Os dias seguintes foram de tranquilidade. Noah e eu saímos mais uma vez. Desta vez com Daryl, Glenn e Maggie.

Nessa viagem Maggie nos acompanhou no papo fazendo muitas vezes Daryl resmungar que não calávamos a boca.

— Cara, deixa a gente conversa nem todos gostam da vida de silêncio que você gosta.

— Matraca. — Resmungou.

Assim que ele estacionou descemos do carro e eu esbarrei nele de propósito.

Entramos em algumas lojas até que avistei uma mansão enorme.

Daryl e eu seguimos até ela deixando os outros para trás. Verificamos se tinha alguém e depois entramos. Vasculhamos o local pegando tudo que poderia ser útil.

Estava na cozinha quando ouvi alguns resmungos e coisas caindo.

Fui até o hall e vi Daryl descendo as escadas com uns 10 zumbis atrás dele, seguimos para a porta, mas tinha uns 5 na varanda. Ele correu para a escada já começando a matar os zumbis. Fui para a cozinha de novo onde tinha as paredes de vidro.

Peguei uma cadeira e comecei a quebra-lo. Daryl apareceu na cozinha correndo e me ajudou a quebrar o vidro. A porta da casa começou a se quebrar.

— Está tudo fechado. — Daryl resmungou. — Estamos presos aqui.

— Quanto drama. — Resmunguei mexendo no fogão.

Liguei todas as bocas de gás enquanto Daryl passava pelo buraco do vidro. A porta se quebrou e eu agarrei o isqueiro. Joguei a mochila pelo buraco do vidro e passei logo depois. Os zumbis invadiram a cozinha e tentei acender o isqueiro, mas por um azar ele não estava colaborando.

Balancei ele e tentei mais uma vez. Acendeu e o joguei para dentro da cozinha.
No mesmo momento tudo explodiu dentro da casa. Meu corpo foi lançado para longe me jogando dentro da piscina. Emergi e cuspi a água que tinha na boca, olhei em volta. A casa pegando fogo. Tentei achar Daryl. Até vê-lo deitado no chão ao lado da piscina.

Nadei até ele e sai da piscina. Me ajoelhei ao seu lado e comecei a balança-lo.

— Droga! Droga! Não morra! Não morra! — Murmurei desesperada.

Ele tossiu sentando no chão. Respirei aliviada. Sorri e o abracei.

— Graças a deus! — Murmurei abraçando ele.

— Você é louca. — Ele murmurou com a voz mais rouca que o normal.

Sorri encarando seus olhos azuis.

— Só um pouquinho. É isso que mais gosta em mim!

— Quem disse que gosto de você?

— Daryl, eu não sou cega. Sei que fica me olhando quando não estou prestando atenção.

— Imaginação sua.

— É mesmo? — Assentiu. — Acho que não vou me sentir culpada por fazer isso então.

Agarrei seu rosto entre as mãos e o beijei. Suas mãos puxaram meu corpo para cima dele me sentando em seu colo. Uma mão segurou meus cabelos enquanto a outra abraçava minha cintura.

Me afastei dele procurando por ar e sorri vitoriosa.

Ele sorriu desviando o olhar.

— Eu sabia. — Falei antes de puxar seu rosto de novo para mim. — Beija melhor do que imaginei.

— Ficou imaginando como eu beijo?

— Daryl, você é um gostoso. Apesar de mal humorado é gostoso e bonito. É claro que as pessoas ficam imaginando como é beija-lo ou melhor ainda. Tê-lo na cama.

— Repito: você é louca.

— Vamos. — Levantei e ajudei ele a levantar. — Tudo bem?

— Com dor no corpo. E um zumbido nos ouvidos. Mas to bem. E você?

— Um pouco de água nos pulmões, mas to legal. — Riu. — Por que não ri mais vezes?

— Não gosto.

— Pois devia. Fica mais bonito. E menos assustador.

— Eu sou assustador?

— Para as outras pessoas sim, para mim não.

Fui até o muro em volta da mansão e o escalei facilmente. Olhei para a rua, estava limpa. Joguei a mochila e saltei. Cai em pé. Daryl pulou logo depois.

Caminhamos até onde os outros estavam.

— Tudo bem? — Noah perguntou.

— Essa louca explodiu uma casa.

— Não tínhamos escolha. — Lembrei. — Estou bem, Noah. Vamos voltar?

Todos assentiram.

Adormeci no meio da viagem de volta. Noah me acordou quando chegamos. Ajudei a descarregar as coisas depois fui para o banho.

Sorte a minha que tinha conseguido mais algumas roupas.

Vesti uma calça preta, blusa de alcinha vermelha escuro, cardigan vermelho escuro e calcei minha bota flat cano longo preta sem salto.

Encontrei com todos conversando no refeitório. Me joguei ao lado de Noah.

— Amanhã vamos ajudar a limpar mais algumas tumbas. Pode ainda ter zumbis por lá. Queremos um lar seguro.

— Não acho que isso vai durar muito. — Noah bufou.

— Um pouco de esperança não é ruim, sabia?

— Cansei de ter esperanças, Noah.

— Olha... Sei que depois do que aconteceu... Bom, você seguiu em frente. A culpa não foi sua, Daph. Você estava sozinha... Não tinha como se proteger e proteger... Ele.

— Mas eu devia. Devia ter morrido no lugar dele.

— E ele morreria logo depois. Ele era só um... Bebê.

Levantei sentindo meus olhos queimarem e segui para fora. Arrumei um lugar no pátio e fui me sentar. Não estava frio, estava uma noite bonita. Sem zumbis.
Glenn e Rick estavam nas cercas.

— Pegue. — Olhei para o prato de comida que Daryl estava me estendendo. — Precisa comer.

— Estou sem fome. — Resmunguei.

Sentou ao meu lado mantendo uma distância boa e colocou o prato entre nós.

— Noah disse que era melhor eu vir. Ele acredita que só eu consigo domar sua fera furiosa. — Riu baixinho.

— Bem a cara dele dizer isso. — Olhei para o céu.

— Sim, quando vivemos em pé de guerra.

— Você me tira do sério.

— Estamos empatados então, por que você também me tira do sério. Toda marrenta, nariz em pé, com o rei na barriga. — Gargalhei.

— Sério que você pensa isso de mim?

— Penso. Você mostra isso para as pessoas. Passa só agarrada no seu namoradinho...

— Você estava lá quando conversei com Maggie. Me ouviu dizendo que somos só amigos.

— Tem muita química para quem é só amigo.

— Ninguém nunca vai entender nossa amizade. — Dei de ombros. — É algo que não tem explicação. E eu não abro mão dela. — Assentiu.

— Eu tinha um irmão. Ele morreu para nos salvar. Mas nunca fomos tão unidos quanto vocês dois são.

— Sarah diz o mesmo. Por muito tempo ela desejou que fossemos namorados. Mas nunca pensamos nisso. Na verdade sempre rimos de quem pensava isso. Era... Nojento se parar para pensar. Eu o considero como um irmão. Nunca tive irmãos. Era filha única.

— Considero Rick um irmão. Glenn também. Confio cegamente neles.

— E eles em você. — Assentiu.

— Mas Merle já fez muito mal a eles. A Glenn e Maggie principalmente. Pensei em largar o grupo uma vez... Na verdade muitas. Mas eu precisava deles. E quando encontrei meu irmão, segui com ele. Mas vi que não era a vida que eu queria para mim. Essa aqui é a minha família. Então voltei.

— Sabe que eles precisam muito mais de você do que você deles.

— Acredite, eles me mantêm focado. Pés no chão. Me sinto bem com eles como nunca me senti com ninguém, nem mesmo com o meu irmão.

— É como me sinto com Noah e Sarah. Eles são o que restou da minha família. Passamos por muita coisa. Vi muita coisa. Perdi pessoas... — Agarrei o prato para comer a comida. — Coisa que ninguém precisa ver.

— Sua mãe?

— Sim, mas como eu disse para Maggie. Isso não me afeta. — Agarrei o colar que carrego no pescoço e abri mostrando a foto. — Esse era o Arthur. Dei-lhe o nome por causa do Rei Arthur.

— Era...

— Meu. Engravidei e o cara era um babaca que deu no pé. Noah que assumiu a responsabilidade me mandando dinheiro de onde estava. Nunca vou conseguir agradecer isso. Pensei em tirar... Mas não consegui. Era parte de mim. Então o tive. Era um menino grande e saudável. Nunca vou esquecer a cara de Noah e Sarah encarando ele. Assumi tudo sozinha. Ele tinha um ano quando o apocalipse começou. Já deve imaginar o que aconteceu.

— Sinto muito.

— Não mais que eu. — Sussurrei.

Limpei meus olhos, mas ele segurou minhas mãos. Encarei seus olhos azuis.

Delicadamente ele limpou meu rosto depois empurrou um mecha do meu cabelo para trás de minha orelha.

Quando estávamos indo nos beijar ouvi Sarah.

— Daph... Opa. Desculpe. Má hora.

— Tudo bem. — Respondi levantando. — Obrigada Daryl. — Peguei meu prato e segui com ela para dentro do refeitório de novo.