Recomeços
14 Nunca Mais tornei a vê-lo.
Notas iniciais
Desculpem pela demora na att e agora que eu estou de férias, os caps vão sair mais rápido.
Segundo dia de festival e nós estávamos no pico.Claro, minha voz havia sumido assim como minhas pernas fortes e saudáveis. Mas isso tudo era só o começo, ainda restavam muitos shows e muitas Smirnoffs. O dia todo passou bem devagar, ninguém estava animado o bastante para ficar cantando e pulando como no dia anterior. O assunto era óbvio, o show de ontem e o beijo inesperado que eu recebi de um dos vocalistas. Afinal garotas se matavam para se aproximar dele.
Artie e Andy já haviam arranjado novas garotas, mais velhas dessa vez. Mais burras que as de ontem. Os mesmos grupos foram formados para tomar banho na casa de Yuri. Só estávamos Ali e eu na barraca quando mais uma vez, tudo podia se perder.
- Clara? – ouvi uma voz conhecida me chamar, tentei me esconde, mas não teve jeito. Craig Foster aparece e chama minha atenção bem em frente Ali. – Clara? Não lembra de mim? Shads?
- Shads? – tentei parecer perdida, não insegura como eu claramente estava.
- Claro que você se lembra de mim Clarinha, eu jamais esqueceria de você! – ele insistia, eu me sentia tão mal tentando fazê-lo sair dali que resolvi deixar o medo de lado e ser gentil.
- Shads, oh meu Deus, é você mesmo? – eu fingi surpresa. – Eu devia saber que o encontraria aqui! – me levantei e o abracei. Era tão bom, poder revê-lo, poder tocá-lo novamente.
- É tão bom te encontrar aqui pequena! – ele disse com a voz abafada pelo meu cabelo.
- Shads, essa é minha amiga Alison, Alison, esse é meu amigo Shads! – eu os apresentei normalmente.
- Craig, Craig Foster, na verdade! – ele me corrigia enquanto me empurrava.
- Prazer em te conhecer Craig! – Ali foi simpática, embora estivesse completamente perdida.
- Eu sabia que conhecia aquela garota que beijou o Shadows! – ele disse me fazendo cosquinhas.
- Por que não se senta aqui conosco Shads? – eu convidei, não realmente querendo que ele ficasse, mas querendo atrasar minha conversa com Ali o máximo possível.
- Bem que eu queria Clara minha querida, mas eu preciso voltar para minha própria barraca! – ele disse apontando uma barraca mais para o fim da fila. Nos despedimos e ele se foi.
- Vai me explicar isso Clarinha? Ou será que você tem uma outra irmã, muito parecida com você chamada Clara!? – Ali perguntou um tanto estúpida, mas eu não a culpava, afinal estava claro que uma mentira havia sido contada, ela só queria saber qual mentira.
- Ali, por favor, não me julgue! – eu pedi antes de tudo. – Prometo te contar toda a verdade de...
- Agora! – ela me impediu de dizer meu “depois”. Ela se sentou novamente e me ofereceu um lugar ao seu lado, não tive tempo de sentar.
- Mel? MEL? – Vinny e Anna estavam me procurando.
“É hoje!” pensei.
- Melanie Johnson, quem pensa que é para se esconder assim? – a típica Anna me perguntava.
- Anna! Amor da minha vida! – eu disse e corri para um abraço que já era esperado. Vinny veio também e nos abraçou.Ali continuava sentada assistindo a cena, mas eu não me importava, afinal eu teria que contar a verdade não é!? Ficamos os quatro conversando um pouco, sempre que alguém falava alguma coisa sobre minha antiga vida Ali fingia que sabia e conseguia se sair bem. Ao menos o grupo que estava no banho era lerdo e ainda não tinha voltado, ou o estrago ia ser bem pior.
- Clara, Melanie, Sophia... Afinal quem é você? — o sorriso e simpatia, marcas registradas de Ali, deram lugar à uma cara séria e um ser rude.
- Ali... – eu pedia clemência, como aquilo podia estar realmente acontecendo? Milhares de pessoas no festival, dúzias de barracas, como todos eles me encontraram?
- Não me chame de Ali V, quer dizer Sophia, ou o quer que seja! – ela foi realmente rude agora, eu tinha contado montes de mentiras, mas jamais fui estúpida. – Quem é você?
- Meu nome é Kimberly... Cox! – eu disse.
- Por que eu deveria acreditar Clara?
- Não devia! – eu concluí virando as costas e andando na direção oposta às barracas. Ali não me chamou ou tentou me impedir, então eu continuei andando. Parei em um bar, precisava de água.
- Uma água, por favor! – eu pedi ao atendente sem o olhar, estava ocupada demais encarando meus dedos.
- Olha se não é a garota do Shadows! – ele disse admirado, aparentemente até mesmo os caras escrotos do bar, agora sabiam do ocorrido. – Sim é você, eu te vi da MTV!
- Olha é ela! – algumas garotas começaram a me cercar, de onde elas vieram? eu não posso de responder, elas simplesmente apareceram. Um ruído ridículo saía de suas bocas, provavelmente me xingando.
- Será que você podia simplesmente me entregar a água? – eu perguntei, não estava com muita paciência para ficar esperando. Peguei minha água e saí do bar, fui direto para minha própria barraca, passei pela barraca de Ali e Leo e pude ver que os meninos haviam voltado. Fiquei com Will em nossa barraca até a hora que os portões foram abertos. Contei a ele o ocorrido e ele nada disse. Ficamos em nossa barraca sem drogas ou bebidas até o momento da abertura dos portões.
Novamente guardamos todas nossas coisas no carro antes e nos preparamos para pegar a estrada assim que os shows acabassem. Essa idéia não nos alegrava muito, afinal depois de um festival ninguém quer cair na estrada, mas nós precisávamos, amanhã começariam as provas finais e não podíamos perdê-las.
Os shows da noite começaram com 12 Stones e seguidos de Shaman e P.O.D., até esse momento eu e Ali não tínhamos nos falado, não por falta de tentativas por minha parte, mas por falta de vontade dela. Na passagem de uma banda para outra, o “silêncio” reinou no local e então Ali que juntamente com Leo e os meninos estava na grade, junto comigo, chegou ao meu lado e disse, praticamente gritando:
- Escuta garota, eu não sei quem você é, mas alguma coisa me diz que você é do bem... – eu tentei explicar, mas ela me interrompeu com um gesto feito com a mão. – Pode falar que é sexto sentido de mulher grávida, mas eu gosto de você garota.
- Obrigada Ali! – eu a abracei apertado. – Meu nome é Kimberly, mas me chame de V!
- V... você vai contar toda essa história quando chegarmos em casa!
- Com certeza! – Não tivemos tempo de continuar a conversa pois o Disturbed subiu ao palco fazendo muito barulho e levando as pessoas à loucura.
O último show, Atreyu, começou e todos piraram, eu e Ali pulávamos e gritávamos, era surreal.
Embora os shows não fossem muito compridos, a troca de bandas e tudo mais demoravam e por esse motivo o festival acabou quase 1h00min AM, sem nem pensar, subimos no carro e fomos embora. Os meninos não haviam bebido hoje, já preparados para a longa viagem.
Não vou relatar todos os acontecimentos da viagem, já que foi básico, os meninos dirigindo e o resto dormindo no banco de trás.Eu cheguei a Northumberland na manhã seguinte, o avião adiantou muito o nosso lado, mas ainda assim não tivemos tempo de passar em casa, fomos todos diretos para a escola fazer a primeira prova, matemática, e se você acha que alguém tinha estudado engano seu, se me peruntassem quanto é 2+2 eu responderia Ozzfest. Então eu já estava me preparando para a recuperação.
Terminei a prova muito rápido e por isso nem esperei os meninos para voltar para casa, peguei minha mala e fui andando, queria ver meu pai e contar tudo, absolutamente tudo o que tinha acontecidoenquanto eu estava fora.
O portão estava aberto, mas a porta estava fechada, e para variar, eu não tinha a chave. Andei em volta da casa para tentar entrar pela porta dos fundos, que estava aberta.
- Pai!! – eu chamava, mas não havia resposta.
A casa estava bagunçada, móveis revirados e armários vazios. A casa estava vazia. Meu pai havia me deixado, não tinha uma carta, um bilhete, que era tão típico dele, não existia nada. Meu quarto estava bagunçado e com exceção das roupas que eu tinha levado para a viagem, as roupas que eu usava e as que eu deixei na casa da Ali, meu armário estava vazio. Saí de casa e fechei a porta, fiquei chorando sentada na calçada esperando Will voltar para casa. Ele era minha única família agora.
Notas finais
http://www.youtube.com/watch?v=c8YwZhncbmg
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