-me? — ela perguntou, os olhos fixos nele.
— Porque ele é ridículo... — murmurou Damon, revirando os olhos. O irmão realmente não possuía limites quando o assunto era se meter em sua vida.
— Acho que não foi por isso... — ela o incentivou, os olhos sem deixar o belo rosto dele.
— Foi porque... — ele travou, sua voz morrendo na garganta. Ele não conseguiria falar, não hoje, não sobre ela.
— Porque....
— Porque... — ele realmente não conseguia falar. Suas mãos subiram até os cabelos, onde correram e depois voltaram para seu colo. — Desculpa, não consigo. — ele abaixou a cabeça, lembranças invadindo sua mente.
— “Seus olhos são tão lindos!” — ela possuía um sorriso tão bonito! Era a pessoa mais alegre que ele já conhecera. Mas ela não estava mais ali, não com ele, e esse pensamento lhe trazia lágrimas.
— Calma. — a voz veio da doutora. — Vamos com calma, ok? Você é forte, tem força para fazer inúmeras coisas. Talvez só ainda não saiba. — ela deu de ombros, chamando a atenção dele.
— Não tenho tanta certeza disso. — murmurou, enxugando as poucas lágrimas que saíram de seus olhos. — Eu costumava ser alguém mais confiante, porém hoje, sinto que perdi uma parte minha. Uma parte indispensável minha. — ele desabafou, suspirando ao final de sua fala.
Não aguentava se sentir assim! Daquele jeito ele não conseguiria mais viver, sentia-se um morto-vivo sem ela... Como ele conseguiria aguentar a vida e recomeçar sem a garota de olhos azuis que ele mais amou?
— Eu soube que você é pintor fotográfico... Isso é verdade? — a mudança de assunto assustou o moreno, que precisou de alguns segundos para se recuperar de seu desabafo. Engoliu em seco, assentindo, lembrando-se das inúmeras telas trancadas em seu apartamento. — Será que na próxima consulta você não poderia trazer algumas? — ela pediu.
Ele iria negar, porém os olhos dela... Eram tão bonitos e familiares... Ele não conseguiria negar nada enquanto olhasse para aqueles enormes diamantes chocolates. Assentiu, soltando um pequeno sorriso.
— Obrigada Damon. — ela sorriu, levantando-se.
— Eu que agradeço. — ele murmurou envergonhado, também levantando.
— Então nos vemos semana que vem? — ela sorriu, abrindo a porta para ele.
— Nesse mesmo dia? — ele quis saber.
— Nesse mesmo horário. — ela assentiu, ainda sorrindo. — Tchau Damon. — ela apertou sua mão, sentindo calafrios em todo o corpo. — E lembre-se: você é forte. — ela sorriu mais uma vez e, dessa vez, ele assentiu.
Foi uma consulta legal, afinal. Pensou ele, dando de ombros, enquanto entrava no elevador. Mas os olhos dela... Os olhos dela eram tão magníficos! Ele sentia que a conhecia de algum lugar...
Só não sabia ainda exatamente de onde.
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