Recomeçar
4 E foi assim...
Notas iniciais
Capitulo 4
Pov. Isa.
As lembranças ainda me assombram, como pode ela ter me encontrado, pensando em tudo que aquele desgraçado fez comigo. Agradeço a Deus que ele tenha me confundido com a Ana ou sabe Deus o que ele poderia ter feito com ela.
Mas minha família, minha irmã não podem saber que ele queria fazer mal pra Ana, eles tem que continuar achando que a culpa foi minha, só minha, eu preciso fazer com que a Mãe daquele psicopata fique de boca fecha, nem pra meninas eu contei à verdade o que elas sabem é que ele entrou e...
– Isabelly, se acalme ninguém da sua família sabe que você esta aqui, e meu filho esta bem longe. — Tereza me olha com pena.
– Você vai falar pra alguém que eu estou aqui no Rio de Janeiro? – tenho certeza que os meus olhos transmitem todo o medo que eu estou sentindo, por que ela ia começar a falar que sim, mas logo muda de assunto.
– Isa eu sei de toda a verdade, hoje eu sei tudo o que meu filho fez com você, e não vou falar pra ninguém que você esta aqui se é isso que você quer vou respeitar, mas acho que já esta na hora de todos saberem a verdade! E como eu sei que você dança como uma flor ao vento preciso de você aqui na Ducatti, então vamos fazer assim eu guardo seu segredo e você faz par com o Lucas.
– O que? Não Tereza eu me candidatei para dar aulas e não fazer um dueto com o Lucas!- Fico em estado catatônico ao perceber que se eu fizer par com o Lucas tudo que eu fiz pra me esconder pode ir por água a baixo!
– Bom eu sei que você não se candidatou para o dueto, mas como eu disse você e o Lucas darão o par que a companhia precisa pra entrar no concurso da escola Bolshoi de Moscou, que acontecerá em março do ano que vem, então temos ai quase um ano pra vocês treinarem e antes que você fale que sua família pode descobrir onde você esta, nós usaremos para você o sobrenome de uma amiga minha. — Ela me olha profundamente e a azul intenso de seus olhos me faz lembrar de tudo que o que aconteceu naquela noite...
Flash Back On
Quando eu comecei a ouvir uns barulhos vindos do quintal, o Fred (meu pastor belga) latia muito e ele não era assim. Muito curiosa eu me levantei da cama e fui ver o que estava havendo, quando tive uma grande surpresa!
– O que você está fazendo aqui? – A pessoa me olhava com a cara de psicopata.
– Ana, minha querida Ana, o que você pensa que esta fazendo saindo com aquele Playboy? — Ele vai chegando mais perto de mim e como está muito escuro e ele não percebe que meus cabelos são mais longos e acha que eu sou a Ana, batendo com força no meu rosto, deixando a marcada da sua mão.
– Para Mauricio, você esta me machucando. — Grito pra que ele pare mas parece que isso só faz com que ele sinta mais prazer em me bater.
Ele me derruba no chão e começa a chutar forte as minhas costelas, ele diz que não vai mais bater no meu rosto pra que ninguém veja as marcas depois e com isso ele dá mais golpes nas minhas costelas, costas e barriga.
Quando eu penso que agora ele vai me deixar em paz, ele me arrasta pelo cabelo para dentro de casa e me leva até o quarto da Ana e me joga em cima da cama, prendendo minhas mãos na cabeceira com o lençol.
O Fred continua latindo, e como se pedisse ajuda começa a uivar, mas parece que naquela noite era para tudo acontecer como aconteceu.
– Agora Ana, eu vou ensinar você a me trair sua vadia! — Ele olha em meus olhos e não percebe que são azuis claros, não o azul escuro da Ana.
Ele vai tirando toda a roupa do corpo, ficando somente de cueca Box e isso vai me assustando mais.
– Para Mauricio pelo amor de Deus, para com isso você vai se arrepender mais tarde. -Eu olho pra ele e continuo implorando e me debatendo enquanto ele começa a tirar minha roupa, e com isso eu percebo que é melhor ser comigo do que com a Ana, melhor ele fazer isso comigo do que com a minha pequena, eu preciso protegê-la. E é só nisso que eu penso.
– Agora sim Ana, vamos acabar o que começamos. — O Mauricio parece estar bêbado e só agora eu percebo isso, e como eu fui burra em não ter gritado mais alto naquela noite.
– AAAAAAAAA — Eu grito quando ele me penetra, sim ele esta me estuprando. Mesmo percebendo que eu ainda sou virgem ele não para de se mexer rápido, e cada vez mais rápido. Não pensando em mais nada começo a pedir que ele pare que eu não sou a Ana.
Ele continua com tudo aquilo, vai me beijando, me lambendo, como se eu fosse o melhor sorvete, meus soluços de choro parecem só fazer com que ele fique mais excitado, mesmo eu dizendo que não sou a Ana ele não para. Só quando o desgraçado tem um orgasmo é que eu percebo que o maldito esta sem camisinha e isso faz com que eu chore mais ainda. Ele coloca a roupa me olha e para, depois de tudo o que aconteceu finalmente percebe que eu não sou a pessoa certa, mesmo assim sai do quarto e fala.
– Você não é a Ana, e sim a Isa, mas isso agora só te faz igual a ela, se alguém algum dia souber do que aconteceu aqui eu mato você, e sua família inteira, principalmente a sua querida Ana.
Depois dessas palavras foi embora.
Eu estava na cama da minha irmã gêmea, quebrada, sem concerto, meu corpo doía não somente pelo que Mauricio fez comigo, mas por tudo, estava emocionalmente abalada, nunca pensei que isso fosse me acontecer. Sempre tive muito medo dele, mas chegar a imaginar isso não.
Quando a Ana trouxe o Mauricio aqui pra casa eu tive a certeza de que ele não era boa coisa, ainda nesses pensamentos e com um choro que não cessava, me levanto e vou ao banheiro, depois de me esfregar muito, pois me sentia suja, me enrolo na toalha e saio, vou caminhando lentamente para o meu quarto e quando abro a porta tenho outra surpresa.
– Isa? O que você fez? – Ela grita comigo, e seus olhos azuis escuros cheios de acusações e de lagrimas não derramadas.
– Ana eu não... — Tento falar mas ela me interrompe.
– Você sabia o quanto eu amava ele, por que Isa? Por quê? – Suas lagrimas começam a cair pelo rosto e mais uma vez eu me sinto quebrada.
Ana me acusa de ter seduzido o desgraçado, diz que se lembrou de que não tinha levado a chave e voltou pra buscar, estava descendo do carro da amiga, e viu o Mauricio sair de dentro de casa. Quando perguntou pra ele o que fazia aqui, olhando pra ela com cara de arrependido disse que tinha traído ela, COMIGO!
Dizendo que tinha vindo pedir desculpas pra ela por ter sido tão idiota na briga deles, mas quando eu atendi, disse á ele que a Ana não estava só que podia entrar e esperar por ela que na ia demorar pra voltar e que nossos pais estavam fora e só voltariam no dia seguinte, contou que depois de passar pela porta nos começamos a conversar e eu falei a ele que a Ana não merecia um cara tão lindo e legal como ele. Começando a insinuar que estava disposta a ficar com ele e me entregar. Coisas que a Ana ainda não havia feito, por isso ficou comigo.
E a Ana não duvidou nem um minuto da historia sem cabimento que ele contou, como se ela não me conhece-se a vida toda, como se não fosse a minha irmã gêmea querida, única irmã, como se não fosse minha melhor amiga, disse que finalmente entendeu o porquê de sempre que ele vinha em nossa casa eu me trancava no quarto, ou fazia que ele não estava aqui. Que eu não passava de uma vadia, desgraçada que tinha acabado com a sua vida.
Ainda não satisfeita com tudo o me falou, ligou pros nossos pais e contou tudo, em cinco minutos eles estavam em casa, me expulsando, dizendo que eu não era mais filha, que não haviam me criado pra isso, me colocaram na rua sem lugar pra ir.
Quando sai de lá, com os olhos marejados e pensando que a única coisa que importava era que eu tinha protegido a Ana, direcionei meus olhos pro outro lado da rua, e lá estava ele, me olhando com culpa, apenas balançou a cabeça, tomou a direção contraria do transito e se foi me deixando ali sem ninguém, sozinha, quebrada, machucada e vazia.
Flash Back Off.
Foi exatamente isso que me aconteceu naquela noite, eu ainda tenho pesadelos sobre isso, às meninas vivem assustadas sem saber quando eles vão aparecer pra me atacar, e se preocupam com meu estado emocional, e ainda sabem o quanto eu amo dançar.
– Tereza se você me prometer que nem seu filho saberá que eu estou aqui, eu faço o dueto com o Lucas! – olho pra ela a procura dessa promessa.
– Isa se é isso que você quer, eu prometo, mas uma hora você terá que contar tudo o que o Mauricio fez com você, e quero que você saiba que ele se arrepende e muito de tudo daquela maldita noite. – Mesmo vendo sinceridade em seus olhos eu não consigo acreditar nas suas ultimas palavras, aquilo é como se estivéssemos falando de outra pessoa.
– ok, onde eu assino?- pergunto.
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