Recomeço

4 Capítulo IV - Boa Noite


- Bom dia, Gwen. – Lily disse olhando para a filha que descia as escadas.

- Bom dia, mamãe! – Gwen saltitou feliz da escada e foi até a mãe que estava preparando o café. Ela deu um abraço forte na mãe e depois deu um beijo em sua bochecha.

A mãe se surpreendeu pela animação da filha e foi logo perguntando:

- Nossa! Que animação toda é essa?

- Animação? Que animação? – Gwen perguntou como que estranhando a pergunta da mãe sentando-se em uma das cadeiras da mesa arredondada depois de dar \"Bom dia\" para o pai também. – Eu sou sempre assim! – ela continuou dando uma mordiscada no pão torrado que pegara da mesa.

- Sei... – a mãe disse sentando-se na mesa para tomar seu chá.

Lily de certo modo não estava errado. Desde o dia em que Gwen vira Kevin, ela tem agido de um jeito mais animado comparando com os outros dias.

\"Sexta-feira... Mais um dia...\" Gwen pensava o tempo inteiro. Ela parecia até uma criança. Frank e Lily apenas a observavam, felizes.

Gwen deu um último gole em seu café com leite e saiu correndo para as escadarias até o banheiro escovar os dentes e pegar a bolsa.

Quando ela desceu as escadas saiu correndo em direção para a porta e disse para os pais:

- Já vou indo! Amo vocês!

Com isso ela fechou a porta e foi embora encarando o frio que estava lá fora.

Lily olhou para a porta por alguns segundos e depois olhou para o marido com um sorriso duvidoso.

Ele olhou para ela por cima de seu jornal entendendo a causa do sorriso da mulher, mas mesmo assim perguntou:

- Que foi?

Lily apoiou o rosto sobre a mão, e deu um gole em seu copo de chá, pensativa:

- Estou preocupada...

- Sobre quê? Posso saber?

Lily demorou um pouco para responder:

- Sobre Gwen... E aquele garoto, juntos.

Frank rolou os olhos, um pouco cansado sobre o assunto. Lily parecia ter alguma coisa contra aquele Kevin mesmo. Frank também não gostava muito dele, mas mesmo assim não significa que ele vá falar de Kevin o tempo todo.

- Lily... Sabe de uma coisa? – Frank colocou o jornal na mesa e apoiou os cotovelos em cima dela – Acho que você tem alguma implicância com esse garoto.

- Como assim?

- Desde que você o viu quando a minha mãe apareceu, você nem \"foi muito bem com a cara dele\". Qual é o problema?

- Não é isso! Na verdade... Pode até ser que seja isso. Mas... É só que... Eu não quero ver a nossa filha magoada. Esse garoto não parece ser o que se importa muito com os sentimentos de ninguém, a não ser a si próprio. Além de ser um encrenqueiro, sabe disso.

- Como você tem certeza disso?

Lily ficou quieta por uns instantes. Será que o próprio marido não podia entender o que ela queria dizer?

- Não é isso que eu quero dizer, Frank!

- Lily... Desde que você o viu pela primeira vez você já o julgou... Pode até ser que ele seja encrenqueiro e tudo mais, mas será que não percebeu que Gwen possa estar mesmo feliz com ele? Lembra que um pouco depois que a minha mãe foi embora os dois e Ben também não se desgrudavam? Eles pareciam gostar da companhia um do outro. Antes Gwen ficava o tempo inteiro em casa, e às vezes saia sozinha pro shopping sem parecer ligar muito para isso. Mas agora... Toda a vez que a gente pergunta para ela aonde ela vai ela sempre responde que vai ver o Ben e o Kevin.

- Ela só fala que vai ver o Ben...

- Claro! Você parece nem querer ouvir o nome daquele garoto sem ter um chilique!

Lily ficou muda por uns instantes. O que Frank falara era verdade.

- Olha... Eu vou admitir que no começo, eu também não gostava muito dele, e ainda não gosto também. Tanto que no sábado passado eu não gostei muito de ver que ele estava com Gwen, eu até vi que você estava tentando ser educada, por causa de Gwen, e eu também tentei. Mas não acha que ele lembra alguém?

- Quem? – Lily disse parecendo curiosa.

- Meu pai? — Ela não soube o que falar. Mas em sua mente começou a comparar seu sogro com Kevin. Frank pareceu já saber o que se passava na mente da esposa e respondeu para ela querendo ajudá-la:

- Os dois são teimosos, e meu pai na infância sempre dizia que era um dos mais fortões da turma. Adorava uma encrenca, junto com uma aventura daquelas. Por que acha que eu e o meu irmão sempre passávamos mais tempo com a nossa mãe em casa? A gente nunca gostou disso... Mas então nós dois percebemos que... Meu pai não fazia isso só porque gostava de uma aventura... Ele fazia isso porque queria manter a Terra segura, e mais especificamente... Nós seguros. Não acha que esse Kevin também possa ser assim? — Lily fitou-o por uns instantes. Ela pensou em tudo o que Frank disse, e se lembrou de Max na época em que namorava Frank. Max e o irmão de Frank foram os únicos que gostaram dela, Verdonna, sua sogra, parecia ser a única que pensava o contrário. Tudo que Lily queria era ser aceita pela família de Frank, e o primeiro que a aceitou foi exatamente Max, com seu jeito brincalhão e animado, mas um pouco reservado. Todas as vezes que ela visitava os Tennysons Max sempre a recebia com um prato exótico de comida com gostos estranhos que ela nunca provara antes. Mas ela sempre se forçava a comer aquilo apenas para agradá-lo. Apenas Verdonna não parecia gostar muito de Lily em casa, mas sempre tentava ser educada. E no final, Lily e Frank se casaram e tiveram um filho. Max foi o que ficou mais animado com a notícia. Ele sempre foi desse jeito: sempre encantava as pessoas com sua forma protetora e tudo mais, isso fez com que ele fosse um segundo pai para Lily; perto dos outros, Max parecia mais reservado e um pouco durão, mas por dentro ele tinha um coração \"mole\", como dizia Frank. Será que... Então Kevin não podia ser assim também? Até sua sogra admitiu que ele fosse parecido com Max. Lily processou o que pensou por alguns instantes e ficou um pouco triste ao perceber que ela estava sendo uma Verdonna, a última pessoa que ela queria ser.

- Você está certo Frank... – Lily olhou para ele, triste. Ela devia ter dado mesmo uma chance para Kevin.

Frank sorriu para ela. Lily era sempre tão doce. Às vezes ela exagerava mesmo nessa coisa de proteção, mas isso parecia ser um mal de mãe. Frank também exagerava, a única diferença era que ele guardava isso para si até ter um pouco mais de certeza.

Frank se levantou da mesa e foi até Lily, que ainda estava pensativa com sua xícara de chá na mão.

- Exagerei demais nesse negócio... – ela disse triste. Frank a observou por um momento. – Talvez a gente deva dar uma chance para conhecer esse Kevin melhor, não acha?

- Acho – ele disse. Ele agachou e apoiou a mão esquerda nas costas da cadeira onde Lily estava sentada. Ele virou o rosto de Lily com a outra mão, e deu um sorriso – Não foi só você que errou, então não jogue toda a culpa em você. Agora eu sei de onde Gwen tirou tanta responsabilidade. — Lily deu um sorriso, mas este não chegou a seus olhos. Frank empurrou o rosto de Lily em direção ao seu, surpreendendo-a com um beijo. Quando se separaram, Frank se levantou e pegou a maleta que estava perto da mesa – Tenho que trabalhar – ele foi até a porta e deu uma última olhada na esposa que estava o observando o tempo todo sem dizer nada. Ele abriu a porta e quando saiu, disse uma última coisa antes de fechar a porta e ir embora – Te amo.

Lily sorriu e respondeu:

- Também te amo.

Com isso a porta se fechou e Liliy terminou seu café da manhã sozinha, ainda assim com um grande sorriso no rosto.

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- Oi, Peter! – Gwen disse acenando para o garoto com a mão direita.

- Ah! Oi Gwen. – ele respondeu. Pegando o livro do armário, e depois o fechando.

Gwen chegou perto dele, e perguntou:

- Como vão os arranhões? Tá melhor?

Peter olhou para ela um pouco vermelho e respondeu:

- As feridas já tinham sumido faz um tempo– ele sorriu.

- Que bom.

- E ai? Como foi a prova de química? Foi bem? – os dois começaram a andar pelo corredor da escola seguindo para a sala de história, uma das aulas que tinham. Os dois ficaram bem amigos depois do que aconteceu. Gwen começou a conversar com ele e ele pareceu gostar da companhia dela, já que ela era a única pessoa da escola que falava com ele. Gwen aos poucos foi percebendo, que mesmo ele sendo um pouco estranho, depois que se conhecia ele melhor ele era... Simpático.

- Foi meio difícil, mas acho que consegui me virar – ela respondeu a pergunta de Peter.

Eles entraram na sala de História e se sentaram na frente.

Aos poucos a sala começou a se encher de alunos e Gwen viu quem estava aparecendo. Mary e o \"resto\". Gwen mal conseguiu segurar um sorriso. Quando ela viu que Gwen tinha voltado para a escola, mesmo tendo sido ferida, graças à ela mesma, achou que tinha vencido a \"guerra\". Mas à medida que essa semana passava, Gwen ficava mais feliz. O que deixou Mary curiosa e nervosa ao mesmo tempo, mas nunca mais entrou no caminho de Gwen.

E seria melhor assim. Já que os poderes de Gwen estavam praticamente de volta. Ela fez o que o médico receitara para ele, descansou e se alimentou bem além de parar tomar os remédios da mãe, isso melhorou mesmo. Nas feridas, ela continuou a passar a pomada que o médico também havia receitado, e já estavam sumindo junto com a dor e sua depressão. Mas o melhor de tudo foi que isso foi fácil de esquecer junto com Kevin do lado dela de novo. Ela não conseguiu mais vê-lo depois de irem ao hospital, e mesmo assim estava meio ansiosa para vê-lo de novo no encontro. Ela tentou segurar a ansiedade pelo menos um pouco, estudando para o monte de provas que estava tendo nessa semana, assim como a prova que ia ter agora. História. A matéria não era tão difícil, mas o professor fazia com que a matéria fosse difícil à hora das provas. Por sorte, Gwen estudou, e muito.

Na hora em que o professor entrou na sala a sala ficou em completo silêncio, todos os alunos viraram para frente e se sentaram direito nas cadeiras para receberem as provas e passar uma hora de agonia mental.

O professor deu \"Bom Dia\" para os alunos e falou para todos prepararem seus lápis, canetas e borrachas para fazerem as provas, depois andou em volta da sala distribuindo os papéis da prova. Gwen pegou a sua prova e contou as folhas. Droga! Três folhas sobre a Guerra Civil Americana e Abraham Lincoln. Essa era a pior parte de história. Ela gostava de estudar sobre a história americana, mas não estudar isso para fazer uma prova de três folhas.

Gwen pegou o lápis de escrever para assinalar os testes da prova nos qual tinha certeza, depois respondeu as questões. Quando terminou a prova ela entregou-a para o professor e esperou Peter terminar a prova, ele entregou e o professor liberou os dois. Eles saíram da sala e começaram a discutir as respostas da prova. Pelo que parecia os dois foram bem.

Alguns minutos depois o sinal tocou, as portas das salas se abriram e os alunos saíram para irem embora. Gwen seguiu para seu armário e pegou os materiais que ia precisar para levar para casa, enquanto conversava com Peter. Os dois foram até a saída da escola e se despediram para tomarem caminhos diferentes. Gwen olhou para os cantos suspeitando de que alguém viria atrás dela, de novo. Mas não havia ninguém dessa vez o que a acalmou, mesmo assim apertou o passo e chegou a casa o mais rápido possível.

Ela abriu a porta e viu que sua mãe estava deitada no sofá dormindo e parecia cansada.

Gwen olhou para a mesa onde eles costumam usar para almoçar e jantar, e viu que a mãe já havia preparado a comida. Gwen deu um sorriso largo, subiu até o quarto para deixar a mochila lá, depois tomou um banho rápido, vestiu sua roupa de casa e pegou o cobertor no quarto. Ela desceu as escadas, foi até onde a mãe estava e a cobriu. No momento em que o cobertor tocou Lily, ela se levantou assustada e perguntando o que acontecera.

- Calma mãe. – Gwen disse sentando no braço do sofá onde a mãe estava dormindo – Você caiu no sono só isso.

- Ah ta – ela disse pondo a mão na cabeça para relaxar, depois deu um bocejo – Como foi na escola?

- Bem. As provas estavam meio difíceis, mas eu consegui fazer. E... Onde pensa que vai, mãe? – Gwen perguntou para a mãe que se levantava do sofá.

- Eu tenho que lavar os pratos... – ela respondeu um pouco assustada com o tom de voz da filha.

- Deixa que eu faça isso... Você tem que mesmo descansar...

A mãe no começo hesitou, mas cedeu, deitando no sofá e ligando a TV.

Gwen foi até a cozinha lavar os pratos, quando terminou pegou dois pratos para ela e sua mãe e colou a comida que a mãe tinha preparado. Depois foi até o sofá e sentou ao lado da mãe, que pegou um dos pratos e talheres da mão da filha. As duas começaram a assistir aos programas que passavam na TV e debochavam de alguns dos apresentadores de reality shows. Elas se divertiam muito fazendo isso... Depois Gwen colocou um filme no DVD, sentou ao lado da mãe que a envolveu no cobertor, juntando-as. No final elas não assistiram nem a metade do filme, as duas dormiram no sofá, cansadas cada uma por terem que acordar cedo e fazer suas próprias tarefas. Uma limpou a sala e os corredores, varreu, passou pano, limpou os banheiros, fez comida, tomou um banho demorado e depois caiu no sono no sofá. Enquanto a outra no dia anterior estudou até a uma da manhã, pois perdeu a noção do tempo, acordou de madrugada por ficar ansiosa, aproveitou para estudar mais um pouco, foi pra escola fez educação física, prova de história, química e biologia, voltou da escola, lavou os pratos e capotou de sono no sofá da mãe. As duas acordavam e dormiam de novo cansadas demais pela longa semana que não ajudou com o tempo frio de final de Outono. O tempo foi passando e as duas ainda dormiam quase imóveis e encolhidas no sofá. Quando anoiteceu, um barulho na porta pode ser ouvido e aos poucos ela se abria.

- Boa noite gente... – era Frank chegando cansado do trabalho, ele colocou o agasalho cheio de folhas secas em um dos cabides, distraído com a própria fala – Hoje eu consegui sair mais cedo do trabalho... O meu cliente estava... – ele olhou para a sala e parou de falar no mesmo instante. – Tsc, Tsc! Essas duas são preguiçosas hein? – ele disse brincando. Frank colocou a mala ao lado do cabide e foi até as duas ver se estavam acordadas, como não mostravam nenhum indício de que estavam Frank achou melhor não fazer nada. Ele olhou para a mesa de jantar e viu que havia um pouco de comida que sobrara do almoço... Sem mais nem menos, ele foi até lá, pegou um prato para colocar a comida e esquentou-a no micro-ondas enquanto arrumava a mesa de jantar e guardava a comida que sobrou. Ele foi até a mesa de centro da sala onde Gwen e Lily estavam dormindo e pegou os pratos que as duas haviam deixado lá. Frank lavou a louça rapidamente, e depois foi até a mesa de jantar comer sua comida enquanto observava Lily e Gwen dormindo. Ele soltou um sorriso enorme... Mesmo Ken fazendo falta, Lily e Gwen preencheram essa saudade... Do jeito delas, é claro. \"Pronto! Tudo arrumado... Agora é só levar essas duas lá pra cima que minha tarefa de pai- marido -babá vai estar completa...\" Frank pegou Gwen no colo e a carregou até a frente da porta do quarto da filha. Ele hesitou em alguns segundos em abrir a porta do quarto... Gwen não gostava muito que entrassem no quarto dela sem permissão... Coisas de adolescente, mas mesmo assim ele abriu a porta... Afinal ele era o pai dela e ele só ia colocar ela na cama e sair. Não ia fuçar em nada. Frank achava que o melhor era seus filhos terem um pouco de privacidade, Lily era um pouco mais curiosa, mas não se podia reclamar, já que existem mães bem mais corujas e enxeridas do que ela. Frank colocou sua filha na cama cuidadosamente para não acordá-la, depois a cobriu com uma das cobertas que estava ao lado da cama da garota. Ele a observou por uns instantes e ficou um pouco assustado por ver o quanto a filha ficou mais pesada... Quando ela tinha dez anos era tão fácil de ser carregada que até Ben conseguiu carregá-la pelo menos alguns segundos. Claro que Gwen ainda estava leve, mas a diferença de seu peso de dez para o de dezesseis é bem grande. Ela ainda continua magra com um tamanho bom comparando com as outras pessoas, pois havia pessoas que conseguiam superar o seu tamanho, como a avó, a mãe e ele próprio.

Frank apagou a luz do quarto e fechou a porta, depois desceu para pegar a esposa no colo e levá-la para cima, no quarto. Ele pegou a cuidadosamente entre os braços como fez com Gwen e quando chegou à escada Lily abriu os olhos, ela demorou um pouco para processar o que estava acontecendo... Ela olhou para Frank que havia parado quando viu que Lily tinha acordado.

- Bom dia... Digo... Boa Noite. – Frank disse.

Lily corou um pouco e depois falou:

- Boa noite... – Frank sorriu... Lily sempre foi um pouco tímida... Depois de um tempo ela ficou um pouco mais extrovertida... Ela sempre foi assim. Mas quando ela ficava nesses tipos de situação, até mesmo depois de casada, Lily ficava muito sem graça. – Bom... Er... Que horas são?

- Acho que são umas dez da noite... Por quê?

- Dez da noite? Meu Deus! Eu nem preparei o seu jantar... E ainda tenho que lavar os pratos, guardar as comidas e... – Lily começou a se mexer nos braços de Frank para tentar sair do colo dele e correr para a cozinha preparar as coisas.

- Calma! Calma! – Frank disse atrapalhando a fala da esposa sem deixá-la sair de seu colo – Primeira coisa... Para de se mexer, por favor, por que se não nós dois vamos cair escada a baixo... Segunda coisa: Eu já lavei os pratos, guardei as comidas e já jantei... Terceira coisa: você precisa descansar, está muito estressada...

Lily olhou para ele mais calma.

- Tudo bem... – hoje o marido e a filha cuidaram dela... O que é o oposto do que ela sempre faz. Geralmente é Lily quem cuida dos dois. Ela olhou para Frank – Obrigada, Frank.

- Nem agradeça... É minha tarefa de pai – marido – babá... Em tempo integral.

Lily deu uma risada com a piada do marido, que voltou a andar para o quarto.

- Você e suas piadas sem graça... – Lily respondeu.

- Piadas sem graça? – Frank disse fazendo um biquinho como um bebê manhoso faz quando está prestes a chorar. Lily riu. Mesmo já sendo adultos... Quando estão sozinhos os dois agem como duas crianças.

- Sim, piadas sem graças! Lembro que a primeira vez que você foi falar comigo você me deu um xaveco que me fez cair na gargalhada...

- Ah não! Não precisa lembrar-se disso!

- Como era mesmo? – Lily colocou o dedo no queixo como se estivesse pensativa.

- Lily... Por favor.

- Ah lembrei! \"Você é tão doce que substituiria o chocolate Hershey fácil...\" Háháhá! Eu ri tanto naquele dia!

Frank ficou sem graça com a lembrança da esposa... Meu! Nem ela dava uma folga pra ele... Além do mais... Naquela época ele era sem-noção demais em assuntos de garotas...

- Tudo bem, tudo bem... Isso foi há muito tempo atrás ok? Não precisa lembrar!

- Ai, ai... – Lily parou de rir, cansada... – Mas... Olha pelo lado positivo de tudo aquilo...

- Lado positivo? Que lado positivo isso tem?

- Ué! Olha aonde tudo isso levou! Estamos casados... E com dois filhos maravilhosos...

Frank analisou o que Lily disse e sorriu.

- É verdade... Esqueci disso. – ele a encarou feliz, mas um pouco sonolento. Lily também bocejou... Mesmo ter dormido a tarde inteira ainda estava cansada com todo o trabalho da semana. Frank aproveitou a brecha e a beijou... Lily no começo se surpreendeu com o beijo, mas depois apenas aproveitou o momento com o marido e o beijou de volta. Se Gwen ou Ben estivessem aqui eles iriam falar que aquilo era nojento ou que não deviam fazer isso em lugares públicos... Ou algo assim, Lily começou a rir entre o beijo o que fez Frank separar seus lábios dos dela.

- Que foi?

- Hi, hi... É que eu me lembro de que todas as vezes que a gente tentava se beijar o Ben ou a Gwen sempre pegava a gente de surpresa...

- Verdade também.

Lily bocejou de novo.

- Sono?

- Aham... Dia pesado.

Frank chegou até o quarto e de alguma forma abriu a porta. Ele colou Lily na cama e foi até o banheiro da suíte para tomar um banho, enquanto Lily colocava roupas para dormir. Quando ela deitou na cama Frank saiu do banheiro já usando roupas para dormir também e se deitou ao lado de Lily. Eles se encararam por um tempo com sorrisos em seus rostos. Frank se aproximou dela e deu um beijo em sua testa, sonolento.

- Boa noite...

- Boa noite, Frank.

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Seus olhos se espremeram um pouco, antes de abrirem. Ao invés de mostrar luz ao abri-los, ela ficou rodeada de escuridão. Ela percebeu que estava no quarto.

\"Ué... Mas eu não dormi na sala?\" Gwen se levantou da cama e alcançou o interruptor do quarto. A luz se acendeu, demorou um tempo para seus olhos se acostumarem com a luz forte, depois ela levantou-se da cama e foi até o celular para ver que horas eram: Onze da noite. Wow. Ela dormiu pra caramba! E ainda sim estava com muito sono. Ela colocou o celular de volta em cima da mesa e ficou parada por um tempo olhando para a janela. Amanhã ela finalmente vai ter um encontro com Kevin. E finalmente mesmo! Há muito tempo ela esperava que ele a chamasse pra sair, mas nunca deu certo... Principalmente quando Kevin havia se transformado naquela forma de elementos misturados que ele chamava de monstro. Mesmo ela falando inúmeras vezes o quanto ela não se importava, ele continuava a implicar que ele se importava... Até quando ele deu o medalhão pra ela ele não hesitou em nenhum segundo em chamá-la pra sair. Medalhão... \"Peraí... Medalhão! Droga!\" Ela se lembrou o que fez com o medalhão e se sentiu totalmente infantil por ter feito aquela besteira. \"Porcaria! Onde ele ta!\" Ela começou a andar pelo chão... Ela nem se lembrava o que tinha feito com o colar depois que teve aquele ataque de raiva. Talvez ainda estivesse no canto onde ela... Bem... Jogou com todas as forças, depois de estourá-lo em mil pedaços. Ela procurou nos cantos e viu que havia alguma coisa brilhando perto do armário bem no cantinho. \"Achei! Ufa\" Ela pegou um medalhão de ouro com a corrente que o segurava estourada e o observou por um tempo, desapontada consigo mesma. Como ela conseguiu ficar daquele jeito? Ela nunca ficou depressiva a ponto de ficar descontando em um medalhão ou qualquer outra coisa. \"Como eu vou concertar isso agora?... Já sei\" ela foi até a gaveta de uma das mesas e procurou dentro de sua caixa de porcelana uma corrente bem simples. \"Achei! Sabia que tinha um.\" Ela puxou o colar também feito de ouro. Gwen pegou o medalhão que Kevin dera e colocou-o em seu novo colar. \"Pronto\" Ela observou o feito e ficou um pouco orgulhosa por ter consertado pelo menos um erro... Ou talvez não. Faltava mais uma coisa: A foto que agora estava totalmente rasgada. \"Ai, ai. Dessa vez eu exagerei demais!\" Ela teve a idéia de colocar uma foto nova... Melhor do que nada, certo? Ela procurou em uma das gavetas a foto que ela havia guardado. \"Porcaria!\" A foto que ela e Kevin tiraram no píer tinha ficado com ele. Ela procurou outra que tinham os dois juntos. Nenhuma. A causa era que Kevin sempre conseguia convencê-la de ficar com as fotos em que havia ela e ele. Ou seja... Ela só tinha fotos dele. Claro que não era nada ruim, mas como Kevin deu a ela uma foto com os dois Gwen queria que continuasse assim. Já que não tinha jeito de encontrar uma dos dois, ela procurou outra de Kevin. Gwen revirou as fotos que tinha guardado. A maioria das fotos que ela tinha dele era quando ela tirava de surpresa com a câmera fotográfica. Gwen olhou para um dos bolos de fotos que ela tinha que lembravam quando ela havia levado uma câmera fotográfica na bolsa e quando começou a tirar fotos escondidas de Ben tomando seu suco no banco de trás e de Kevin enquanto dirigia.

\"Sorria, Ben\" Gwen pensou, enquanto tirava uma foto dele tomando suco olhando pela janela, ela começou a tirar mais fotos, conseguindo de alguma forma esconder a câmera para o primo não perceber. Quando ela terminou de tirar as fotos do primo, ela direcionou a câmera para Kevin. Colocou-a no colo e a bolsa em cima deixando apenas a lente aparecer. Ela olhou para o outro lado da máquina fotográfica para ver se o rosto de Kevin saia na foto. Ela mexeu a câmera por mais uns segundos e depois apertou no botão. Uma piscada rápida de luz apareceu e ele virou seu rosto alguns segundos para Gwen. \"Opa! Droga de flash!\".ama a Gwen e tudo mais. Mas será que você pode VIRAR A SUA ATENÇÃO PRA ESTRADA ANTES QUE A GENTE TENHA UM ACIDENTE, PELAMORDEDEUS?! – Ben parecia bem desesperado. As bochechas de Kevin ficaram avermelhadas e ele voltou sua atenção para a estrada. Gwen ficou sem graça e sentou direito no banco, ainda segurando a máquina, depois demonstrou triunfo. No carro houve silêncio por alguns segundos, durante esse tempo, Kevin ficou apenas se lembrando de seus \"momentos\" com Gwen.

Aquele dia também foi divertido. Claro que depois disso Gwen foi revelar as fotos. Mesmo a câmera sendo digital, ela não gostava muito de imprimir em casa. Já que o melhor era revelar. Usando sua mesada, claro, mas valia à pena. Ela selecionava as melhores fotos e mandava revelar o que podia. Depois ela ia direto mostrar para Ben e Kevin. Nessa hora Kevin pegava umas para ele. Gwen sempre ficava com dúvida na hora de dar elas, mas ela sempre cedia. Certo dia... Gwen tentou fazer a mesma coisa que tinha feito no carro na última vez, mas não deu no mesmo resultado: quando o flash disparou, Kevin quebrou a câmera em vários pedaços. Isso aconteceu quando ele estava naquela forma de monstro. Infelizmente, toda a memória da câmera e a maioria das fotos estavam lá...

Gwen encaixou cuidadosamente a foto no medalhão e o observou. O medalhão parecia o mesmo. A única diferença era a foto, mesmo. Ela colocou o medalhão em cima do criado-mudo e olhou para cama. Ainda estava morrendo de sono. Ela pulou em cima do colchão e puxou a coberta para se cobrir, depois, olhou para o interruptor da luz, e usou sua mana para clicar no botão e apagar a luz.

Doze horas antes, algum lugar em Bellwood.

- Kevin!- sua mãe pulou para perto do garoto dando-o um abraço, ele retribuiu. Depois de sair do abraço a mãe olhou para Kevin e disse: — Chegou cedo hoje. Ainda é meio-dia!

Ele deu um sorriso... Estava meio sem graça. Durante a semana toda pensava sobre o encontro que ia ter com Gwen. Era a primeira vez que ele ficava nervoso por causa de uma coisa dessas. Isso resultava em distração, o que fazia com que ou ele perdesse a hora, ou chegasse mais adiantado em qualquer coisa que ele fosse fazer.

- Ah! Eu achei que o transito ia estar muito movimentado hoje então eu decidi vir logo.

A mãe ficou um pouco desconfiada e disse:

- Entendi... Entra! – ela puxou a mão do filho e o levou para dentro, fechando a porta por trás deles. Ele foi para sala e se jogou no sofá, cansado... Pra chegar a casa dela, ele levava mais ou menos uma hora... É incrível como uma porcaria de cidadezinha no meio do nada possa ser tão grande. A mãe de Kevin morava do outro lado da cidade comparando com as casas de Gwen e Ben. Ele olhou para o teto ainda pensativo.

- Bom... Eu vou terminar de fazer o almoço... – a mãe disse indo para a cozinha.

Uns instantes depois, Kevin conseguiu sentir o cheiro de espaguete... Ele estava com tanta fome que poderia sair correndo e enfiar a cara na panela, mas também estava muito cansado e o ficou mais distraído ainda com seus pensamentos que nem percebeu a mãe chegando com dois pratos cheios de espaguete e muito molho em cima. Ela colocou os dois pratos de comida em cima da mesa que ficava no centro da sala e voltou para a cozinha.

Kevin olhou para o prato, ainda distraído e esperou a mãe chegar com dois copos: um com coca-cola e o outro suco de limão. Na outra mão ela segurava duas taças pequenas com sorvete de chocolate e calda de morango. Ela ficou com um pouco desajeitada na hora de trazer os sucos e sobremesas e nem percebeu que Kevin veio ajudá-la. Ele pegou os dois copos e colocou na mesinha de centro junto com a mãe.

Ela ligou a TV e colocou no canal de filmes... Titanic era o filme que estava passando. Infelizmente a mãe de Kevin gostava... E muito do filme, quando o filme passava era praticamente impossível mudar de idéia. Kevin não gostava, mas também não odiava... Ele até que gostaria um pouco do filme se não tivesse a parte em que... O Leonardo Di Cáprio morre. Não porque se ele morresse a menina ficasse sozinha... Mas porque a parte em que o cara morre e a reação dela no começo o fazia lembrar quando um homem apareceu para a mãe dele uma noite, ele era alto e usava roupas meio estranhas, que depois ele descobriu que eram roupas tradicionais dos Encanadores. Ele só se lembra de que aquele dia foi o pior de sua vida. Kevin apareceu no canto da porta para ver o que a mãe estava fazendo com o Encanador. Ela só ouvia alguns murmúrios, depois a mãe ficou paralisada... Kevin não podia ver seu rosto nem o do Encanador, pois ela estava de costas e isso atrapalhava a vista para o rosto do homem. A mãe dele agachou no chão, suas mãos encostaram seu rosto e ela começou a chorar... Kevin conseguiu ver o Encanador melhor... Ele o conhecia... Era um velho amigo do pai... Não sabia o nome, mas era muito legal nas poucas vezes em que aparecia. Ele tinha um rosto um pouco enrugado e os cabelos estavam cheios de mechas grisalhas. O homem se agachou como se estivesse tentando acalmar a mãe. Seus soluços ficavam cada vez mais altos... E suas mãos molhadas com as próprias lágrimas.meu marido! Não o seu... – ela parou de falar alguns segundos e ouviu a voz nervosa da mãe do outro lado da linha – Desculpa é só que eu estou... – uma lágrima escorreu sobre suas bochechas enquanto ela ouvia a mãe falar de novo – Obrigada por me entender, mãe. Então... O que tem o Kevin? – ela deixou escapar o nome do filho – Ele ainda é tão pequeno... Eu nem sei como vou contar isso pra ele! Ele só tem quatro anos... – ela voltou a chorar – Nem... Snif... Nem o conheceu direito... Eu não sei mãe... Não sei mais o que fazer! Eu estou tentando ser forte... – a voz da mãe a interrompeu – Certo... Tudo bem. Meio dia? Tudo bem. – ela desligou o telefone e apoiou a cabeça nas mãos, com os cotovelos sobre os joelhos, chorando.mesmo de tudo... Até mesmo de que seu pai não era um \"Encanador\" qualquer. Sua mãe esticou os braços para ele:

- Kevy? Tudo bem?

- Hm? O que?

- Você está bem?

- Ah! Sim! To sim... – ele respondeu saindo finalmente do transe.

- O que foi? Você está meio estranho hoje.

- O quê? Eu? Não! – ele pegou o prato de espaguete e enfiou o garfo na comida.

- Kevin... Não minta pra mim. – ela o olhou, preocupada, Kevin tentou ignorá-la, mas não conseguiu e finalmente abriu o jogo.

- Eu... Eu sinto falta dele...

A mãe arregalou os olhos por alguns instantes. Fazia muito tempo que ele não falava desse assunto. Ela colocou a mão sobre as costas curvadas do filho e começou a acariciá-la.

- Não é só você. Sabe disso, Kevin. Eu ainda amo muito o seu pai.

Os olhos de Kevin estavam vazios olhando para o chão. Nenhuma lágrima passou por eles. Não conseguia chorar.

- Será que... – Kevin começou a falar – Você poderia colocar um filme... Sei lá... Mais alegre?

A mãe concordou, pegando o controle e mudando para outro canal de filmes, dessa vez, estava passando o desenho Madagascar II. Os dois já assistiram juntos no cinema uma vez... Acharam o filme bem engraçado, mas era meio difícil de prestar mesmo atenção quando se está na mesma sala de cinema cheia de pirralhos que não conseguem parar quietos no banco. Com isso a conversa sobre o pai acabara.

Os dois assistiam ao filme se divertindo bastante.

- Gosto muito da girafa e do hipopótamo juntos! Tão bonitinhos! – a mãe disse por que a parte em que o filme estava era bem quando o avião caia e a girafa declarava seu amor para o hipopótamo, infelizmente, todos ouviram menos o hipopótamo já que ela estava dormindo.

Isso fez Kevin corar de leve, ele se lembrou de Gwen... Será que a situação entre eles era parecida com a do da girafa e a do hipopótamo? Uma situação engraçada e desajeitada por parte dos dois?

- Que foi agora? – a mãe perguntou percebendo que o filho se distraía com outra coisa. – Você está cada vez mais distraído...

- É que... – ele começou a dizer... Inventar desculpas não iria adiantar mais – Eu... Amanhã... Meio que vou... Prum encontro... Com uma menina e...

- Agora entendi tudo! – ela interrompeu.

- O que?

- Desde que você chegou, estava com uma cara de apaixonado mesmo! Eu conheço muito bem essa cara! É a mesma que o seu... Pai... Fazia quando me via. – ela se sentiu insegura em mencionar Devin, mas isso não afetou o estado do filho. Ele, na verdade, ficou mais vermelho. – Ahem... Qual o nome dela?

- Gwendolyn.- Ela é neta de Max Tennyson?!- Renesmee Carlie Cullen...Qual o apelido carinhoso que o Jake deu pra ela?

- Gwendolyn...?! – ela parecia chocada.

- É. Gwendolyn Tennyson... Por quê?

- Uuuuh... É.

- Não acredito!

- Como assim? O que foi?

- Ela não tem um irmão mais velho chamado Ken, certo? E um primo de cabelos marrons de olhos verdes?

- Como você sabe?

A mãe riu por um momento, Kevin não viu graça alguma. Ele já havia contado sobre Ben e Gwen pra ela, mas só como \"amigos\". Era a primeira vez que ele conversava com a mãe em detalhes sobre os dois.

- Querido... Acho que você vai achar até um pouco engraçado. Mas quando você tinha uns três anos... Max veio aqui em casa e trouxe os dois: Gwendolyn e Benjamin pra passar o dia com a gente. – Kevin nem soube o que falar... A boca dele estava aberta, surpreso. Como? Ele conhecia Gwen e Ben desde crianças? E não sabia?! Incrível... Ele nunca acreditou nessas bobagens como Gwen, mas... \"Será mesmo que existe um destino ou qualquer porcaria dessas? Ou será que foi só coincidência mesmo? Putz... Se Gwen estivesse aqui ela com certeza falaria que era destino...\" – Espera só um pouco – A mãe saiu correndo até o quarto, depois voltou com um grande álbum meio antigo de fotos. – Olha... – Ela se sentou ao lado do filho e abriu o álbum – Ta vendo? Eles vieram aqui apenas algumas vezes, porque toda vez que Max tentava trazer os dois acontecia alguma coisa, entende? Nas vezes que ele tentava trazer Ken, ou o garoto tinha um acampamento ou havia uma emergência dos Encanadores pro Max. Ele até tentou trazer os filhos e as esposas, mas eles sempre tinham uma emergência também. Nunca dava muito certo. Enfim... — Ela virou algumas páginas e chegou aonde queria. Kevin esticou o pescoço para ver melhor:

Uma das fotos mostrava um homem chegando à terceira idade, cabelos marrons com mechas grisalhas: Max Tennyson; ele estava segurando no colo duas crianças; uma delas, no braço esquerdo, era uma criança que tinha os cabelos curtos e era ruiva, estava segurando o pescoço do avô com seus braços pequenos e parecia que olhava para quem estava tirando a foto, meio tímida: Gwen; a outra criança parecia ser mais elétrica, e na hora de tirar a foto parecia querer alcançar o cabelo do avô para puxá-lo com força, a criança tinha cabelos castanhos da mesma cor que as mechas marrons que restavam do cabelo de Max: Ben, com certeza! Kevin olhou para os olhos de Gwen, não eram verdes: eram azuis.

Ele duvidou por alguns segundos se aquela menina era mesmo Gwen... Mas a criança da foto lembrava muito a Gwen de agora, só podia ser ela! Estranho.

A mãe nem deu mais tempo para ele olhar para foto e virou a página.

- Essa ficou muito engraçada! O Ben pegou um dos pedaços de bolo que eu tinha feito e passou na camiseta inteirinha da prima, ela começou a chorar no mesmo instante – Kevin viu a foto: Ben estava sentado no chão com Gwen do lado, pelo que parecia, Ben aproveitou os últimos segundos para jogar o pedaço de bolo de chocolate na camiseta da prima. Nossa, os dois se odiavam desde sempre. A mãe virou a página de novo, dessa vez havia duas fotos na mesma página. Na primeira foto estava: a mãe de Kevin, Devin e Kevin no colo do pai. Eles estavam dando um sorriso grande, e não estavam mais na sala, e sim na cozinha e atrás deles podia-se ver uma mesa cheia de comida. Na outra foto, Ben e Kevin brincando no chão da cozinha, ou melhor, brigando no chão da cozinha, Ben estava puxando o cabelo de Kevin enquanto Kevin colocava o pé na barriga de Ben para conseguir se livrar do puxão de cabelo, em volta deles, vários brinquedos espalhado no chão, como carrinhos de plástico, ursos de pelúcia – despedaçados, claro – e até algumas bonecas de menina, que com certeza eram de Gwen. – Ai, ai... – a mãe suspirou – Deu um trabalhão pra separar os dois. Devin teve que segurar você e Max tinha segurar Ben. – ela virou a página de novo, nessa foto era a vez de Gwen e Kevin aparecerem. Ela estava segurando um gatinho pequeno de pelúcia na mão direita, e olhava para Kevin com seus olhos azuis enquanto Kevin também a olhava só que não parecia ter gostado muito dela. – Lembro disso também. Gwen era tão curiosa que pegou o seu carrinho de plástico favorito, aquele verde com listas pretas, igual ao seu carro. Ela pegou o carrinho e você não gostou nem um pouco, e tirou da mão dela na mesma hora, ai ela começou a chorar; parecia que você ficou com um pouco de pena dela que no final acabou cedendo, emprestou pra ela o carrinho e disse \"Tó\". Ela pegou o carrinho e emprestou pra você o gatinho de pelúcia que estava segurando. Foi tão bonitinho! – Kevin ficou um pouco vermelho de vergonha... Ele pensou em pegar uma foto dos dois e mostrar para Gwen no dia anterior. O tempo foi passando e os dois ficaram apenas vendo as fotos de recordações daquele dia e dos outros.

Depois disso os dois foram jantar e quando acabaram Kevin olhou para o relógio e achou melhor ir embora. Ele se levantou, agradeceu a mãe com um beijo na bochecha e foi para a porta depois de pegar as chaves do carro de casa.

- Kevin! – a mãe chamou antes de o filho ir embora. Ele parou em frente à porta e virou o rosto para saber do que se tratava.

- Que foi mãe? – ele perguntou.

- Você disse que vai ter um encontro amanhã não disse?

- Disse... – ele respondeu corando. Ela se aproximou dele e começou a falar:

- Tenho três dicas pra você – ela esticou três dedos – Primeira: Dê atenção mesmo a ela, por que isso indica o quanto você gosta dela, resumindo, não seja um canalha. Segunda: Seja você mesmo...

- Acho que não vai dar...

- Como assim?

- Se eu seguir a regra número dois eu vou desobedecer a número um. – ele sorriu sarcástico.

- Pára com isso, Kevin! – ela deu uns tapas no ombro do filho. Sem achar graça e mesmo assim rindo.

- Certo... E qual é a última?

- A última é extremamente importante! – ela fez cara de suspense, Kevin ficou curioso – Juízo! – Kevin sabia do que se tratava e rolou os olhos...

- Tá, ta. Vou indo – ele disse.

Kevin saiu da casa da mãe e entrou no carro... Uma das mãos estava no volante e ele olhava pensativo para frente. Até que ele ouviu que alguém batia no vidro do carro... A mãe dele, Kevin abaixou o vidro.

- Que foi?

- Toma... – ela entregou uma foto que pegara do álbum... A de Kevin e Gwen pequenininhos. Kevin pegou a foto – Disse que queria pegar uma, mas acho que acabou esquecendo...

- Ah! Certo... Obrigado. – ela deu um beijo na cabeça do filho e disse:

- Aproveite... E traga ela pra jantar aqui qualquer dia desses...

- Tá... – ele ligou o carro depois que a mãe foi embora.

Depois de dirigir por mais ou menos uma hora ele chegou a sua \"garagem\" que ele chama de casa e foi direto para a pequena \"casa\" embutida com a garagem, como num apartamento pequeno, mas bem confortável. Ele fechou a garagem antes e depois se jogou na cama do quarto, acabado. Kevin olhou para o relógio: Quase dez da noite... Raramente ele dormia tão... Cedo. A maioria das vezes ele ficava totalmente distraído com o carro e no final ficava até meia noite ou até mais acordado. Dessa vez ele não ia ficar até tarde por que dessa vez ele estava muito cansado, sem saber direito por que. Ele fechou os olhos e pensou em Gwen até dormir.

- Hm... Com licença... – Kevin disse por de trás do vidro para a moça da bilheteria.

- Sim? – ela disse, estourando uma bola de chiclete na boca.

- Quero dois ingressos inteiros pro filme Lua Nova... Ainda tem pra sessão das quatro horas? – ele perguntou encarando a moça, meio desconfiado. \"Será que ela pode mascar isso no trabalho?\"

- Tio... Você é um cara de sorte! Tem só mais dois lugares sobrando... Mas da próxima vez não faz isso não ta? – ela olhou no computador, imprimiu dois ingressos e entregou para Kevin. Ele não pegou só a encarou. – Seu ingresso... Senhor.

- Não sei como ainda não foi despedida daqui – ele hesitou em falar coisas piores, mas pegou os ingressos, entregou o dinheiro e saiu da fila bufando \"Quando eu for embora daqui eu vou falar com o gerente desse cinema pra ela ver como é bom. E ainda por cima me chama de ‘tio’! Que piada\" Ele se sentou no banco e começou a esperar por Gwen. Alguns minutos depois ele ouviu uma voz:

- Kevin? – ele virou para trás e deu de cara com Gwen. \"Wow!\" Ele não estava surpreso por tê-lo assustado... Mas por como ela estava... Muito bonita. Ela estava usando uma calça jeans branca, uma regata verde clara, um cinto fino que dava duas voltas em cima da camiseta e uma sapatilha cinza bem clara. Ela deixou o cabelo solto e passou uma sombra clara que deixava seus olhos verdes mais claros do que eram. E o estranho era que ela só tinha passado isso e já estava muito bonita. Não que, nas outras vezes, ela não era bonita... Kevin se levantou meio nervoso.

- Oi Gwen! – ele abaixou a cabeça para poder vê-la melhor, nisso ele conseguiu sentir um cheiro muito bom de perfume, não era muito forte e nem muito fraco. Os dois se encaravam e as bochechas de Gwen ficaram mais rosadas do que já estavam. – Você... Tá linda. – ele quebrou o silêncio dizendo algo que ele próprio não esperou conseguir dizer com tanta calma.

- Obrigada – ela sorriu – Você também está... – e era verdade; ele estava usando uma camiseta branca de mangas curtas, com uma jaqueta de couro preta por cima e uma calça jeans simples, mas muito bonita, os sapatos eram pretos. Ela podia sentir um cheiro agradável de colônia masculina que ele passou.

- Então? – ela perguntou, tentando não se distrair mais – Vamos comprar os ingressos?

- Uuuuh... Eu já comprei. – ele pegou os ingressos do bolso e mostrou para Gwen – Lua Nova... Era esse que você queria, certo?

- Como... Como você conseguiu?

- Como assim?

- Eu não achei que a gente ia conseguir comprar.

- Ahn! Com o papai aqui nada é impossível – ele deu um sorriso orgulhoso para Gwen.

Ela deu um sorriso e puxou o garoto para a fila dizendo:

- Vamos! É melhor a gente ir comprando a pipoca e ir pra fila pra pegar um lugar bom.

- Sim, ma’am! – os dois foram para a lanchonete do cinema e compraram um saco gigante de pipoca, um refrigerante grande, já que os dois não se importavam em beber no mesmo copo, e algumas balinhas. Depois foram para a fila, esperar o funcionário de o cinema abrir caminho. Kevin e Gwen procuraram pela fila do Lua Nova e encontraram... Era imensa, a maior comparando com a dos outros filmes... Cheia de garotas que não paravam de cochichar um no ouvido da outra, algumas seguravam livros do Lua Nova, outras usavam camisetas como \"Team Jacob\" ou \"Team Edward\" e até mesmo \"Team Bella\". Eles entraram na fila.

- Team Bella, huh? Tem gente de todo o tipo aqui hein?

Gwen suspirou:

- Kevin... Team Bella não quer dizer que elas escolheram a Bella, mas quer dizer que elas escolhem os dois... Por que os dois amam a Bella, o que quer dizer que ela pode escolher ou o Jacob ou o Edward.

- Ah! Entendi.

A fila abriu e as fãs começaram a atropelar os funcionários e qualquer um que estava no caminho. Kevin olhou para elas por um momento caçoando.

- Haha! Olha lá Gwen! Bando de desesperad-... Gwen?! – ele olhou para os lados e não a encontrou; só depois percebeu que na verdade a namorada tinha saído correndo junto com o resto de fãs desesperadas, com a pipoca nas mãos e tudo mais... Ela olhou para trás e gritou:

- Kevin, anda logo! Quero pegar um lugar bom!

Ele ficou lá, boquiaberto... Bando... De... Desesperadas...? Ele saiu correndo com o refrigerante e as balinhas nas mãos e chegou até a porta onde a multidão de garotas (desesperadas) se espremia pra conseguir entrar na sala de cinema.

- Gwen... Acho que a gente não vai pegar um lugar bom... Com esse bando de psicopatas na frente... Acho melhor a gente esperar todas entrarem e...

- Sai da frente! – ela empurrou alguma das garotas que se espremia na entrada da porta e puxou a mão de Kevin junto.

- Acho que falei errado... Devia ter dito: \"Com esse bando de inocentes na frente... Ninguém iria sobreviver a você\"...

- Deixa de ser criança Kevin!

- Criança?! Eu?! Não sou eu que estou correndo e matando pessoas desesperadamente pra conseguir o melhor lugar pra assistir um filme onde só tem pornografia de caras sem camisetas que querem na verdade chupar o seu sangue todinho ou que se transforma em lobos que podem acabar se apaixonando por qualquer garota, até mesmo uma criança de um ano de idade ou menos! – Gwen olhou para ele depois de terem se sentado.

- Como sabe?

- Como sei o que?

- Como sabe sobre isso dos lobos?

- O imprintin-?

- Como sabe como isso se chama?

- Eu... Anh... Vi a sinopse e...

- Kevin... Isso ele só conta no Eclipse. E esse aqui é o filme Lua Nova!

Ele ficou em silêncio por alguns instantes... Pego na própria idiotice.

- Haha! Kevin... Você leu os livros?

Ele ficou em silêncio por alguns minutos, como era teimoso respondeu:

- Eu? Não! Tá maluca!

Ela sorriu com aquela expressão de \"você não me engana mais\".

- Tudo bem... Eu gosto... E eu li... Feliz?

- Hahaha! – ela começou a rir na poltrona – Muito! Eu nem acredito nisso! Tá bom, tá bom... Vamos ver mesmo se você sabe. – ela se ajeitou na poltrona, olhando para Kevin:

- Qual é o nome inteiro da filha de Edward e Bella?

Como se não tivesse opção para escapar dos questionários de Gwen ele começou a responder:

- Wow! Hm...

- Nessie.

- A Bella gostou?

- No começo nem um pouco.

- O que ela fez quando descobriu o apelido da Nessie no começo?

- Pulou em cima do Jacob pra matar ele...

- Mas...?

- Mas o Seth entrou na frente e a Bella machucou ele.

- Caramba! Certo, certo. Vamos pra outro livro, Eclipse. Hm... O que acontece com a Bella depois de ser beijada pelo Jake?

- Tentou dar um soco nele, mas quebrou o braço e ele não sentiu nada.

- Isso... Er... O Ed suborna a Alice com...?

- Um Porsche amarelo...

- Qual a sua parte favorita do livro?

Kevin ficou quieto por um tempo:

- Se eu te disser...

- Ah! Conta!

Ele suspirou e disse:

- A parte em que os vampiros e os lobisomens lutam contra os Recém-Nascidos da Victória.

- Acho que não é uma surpresa... Você adora ação! – por algum motivo ela não gostou muito da resposta do namorado.

Kevin deu um sorriso torto e só pra quebrar o gelo disse:

- E a sua parte favorita, qual é?

- De qual livro?

- Eclipse mesmo...

- Bem... Quando o Edward a pede... Em casamento.

- Ah! Acho que não é uma surpresa... Você adora romance! – ele sorriu para ela como se a estivesse pegando na própria pegadinha. Ela também sorriu e deu um tapinha no ombro dele.

- Pára! Seu bobo!

- Ué o que foi?! Eu só estou repetindo o que você disse.

- Sh! O filme vai começar! — ela disse; dessa vez com um empurrão para ele ficar quieto e pegando o refrigerante da mão de Kevin deu um gole, depois enfiou a mão no saco de pipoca. Kevin aproveitou a chance e pegou um pouco de pipoca também.

Depois de passarem os trailers o filme começou. E a sala ficou em completo silêncio, até Kevin não fez um pio. Ele gostava muito dos livros, infelizmente ele tinha que admitir... Mas o primeiro filme da saga ele não tinha gostado muito, por isso não sentiu tanta animação pra ver o segundo, mesmo mudando o diretor. Se o filme não for bom, ele não ligaria muito, já que Gwen estava do lado dele... Mesmo ela estando meio paranóica. O filme foi passando e a pipoca foi acabando, em partes de nervosismo do filme, Gwen começava a comer a pipoca como uma máquina, mesmo já sabendo o que ia acontecer. Kevin no final gostou muito do filme, pelo menos até agora.

A única parte em que ele não gostava era quando os lobisomens tiravam a camiseta. Na primeira vez em Jacob tirou a camiseta, todas as meninas do cinema suspiraram, outras até gritaram. Kevin olhou para Gwen, ela não olhava para mais nada, a não ser o filme; mesmo no escuro ele pôde ver que Gwen estava um pouco vermelha por causa da cena, os olhos verdes dela estavam meio arregalados, e Kevin suspeitou, que se ele não estivesse do lado dela ela teria gritado. Sem saber o porquê, ele achou isso engraçado e voltou sua atenção para o filme. Na hora de lutar os poucos meninos que estavam no cinema, a maioria: namorados que foram arrastados pra lá, não davam atenção a mais nada.

Gwen ficava mais emocionada a cada instante que o filme passava. Quando finalmente chegou a parte que ela mais gostava do filme... A parte em que Bella sai correndo para impedir o suicídio de Edward. E então os dois se abraçam e se beijam... Nesse momento ela se sentiu tão sem graça que nem conseguiu olhar nos lados para ver o que Kevin estava fazendo. Ele também se sentiu muito sem graça e não falou nada. Finalmente o filme acabara e os dois saíram da sala de cinema sem falar muito, quando eles chegaram ao corredor Kevin perguntou:

- Gostou do filme?

- Hm? Ah... Sim gostei... Muito... E você?

- Er... Também gostei... – ele ficou um pouco sem graça ao admitir. Eles começaram a andar sem falar nada.

- Com fome? – Gwen perguntou. Ela sabia que ele ia dizer que não, já que ele comeu muita pipoca e muitos doces, mas era só para quebrar o silêncio, além do mais, se ele não quisesse comer nada ela comeria, pois ainda estava com fome.

- Estou...

Gwen no começo ficou surpresa. Mas depois decidiu ir para a praça de alimentação e comer alguma coisa. Os dois procuraram uma mesa e se sentaram em uma das mesas.

- O que vai querer? – Kevin disse.

- Hm... Acho que vou querer umas batatas fritas e um refri.

- Entendi – ele se levantou e foi até uma das lanchonetes do shopping para comprar o que Gwen pediu.

Ele chegou à mesa onde Gwen estava sentada alguns minutos depois segurando uma bandeja, com uma caixa grande de batatas fritas, uma caixa com um hambúrguer, e dois refrigerantes médios. Ele colocou a bandeja na mesa e entregou para Gwen um dos refrigerantes e a caixa de batatas fritas.

- Quer ketchup?

- Hm... Quero sim. Obrigada... – ela pegou um dos saquinhos de ketchup que ele tinha dado para ela e colocou nas batatas fritas. Ela comeu algumas e deu um gole no refrigerante. Quando olhou para Kevin, viu que ele a observava de um jeito estranho e perguntou:

- Que foi?

- Ah... Não é nada não... É que eu tenho uma pergunta...

- Qual?

- Seus olhos... Eles sempre foram verdes?

Ela estranhou:

- Por que está me perguntando isso?

- É que... – ele colocou a mão no bolso e tirou algum tipo de papel.

- O que é isso? – Kevin entregou para ela o papel e ela viu que se tratava de uma foto, nela estavam dois bebês de mais ou menos dois anos de idade sentados no chão de uma sala. Um dos bebês ela reconheceu – Sou eu... – ela disse se referindo a criança ruivinha que estava segurando um gatinho de pelúcia. – Mas... – ela olhou para a outra criança que estava ao seu lado... Um garotinho de pele bem clara, olhos castanhos e cabelos bem pretos: Kevin, com certeza. Ela não soube mais i que dizer então olhou para ele, em dúvida.

Kevin percebeu que ela estava surpresa então com um sorriso explicou:

- Minha mãe que me mostrou essa foto... O seu avô veio lá em casa uma vez quando a gente ainda era bem pequeno, você e o Ben também.

- Hã?

- O seu avô e o meu... Pai... Eles eram parceiros Encanadores e um dia ele trouxe vocês dois pra ele conhecê-los.

- Nossa... Quer dizer que você e eu...?

- Aham... A gente se conhecia desde que éramos crianças... Eu também fiquei surpreso quando minha mãe contou.

Ela deu um sorriso.

- Viu? – Kevin apontou para a Gwen da foto – Seus olhos estão azuis...

- Ah! Isso... É estranho é? Mas quando eu era pequena eles eram azuis... Só que ai eles começaram a ficar verdes... Não sei por que. Os olhos eram da cor dos da minha mãe... E depois eu descobri que também eram da minha avó.

- Minha mãe disse que você era bem curiosa... Adorava pegar as coisas dos outros...

- Mesmo?

- Ela também me disse que você odiava o seu primo desde pequena.

Ela entregou a foto de volta para ele.

- Pode ficar com a foto.

- Mesmo?

- Eu tenho mais em casa e a minha mãe deu essa pra mim.

Ela hesitou em guardar a foto, mas guardou-a na bolsa.

- Obrigada... – ela sorriu e depois pegou mais uma batata frita para colocar na boca – Ah! Lembrei de uma coisa também! Ela mexeu na bolsa e procurou por alguma coisa que estava dentro. – nisso ela retirou algo arredondado e achatado que Kevin não conseguiu saber o que era por estar embrulhado em um papel de presente azul decorado com carrinhos pequenos de várias cores com uma fita vermelha em volta. – Feliz Aniversário... Atrasado... – ela entregou o objeto embrulhado para Kevin. Ele pegou o presente, meio surpreso, e o examinou.

- O que é?

- Hm... Acho que só vai descobrir se abrir certo?

Ele tirou o papel de embrulho com cuidado e viu o que era: tecnologia alienígena, um disco de holograma que muitas vezes o avô de Ben usava quando precisava enviar uma mensagem importante.

- O que...?

- Acho melhor a gente ver isso em outro lugar. Já acabou o hambúrguer?

- Ah... Não... Mas a gente come em outro lugar... – ele colocou o hambúrguer dentro da caixa e de alguma forma a levou junto com o refrigerante em uma só mão... Na outra ele levava o disco. – Vem...

Gwen se levantou, colocou a bolsa no ombro e levou o refrigerante e as batatas frita. Sabia que ele ia ficar curioso a ponto de parar o que estava fazendo, apenas para saber do que se tratava o disco. Os dois foram até o estacionamento aberto onde estava o carro de Kevin. Eles olharam para os lados para ver se havia alguém observando, quando viram que estava seguro, os dois se sentaram na frente do carro na parte de fora e deixaram a comida em cima. Kevin pegou o disco e procurou o botão que ligava o que quer que seja que estava gravado lá.

Quando achou ele apertou o botão e em cima do disco começou a aparecer uma imagem deformada que aos poucos ficou mais nítida... Nela, apareceu uma mulher bonita de cabelos pretos e cumpridos, ela estava sentada no sofá, fazendo alguns rabiscos nas folhas de papel, meio distraída; Kevin olhou melhor e percebeu que ela estava grávida. A mulher olhou para quem quer que seja que estava filmando-a e disse com um sorriso:

- Devin! Desliga a câmera... Por favor. – uma voz de alguém que não aparecia na gravação dizia como se estivesse caçoando. Depois disso a imagem rodou e a gravura da mulher ainda estava aparecendo, só que dessa vez um homem também apareceu: ele era alto, com cabelos pretos e puxados para trás, seus olhos eram castanhos escuros, da mesma cor dos de Kevin. Era seu pai... E sua mãe. Era ele. O homem começou a falar depois que agachou e encarou a barriga da esposa, acariciando-a:

- Ih! Ouviu isso, Kevin? Sua mãe parece estar nervosa... Que coisa feia mamãe!

-

- Há... Puxou o pai desde sempre...

Devin deu um beijo na barriga da mulher e depois olhou para ela.

- Tomara que puxe o pai na beleza também... – ele deu um sorriso convencido e brincalhão, idêntico ao sorriso de Kevin.

- Devin! Ouviu isso, Kevy? – a mãe olhou para a barriga como se estivesse falando para o bebê – Não siga os conselhos do pai!

Devin fez beiço com a boca.

- Não ouça a sua mãe, Kevin...! – ele olhou para a barriga da esposa também. A última coisa que se passou na imagem foi da mãe dando um empurrão no marido e ele caindo no chão de brincadeira enquanto ela ria. Só podia ser a mãe de Kevin, sempre risonha. A imagem se distorceu e dessa vez a mesma mulher apareceu, só que dessa vez seus cabelos estavam curtos e ela estava deitada em uma maca com um bebê recém nascido no colo... A câmera que gravava a imagem se aproximou da mulher e nisso dava para ver o pequeno bebê que ela segurava... Devin apareceu de novo ao lado da esposa e olhou para o filho dizendo:

-

- Diz \"oi\", Kevy!

-

Cuidado! Os marcianos estão atacando! Vusshhhhhh! Cuidado Kevin!

Depois apareceu outra imagem, a mãe segurava Kevin no colo, ela e o pai cantavam \"Parabéns\" para Kevin, na frente, um bolo de chocolate decorado de confeitos coloridos, em cima uma vela azul como número 3 gravado. O Kevin do holograma assoprou a vela e quando se apagou o pai cortou o primeiro pedaço e deu para o filho dizendo:

- Pra quem vai ser o primeiro pedaço, Kevy? Vai ser pra mim certo?

- Como assim pra você?! É pra mamãe; certo Kevin?pai dele! Vamos lá Kevin, dá pro papai! – o bebê olhou para Devin e esticou o bolo que segurava com as mãos pequenininhas para dar ao pai – Viu?! Ele gosta mais do p—ele não conseguiu ao menos terminar o que estava falando quando o filho jogou o bolo em seu rosto e espalhou com a mão para o cabelo.

- Claro que não! Eu sou o

- Hahahaha –

a mãe começou a rir – O que você dizia?

Mais uma imagem apareceu. Dessa vez três bebês brincando: Gwen, Kevin e Ben. Cada um com seu próprio brinquedo... E a última imagem foi a de Devin e a esposa dando um selinho e alguns segundos depois Kevin aparecendo pondo as mãos no olho do pai.

- Ah! Kevin!

- Hahaha!

A imagem sumiu. E mais nenhuma veio no lugar. Gwen olhou para Kevin depois que o disco se desligou, ela ficou esperando alguma coisa. Ele ficou quieto por alguns segundos e depois suas mãos começaram a tremer, e nesse momento Gwen duvidou se devia mesmo ter dado a ele o disco.

- K-Kevin...?

Ela olhou para ele, seus olhos estavam mostrando algo que lembrava raiva...

Ela tocou no ombro dele... \"Droga! O que eu fiz?!\" Kevin olhou para ela assustando-a. Ele tentou se acalmar.

- Onde... Conseguiu isso?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder, com um pouco de medo:

- E-Eu fui visitar meu avô, Max um pouco antes de vir aqui... E perguntei para ele sobre o seu... Pai. Ai ele me mostrou isso – ela apontou para o disco de holograma, e arriscou dar uma olhada para Kevin, e foi ai que ela viu que ele não estava com raiva... Mas sim desesperado... A causa, ela não sabia. – Ele me explicou que... Seu pai tinha gravado isso e sempre carregava com ele antes de ir a uma missão... Meu avô também disse que parecia que ele queria deixar isso pra você, mas nunca teve muita certeza. Eu perguntei pra ele se eu podia ficar com o disco, e ele deixou.

Kevin continuou em silêncio... Gwen se sentiu uma idiota por ter mostrado a ele... Ela já sabia como ele se sentia em relação ao pai: Nunca falava muito sobre ele e parecia não querer mencioná-lo. Ele virou o rosto para ela... E já queria ir se desculpando:

- Olha Kevin... Eu... O que foi? – ele abaixou a cabeça e começou a grunhir... Ela encurvou a cabeça para vê-lo melhor. Seus olhos ficaram vermelhos e começavam a formar lágrimas nos cantos dos olhos. – Kevin... – ela sussurrou seu nome, e se aproximou do garoto colocando o braço em volta das costas dele. Aos poucos as lágrimas começavam a escorrer em seus olhos.

Após algum tempo de silêncio ele disse:

- Eu... Sinto falta dele...

Gwen sorriu de leve... Era bom quando se colocava tudo para fora. Ela envolveu seu outro braço em volta do garoto, abraçando-o. Ele a abraçou também, chorando um pouco mais e disse outra coisa que fez com que Gwen começasse a chorar junto:

- Obrigado, Gwen... – ela o abraçou mais forte e acariciou a cabeça dele, como se tentasse acalmá-lo.

Depois de um tempo eles se desprenderam do abraço, e Kevin enxugou suas lágrimas com a manga da jaqueta. Ele colocou o disco do lado do carro e começou a comer o resto do hambúrguer, Gwen fez o mesmo... Infelizmente a comida estava meio fria... Mas ela agüentou comer tudo, já que ainda estava com fome.

- Sabe... – Kevin começou a falar de boca cheia – A minha mãe me falava que o meu pai sempre foi meio que engraçado... E que ele sempre tinha um senso de humor enorme... Agora eu sei do que ela estava falando... – ele deu uma risada.

- Acho que você puxou isso dele – estava feliz não só por ver que Kevin ficou mais animado... Mas também por ver que ele agora tinha mais liberdade ao falar do pai com ela.

- É...

- O que quer dizer que você vai ser como ele. – ela colocou a mão no ombro de Kevin e olhou nos olhos dele com um sorriso.

- Acho que sim.

Gwen hesitou por um momento ao colocar a cabeça no ombro de Kevin, depois pôs a mão no outro ombro do garoto. Ele corou de leve, mas ficou quieto e os dois terminaram de comer o lanche. Quando terminaram, jogaram o lixo fora e foram para o carro, pois já estava quase anoitecendo. Kevin colocou o disco dentro do porta-luvas, ligou o carro e olhou pra Gwen:

- Que foi? – perguntou ao ver que ela estava encolhendo os braços e colocando-os em volta do corpo.

- Hã? Nada não...

- Esqueceu da blusa?

- É...

- Toma... – ele tirou a jaqueta e colocou em volta dela.

- Hm... Mas e você? Não está com frio? – ela corou, não por ele ter colocado a jaqueta em seu ombro, mas porque a camiseta que ele usava era colada ao corpo, fazendo com que ela pudesse ver a silhueta dos braços e peito musculosos de Kevin.

- Na verdade, não... – ele disse dando um sorriso ao perceber para onde Gwen olhava. Ele colocou a chave no carro e o ligou. Gwen ficou quieta por alguns minutos, não queria ir embora... Pra ela o tempo que eles passaram juntos foi muito pouco. Ela fez cara de desanimada e Kevin percebeu:

- Que foi agora? – ele perguntou.

- Não... Nada. É que... Acabou tudo tão rápido...

- Quem disse que acabou?

- Como assim?

Ele ficou quieto.

- Kevin, como assim?

- Quer cortar meu barato é? Espera e você vai ver!

Ela não disse mais nada. De repente começou a bater um sono... E aos poucos ela foi caindo cada vez mais no sono até que dormiu.

Kevin parou o carro em frente a uma árvore.

- Chegam-... Gwen? – ele olhou para Gwen e viu que ela tinha caído no sono, no começo duvidou se queria acordá-la ou não. Ele ficou a observando por alguns segundos e saiu do carro. Depois abriu a porta do banco do passageiro, tirou o cinto de segurança dela e tentou carregá-la, mas na hora em que tocou nela, ela acordou.

- Hã... O que? Onde, onde a gente está? – ela se ajeitou no banco, colocando a jaqueta sobre os ombros e olhou para os lados.

- Calma Gwen... Vem.

- Pra onde?

- É só você vir que eu te mostro.

- Não é para outro hospital... É?

- Não... – ele riu.

- T... Ta bom... – ela saiu do carro e fechou a porta por de trás. Aos poucos que ela foi andando, percebeu que estava no mesmo lugar que esteve com Kevin e Ben ao conhecer a avó, Verdonna. Gwen seguiu Kevin até o lago e lá eles se sentaram perto da margem do lago, mas não perto o bastante para se molharem. Foi ai que ela entendeu por que ele queria levá-la nesse lugar, de noite o lago ficava lindo. Ela se lembrava de quando seu avô a trazia junto Ben e Ken pra pescar e às vezes até acampar lá.

- Muito bonito... – ela disse suspirando, enquanto olhava para a lua e as estrelas. Como o lago era um lugar meio afastado da cidade eles podiam ver melhor as estrelas.

- Sabia que você ia gostar. – Kevin respondeu com um sorriso.

- Obrigada por ter me trazido até aqui. – ela colocou a mão sobre a de Kevin, e ela conseguiu ver a diferença de tamanho entre a mão dela e a mão dele e como a mão dele era gelada comparando com a dela, mas quando ele a abraçava ela conseguia sentir como seu peito era quente. Ela se aproximou mais dele a ponto de conseguir tocar seu ombro no dele.

Ele segurou a mão dela mais forte, como se fosse uma resposta para o que ela disse.

Gwen virou o rosto para olhar para ele. Ele fez o mesmo e por uns minutos eles se encaravam sem dizer nenhuma palavra, os dois já sabiam o que ia acontecer em seguida. Kevin começou a aproximar o rosto e colocou suas mãos geladas em volta do rosto de Gwen, uma mão colocada em uma bochecha e a outra na do outro lado. O rosto dele se aproximou mais e ele começou a olhar para os olhos de Gwen... Depois para seus lábios. Gwen não precisou mover seu rosto, apenas esperou ele se aproximar. E finalmente seus lábios se tocaram, Kevin conseguia sentir como a pele dela era quentinha, eles ficaram um tempo apenas sentindo o toque do lábio um do outro, depois suas bocas se abriram. Gwen colocou seus braços em volta do pescoço de Kevin e espremeu seu corpo contra o dele, Kevin puxou o rosto de Gwen contra o dele, depois ele desceu suas mãos para a cintura dela e foram para suas costas puxando ela para mais perto, fazendo com que ele sentisse o batimento de seu coração que estava se acelerando. As mãos de Gwen acariciavam a nuca e os cabelos dele enquanto seus rostos se moviam. Gwen sentia uma sensação de borboletas no estômago, como se ela não tivesse comido nada o dia inteiro, mas essa sensação era boa... Muito boa. A jaqueta que estava nos ombros dela caíra, fazendo com que a garota sentisse mais calafrios, os pelos se sua nuca e braços se eriçaram assim como os de Kevin. E aos poucos seus lábios se separaram. Eles encostaram suas testas e encararam um ao outro, como se estivessem conversando pelos olhos. Nisso Gwen encostou sua cabeça nos ombros dele, perto de seu pescoço. Kevin fez o mesmo e ficaram se abraçando, Gwen não precisava mais de uma blusa, Kevin estava abraçando ela tão forte que isso já bastava para esquentá-la; apenas suas mãos eram geladas. Ele começou a beijar seu pescoço e ela a bochecha dele. Kevin pegou a jaqueta que havia caído no chão e colocou sobre os ombros de Gwen novamente para esquentá-la. Eles não sabiam por quanto tempo ficaram desse jeito, mas não ligavam, estavam apenas felizes de ficarem juntos.

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- Acho melhor a gente ir agora – Kevin sussurrou no ouvido dela enquanto beijava seu pescoço – Parece que vai chover... E você tem que chegar até as dez... Já devem ser umas nove da noite...

- Hm... – ela respondeu triste por já ter que ir embora. – Não quer ficar lá em casa?

- Quê? – ele se desprendeu do abraço de Gwen e a encarou, ficar na casa dela?

- Digo – ela ficou com as bochechas vermelhas – Se você quiser... Ficar lá em casa...

- Gwen... Eu acho que os seus pais não vão deixar... – \"Na verdade... Tenho certeza que não\"

- E quem disse que eles precisam saber?

- Hã?!

- Por favor...

Ele não disse nada e se levantou puxando ela para se levantar também e levá-la para o carro, Gwen ficou em silêncio por um tempo. Sem graça por ter pedido a ele para ficar com ela em seu quarto, ela sabia que ele não iria fazer nada de errado, por isso queria que ele ficasse com ela.

Certo... Agora ela se sentia no livro Crepúsculo. Eles entraram no carro e os dois ficaram quietos a viagem toda. Kevin ficou pensando no que Gwen disse... Ele queria ficar com ela, mas... E se os pais dela descobrissem que ele estava no quarto com ela?

Quando eles chegaram à casa de Gwen, ela saiu do carro pegando sua bolsa e encarou Kevin por alguns minutos, ele saiu também e foi até ela.

- Boa Noite... – ele disse. Kevin a beijou e ela o beijou de volta.

- Boa Noite – ela respondeu. Tentando esconder a pontada de tristeza por saber que ele não ia ficar... Mesmo assim ela ficou muito feliz por ter finalmente saído em um encontro com Kevin.

Ele entrou no carro, ligou-o e deu a partida para ir embora, acabando com as últimas esperanças de Gwen para ele ficar em sua casa. Quando o carro de Kevin ficou longe de alcance, ela entrou em casa e lá encontrou seu pai sentado no sofá vendo TV.

- Oi, pai!

- Oi querida...

- Cadê a mamãe?

- Foi para a cama... Estava morrendo de sono...

- Ah... Eu vou subir!

- Não vai comer nada não?

- Não estou com fome.

Ela subiu as escadas e foi para o quarto pegar a roupa, depois foi ao banheiro e encheu a banheira com água, depois entrou. Ficou lá por alguns minutos, depois se secou e esvaziou a banheira. Quando saiu do banheiro, viu que seu pai tinha subido também, ele disse \"Boa Noite\" para a filha e depois entrou no quarto onde Lily estava; fechando a porta por trás. Gwen apagou as luzes da casa e foi até o quarto; ela ligou apenas o abajur deixando com que uma luz fraca e aconchegante iluminasse apenas uma parte do cômodo, ela soltou os cabelos que havia prendido para não molhá-los e deu uma mexida com as mãos antes de se sentar na cama, ela olhou em volta nas partes em que o quarto estava sendo iluminado. Depois pegou o livro que estava em cima de seu criado mudo: Amanhecer, e começou a ler na parte em que Bella se torna uma vampira. Ela se distraiu muito com a leitura, que se assustou ao ouvir um barulho vindo da janela, como se alguém estivesse batendo no vidro. No começo ela ficou assustada, mas depois pensou, enquanto se aproximava da janela \"Será que... Não, não pode ser ele...!\" ela abriu o vidro da janela e lá estava ele... Sentado no telhado, esperando ela abrir a janela do quarto.

- Kevin! O que...?

- Foi você quem pediu...

- Mas você...? Você tinha ido... Ido embora e...

- Eu estacionei o meu carro no final da rua... Vai que alguém da sua família vê...

Gwen olhou para ele de novo, estava com uma calça larga preta, uma camiseta branca parecida com a que ele estava antes, mas era um pouco mais larga e tênis brancos.

- Mas... As suas roupas...

- Às vezes estou acostumado a dormir no carro... Então eu guardo umas roupas reservas no porta-malas.

- Ah! Entendi...

- E ai? Vai me convidar pra entrar ou não? Além do mais... Tá ficando cada vez mais frio aqui!

- Ah tá... – ela saiu da frente para Kevin poder entrar, ele jogou uma mala pequena no chão que parecia ter as roupas que ele usava.

- Eu vo-... – ele olhou para Gwen melhor e corou. \"Merda!\" ela pensou. A causa foi ela estar usando um conjunto de pijama cor de rosa com uma mini-bermuda fazendo com que quase toda sua perna aparecesse. Gwen fez uma cara feia pra ele e ele entendeu o recado olhando apenas para o rosto dela... Ou melhor... Tentado. Gwen fechou a janela, e sentou na cama enquanto Kevin olhava para ela.

- Que foi?

- Tem... Hã... Um colchão reserva ou qualquer coisa?

- Ah... Na verdade eu pensei em... Bem – Kevin entendeu o recado e se sentou ao lado dela, ainda meio sem graça. Ela puxou uma coberta e deitou na cama, enquanto Kevin não sabia mais o que fazer... – Gwen se afastou até encostar-se à parede e deixar um bom espaço para ele deitar. Kevin deitou no espaço que ela deixara para ele e colocou o braço por debaixo da cabeça de Gwen.

Ela colocou o cobertor que estava em cima dela sobre Kevin também e apoiou sua cabeça no peito dele, conseguindo ouvir o coração dele bater. Depois mexeu sua cabeça para olhar para ele e olhou em seus lábios, Kevin percebeu para onde ela estava olhando e com o sorriso encostou a boca dele na dela, beijando-a. Gwen colocou a mão esquerda sobre seu peito e Kevin pôs a mão em sua cabeça, dando pequenas voltas em seu couro cabeludo com os dedos. Eles fecharam os olhos e apenas aproveitaram o momento entre um e o outro, a mão de Gwen subiu do peito de Kevin para o pescoço e depois para sua cabeça, enquanto as mãos dele desciam para a cintura dela e pararam lá. Quando se separaram do beijo, Gwen voltou a colocar a cabeça em seu peito e aproveitava para beijá-lo, enquanto Kevin acariciava sua cabeça.

- Não tem problema de seus pais me pegarem aqui? – Kevin perguntou meio preocupado.

- Não... Se eles quiserem entrar eles batem na porta, primeiro; e se eu responder: eles entram; se eu não responder... Sabem que eu estou dormindo então não entram.

- Nossa...

Gwen sorriu e aos poucos suas pálpebras ficaram pesadas até que dormiu, e antes disse:

- Boa noite, Kevy... – ele corou de leve e também respondeu:

- Boa noite... Gwendy.

– a mãe falou olhando para o bebê – Diz \"oi\" pro papai! – ela deu um sorriso enquanto o marido ainda acariciava o filho. A imagem se distorceu. Dessa vez a mãe e o pai estavam no chão e ela segurava um bebê de pouca idade, ele estava apenas de frauda e com uma chupeta na boca. A mãe o colocou de pé e o segurava pela cintura, tentando fazer com que o bebê andasse, o pai começou a chamar Kevin para fazê-lo andar. O bebê começou a mexer as perninhas e foi andando aos poucos até o pai, quando chegou até ele, o bebê se jogou no colo do pai e ele deu um abraço no filho. Depois mais imagens começaram a aparecer, (e nelas sempre as mesmas pessoas: o pai, a mãe e o filho que, a cada imagem, ficava com mais formas de criança e menos de bebê), uma delas Kevin estava sentado nos ombros do pai e eles estavam brincando de nave espacial e outras coisas fazendo o barulho de lasers com a boca: Oi, Kevin! – ele acariciou o bebê com o dedo indicador.

Ele chuta muito, hein? – ela deu um sorriso doce para o marido.

Ela começou a gritar o nome do marido, Devin. Foi ai que Kevin percebeu o que aconteceu... Seus olhos também se encheram de lágrimas... E ele chorou silenciosamente no quarto até dormir e sem ver o que aconteceu depois. Quando ele acordou no outro dia, a sua mãe estava conversando ao telefone, sentada no sofá e vários lenços de papéis assoados envolta, seus olhos estavam inchados. Kevin se aproximou da mãe, mas ela estava tão distraída que não percebeu a presença do filho:

- Sim... Eu já vi onde é... Mas eu não quero colocá-lo lá eu... Tudo bem mãe... Mas acho melhor... Mãe eu sei onde é melhor colocar o corpo dele, ele é

Kevin foi para frente da mãe, ela percebeu que o filho a encarava e o fitou também. Ela estava chorando muito... Enquanto Kevin dava a ela um olhar que indicava que o filho já sabia de tudo. Mesmo pequeno Kevin já era muito mais esperto que as outras crianças \"Tal pai, tal filho.\" ela pensou, chorando e sorrindo ao mesmo tempo. Kevin já sabia

- Vem cá, querido! – Kevin correu até ela e o abraçou.

Os dois ficaram em silêncio por um momento e depois o filho disse aos soluços e lágrimas:

- Vou sentir falta dele, mamãe.

- Eu também, Kevy.

- É melhor você apagar essa foto... – ele disse num tom sério.

- Foto? Que foto? – ela se fez de desentendida.

- A foto da câmera que está debaixo da sua bolsa, e que há uns segundos atrás estava sendo usada pra tirar fotos do idiota aqui atrás...

Ben ao ouvir a palavra \"idiota\" olhou para o banco do motorista. Claro que Kevin só podia estar se referindo a ele.

- Quem é idiota aqui? Posso saber? – Ben disse esticando a cabeça para frente para ver o rosto da prima e do amigo.

- Você! – Kevin retrucou dessa vez olhando para frente.

Ben não gostou muito do que Kevin disse, deu um chute na parte de trás do banco do motorista e depois foi o mais rápido que pôde para o outro lado do banco.

- Ai! – Kevin vez uma cara de dor. Mas estava claro que ele não sentiu nada – Sério Ben... Você devia ensinar artes marciais pra menininhas de 1ª série. Estou muito certo de que elas vão render bastante na hora de ver a sua cara para se protegerem.

- O que você disse?! – Ben esticou o rosto de novo para encarar Kevin.

- A verdade! – Kevin deu um sorriso sarcástico e olhou para Ben alguns segundos. Nesse pouco período de tempo um flash de luz apareceu e desapareceu. Kevin e Ben olharam para Gwen. Ela estava se divertindo tirando fotos dos dois enquanto brigavam, a última veio com flash, mas ela conseguiu uma coisa: Tirar foto de Kevin sorrindo. Ela olhou para o resultado na tela da câmera... Nossa... Como um garoto pode ser tão bonito assim? E só dando um sorriso sarcástico, ainda por cima! Gwen sentiu um frio na espinha por causa do último pensamento que passou em sua cabeça.

- Gwen me dá essa câmera! – Kevin disse.

- Não! – ela respondeu, como uma criança.

Kevin esticou o braço direito para tentar alcançar a câmera de Gwen. Mesmo estando com o cinto de segurança, Gwen se espremeu no canto da porta do lado de onde estava. Kevin esticou o braço um pouco mais, seus olhos olhavam para a estrada, mas mesmo assim ele tentava pegar a câmera das mãos de Gwen. Ben apenas olhava.

- Gwen! To falando sério!

- Não! – Gwen esticou a língua para fora, brincando.

Kevin olhou para ela e ficou um pouco sem graça. Por um tempo se distraiu com Gwen.

- Kevin... – Ben disse, fazendo Kevin sair do transe — Eu sei que você

De novo a luz de flash apareceu. Gwen deu um sorriso.