Reconciliação
1 Único
Notas iniciais
Após a festa de noivado de Bianca e de toda a confusão das apólices de Catarina, os convidados se retiravam da grande casa.
Catarina guardou seus documentos no cofre do pai, que agora conta com senha nova, e ao sair do escritório percebeu a casa vazia. O desespero tomou conta da futura mamãe quando procurou por seu marido e não o encontrou.
— Petruchio!? Petruchio?! — gritou aos quatro cantos antes do homem aparecer correndo com Mimosa e Buscapé. Até mesmo Bianca e seu noivo apareceram preocupados.
— Arriégua!! Que é que é que foi Catarina?
— O bebê vai nascer? — a velha senhora pergunta.
— Catarina aconteceu alguma coisa?
A mais velha dos Batistas ignora toda a presença estranha, pois seu olhar estava focado em uma pessoa apenas.
— Você não foi embora — sorriu se aproximando.
— Claro que não, ué — Petruchio tirou o chapéu. — Não ia embora sem falar com ocê.
Catarina demorou alguns segundos para entender o que seu marido falou.
— Ir embora?
— Sim, eu só vim para a festa da Bianca porque era o único jeito de desmascarar a Marcela.
Ao citar o nome da mulher, a grávida sentiu um gosto amargo na boca e piorou quando Petruchio não pensou nela.
— E quanto a mim? E ao meu filho?
— Nosso filho, Catarina, nosso filho — o fazendeiro se aproxima ainda mais. — Eu volto amanhã, certo? Ocê precisa descansar. Foram muitas emoções.
Catarina se pronuncia dizendo que também voltaria para a fazenda e causa preocupação em todos da sala. Cada um deu sua opinião sobre o porquê da Catarina não deveria voltar agora à noite para a fazenda.
— Calixto, tem razão, Catarina, a estrada tá esburacada.
— Você não conhece a estrada de cor? É capaz de me levar sim.
A mulher de cabelos curtos bate o pé. Não queria ficar mais um dia, uma noite, com seu marido longe, mas jamais admitiria isso em voz alta.
— Oraa mas é teimosa. Pensa no nosso fi, Catarina. Ocê pode tá bem, mas o bebê não.
O favo de mel do Petruchio sorri com a preocupação do pai de seu filho. Catarina desvia o olhar para a boca do seu casca grossa, desejando ser beijada por ele.
— E que tal o Petruchio dormir aqui? — Bianca sugere. — Vocês precisam conversar mesmo e não podem enrolar.
Julião não gosta muito da ideia, não se dava bem com o sogro e não se sentiria bem, já Catarina, como sempre para ser do contra, falou que não tinha cama para ele. O que, realmente, era uma verdade.
— Ele pode dormir no chão — Mimosa dá a ideia. — Vou arrumar o quarto.
A governanta diz e logo saí para evitar respostas negativas. O noivo de Bianca diz que amanhã eles voltam para a fazenda, assim tanto mãe quanto bebê estarão mais descansados. Petruchio e Catarina não estavam muito satisfeitos com a opção, tanto que essa enrolação irritou Bianca que se estressou e falou que eles eram casados e que não havia problemas.
— Por favor, fique Petruchio — Batista diz limpando o suor. — Vocês precisam conversar ainda hoje e esclarecer o quanto antes. Só espero que não se importe em dormir no chão.
— Ele não se importará, papai — Catarina se intromete. — Buscapé, você voltará com a Mimosa e Calixto, certo? E mande Neca preparar aquele almoço delicioso dela para amanhã. E arroz doce.
— Sim, madrinha.
Buscapé se pronuncia e sai para esperar Mimosa na carroça. Petruchio sorriu com a decisão da mulher, ela voltaria para a fazenda, voltaria para ele. Ele achou que seria mais difícil convencê-la a voltar.
— Está rindo do quê, hein?
— Nada, meu favo de mel. Só estava com saudades do seu jeito.
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Catarina e Petruchio já se encontravam no quarto da mulher. O clima estava estranho, Julião sabia que devia começar a falar, mas no momento as palavras não saiam, já Catarina, que terminava de se ajeitar para dormir, observava seu marido pelo espelho.
Petruchio permanecia deitado olhando fixamente para o teto enquanto tamborilava os dedos na barriga pensativo sem perceber que estava sendo encarado. Catarina se levantou da penteadeira, aproximou-se para desligar a luz e enfim deitar-se.
Nesse tempo, o homem acompanhou com o olhar cada movimento da mulher, que fingiu não se incomodar. Mas foi ao deitar-se que finalmente o silêncio foi quebrado.
— Me desculpa, Catarina. Eu não queria ter que fazer isso, mas era o único jeito — a mulher não disse nada. — Eu não tive nenhum envolvimento com a Marcela nesse tempo.
Apenas a claridade do luar e da luz do jardim iluminavam, muito bem, seu quarto. Catarina prendeu a respiração enquanto ele falava, controlando as emoções.
— Catarina?
— Estou ouvindo, Julião Petruchio.
— Ocê me desculpa?
Catarina respirou fundo antes de levantar e se deitou ao lado do marido no chão. Julião estranha a atitude dela e se preocupa com o conforto da sua mulher e filho.
— Eu te desculpo — Responde por fim olhando profundamente nos olhos do amado. — Mas qualquer deslize seu agora eu vou pedir o desquite.
— E quem é que é que disse eu daria o desquite? — responde divertido se aproximando do rosto da mulher.
Catarina ia responder, talvez até se virar para o lado, mas um chute em sua barriga mudou seus planos, desconcentrando-a.
— O bebê chutou — pegou a mão do homem. — Sente?
Pela primeira vez, Petruchio sentiu seu filho. O homem não fez questão de esconder a emoção e Catarina percebeu.
— Ele é forte.
— Ela! — Como sempre, Catarina foi do contra. — E muito agitada. Às vezes penso que são dois de tão agitada que é.
Julião sorriu quando sentiu o pé do filho chutando sua mão e se inclinou para conversar com ele.
Foi assim a noite toda, Catarina e Petruchio conversando sobre tudo o que passaram, fazendo promessas para o futuro, conversando, quase discutindo, sobre o filho e sobre outros filhos que o fazendeiro quer, planos de melhorar a fazenda deles e outras coisas. Foi amanhecendo o dia, que Catarina adormeceu abraçada com Petruchio de tão cansada que estava, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Já Julião não conseguiu pegar os olhos de tão exultante que estava.
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