Recomeçar
18 Capítulo 18 - Um acordo
Notas iniciais
Marjorie avaliou as palavras na resposta dele, um tom de ameaça pairando no ar.
Ela remoeu aquilo por uma pequena fração de segundos.
Ela não viera de tão longe, não perdera tudo o que perdera, não chegara até ali para ser ameaçada dessa forma. Ela não iria ceder, não importavam as circunstâncias.
− Eu não tenho medo de fantasmas! – Marjorie disse. – No seu lugar eu pegaria o que sobrou de alma, espírito, seja lá o que tiver em você...
− E o que? Sarpar deste mundo? Acha que já não tentei?
− Que tipo de pessoa usa palavras como sarpar? – Ela segurou o riso.
− Bom, já percebi que é pedir-te muito. – Disse irritado, dando uma puxada em seu sotaque português adormecido, o que dava a ele um tom cômico, um fantasma com sotaque.
− Você morreu, não pode ter uma casa, precisa seguir em frente na sua jornada.
− És tola ou quer que eu desenhe? – Ele sentou-se na poltrona, visivelmente aborrecido.
− Está bem, vamos tentar algo... Por que não me conta como era sua vida, e depois lhe conto sobre a minha? Talvez se conhecermos um ao outro podemos chegar a um acordo. – A proposta surgira espontaneamente.
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