Recomeços

1 Às Vezes é Necessário Recomeçar


Juntar as mágoas sempre me pareceu algo que grandes amigos fariam, ele sempre me apoiou em minha dor e sempre o apoiei na dele, de certa forma sentíamos a mesma dor em relação a ela. Mas agora ele estava ali na varanda, observando a vista e eu vi algo que nunca tinha visto antes em todos esses anos desde que todo o caos acabou. Tobias era um homem atraente e eu gostei de observa-lo de um modo diferente por alguns minutos... Até que ele notou que estava sendo observado.

— Lembra daquela roda gigante? Podíamos ir lá, se você quisesse.

Voltei rápido demais para a realidade, mas ela já não estava como eu me lembrava.

— Sim, poderíamos ir sim. É... que tal agora?

— Agora? – ele me encara, confuso

— Sim, agora. Com o parque funcionando, com todas aquelas luzes, imagine ver isso de perto – faço um grande gesto com os braços, ele sorri

— Bom, acho que seria legal. Vou pegar uma blusa.

Ele sai em direção ao quarto dele. Fico confusa, eu o chamei pra sair? Da onde tirei isso? Será que eu sempre gostei dele? Tento refletir, encontrar afinal onde aquilo começou dentro de mim e me lembro de certas coisas, detalhes que talvez eu quisesse encobrir, mas que vieram a tona agora. Como se fosse o momento de vir. Ele volta, e brilha... como nunca brilhou antes.

— Tobias, vamos a pé? Quero ver a paisagem.

— Como adivinhou? Eu ia sugerir o mesmo, está uma noite bonita.

Desde que ficamos mais próximos percebi que ele pode ser muito doce e depois de todo o caos ter acabado e o carinho da mãe confirmado, ele virou um homem bem mais calmo do que nos tempos da Audácia. Arrisco dizer que “Quatro, o Instrutor” se enterrou em algum lugar dentro dele. E fico feliz por isso, não precisamos mais guerrear contra ninguém.

Chegamos na rua, como elas são diferentes agora. As pessoas personalizaram suas casas, cada uma é de um jeito e é interessante ver como elas são criativas.

— Vê aquela? – pergunta Tobias – É vermelha, baixa e sem portões. Saímos das facções, mas as fações não saem de nós.

— Verdade – dou risada concordando

Seguimos com o “jogo” e cada vez encontramos mais detalhes que denunciam de onde os moradores das casas vieram.

— Olha ali os traços da Abnegação! Esse cinza é tão horrível.

Tobias fica sem graça, a Abnegação não saiu dele e nem a Franqueza de mim.

— Des... – tento dizer

— Tudo bem. Tudo bem. – ele dá um sorriso amarelo

Caminhamos em silêncio por mais alguns minutos até que ele decide quebrar o silêncio.

— Como foi pra você superar?

Ele nem precisa dizer o quê, sei que fala de Will. E eu não sei exatamente como responder, mas arrisco, sinto confiança pra dizer o que quiser a ele.

— Sabe, acho que não se supera. Se aceita. – tento ser mais firme na voz – Aconteceu algo ruim, mas antes foi bom, muito bom. E prefiro ficar feliz por isso.

Pego na mão dele num gesto involuntário e ele corresponde. Fico corada.

— Obrigada pela companhia por todo esse tempo Christina. – ele aperta minha mão

— Também agradeço pela força – aperto com um pouco de força e solto, corro — Chegamos!

Me sinto infantil ao recuar assim, mas a situação ainda me deixa tensa. Ele não me acompanha e fica parado me observando, sondo seus olhos e eles se mantem fixos em mim. Decido me aproximar.

— O que foi?

— Não sente algo no ar? – ele pergunta sorrindo

— Acho que sim, liberdade.

— Exatamente – ele concorda e pega na minha mão de novo

Corremos juntos em direção a uma árvore e sinto que a noite vai ser longa.

Notas finais
Eles não precisavam ficar sozinhos, depois de tudo rs
É só uma introdução, o resto fica para nossa imaginação...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!