Recomeço
18 Invasão
A organização dos Volturi para visitarem os Cullens nos Estados Unidos acabou atrasando, pois minha sugestão os pegou de surpresa. Ontem, quando já estavam nos preparativos finais, me lembrei de que ficaria aqui sozinha novamente e avisei a Aro que poderiam tentar um ataque enquanto eles estivessem fora. Aro percebeu que eu estava certa, e está tendo que refazer. Estou surpresa que, seja lá quem esteja no comando, não tenha aproveitado a chance de me matar quando eles saíram da última vez. Se eu estivesse no controle, não teria desperdiçado essa oportunidade.
Mais uma prova de que eu não estou conspirando com os inimigos.
— O que você está pensando? – Alec pergunta.
Estávamos deitados em meu quarto há algumas horas. Minha cabeça deitada em seu peito e ele acariciando meu cabelo. Ficávamos assim todos os dias. Algumas vezes em silêncio, outras conversando. Alec adora contar histórias, e eu adoro ouvi-las.
— Na sua partida – respondo e ele ri.
— Não irá demorar. Quando você menos esperar, eu já estarei aqui novamente.
— Vocês demoraram uns quatro dias para ir aqui do lado. Atravessando o oceano demorará mais de uma semana.
Alec ri novamente.
— Uma semana não é nada, mi amore.
— Para você que é imortal com certeza não é.
— Em breve você também será.
— Mas ainda não sou.
— Claire, ainda nem planejamos tudo. Estamos tendo que mudar algumas coisas porque você tocou em um ponto importante, não podemos deixá-la sem proteção por muito tempo. Precisamos ver quem fica e quem vai. E os Cullens tem a ajuda de transfiguradores, então se entrarmos em uma batalha, precisaremos de grande força.
— Me levem. Eu posso ajudar – digo sorrindo angelicalmente para Alec.
— Nem sob tortura eu deixo você ir. Você ainda não está pronta para uma batalha desse nível. Na verdade, você não está pronta para nenhuma batalha e é impossível lutar e tomar conta de você ao mesmo tempo.
— Eu não preciso da sua permissão e nem da sua proteção. Eu também tenho poderes.
— Sim, você tem, mas se cansa rapidamente e não aguentaria um combate corpo a corpo.
Antes que eu tenha direito a uma defesa, as luzes do quarto piscam. Alec me empurra para o lado e se levanta. Ele para de frente para a porta e espera, se preparando para um possível ataque.
— As luzes só piscaram – digo – Relaxa.
Mas isso não o faz relaxar. Alec me olha e diz:
— As luzes nunca piscam – ele vai em direção à porta – Fique aqui.
Alec sai do quarto, mas o sigo até a sala dos tronos. Odeio ficar para trás e ele sabe disso.
— O que está acontecendo? – pergunta Jane chegando à sala junto de nós.
Ninguém a responde. Alguns olham apenas para as luzes, outros para a porta de entrada. Não entendo o motivo de tanta preocupação. Luzes piscam em todos os lugares por diversas razões. Algumas pessoas acreditam que quando isso acontece é sinal espiritual, outras, que é apenas um problema na fiação elétrica, mas eles agem como se fosse o sistema de segurança.
— Eu disse para ficar no quarto – diz Alec se virando para mim.
A porta balança e todos a olham, mas ninguém se move. Os vampiros que se encontram no local agacham prontos para atacar, com exceção de Aro que permanece em pé e com as mãos pedindo que ninguém se mova, e Alec que está segurando meu braço como se eu fosse correr para atender a batida.
As dobradiças cedem e a porta cai. Um barulho ensurdecedor preenche a sala e um pouco de poeira é levantada. Alec me puxa para trás de si e luto para conseguir ver o que está acontecendo.
A guarda parece surpresa e furiosa. O que será que derrubou a porta?
Consigo ver o que está acontecendo através do braço de Alec. Um grande número de vampiros se encontra acima da porta caída e continua para além da minha visão. São tantos que não cabem todos na porta e duvido muito que dentro da sala. Nenhum deles pertence à guarda. Suas roupas são diferentes das usadas pelos Volturi — a maioria usa jeans e uma camisa simples, em vez das longas capas — e não possuem o brasão do clã. Além da guarda não entrar destruindo portas, eles também não são tão numerosos assim.
O vampiro, que parece ser o líder, sorri. Ele parece surpreso, mas nem um pouco intimidado. Seus olhos encontram os meus e ele diz:
— Olá, Claire.
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