Recordando o Amor
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Quanto deu mesmo?- Freddie estava sério
– Calma Freddie! Você só tinha se esquecido de me apresentar a Sam!- Calvin sorriu pra mim
– Samantha!- Freddie respondeu sem exitar
– Odeio Samantha! Me chame de Sam!
– Temos que ir!- Freddie estendeu o cartão de crédito
Calvin me encarava de um jeito que me deixou até sem graça, enquanto Freddie só nos observava. Ele terminou de pagar e saímos sem trocar uma palavra, entramos no carro e ele bateu a porta com força
– Irritadinho?!
– Bastante intimidade com o Calvin né?
– Me poupe Freddie!
– Viu como ele te olhava?! Parecia que você era um pedaço de carne!
– Bem suculento!- Eu ri e ele me encarou sério
– Sem gracinhas!
– Freddie, ele foi o único que me pareceu não achar que éramos um casal
– Aquilo foi simplesmente desnecessário!
– Ok... ok! Mas eu não tenho culpa, convenhamos!
– Eu sei, só estou te protegendo, agora... somos... amigos ué! — Ele me pareceu envergonhado
–Uhum!- Eu sorri sarcástica
O caminho até a residência Benson foi longa e não trocamos uma só palavra. As vezes ele me olhava, mas eu estava com a cabeça escorada no vidro olhando para os carros que passavam, e pensando como tudo havia mudado na metade de um único dia... meu emprego havia mudado, minha paixão juvenil havia voltado, agora eu tinha me fascinado por uma criança... eu até pensava na hipótese daqueles 6 anos serem recompensados, mas achava loucura. Quem diria Sam Puckett empregada de Freddinerd... um sorriso me escapou quando eu lembrei dos apelidos que eu o dava
– No que está pensando?- Ele me atrapalhou das minhas lembranças
– Em nada...
– Parecia ter ficado feliz nos seus pensamentos...
– É bobagem
– Diz- Ele estava concentrado naquelas ruas que mais pareciam um labirinto
– Lembrei dos apelidos...- soltei um sorriso bobo
– Os que você me dava? Ou melhor que continua me dando pelo visto...- Ele riu debochado
– Sim...
– E por que pensando nisso agora?
– Sei lá... foi tudo tão de repente...- eu ainda encarava a paisagem poluída pela janela
–O que?- E ele as infinitas ruas movimentadas
– Tudo... Minha vida rotineira acaba de ser virada de cabeça pra baixo completamente em apenas uma manhã...- Consegui o ver olhar para mim e dar um daqueles famosos sorrisos que me arrepiavam desde o primeiro fio de cabelo da minha cabeça.
Permanecemos o resto do caminho todo em silêncio, minha mente um alvoroço só e o corpo dele imóvel... até chegarmos a um incrivelmente alto portão, que logo se abriu e me deixou a mostra as enormes mansões que ali estavam, era uma mais incrível que a outra, não sabia onde aquele povo arrumava tanto dinheiro. O carro de repente parou e eu olhei pela janela, uma casa muito grande estava frente a meus olhos, sua entrada era de uma passarela rodeada por um jardim de grama muito verde e baixa, com flores especificamente todas roxas... eu abri a porta impressionada, andamos até uma enorme porta de madeira clara, Freddie a empurrou e me deixou entrar, eu nunca tinha admirado tanto uma sala tão grande, com uma televisão que dava umas mil da minha, se eu deitasse ela daria o meu tamanho e com uma escadaria muito alta no canto dela... as cores eram claras e neutras, tanto das paredes quanto dos móveis, que a maioria eram lustres
– Isso é incrível!
– É, foi eu quem decorei!- Ele deu um sorriso orgulhoso- Você ainda não viu a cozinha!
– Partiu conhecer a cozinha!!- Falei alegre o fazendo rir, eu o segui e chegamos a um lugar que dava o meu apartamento inteiro, não tinha divisória com a sala, tinha um enorme balcão de mármore bem no centro, com vários utensílios eletrônicos o que já era de se esperar, tudo era muito grande naquele cozinha, as duas geladeiras, as duas pias, o microondas, o forno eletrônico, e muitas outras coisas que eu nunca tinha visto na minha vida!- Eu quero abrir essas geladeiras!
– A Senhora Cindy não deixa qualquer um invadir seu território!
– Quem é senhora Cindy perto de Sam Puckett?!- Debochei mas logo uma voz antipática apareceu atrás de mim
– Sou a Governanta da Residência Benson, senhora Puckett!- Me virei e olhei uma senhora baixa com um coque bem feito de braços cruzados me encarando séria
– E o que a senhora Governanta faz de tão importante para não me deixar invadir a "Residência Benson"?- Eu realmente fiz as aspas com os dedos e também cruzei os braços, imitando o jeito como ela me tratava
– Sou eu quem dou as ordens quanto o Sr. Benson não está, eu cuido da ordem dessa casa e dos funcionários presentes nela! Eu também cuido da Senhorita Emma!- Que serzinho mais chato! Demorei um tempo para entender o que ela dizia e comecei a rir, encarei Freddie que assistia tudo de camarote
– Por que ela chama a Emma de Senhorita?!- Eu continuava rindo
– Se chama educação, Senhora Puckett!- Ela se intrometeu
– Nunca me chame de Senhora! Porque pelo o que parece sou bem mais nova que a SENHORA!- Naquele momento eu comecei a odiá-la
– Sam, acho melhor conhecer o resto dos funcionários!- Eu concordei com a cabeça- Chame-os por favor Cindy...- Ela concordou com aquela cara toda enrugada e se retirou- Acho que não se deu muito bem com ela!- Disse rindo
– Estou quase desistindo por causa dessa víbora!- Revirei os olhos
– Nem pensar! Temos um acordo!
– Acordos são feitos para serem quebrados, Sr. Benson!- Eu sorri irônica e logo a uva passas e mais umas 7 pessoas entraram todos com uniformes azuis na cozinha e tomaram uma certa distância de nós
– Bem Sam, a senhora Cindy você já conhece, então esses são: Billy e Bobby, os seguranças da casa; Bryan o chefe de cozinha e sua assistente Donna; e por fim Jenna, Lucy e Trisha as empregadas domésticas!- Eu estava de boca aberta com tantos funcionários
– Eai galera?- Eles continuavam feitos estátuas me olhando- Sou Samantha Puckett, mas me chamem de Sam, porque odeio nomes complexos!- Sorriram simpáticos menos a bruxa
– Pessoal, Sam, é uma amiga minha de infância que irá cuidar de Emma, e organizará as atividades delas!- Freddie disse sério
– Não me considerem como babá, porque não sei cuidar nem de mim mesma, eu serei mais amiga dela, e de vocês também, porque ambiente de trabalho sem ter com quem conversar fica muito chato!- Eles riram, mas a senhora Cindy os olhou com um olhar metralhador e eles pararam
– Senhor Benson, quer que apresente o resto da casa para a Senhora Puckett?- Ela realmente tinha me chamado de Senhora novamente?! Olhei para Freddie brava
–Não será preciso, eu mesma apresentarei a casa para ela! Obrigado, podem se retirar
–Com licença!- Disseram todos juntos e saíram
– Graças a Deus! Não aguentava mais aquela velha chata! Ela me lembra a sua mãe!- Eu ri
– Não chame minha mãe de velha chata, Sam!- Falou sério
–Ok... ok... sabe Freddie, eu tô realmente cansada, será que não tem como me mostrar o resto da casa amanhã?
– Mas você não ia buscar Emma comigo? Pra contarmos pra ela?
– Ah... conta sozinho...- Eu relaxei meu corpo
– Ah Sam...- Ele tinha um olhar tão meigo
– Tudo bem... vamos conhecer essa casa melhor!- Dei um sorriso fraco
A casa era realmente gigante! Tinham 3 andares, mas os maiores andares da minha vida, no 1º eram a sala de estar com televisão, a cozinha, a sala de jantar 1 banheiro, um escritório, e uma saída para o maior quintal que eu já tinha visto, com as maiores piscinas, uma com a altura baixa e outra muito funda, fora o parquinho particular de Emma, também tinha a própria casa dos empregados, que preferi não conhecer por ser particular deles, no segundo eram 2 gigantescos quartos de visitas, o de Emma que parecia de uma princesa fora os pôsteres de bandas de rock e algumas dicas do pop colados nas paredes cor de rosa, com suíte e banheira, o de Freddie tinha sacada, closet, banheiro com banheira e muitas outras frescuras tecnológicas, como uma cabine de câmeras que vigiavam a casa, e o mais legal era que todos os quartos tinham uma mega televisão e ar condicionado, ele era podre de rico! O terceiro andar tinha um quarto particular com brinquedos para Emma, outro banheiro, uma sala de jogos totalmente tecnológica e por fim uma academia muito grande com uma grande janela, que dava a parede inteira, com visão para o quintal que ficava pequeno perto daquela altura. Depois de conhecer a mansão voltamos ao quarto de Freddie, depois de me impressionar com tudo o que tinha sentei na cama dele sem nem perguntar se podia
– Que horas são Freddonho?
– Três horas...
– Ai meu Deus... eu to morta!- Me joguei na enorme cama dele, fazendo as molas me impulsionarem levemente pra cima!- AAAAAAH!!!
– Que foi?!!- Ele pareceu preocupado
– São molas!!!- Tirei rapidamente aquelas sapatilhas mesquinhas e fiquei em pé na cama dele
– Você não seria capaz, Sam!- Disse sério, com um olhar repreensivo
– Claro que seria!- Comecei a pular que nem uma louca, desmanchando toda aquelas fronhas brancas perfeitamente arrumadas
– SAM!!!!
– Para de ser chato!- Peguei uma almofada também branca e taquei nele
– Ah, é assim?!- Ele soltou um sorriso irônico
– É assim sim!- Rapidamente aqueles sapatos de couro foram arrancados dos pés de Freddie, ele subiu na cama com calma e pegou uma almofada, enquanto eu nem prestava atenção e continuava pulando feito uma maluca
– Se prepare!- No que eu olhei Freddie atirou uma almofada no meu rosto me fazendo cair
– Isso não vai ficar assim!- Eu sorri sarcástica e peguei uma almofada... quando fomos ver estava uma guerra de travesseiros que voavam para todos os lados, eram nítidos os sons das gargalhadas que não paravam um minuto, por um instante parecia que éramos as mesmas crianças de anos... minha barriga doía de tanto rir, me joguei deitada na cama cessando as risadas...
– Cansou Puckett?- Ele se deitou ao meu lado
– Um pouco...- Sorri
–Um pouco?! Você tá toda ofegante, acho que alguém não tem mais aquele mesmo pique!
– Só se for você!-Eu o encarei quase sem querer e meus olhos se encontraram no dele, naquela imensidão castanha cheia de pontinhos brilhantes refletindo a minha imagem, eu conseguia descobrir cada segredo dentro de mim por aquele olhar penetrado em mim, minha concentração estava totalmente domada por Freddward Benson, eu sentia o seu perfume exageradamente forte exalado pelas suas roupas, sua respiração quente se encontrava na minha e eu estava completamente perdida naquela adrenalina pelos maiores minutos e mais intensos que eu já havia vivido... mas de repente uma pequena menininha pulou ao nosso meio tirando minha visão daqueles olhos
– Eeeeeh!!!!- Emma estava deitada com a gente com um sorriso de orelha a orelha, olhei para Freddie e ele ainda parecia meio perdido
– Boa menina, fugiu da escola né?- Disse a ela retribuindo o sorriso
– Eu não, mas um professor sim!- Ela riu
– Eu torcia para que professores fugissem até o último ano da minha universidade!
– Um garoto da minha sala, o mais chato inclusive, passou cola na cadeira do professor, e quando fomos ver o Sr. Stone saiu correndo com uma cadeira grudada em seu traseiro!- Emma gargalhava
– Você não pode rir da infelicidade das pessoas!- Freddie resolveu dar uma lição de moral na garota
– Mas foi muito engraçado, papai!- Disse manhosa
– E como veio até em casa?- Perguntou preocupado
– Robbie me deu carona, ele mora 3 casas depois da nossa!
– E quem é esse tal de Robbie?!- Não acreditei quando vi Freddie com ciúmes da própria filha
– Ele senta do meu lado na sala! Ele é até que bem legal!
– Quando for assim, me liga que eu vou te buscar!
– Como ia saber que você não estava enfurnado naquilo que se chama de trabalho?- Emama parecia chateada, ele ficou sem reação e sem saber o que dizer a filha
– Bem...- me sentei na cama- Temos uma novidade pequena Benson!- Ela sorriu e também se sentou
–E o que é??
– Sam é sua nova babá!- Freddie se sentou um pouco decepcionado e sem humor
– Achei que eu diria a ela!!!- Ele estava com um olhar baixo
– SAMM É A MINHA NOVA BABÁ!! SAM É MINHA NOVA BABÁ!!! SAM É MINHA NOVA BABÁ!!!- Ela pulou da cama e saiu cantarolando
– Eii Emma onde vai?
– Esfregar na cara daquela bruxa da Sra. Cindy!- Eu e ela rimos
– Pode deixar que eu mesma já contei a ela!- Ela sorriu para mim
– Emma vá tomar um banho para o jantar, que eu vou levar Sam para casa...- Se levantou calmo da cama
– Ah papai... além de levar ela embora ainda quer que eu toma banho?!
– Já!- Eu diria que autoritário
– Que vida injusta!!- Ela saiu brava do quarto, me levantei da cama e ri da cena
–Vamos?- Me perguntou pegando a chave da mesinha
– Não acha que é muito cedo para ela tomar banho para o jantar?
– Não...- Disse ríspido e saímos do quarto, me despedi dos empregados e caminhamos até o carro, ele parecia chateado e incomodado, desde que tínhamos entrado no carro até metade do caminho ele não havia dito nada
– Parece chateado...
– Impressão sua!
– O que aconteceu?! De repente mudou de humor, resolveu ser bipolar? — Ele bufou- Tá legal! Não tá mais aqui quem falou!
– Foi mal... você não tem nada a ver, acabei descontando em você...
– Quer conversar?
– É Emma... estamos tão distantes, e ela insiste em esfregar isso na minha cara!
– Freddie, imagina você ser abandonada pela própria mãe , ser nova na cidade sem muitos amigos, ter uma governanta chata e ainda não ter um pai muito presente... ela só diz isso pra ter um pouco da sua atenção... acha que eu comecei a ser assim por que? Porque eu só queria que Pam me olhasse sem ser tão maluca... Emma não fez por mal, ela só não quer ser comparada com seu trabalho, ou com suas maluquices...- Olhei para baixo ao lembrar da minha mãe
– Obrigado...- Ele sorriu e eu retribui com um sorriso fechado fraco...
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