Recomeço

24 Capítulo 24 - O bom soldado


Notas iniciais
Oieeeeeeeeeee!!!! Conforme prometido, segue aí o capítulo 24 e mais tarde eu posto o 25, ok? O capítulo em questão se chama O bom soldado porque nele descobriremos se Ezekiel é um idiota ou não. Se ele é um bom soldado para o Céu, que não questiona e não interfere em nada, ou se ele é um bom soldado para a humanidade e por isso vai ajudar a mãe da Claire. Descubra o que ele vai decidir! Farei ressalvas lá embaixo (como sempre). Inté mais tarde, sociedade de Asgard!

Ezekiel levantou devagar e seus olhos voltaram ao normal pouco a pouco. Logo, a luz azulada se extinguiu por completo. Então ele ficou parado na frente de Sam que o encarou com raiva.

– Desculpe por isso, Ezekiel, mas eu acho que eu estava destinado a quebrar a sua cara. — disse ele com sarcasmo.

Quando o Winchester se preparava para dar o segundo soco no anjo, ouviu o barulho de uma arma sendo engatilhada e parou. Virou-se na direção do barulho e viu que era Roger, atrás do balcão, apontando um revólver em sua direção.

– Saia da minha pensão. — ordenou o homem.

– Está tudo bem, Roger. Ele não veio aqui para me machucar. Sam só está um pouco nervoso, mas é compreensivo. — tranquilizou o anjo fazendo Sam o olhar sem entender e Roger abaixar a arma em seguida.

– Você sabe por que eu estou aqui? — indagou o caçador um tanto surpreso.

– Sim. Você veio tentar me convencer a ajudar a mãe da Claire. — respondeu Ezekiel.

– O quê? Esse momento também já foi escrito pelo destino? Você já sabia que eu ia te dar aquele soco também? — indagou Sam irritado.

– Não, Sam. Nem tudo está escrito. E mesmo que estivesse, eu não saberia de todos os acontecimentos. Nenhum anjo sabe. Muito menos eu que sou apenas mais um soldado do Céu. Ou era... Além disso, a humanidade ainda tem o livre arbítrio, lembra? É impossível prever tudo. E não, eu não sabia que você me daria aquele soco. — esclareceu Ezekiel e em seguida olhou para Roger e pediu calmamente — Nos deixe sozinhos. Por favor.

O homem hesitou um pouco, mas por fim obedeceu e se retirou. Então, o anjo caminhou até uma pequena mesa, puxou uma cadeira e sentou-se. Sam ficou visivelmente confuso diante da calma do anjo.

– Você não vai sentar, Sam? — convidou ele.

– Pra quê? Você disse que não ia ajudar. — lembrou o Winchester.

– Se você sabia disso, então por que resolveu voltar aqui? — rebateu Ezekiel.

Sam sabia exatamente porque estava ali. Precisava tentar. Precisava convencer Ezekiel a ajudar a mãe de Claire. Então puxou outra cadeira e sentou de frente para ele. Mas, sem saber como começar direito aquela conversa, perguntou a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

– O que você sabe sobre esta noite?

– Que a saúde de Rachel Davis se agravou. É o começo do fim, Sam. — respondeu Ezekiel.

– Por que você não pode ajudá-la? — insistiu ele.

– Eu já disse. É o destino dela. Eu não posso mudar isso. — reforçou o anjo.

– Mas você falou em livre arbítrio. — lembrou Sam — Então, por favor... Use o seu livre arbítrio e salve a mãe da Claire. — pediu.

– Eu não posso. Algumas coisas eu posso fazer, outras não. E esta é uma das coisas que eu não posso fazer, Sam. – justificou-se Ezekiel.

O Winchester encostou as costas na cadeira e pensou um pouco antes de continuar:

– Você quer saber o que eu não posso fazer? Pensar em ficar com a Claire sabendo que para isso ela precisa perder a mãe primeiro.

– Então você já estava considerando a possibilidade de ficar com a Claire, não é? — deduziu o anjo.

– Talvez eu estivesse. É, talvez, lá no fundo, eu estivesse. — admitiu Sam cansado de negar que sentia alguma coisa pela garota — Mas agora eu estou descartando qualquer chance de que isso aconteça um dia. Porque se para que isso aconteça, a Claire precisa passar por esse sofrimento... Eu dispenso. Não é justo com ela, não é correto e eu não quero que as coisas aconteçam desta forma. Eu tenho o direito de escolher, Ezekiel. Então é isso que eu escolho. É isso que eu vou fazer com o meu livre arbítrio. — esclareceu Sam com certo pesar e em seguida, acrescentou — Então, se você deixar a Sra. Rachel morrer, eu vou deixar Claire ir embora. E mesmo que ela me peça ajuda para se tornar uma caçadora, como você acha que ela vai pedir, eu não vou ceder, eu não vou concordar. Eu vou deixar ela sair da minha vida. E então todo este destino que você disse que está escrito não terá valor algum.

– Você não pode fazer isso, Sam. De um jeito ou de outro, as coisas irão acontecer. — alertou Ezekiel.

– De um jeito ou de outro, o mundo ia acabar. E veja só, aqui estamos nós conversando e ele não acabou. Eu e o meu irmão impedimos que isso acontecesse. Então não me diga que eu não posso fazer o mesmo em relação à Claire porque eu posso sim. E eu vou. — argumentou Sam.

Ezekiel observou o Winchester por alguns instantes e percebeu que ele falava sério. Sam estava mesmo disposto a ir contra o destino se não conseguisse convencê-lo a ajudar a Sra. Rachel. Mais do que isso, estava disposto a abrir mão do futuro que teria ao lado de Claire. Sam podia negar o quanto quisesse, mas o fato era que aquilo era uma demonstração do que ele já sentia pela garota. Para que ela não sofresse, ele abriria mão de qualquer chance com ela.

O que Sam não sabia é que no fundo, aquela situação também não agradava Ezekiel. Todas as vezes que ouviu Claire rezar, ele pôde sentir o sofrimento dela. E quis ajudá-la, mas não podia. Não podia interferir. Porque foi esta a orientação que ele recebeu do Céu. E ele obedecia porque era um bom soldado. Um soldado que não questionava nada.

Pouco antes da queda dos anjos, Ezekiel ouviu algumas coisas no Céu. Sobre algo que estava por vir. E sobre o papel que Sam e Claire desempenhariam naquilo. Aliás, não só eles. Outras pessoas se uniriam a eles e todos lutariam juntos num grande acontecimento que estava por vir. Mas, o fato é que Sam se recusava a aceitar o destino que foi escrito. Mesmo assim, Ezekiel sabia que mais cedo ou mais tarde a vida daria um jeito de unir o Winchester e Claire. Assim como o destino estava se moldando de novo desde que os Winchesters impediram o Apocalipse. Orquestrando algo maior do que aquilo. Uma grande guerra.

Mas então, se de um jeito ou de outro, as coisas iam acontecer, por que ele não podia abrir uma exceção e ajudar a Sra. Rachel? Lhe dar mais alguns dias talvez? Pelo menos para que Claire pudesse se preparar melhor ou pelo menos até que o destino encontrasse outra forma de separar mãe e filha? Se aquelas coisas iam acabar acontecendo por que ele não podia simplesmente adiá-las um pouco? Por que ele tinha que ser o anjo idiota que não fazia nada para ajudar e só dava as más notícias? E por que de repente ele começou a ter tantas dúvidas?

– Por favor... A ajude. — pediu Sam percebendo que o anjo não estava mais tão relutante.

– Sam... Mesmo que eu curasse a Sra. Rachel não faria diferença. Ela só estaria vivendo um tempo extra e eu só estaria adiando o inevitável. — expôs Ezekiel.

– Faria diferença para Claire. Para a mãe dela. Para mim. Mudaria a forma como nós te vemos também. Então sim, Ezekiel, faria diferença. E sobre o tempo extra, uma coisa de cada vez. Salve a Sra. Rachel e então eu vou encontrar uma forma de mantê-la assim, de proteger ela e a filha. Talvez seja desta forma que eu e a Claire vamos nos aproximar. Com a recuperação da Sra. Rachel e não com a sua morte. Você disse que o destino sempre dá um jeito. Pois então, talvez esse seja o jeito que o destino vai encontrar de nos unir.

Por mais que aquilo fizesse sentido, Ezekiel ainda estava hesitante. Sentia dúvidas. E agora entendia por que Castiel mudou tanto desde que conheceu Sam e Dean Winchester. Aqueles humanos questionavam tudo, não se conformavam, tinham coragem, lutavam para mudar as coisas e tentavam convencer todo mundo de que sempre havia uma escolha. E se eles estivessem certos? E se houvesse uma escolha?

Ponderando tudo isso, Ezekiel alertou:

– Sam... Se eu fizer isso, haverá consequências. E eu não sei quais são... Mas sempre há consequências quando se tenta mudar algo. Vocês impediram o Apocalipse, mas perdeu a sua alma, lembra?

– Nós vamos lidar com as consequências quando elas acontecerem. Mas, por agora, pelo presente, por favor, salve a mãe da Claire. Eu estou te implorando, Ezekiel. Por favor. — insistiu Sam.

Ezekiel voltou a se questionar. Voltou a questionar o que era ser um bom soldado. Um bom anjo. Um anjo de verdade. Observou Sam, pensou nas coisas que ele disse, lembrou das orações de Claire e das coisas que ouviu no Céu. Começou a questionar qual era o seu próprio papel naquilo tudo? Será que ele podia mudar alguma coisa? Será que devia? Quais seriam as consequências?

– Por favor. — repetiu Sam encarando o anjo.

Ezekiel pensou mais um pouco e por fim tomou a sua decisão. Com base no livre arbítrio.

Algum tempo depois, os dois deixaram a pensão no exato momento em que o Impala se aproximava do prédio. Dean estacionou e Claire viu Ezekiel com uma mochila nas costas ao lado de Sam. Deduziu o que aquilo significava, mas não conseguia acreditar que Sam tinha mesmo conseguido convencer o anjo, embora estivesse feliz por isso.

Ao avistar o carro do irmão, Sam se voltou para o anjo e pediu:

– Ezekiel, sobre o que nós conversamos, por favor, vamos manter só entre nós dois. Não comente nada com a Claire ou com ninguém, ok?

O anjo assentiu e Claire abriu a porta do carro. Caminhou depressa até eles. Sorriu ainda incrédula. Suas esperanças se renovaram. Sam olhou pra ela à medida que a garota se aproximava e deu um passo a frente. Mas quando Claire os alcançou, ela parou na frente de Ezekiel e o abraçou sem perceber.

– Obrigada... — agradeceu ela enquanto o anjo tentava disfarçar a surpresa e corresponder ao abraço.

Sam observava os dois também surpreso e um pouco... Magoado. Então, Claire o olhou por cima do ombro do anjo e percebeu algo estranho na forma como ele observava os dois. Rapidamente, ela se afastou de Ezekiel e deu um passo a frente com a intenção de abraçar o Winchester também, sem se perdoar por tê-lo magoado de alguma forma. No entanto, ao perceber a intenção da garota, Sam deu um passo para trás e ela desistiu.

Claire não entendia por que ele parecia tão chateado. Mas logo imaginou do que se tratava. E se condenou por ter abraçado Ezekiel. Ela lembrou que há poucas horas, o anjo se recusou a ajudá-la e agora foi Sam que, de alguma forma, o convenceu do contrário. Era Sam que ela devia ter abraçado e agradecido, mas ao invés disso, ela abraçou Ezekiel primeiro.

Claire queria explicar para Sam que aquilo tinha sido um impulso, que Ezekiel estava mais próximo, que ela não fez por mal, que ela só conseguia pensar na mãe naquele momento e, por isso, não estava raciocinando direito. Mas, ao mesmo tempo, achava que explicar aquilo não fazia o menor sentido. Porque não fazia sentido Sam se sentir daquela forma. Ele não precisava ter ciúmes. Ezekiel era um anjo. E ela não era a Mia. E mesmo que Ezekiel não fosse um anjo, ela não estava interessada nele. Além disso, ela e Sam não tinham nada. E provavelmente não teriam porque embora ela tivesse segurado a mão do Winchester meia hora antes, no quarto, Claire não sabia se era correspondida. E mesmo que fosse, aquilo não parecia correto. Sam merecia alguém melhor do que ela. Alguém que não tivesse sido responsável pelo sofrimento da própria mãe. E acima de tudo, ela não queria viver um romance e ver o relacionamento fracassar como foi com David. Mesmo assim, a ideia de que Sam tinha ciúme dela, a agradou de alguma forma. No entanto, ela queria se concentrar em ajudar a mãe naquele momento. Só nisso. Depois que aquela situação se resolvesse, ela iria embora e Sam Winchester voltaria a ser um estranho para ela. E era assim que tinha que ser.

Confusa, sem saber direito o que estava sentindo e sem querer pensar naquelas coisas naquele momento, Claire recomeçou:

– Sam, obrigada... Como você o convenceu?

– Não importa. Nós precisamos ir. — desconversou Sam e em seguida caminhou até o carro e entrou.

Então Claire fez o mesmo e sentou no banco ao seu lado. Ezekiel se acomodou no banco detrás e Dean e Natalie observaram o veículo se afastando.

– Como ele conseguiu convencer Ezekiel a ajudar? A mudar de opinião tão rápido? — estranhou a loira.

– Eu não tenho ideia. — confessou Dean e em seguida deu partida e seguiu o carro de Claire.

Depois de alguns minutos, Natalie começou a ficar incomodada com o silêncio que se instalou no carro. E automaticamente lembrou-se da conversa com Dean na cozinha. Da conversa civilizada que tiveram. Amigável até. E daquele clima estranho. Daquele momento estranho entre eles. Daquela troca de olhares. Certamente, ela havia imaginado aquilo. Não tinha sido nada de mais. Eles tinham dado uma trégua, só isso.

Mas então, por que Natalie tinha a impressão de que os dois estavam se aproximando de uma forma que ela não entendia direito? Criando um tipo de vínculo? Uma amizade, talvez? E por que ela sentia medo disso? Medo desta proximidade? Medo do que quer que fosse aquilo que ela estava começando a sentir? Mas que não queria sentir.

Dean, que pensava as mesmas coisas naquele momento, começou a dizer:

– Naty, sobre o que aconteceu na cozinha...

– O que aconteceu na cozinha? — interrompeu a loira fazendo Dean olhá-la por alguns instantes até que ela continuou — Ah! Claro! Aquela conversa civilizada que nós tivemos. Quem diria que a trégua fosse dar tão certo, não é mesmo?

– Como assim? — indagou Dean um pouco confuso por pensar, só por um instante, que eles haviam tido mais do que uma simples conversa civilizada.

– Você sabe muito bem, Dean. — afirmou Natalie e como ele pareceu não entender, ela resolveu explicar, embora no fundo não estivesse sendo totalmente sincera — Olha, eu não posso negar que estou satisfeita com a trégua. Embora brigar com você me agrade bem mais do que ficar conversando de madrugada quando tudo o que eu queria era terminar aquele brigadeiro e voltar logo pra minha cama.

Dean encarou Natalie por alguns segundos, depois voltou a olhar a estrada, pensou sobre a explicação da garota e então perguntou um pouco decepcionado:

– Então, você só respondeu as minhas perguntas... Nós só conversamos e tivemos aquele momento relativamente... Civilizado porque você estava pensando na trégua? Fazendo aquilo pela trégua? Só por isso?

– Claro. Por que mais seria? — indagou Natalie se fazendo de desentendida e em seguida, explicou — Eu só pensei que conversar um pouco seria bom para selar a paz entre nós. Só isso.

– Sério? Pois sabe que eu pensei a mesma coisa? — confessou Dean fingindo naturalidade e tentando disfarçar certa decepção.

– É mesmo? — indagou Natalie um pouco decepcionada também.

– Sim. A verdade é que eu pensei que demonstrar algum interesse pela sua historia, fazer algumas perguntas, que conversar um pouco, seria bom para manter a trégua também. Ah! E eu precisava saber o que você sabia exatamente sobre o pai da Claire. Mas foi só isso. — devolveu Dean com certo desdém.

Natalie digeriu aquilo por alguns instantes e em seguida quis confirmar:

– Então você não estava realmente interessado em me ouvir, estava? A minha história?

– Desculpe, loirinha, mas não. A verdade é que a sua voz é bem mais irritante de madrugada e a sua história é meio maluca, até pra mim. Além disso, eu também queria voltar para o meu quarto. Eu estava exausto na verdade. — mentiu ele e em seguida, acrescentou — Mas quem diria que a trégua fosse dar tão certo, não é mesmo?

– É, quem diria... Mas isso é bom, não é? — disse Natalie.

– É. Mostra que nós somos maduros e que estamos concentrados no trabalho. — disse Dean.

– Como tem que ser. — completou ela.

– Exato. Como tem que ser. — concordou ele.

– Que bom. — encerrou Natalie olhando a paisagem pela janela.

– Ótimo. — encerrou Dean mantendo o foco na direção.

E então o silêncio se instalou de novo até que Dean ligou o rádio e eles continuaram fingindo que não havia acontecido nada na cozinha do bunker.

Nenhum dos dois conseguia admitir que sim, no começo eles realmente estavam pensando na trégua, mas que depois, à medida que a conversa foi evoluindo, eles acabaram esquecendo que ela existia e tiveram um momento agradável, um momento especial e que significava algo. Mas eles não reconheceriam isso tão fácil. Era mais fácil dizer que tinha sido apenas pela trégua do que admitir que eles tinham se aproximado um pouco mais aquela noite. E que no fundo, tinham gostado daquilo.

Claro, que eles também tentariam esquecer ou fingir que a troca de olhares e suas mãos se tocando sutilmente não tinham acontecido. Porque a verdade é que, assim como Sam e Claire, Natalie e Dean também não estavam prontos para admitirem que os sentimentos entre eles estavam começando a mudar.

E assim, Dean continuou dirigindo o Impala e Sam seguiu com a Pajero de Claire rumo a St. Louis.

Na manhã seguinte, Kevin separava alguns livros sobre vampiros para continuar a busca por uma cura, quando Castiel apareceu na sala principal do bunker, olhou em volta e perguntou:

– Cadê todo mundo?

– Ah! Bom dia, Cas. O Dean mandou uma mensagem há pouco. Ele e os outros saíram de madrugada. Estão indo para St. Louis. Parece que a mãe da Claire piorou. A boa notícia é que de alguma forma o Sam conseguiu convencer Ezekiel a ajudá-los e o anjo está indo com eles.

– Isso é bom. — refletiu Castiel torcendo para que desse tempo de Ezekiel salvar a Sra. Rachel.

– E a Mia? Como ela está? — quis saber o Profeta.

Castiel se aproximou da mesa e começou a folhear os livros antes de responder:

– Dormindo. Há dezoito horas e vinte e cinco minutos da última vez que eu contei.

– Estranho. Você não tentou acordá-la? — preocupou-se Kevin.

– Tentei. E então ela me deu um soco. E doeu. — relatou Castiel massageando o queixo e lembrando-se do ocorrido. Em seguida, acrescentou — Depois ela resmungou alguma coisa em latim e voltou a dormir. Eu não tenho certeza se ela lembra que fez essas coisas.

Kevin parou de separar os livros e ponderou:

– Cas, se a Mia está dormindo há dezoito horas, significa que ela não se alimenta há dezoito horas. O que significa que tem um vampira faminta no andar de cima. Você não acha isso meio... Perigoso? Eu e você aqui... Humanos... Cheios de sangue... Pratos suculentos para uma vampira com fome...?

– Não se preocupe. Ela não vai nos machucar. Ela ainda é a Mia, lembra? — garantiu Castiel.

– Bom dia, anjo. Bom dia, profeta. O que vocês dois estão fazendo aí? — perguntou a vampira com a voz sonolenta entrando na sala.

Enquanto Mia passava as mãos pelo rosto ainda com sono, Kevin se posicionou na frente dos livros e Castiel mentiu:

– Eu e o Kevin estávamos pesquisando uma forma de destruir os Cavaleiros do Inferno.

– Que meigo. — ironizou a garota puxando uma cadeira e sentando — Encontraram alguma coisa?

– Ainda não. — respondeu Castiel.

Quando Mia ia olhar na direção de Kevin e dos livros, Castiel deu alguns passos a frente, se apoiou na mesa ficando ao lado da garota e fazendo com que ela olhasse para ele. E então perguntou:

– Como você está?

– Ainda com sono, mas... Bem, eu acho. — respondeu ela e em seguida olhou em volta e perguntou — Cadê todo mundo?

Kevin aproveitou que Mia estava um pouco distraída e começou a guardar os livros discretamente enquanto Castiel explicava:

– A mãe da Claire piorou durante a madrugada, Sam convenceu Ezekiel a ajudar, e os três, Dean e Natalie foram para St. Louis.

– No final das contas, parece que Ezekiel não é tão idiota como nós pensamos. — refletiu Mia e ao ver Kevin guardando os livros, franziu a testa e perguntou — Vocês não vão continuar a pesquisa?

– Depois. — respondeu Kevin guardando o último livro.

– Talvez eu possa ajudar. — habilitou-se Mia.

– Eu não acho que seja uma boa ideia. — discordou Castiel.

– Por que não? — estranhou ela.

Castiel e Kevin se entreolharam até que o ex-anjo explicou:

– Mia, você dormiu por mais de dezoito horas. O que significa que, definitivamente, você não está bem. Desculpe, mas algo me diz que você não está em condições de ajudar no momento. Você precisa se ajudar primeiro.

– Então você acha que por que eu dormi demais eu não sou capaz de fazer uma reles pesquisa? E o que eu devo fazer então? Descansar? Mais? — debochou a vampira e em seguida afirmou — Cas, eu estou bem. Eu juro.

– Você lembra que me bateu esta noite? — perguntou ele sem acreditar que ela estava mesmo bem.

Mia o olhou surpresa e tentou lembrar, mas não conseguiu.

– Eu fiz isso? Não, eu não fiz. Oh, meu Deus... Eu fiz isso. — murmurou ela.

– É, você fez. — afirmou ele.

Um pouco envergonhada, Mia levantou e passou os braços em volta da cintura de Castiel, o abraçando antes de dizer:

– Cas, me desculpe. Eu prometo que te compenso mais tarde, ok? — e o olhando com certa malícia, sugeriu — Ou quem sabe agora?

Kevin olhou para aquela cena um pouco assustado e antes deixar a sala apressado, pediu:

– Oh! Por favor! Esperem eu sair primeiro antes de começarem a tirar a roupa, ok? Coelhos...

Mia riu levemente e depois que ficou sozinha com Castiel, passou os braços em volta do pescoço dele e continuou:

– Bem, eu não tinha falado em tirar a roupa, mas já que o profeta sugeriu, o que você acha, anjo? Você está muito ocupado agora? Porque eu tenho algumas ideias...

Castiel deu um leve sorriso e Mia começou a aproximar o rosto até que ele se lembrou de algo importante e perguntou:

– Você já se alimentou hoje?

Ao ouvir aquela pergunta, Mia fez uma careta de nojo e se afastou enquanto levava a mão à boca se sentindo um pouco enjoada ao se lembrar de sangue.

– Qual o problema? — estranhou Castiel.

– O problema é que eu tentei me alimentar, mas quando eu ia fazer isso, eu tive vontade de vomitar só de sentir o cheiro do sangue. Então eu desisti. — contou ela que momentos antes, enquanto Castiel e Kevin conversavam, tinha tentado se alimentar.

Ainda mais preocupado, Castiel se aproximou da garota e pressionou:

– Então você vomitou sangue outro dia, teve alucinações, dormiu por dezoito horas, me bateu, agora está enjoando só de pensar em sangue e ainda quer que eu acredite que está tudo bem?

– Dá pra parar de falar a palavra... Sangue? Por favor? — pediu Mia voltando a ficar enjoada e se jogando em uma das cadeiras.

– Mia... Você é uma vampira. Você percebe que ficar enjoada por causa de... Você sabe o quê, não faz sentido? — indagou Castiel se aproximando dela de novo. Em seguida, se abaixou na frente de Mia, segurou suas mãos e perguntou — Então... Até quando você vai ficar dizendo que está bem?

Mia o observou por alguns instantes pensando no que ele havia falado e então admitiu:

– Ok. Eu não estou bem. Satisfeito? E então? O que nós vamos a respeito, gênio?

– Eu estou trabalhando nisso. — deixou escapar ele.

– Como assim? — não entendeu ela.

Mia esperou que Castiel explicasse o que quis dizer com aquilo até que, um pouco atrapalhado, ele levantou e a puxou pela mão antes de dizer:

– Vem comigo. Se o seu lado vampiro não quer se alimentar no momento, talvez o seu lado humano pense diferente. Eu vou preparar alguma coisa pra você comer, meu amor.

Mia o olhou com carinho achando bonita a forma como Castiel cuidava dela. Então levantou e o seguiu até a cozinha. Puxou uma cadeira e sentou à mesa enquanto ele começava a pegar algumas frutas na geladeira.

– Humm... Dieta da desintoxicação para vampiros. Gostei. — brincou Mia, mas em seguida se lembrou de algo que ele disse antes e perguntou desconfiada — O que você quis dizer quando disse "Eu estou trabalhando nisso"?

Castiel parou de cortar as frutas por um instante. Conhecia Mia o suficiente para saber que ela não ia gostar de saber o que ele quis dizer com aquilo. Isso porque Mia estava convencida de que não havia um jeito de sair daquela situação e também porque ela não queria que eles se preocupassem com ela. Era orgulhosa e estava tentando ignorar o problema, fingir que o problema não existia e esperando que as coisas se resolvessem sozinhas.

– Eu quis dizer que eu posso não ser mais um anjo, mas eu vou continuar cuidando de você, Mia. — respondeu ele evasivamente enquanto cortava uma maçã e em seguida, deixou escapar de novo — Até nós encontrarmos um jeito de reverter...

Castiel parou de falar de repente e Mia o observou por alguns instantes antes de levantar e se aproximar da pia.

– Como assim "encontrarmos um jeito de reverter"? — desconfiou ela ficando ao seu lado.

Enquanto cortava a maçã, e um pouco nervoso com as perguntas da garota, Castiel tentou desconversar:

– Mia... Se você continuar falando comigo, fazendo tantas perguntas, eu vou acabar me cortan... Ai!

Castiel parou de falar de novo e olhou o corte feito pela faca em sua mão esquerda, um pouco abaixo do polegar. O sangue saía do ferimento rapidamente e ele franziu a testa incomodado com a dor aguda que sentia na região. Pensando em estacar o sangramento, Castiel pegou o pano que havia sobre a pia. Mas foi então que ele viu algo diferente no rosto de Mia e parou. Ficou paralisado diante da reação da garota.

Os olhos de Mia haviam ficado avermelhados de repente e com veias escurecidas em volta. Ela olhava fixamente para o sangue enquanto o cheiro a inebriava e o seu coração acelerava pouco a pouco. Definitivamente, Mia estava com fome. E ao contrário do sangue refrigerado que mantinha em uma caixa especial no Mustang e com o qual se alimentava diariamente, o sangue de Castiel não lhe causou enjoo. Ao contrário. Ele abriu o seu apetite. E de repente, era como se nada mais existisse em volta. Apenas aquele sangue. Nada mais importava. Apenas aquele sangue. Mia não queria mais nada. Apenas aquele sangue.

Sem conseguir pensar em outra coisa, apenas naquele sangue, ela empurrou Castiel um pouco contra a pia e ficou de frente pra ele o encurralando. Ao perceber a intenção da garota, ele tentou persuadí-la:

– Mia... Não...

Só então, ela olhou para o rosto de Castiel e pouco a pouco os seus olhos voltaram ao normal. No entanto, isso não significava que ela havia desistido daquela ideia. Mia ainda queria aquele sangue. Mais do que isso, ela precisava daquele sangue. Pensando naquela necessidade latente, ela explicou:

– Cas, não se preocupe, eu não vou te machucar. Ainda sou eu. Mia. A sua garota, lembra? Eu nunca machucaria você. Mas eu preciso provar. Eu realmente preciso provar. Por favor. Você sabe que eu não pediria isso se eu realmente não precisasse. Mas eu estou tão faminta e, aparentemente, você é a única coisa da qual eu não consigo enjoar. Então, por favor... Me deixe provar. Só um pouco. Por favor.

Castiel hesitou por alguns instantes. Mas ver Mia sofrendo com aquela fome e sem conseguir se alimentar de outra forma, passando mal desde que eles deixaram Mystic Falls, o torturava. E ouví-la implorar daquela forma, o torturava ainda mais.

Então ele percebeu que naquele momento, aquela era a única coisa que podia fazer por ela, a única forma de ajudá-la, de saciar a sua fome. Então, Castiel resolveu ceder.

– Tudo bem. — concordou ele esticando a mão para ela.

Mia o encarou por alguns instantes antes de desviar a atenção para o corte em sua mão. Então, segurou o punho dele delicadamente e o trouxe devagar até a sua boca. Seus olhos voltaram a ficar avermelhados e ela os fechou em seguida. Seus lábios tocaram a pele macia e o sangue saboroso invadiu a sua boca aos poucos.

Em seguida, Mia segurou a mão de Castiel com mais força e bebeu com mais ímpeto. Teve vontade de perfurar a carne. Seus dentes imploravam por isso. Mas ela não queria machucá-lo, então resistiu à tentação.

A sensação da boca úmida e quente da garota sobre a sua pele, sugando o seu sangue daquela forma, causou um leve arrepio em Castiel. Ele fechou os olhos imaginando como seria ser mordido de fato por ela. Arrepiou-se ainda mais.

Já o sangue dele causava um certo frenesi em Mia. Uma sensação deliciosa. Uma saciedade impressionante. Era o sangue mais delicioso que ela já havia provado.

Nenhum dos dois conseguia negar que aquilo era bom. Perigoso, mas bom. No entanto, em dado momento, Mia sentiu que estava ficando cada vez mais difícil se controlar. Então, travando uma luta consigo mesma, ela afastou a mão de Castiel dos seus lábios e soltou o seu punho. Ele apoiou o braço na pia e ficou olhando para Mia imaginando como devia ter sido difícil para ela se controlar daquele jeito.

– Desculpe. — lamentou ela envergonhada por ter se deixado levar por aquele instinto e ter feito aquele pedido absurdo para ele.

– Tudo bem. Eu... Eu gostei. — confessou Castiel para surpresa de Mia — Aliás, isso foi... Perigosamente sexy.

Mia riu levemente ao ouvir aquilo e brincou:

– Eu sempre soube que você era uma delícia, anjo. Obrigada por me deixar confirmar isso.

– Como você está se sentindo? — quis saber ele.

Mia pensou um pouco e disse surpresa com a própria resposta:

– Eu me sinto ótima.

– Mia... — começou a dizer ele sem acreditar.

– Cas, eu nunca me senti tão bem. Sério. — garantiu ela e em seguida franziu a testa enquanto pensava em uma coisa.

– O que foi? — perguntou ele percebendo certa confusão na expressão da garota.

Sem saber se devia ou não dizer aquilo, Mia pensou um pouco e resolveu dizer de uma vez:

– Cas... Eu acho que alguma coisa no seu sangue... Fez todo o mal estar passar. Porque eu me sinto bem. Eu me sinto ótima. Mesmo.

Castiel percebeu que Mia estava sendo sincera e que estava realmente surpresa com tudo aquilo. Então os dois ficaram se olhando enquanto tentavam encontrar uma explicação para o que tinha acontecido. O que nenhum deles podia imaginar é que o sangue de Castiel era uma das chaves para uma possível cura do vampirismo de Mia.

Notas finais
Ah Claire... Quebrou o coraçãozinho do pobre Sammy... Tadinho... Bem, quero deixar claro que a moçoila fez isso sem querer mesmo. Ela não está interessada em Ezekiel, mas acabou o abraçando ao invés de abraçar o Sam porque errar é humano, ainda mais quando você não está raciocinando direito como é o caso da Claire diante de toda esta situação com a mãe dela. Adorei escrever o diálogo entre Kev, Mia e Cas e depois o momento True Blood do casalzinho na cozinha. OMG... Tô achando que o Cas quer ser mordido... Sobre o sangue dele ser uma das chaves para a cura do vampirismo da Mia, eu quis dizer que ele é um dos ingredientes, assim como o sangue do vampiro que transformou a moçoila, mas não é o único ingrediente. Tem mais coisinhas. Logo logo, nós vamos descobrir que ingredientes são esses e por que o sangue do Cas faz parte disso (tem uma explicação, aguardem e verás). No capítulo em questão também vimos Naty e Dean fingindo que não aconteceu nada na cozinha. Eitcha casal complicado... Só eu que estou achando o Sam um fofo nesta fic? Sacrificando o que ele realmente quer só para ajudar a Claire? ♥ Gostaram??? Reviews?