Recomeços
3 Pesadelo
Acordei cedo na segunda feira, não queria me atrasar para o primeiro dia de aula. Tomei banho e coloquei uma roupa simples, mas bonita. Como de costume minha camiseta era estampada com o nome de alguma banda, dessa vez: Avenged Sevenfold, nas costas da camiseta a letra de Scream podia ser lida facilmente. Era uma babylook que ficava um pouco curta deixando amostra a minha tatuagem que ficava no fim das costas. Ironicamente era o desenho de uma adaga, o que eu não me esqueci de colocar na perna direita de novo. Coloquei a mochila nas costas e sai para a escola. Não vi o meu pai que também não deixou nenhum bilhete ao algo do tipo. Ele devia estar chateado comigo, desde ontem antes de sair para jantar na casa do meu vizinho que ele nem me olhava.
Fui andando, pois a escola não ficava muito longe da vila. Assim que cheguei notei que os olhares estavam em mim. Alguns comentários podiam ser ouvidos, mas não me dei ao trabalho de entendê-los. Era uma escola pequena e com poucos alunos. Saí procurando a sala da secretaria para que pudesse pegar os meus horários.
- V? – ouvi alguém me chamar. Me virei e dei de cara com Will. Só podia ser brincadeira, além de vizinhos nós também estudávamos na mesma escola? Não que eu me incomodasse em passar mais tempo conversando com ele.
- Oi, tudo bem?
- Tudo sim e você?
- Também. – sei que não devia ter expectativas, mas estas eram inevitáveis. Depois de ontem à noite eu pensei que seria diferente, mas Will me cumprimentou com um beijinho no rosto. – O que faz aqui? – ele perguntou bobamente.
- Eu vou estudar aqui! – eu respondi como se fosse óbvio, o que na verdade era.
- Precisa de ajuda?
- Sinceramente preciso, onde fica a secretaria?
- Venha, eu te levo até lá. – dito e feito, Will me levou até a secretaria e ficou esperando que eu saísse.
- Qual o número do seu armário? – perguntou ele quando viu as chaves na minha mão.
- 225.
- Perto do armário do Leo, vem. – ele falou e saiu andando na frente. Eu o segui e no caminho descobri que teríamos a primeira aula juntos, e que os meninos também estudavam na escola e estavam todos no segundo ano.
- Olhe quem eu encontrei! – Will falou cantando para alguém que estava atas da porta do armário. Leonard eu supus.
- V! – ele disse surpreso. Percebi que eles são muito ligados a apelidos aqui. Desde que me apresentei que eu não era chamada de Sophia. – vai estudar aqui?
Antes que eu pudesse respondeu Will deu a ele uma resposta um tanto estúpida.
- Não Leo ela vai lecionar.
- Sério? – Leo perguntou e eu não acreditei. Como ele estava acreditando em tamanho absurdo.
- Claro que não cara, se liga! – Will mais uma vez saiu andando e eu mais uma vez o segui, pois o sinal havia batido.
Nos sentamos no fundo da sala. Conforme as outras pessoas iam entrando pude ouvir comentário, só que dessa vez não pude ignorá-los. Will conversava alegremente com um garoto que estava sentado ao seu lado. Ele me apresentou e fiz mais um amigo: Michael Sanders. Logo vi o diretor entrando na sala.
- Bom dia alunos! – ele cumprimentou.
- Bom dia diretor! – alguns responderam, outros simplesmente ignoraram.
- Hoje temos uma nova aluna na escola. – eu temia por aquele momento, mentir na frente de todas aquelas pessoas seria difícil. – Srta. Morgan, por favor, venha se apresentar.
- Vai lá V! – Will sussurrou me encorajando. Levantei do meu lugar e mais uma vez os comentários começaram.
- Bom, meu nome é Sophia Morgan, eu acabei de chegar de Durhan. – eu falei rápido, esperava ter sido clara o suficiente de que não pretendia falar muito mais.
- Existem mais garotas como você lá? – perguntou um menino que estava sentado no meio da sala. Aquele como você não era um elogio. Percebi pelo tom de voz e entonação que ele estava levando aquilo para o lado pejorativo.
- Cala a boca Price! – Will gritou interrompendo meus pensamentos.
- Cala a boca você Gray, era um elogio. – Price, aparentemente, gritou de volta.
- Por favor, senhores, contenham-se. – o diretor pediu. – Pode sentar-se Srta. Sophia.
Eu voltei ao meu lugar e me sentei, pude sentir minhas bochechas ardendo. Tinha certeza de que estava muito vermelha nessa hora.
- Não liga pra o Nate tá? – Will sussurrou em meu ouvido quando cheguei perto de sua mesa.
- Bem alunos, a Srta. Morgan não é a única novidade hoje. Temos um novo professor. – o diretor continuou. – Sr. Carter entre.
Um rapaz bem novo entrou na sala. Parecia ter apena vinte e cinco anos no máximo. Muito bonito e bem arrumado. Tive a impressão de que o conhecia.
- Bom dia! – ele começou. O diretor saiu da sala nos deixando sozinhos com o novo professor. – Eu sou Alan Carter e sou o novo professor de história. – Oba!, comemorei mentalmente, minha matéria favorita com o professor mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida. Não pude deixar de sorrir. A aula correu muito bem, conversei com Will e com Mike Sanders o tempo todo, ri muito e não prestei atenção na aula. Aquela matéria eu já sabia.
Para a minha infelicidade a minha segunda aula era de química, a matéria que eu mais odiava em todo o mundo, e o pior, Nate Price era meu colega de turma. Com poucos minutos de aula pedi para ir ao banheiro. Não sabia onde ficava e pedi informação ao professor que com mau humor não respondeu a minha pergunta. Fiquei olhando para a sala em busca de algum voluntário bondoso que pudesse me indicar o caminho. Adivinha que se candidatou?? Ele mesmo, Nate. Ele parecia ser o queridinho do professor que não impediu que ele me acompanhasse até o banheiro.
- Então Sophia... – ele frisou bem o Sophia – você e o Gray hein?
- O que tem eu e o Gray? – eu perguntei fria, não estava sendo legal. Não mesmo, não com ele.
- Estão namorando?
- Não – eu respondi simplesmente.
- Parecia que estavam de rolo. O jeito que ele olhava para você, que ele falava ao seu ouvido. – ele disse puxando uma mecha do meu cabelo para trás. Eu bati na mão dele para que parasse. – O jeito como ele te defendeu... – disse se aproximando novamente.
- Se ele me defendeu é porque mereci ser defendida!
Ele puxou meu braço para trás e me prensou na parede. Com meus pulsos presos e as pernas dele entres as minhas não consegui me defender.
- Você sabia que você é diferente de todas as garotas aqui na escola hein? – ele perguntou com a boca bem perto da minha.
- Não sou uma vadia é o que você quis dizer? – perguntei desafiadora. Eu sabia que na posição que eu estava não devia lançar desafios assim, mas não consegui segurar a minha língua.
- Não não bonitinha, eu disse que você era diferente... – ele disse com a boca ainda mais perto. Eu já podia sentir a sua respiração em meus lábios e o seu hálito fresco entrando em contato com a minha língua. Travei os lábios na hora, não ia deixar um idiota estragar o meu primeiro beijo. Ele selou nossos lábios e forçou para que eu abrisse a boca, sem sucesso. Com uma das mãos, Nate apertou o meu rosto fazendo com que eu afrouxasse um pouco a boca. Era o que ele precisava, e eu também. Não pensei duas vezes em enfiar mão na cara dele. Não me leve a mal, mas ele também não pensou duas vezes antes de enfiar a língua na minha boca. Meu tapa foi em vão, muito mais alto e forte do que eu, Nate segurou a minha mão. Suspeitei de que ele era do time de futebol, pois ele tinha reflexos muito rápidos. Com minhas mãos presas novamente eu não tinha escolha a não ser resistir ao beijo dele simplesmente não correspondendo.
Ele vendo que eu não mexia um músculo parou, achei que tinha vencido a batalha, mas não ele voltou a atacar, mas dessa vez em meu pescoço. Ele mordia o meu pescoço sem dó, comecei a ficar realmente com medo, ninguém aparecia no corredor e Nate não parava de forçar seus dentes meu pescoço. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto caindo no rosto de Nate que parou na hora. Achei que ele seria sensível e pararia.
- Ohh, ta chorando bonitinha? Não chora, não! – ele disse em tom de ameaça. Ele selou nossos lábios de novo e nem tive tempo de impedir. Logo senti sua língua em contato com a minha. Mas Nate não teve mais muito tempo para me torturar, Andy apareceu no corredor e veio correndo em nossa direção. Senti Nate mordendo meu lábio inferior quando foi atingido por Andy. Eu desabei no chão e assisti Andy dando mais um soco em Nate que revidava sem pensar. O sinal bateu e os alunos começaram a se aglomerar em nosso redor. Andy e Nate logo foram separados e pararam a briga. Os gritos foram abafados pelo falatório. Logo senti alguém me puxando para cima. Era Leo que me ajudava a me levantar e me guiava para longe. Eu chorava. De medo, de dor, de tristeza. Era triste saber que pessoas como Nate Price andavam livremente pelo colégio e ainda tinham fama de gente boa.
- V, o que aconteceu? – Leonard perguntava pelo que parecia ser a vigésima vez. Eu não respondi, apenas o abracei e chorei. Senti uma dor aguda em meu pescoço devido às mordidas de Nate. Os meninos começaram a se juntar ao meu redor. Will viu as marcas em meu pescoço e percebeu o porquê da briga e do choro. Além disso Andy explicou o ocorrido.
- PRICE! – Will gritou e saiu andando a procura de Nate.
Essa minha nova vida estava longe de ser um sonho. Estava mais para um pesadelo. Só que dessa vez, esse pesadelo era real.
Notas finais
espero Reviews!!!
Xx Ms
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