Recomeço
1 Capítulo 1
Notas iniciais
E lá estava eu, depois de 19 anos, na estação 9 ¾, acompanhado de minha mulher e meu filho. Scorpius entraria em Hogwarts, para seu primeiro ano. Sendo um Malfoy, ele estava disfarçando bem seu nervosismo, mas sou seu pai e o conheço como a mim mesmo. Posso ver em seus olhos que, como os meus são azuis acinzentados, que ele está ansioso. Só espero que para ele, os anos em Hogwarts sejam melhores que os meus. Ele não terá que se preocupar em ser um Comensal da Morte, já que Voldemort foi derrotado. Agora este nome já não é mais temido, graças a Potter e seus amigos. E falando no cicatriz, lá está ele com a corja de Weasleys e a Sangue-Ruim. Apesar de continuar usando os apelidos “carinhosos” não os odeio mais, apenas a Wealey fêmea, mas por um bom motivo.
Na verdade, nunca odiei o Potter de verdade. No quarto ano descobri que todo o ódio que sentia por ele era amor disfarçado. Sim, eu, Draco Malfoy, sempre fui apaixonado por aquele mestiço do Testa Rachada! Agora acho que deu pra entender porque eu odeio a Weasley fêmea, né? Meu casamento com Astoria é só de fachada, já que a família Malfoy precisava de herdeiros.
Mas mesmo depois de mais de 20 anos continuo amando aquele idiota como se estivessemos em Hogwarts! Isso foi muito Lufa-Lufa para o meu gosto, mas o que eu posso fazer se é a mais pura verdade.
Ele está abraçando seu filho, Albus, se não me engano. É uma cena muito bonita, devo dizer. Melhor eu parar de olhar antes que alguém perceba. Astoria está abraçando Scorpius também. Seus olhos estão cheios d’água. Deve ser difícil para ela ver seu bebê partir para longe. É difícil para mim também! Ele me estendeu a mão para se despedir, porém me abaixei e o puxei para um abraço que o surpreendeu. Sabe como é, Malfoys não demonstram carinho em público, mas, por Merlin, ele é meu filho e vai começar seu primeiro ano em Hogwarts, então que se dane os bons modos! Quando nos separamos, lhe dou um sorriso que ele retribui, diz adeus e entra no Expresso Hogwarts.
Quando olho para minha mulher, que na verdade é mais minha amiga ela está com um enorme sorriso e com lágrimas no rosto. Vejo a emoção no seus olhos e sorrio para ela também.
Ao olhar para o Expresso vejo que Scorpius já está em uma cabine acenando para nós. Então vejo um garoto entrar na mesma cabine que ele. É o filho de Potter, Albus! Meu filho olha para ele e sorri e recebe outro sorriso de volta e eles começam a conversar animadamente.
– Como é o destino, não? Nós nos odiamos desde o primeiro encontro e nossos filhos conseguiram fazer exatamente o contrário!
Olho para o lado e me deparo com lindos olhos verdes. Era Potter!
– Pois é! Scorpius, desde pequeno tem um péssimo gosto!
Ele me lança um olhar furioso mas ao ver meu sorriso, sorri também e entra na brincadeira.
– Digo o mesmo de Albus!
– Igual ao pai!
Nós dois rimos.
– Gostaria de tomar uma cerveja amanteigada? – Potter me pergunta como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Eu o olho espantado, achando que ele estava zoando comigo, porém vejo que era um convite sincero.
– A corja Weasley vai ir também? – pergunto em tom de desdém, mas meu coração está acelerado.
Ele revira os olhos mas dá uma risada baixa.
– Não. Só nós dois!
– Hãn...
Olho para Astoria e a vejo sorrindo. Ela sabia de minha paixão secreta por Potter. Ela balança a cabeça positivamente e eu sorrio para ela. Volto a olhar para Potter que olhava para a Granger e ela lhe sorria de volta, e para mim parecia muito com o sorriso de Astoria. Potter voltou a olhar para mim e eu lhe disse:
–Tudo bem. Já que faz tanta questão... mas cerveja amanteigada, Potter? Quantos anos você tem? 13? – pergunto em tom zombeteiro.
Ele apenas sorri para mim mas não responde nada. E, droga, esse maldito é muito lindo! Só de ver esse sorriso sinto como se milhares de borboletas estivessem voando em me estomago.
Ao olhar em volta, percebo que metade das pessoas que estavam na estação estavam nos olhando espantadas e a outra metade estava cochichando, provavelmente sobre nós.
– O QUE FOI? NUNCA VIRAM, NÃO!? – digo alto, o que faz com que uma boa parte do povo que nos olhava seguissem suas vidas.
Potter sorri novamente depois de levar um susto comigo falando alto. É impressão minha ou ele anda muito sorridente?
– Você não mudou nada, Malfoy!
– Mudei mais do que você imagina. – digo olhando em seus olhos. Ele sorri novamente.
– Que pena! Eu até gostava do seu jeito arrogante. – ele me responde com um sorriso diferente, meio malicioso, ao meu ver.
– Mas não foi tanto assim, Potter. – e retribuo o sorriso. Tenho quase certeza de que vi seus olhos brilharem. Acho que foi impressão minha.
O Expresso Hogwarts parte da estação em direção a escola de magia. Com uma última olhada, vejo meu filho e o de Potter ainda conversando animadamente, parecem estar se divertindo muito e isso me deixa muito feliz.
– Vamos, então?
– Claro!
Nós dois nos dirigimos à saída da estação, sob os olhares raivoso da Ginny Weasley, chocado de Rony Weasley e alegres de Astoria e Hermione. O que me surpreendeu pois achei que a Granger iria estar tão chocada quanto o pobretão do seu marido.
Saímos dali e começamos a caminhar pelas ruas de Londres. Na verdade, eu estava seguindo Potter, já que não fazia ideia de pra onde estávamos indo. Caminhamos em silêncio por uns dez minutos até ele parar em frente à um estabelecimento, que parecia ser um bar trouxa.
– Achei que íamos tomar uma cerveja amanteigada!
– Você mesmo disse que era coisa de criança! Aqui existem bebidas trouxas mais fortes. Ou vai me dizer que depois de todos esses anos você ainda tem problemas com os trouxas?
– Potter... Não seja imbecil, já te disse que mudei muito!
–Hum, então temos aqui um novo amante dos trouxas? – disse Potter com um tom zombeteiro na voz.
Revirei os olhos e respondi com o mesmo tom.
– Não sou como sua amiga Granger, testa-rachada!
Ele apenas balançou a cabeça negativamente e abriu a porta do bar. Ao entrar vi que era um lugar até agradável, não havia muitas pessoas ali, algumas estavam sentadas nos bancos em frente ao balcão, outras ocupavam algumas mesinhas que estavam espalhadas pelos local.
Potter se dirigiu a uma das mesinhas que ficava mais afastada da porta e eu o segui. Assim que nos sentamos, Potter me olhou nos olhos e sorriu. E novamente senti aquela sensação no meu estômago. Eu retribui o sorriso e ele me perguntou:
– E então, quer beber o quê?
– Você que sabe tudo sobre os trouxas, eu não conheço nenhuma bebidas deles, Potter!
– Será que pelo menos uma vez na vida você poderia me chamar de Harry?
Eu o olhei surpreso com o pedido. Potter me pedindo para chama-lo pelo primeiro nome? Uau, as coisas realmente mudaram!
– Ok, Harry! Escolha você uma bebida.
Ele abriu um lindo e enorme sorriso e seus belos olhos verdes pareceram brilhar ao me ouvir dizer seu nome. Aquela visão me fez sentir um formigamento em meu baixo ventre e senti meu rosto esquentar. Acredito que corei! Como uma adolescente apaixonada... Que coisa mais piegas!
Ele se levantou e se dirigiu ao balcão de bebidas e falou algumas palavras ao barman, que balançou a cabeça afirmativamente e começou a pegar uma garrafa e encher dois copos com uma bebida transparente.
Harry pegou os dois copos, voltou para mesa e se sentou novamente, entregou um copo a mim e tomou um gole do outro. Eu peguei o copo e cheirei o conteúdo, olhando desconfiado para ele. Potter revirou os olhos e disse:
– Isso se chama vodca, é uma bebida muito boa dos trouxas. Experimente!
Olhei desconfiado para ele, mas dei um gole na bebida. Realmente, era muito boa e meio forte. Ela desceu queimando por minha garganta e senti meu corpo esquentar.
– O que achou?
– Não é tão ruim como imaginei!
Harry deu uma gargalhada sonora e isso me fez sorrir também.
– Então... como anda a vida do garoto de ouro do mundo bruxo? – perguntei depois de algum tempo, que ficamos em silêncio, um olhando para a cara do outro.
Harry suspirou e seu sorriso diminuiu.
– Normal...
–Normal? Só isso? Achei que como herói do mundo bruxo seu destino seria muito melhor que um “normal”.
–Pois é, eu também achei.
– Qual é o problema, Potter?
– Harry!
– Qual o problema, Harry?
– Ginny é o meu problema, ela está me deixando doido!
–Uh sua amada esposa Weasel? Achei que você a amasse, pelo menos é o que o Profeta Diário diz a 19 anos.
– Vendo de fora, tudo parece perfeito, mas não é.
Seu rosto tinha uma expressão muito triste e eu tive vontade de abraça-lo.
– Por que não se separa dela?
– E meus filhos? Vão crescer com pais separados? Eu não aguentaria viver longe deles!
–Potter, não seja tapado! É normal casais se separarem hoje em dia. Seus filhos entenderiam e você os veria sempre! Você mesmo cresceu sem seus pais e se tornou um homem maravilhoso! Tenho certeza de que eles aguentariam isso. E você também merece ser feliz, assim como a Weasley. Não podem ficar juntos e infelizes apenas por causa das crianças. Não é justo! Para nenhum dos dois!
Ao terminar de falar, olhei para Potter e ele estava com uma expressão surpresa e com a boca meio aberta, muito engraçado, pra falar a verdade.
– Feche essa boca, Potter!
– Nossa!
– O que foi?
– Você me lembrou o Snape agora.
Ele me disse rindo. Sem querer comecei a rir também e ficamos lá como dois idiotas rindo à toa. Acho que a bebida está fazendo efeito!
– Eu sinto falta dele. – eu disse de repente depois que paramos de rir.
– Para falar a verdade eu também! Mesmo sendo um chato comigo, eu gostava dele!
Eu revirei os olhos mas sorri.
– Voltando ao assunto do meu casamento desastroso, foi um ótimo conselho o seu!
– Não pode ter sido tão desastroso assim, se durou tanto tempo! E vocês tiveram 3 filhos!
– Eles foram a única coisa boa de tudo isso. Na verdade, acho que nunca amei a Ginny de verdade, não como mulher.
– Então por que se casou com ela?
– Pressão dos Weasleys, aparências... escolha uma dessas, todas estão certas!
– Como você é idiota, Potter!
–Hum, você, ao contrário de mim, parece ter uma vida perfeita, não é?
– Como você mesmo disse, nem tudo é o que parece.
Ele arregalou os olhos e quase cuspiu a bebida que estava em sua boca na minha cara.
– Como assim? Você não é feliz?
– Eu não disse isso! Sou feliz com minha mulher e meu filho!
Ele baixou o olhar, e seu rosto pareceu adquirir uma expressão triste. Eu resolvi continuar a falar.
–Amo Astoria e Scorpius, acima de tudo, porém meu casamento nunca foi verdadeiro. Amo minha esposa mais como amiga do que como mulher.
Ele levantou o rosto, seus olhos estavam brilhantes e seu rosto não tinha mais uma expressão triste. Parecia segurar um sorriso.
– Pelo jeito estamos no mesmo barco. – ele me disse sorrindo.
Eu lhe retribui o sorriso e seus olhos pareceram brilhar mais ainda. Ficamos ali, apenas olhando um para o outro durante um bom tempo.
– Potter...
– Já disse pra me chamar de Harry, Draco!
Uau, meu nome dito em sua voz parece melhor que em qualquer outra!
– Harry... Por que me chamou pra vir aqui?
Ele me encarou com seus olhos grandes e brilhantes e pareceu pensar.
– Sinceramente, eu não sei.
Eu levantei uma sobrancelha, e ele desviou o olhar.
– Eu te vi lá, e depois de tanto tempo achei que poderíamos conversar um pouco, relembrar os velhos tempos.
– Relembrar os velhos tempos? Acho que deveríamos estar azarando um ao outro ou simplesmente rolando no chão aos socos! – disse rindo.
Ele riu também.
– Ah qual é! Não era tão ruim assim!
_- Sério? Você não se lembra do Sectusempra? Bom, eu lembro, tenho as cicatrizes até hoje!
Ele baixou o olhar e pareceu triste e envergonhado. Me arrependi de ter citado aquele incidente.
– É... sobre aquilo... eu nunca tive a oportunidade de diz mas sinto muito! Eu não queria ter te machucado!
– Ah, esqueça isso! Eu não devia ter falado sobre isso.
– Como esquecer, Draco? Eu te feri, quase te matei! Se não fosse por Snape você poderia nem estar aqui!
Sua expressão era de dor e seus olhos estavam cheios d’água. Me xinguei mentalmente por ter falado sobre aquilo.
– Olha, Harry... esqueça! Sério! Eu mereci aquilo. Eu era um imbecil, sempre fui. Sempre te tratei mal, vocês e seus amigos. Vamos dizer que aquilo foi um pagamento por minhas maldades. Certo? – disse olhando em seus olhos e sua expressão pareceu suavizar um pouco mas eu ainda via tristeza em seu rosto. Resolvi mudar um pouco o assunto para melhorar o clima. – Como anda seu trabalho? É um auror agora, não é?
Aos poucos a expressão sofrida deu lugar a um novo sorriso, que me fez abrir um também.
– Sim! Sou um auror... é um ótimo trabalho! Tem seus riscos, mas o que seria da vida sem um pouco de aventura, não?
Eu balancei a cabeça, concordando com ele, porém quando ele falou sobre riscos senti uma angustia. Pensar em Harry em perigo fez com que um nó surgisse em minha garganta. Como eu não disse nada ele resolveu me perguntar:
– E você, é verdade que virou um medibruxo?
– Ah sim! Um de muita qualidade, sem me permite dizer! – disse com meu sorriso arrogante.
– Tenho certeza que sim! – ele me respondeu com um sorriso ficou me encarando como se o próprio Dumbledore estivesse em sua frente. Eu via admiração em seus olhos. Aquilo me fez corar novamente e já que ele não falava nada resolvi continuar.
– Ajudar as pessoas... acho que fazendo isso, talvez eu possa me redimir e limpar a mancha de meu nome e de minha família.
– Você não tem do que se redimir, Draco. Nunca teve escolha. Não pode ser culpado por nada! E não foi!
– As pessoas ainda me olham como se eu fosse um bandido, sabia? Mesmo depois de todos esses anos, elas não me perdoaram. Muitas não querem ser atendidas por um ex-Comensal da Morte, algumas me olham com nojo. E eu não as culpo, as vezes eu mesmo me olhos assim!
Meus olhos ardiam e eu sentia um nó em minha garganta. Senti lágrimas escorrem por meu rosto. Potter deve estar me achando um bebê chorão. De repente sinto algo quente em minha mão e ao olhar vejo que ele está segurando-a. Com sua outra mão, ele limpa as lágrimas de meu rosto. Seu toque me faz estremecer e sem querer acabo fechando meus olhos para senti-lo melhor. Ao abri-los novamente, vejo que Harry estava com seu rosto bem próximo ao meu. Sinto meu coração disparar e minha boca secar.
Então, como uma leve caricia, sinto seus lábios tocarem os meus, apenas um leve roce. Mas com a mesma rapidez que começou logo acabou. Ele se afastou de mim e eu abri novamente meus olhos.
Potter estava com a face corada e parecia achar a parede atrás de mim muito interessante. Depois de alguns minutos, consegui me recuperar do choque de ter sido beijado pelo meu antigo inimigo e não tão recém descoberto amor. Levei minha mão, a que não estava sendo segurada por Potter, até seu rosto e o forcei a olhar para mim. Mesmo assim ele ainda desviou o olhar então eu o chamei.
– Harry.
Ele continuou sem me encarar.
– Harry, olhe para mim, por favor.
Ele ainda não me encarava. Tudo bem, se ele quer dificultar as coisas, vamos lá, pensei. Então puxei seu rosto para perto do meu e o beijei com todo o amor que guardei dentro de mim e que pertencia somente a ele. Mesmo chocado, Potter me correspondeu a altura e pela empolgação, acredito que ele também sinta algo bem forte por mim. Nossas línguas batalhavam em nossas bocas, em uma guerra sem perdedor, pois nós dois estávamos ganhando e muito, naquilo. Caramba, aquilo era muito bom! Tenho que admitir que o cicatriz beija bem demais!
Muito rápido para o meu gosto, o ar foi faltando e tivemos que nos separar. Só então que eu me lembrei de onde estávamos. Olhei em volta, esperando que todo no bar estivessem nos olhando com repulsa e qual foi minha surpresa ao ver que ninguém nem olhava na nossa direção, como se nem estivéssemos ali.
– Os trouxas são bem liberais. Não tanto quanto os bruxos, mas são.
Voltei meu olhar para Harry, que também estava olhando em volta. Ele virou o rosto em minha direção e seus olhos brilhavam como duas lindas esmeraldas. Nossa, estou muito meloso hoje!
– Desde quando? – perguntei à ele.
A princípio ele pareceu não entender minha pergunta, porém aos poucos sua mente funcionou e ele me respondeu:
– Hum, na verdade, acho que desde hoje.
Eu levantei uma sobrancelha, mas antes que dissesse alguma coisa ele continuou:
– Desde de que saímos de Hogwarts, eu sentia um vazio, como se algo faltasse em minha vida. Achei que me casando esse vazio seria preenchido, porém ele só aumentou e durante esse 19 anos eu convivi com isso, achando que ele jamais iria embora. Mas, quando eu te vi na estação, foi como se eu me sentisse completo e eu me senti um idiota por nunca ter percebido que a única pessoa que podia preencher meu vazio era você, Draco.
Droga! O que há de errado comigo hoje? Eu estou chorando? De novo?? E ele está secando minhas lagrimas novamente.
– E você, desde quando? – Harry me pergunta suavemente, depois de ver que me recuperei da crise de choro.
– Desde o quarto ano.
Harry fez aquela cara de surpresa de novo, com a boca entreaberta.
– Por Merlim, Draco! Por que nunca me disse nada?
– Ah qual é, Harry! Você queria mesmo que eu fosse até você e dissesse “Ei Potter, eu te amo! Vamos ficar juntos?”. Como acha que reagiria? No mínimo, em azararia!
– Eu não faria isso! Mas realmente tenho que admitir que não teria a melhor das reações.
– Viu! Se eu não disse era porque não tinha que dizer. Não daria certo mesmo.
– Você acha que nós não daríamos certo? – ele me perguntou com a voz triste.
– Não naquela época! Voldemort, meu pai, a guerra batendo em nossas portas! Jamais teria dado certo.
– E você acha que daríamos certo agora?
O olhei para ver se ele falava sério e tive certeza que sim.
– Você estaria disposto a arriscar sua vida perfeita por mim?
– Minha vida não é perfeita, já te disse! E por você, eu arriscaria tudo!
Aquela frase mexeu comigo mais do que eu gostaria e do que eu admitiria também.
– Não acho que seus amigos iriam gostar disso.
– Acho que a Mione já sabia de tudo isso antes mesmo de mim! Eu sabia que ela era inteligente mas ela ainda consegue me surpreender. E o Ron, bom, ele não vai ficar muito feliz no começo, mas se bem o conheço, vai me apoiar sempre! Mas e você, vai arriscar seu casamento perfeito por mim?
– Potter, eu estou esperando por isso a mais de 20 anos! Realmente acha que vou jogar essa chance fora?
Ele abriu um enorme sorriso e apertou minha mão, que só então percebi que ele ainda segurava. Não pude me segurar e sorri também.
Sem perder tempo, avancei contra seu rosto e lhe dei um beijo cheio de paixão que foi retribuído por ele da mesma forma. E ali eu senti como se esse beijo selasse a promessa de um recomeço ao lado do meu grande amor.
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