Recomeçar

6 Capítulo 6 - Rebeldes.


Notas iniciais
Yo!!
Quanto tempo minhas queridas! Tudo legal com vocês?! Hehe... Nas notas finais eu explico porque eu demorei mais a postar!
Bjks e aproveitem o capítulo "pequenininho" de hoje!
Ami ~

Faltava apenas uma hora para o sol ficar a pino.

Sentia-me um pouco suada de calor graças a exposição prolongada ao sol e de nervosismo. Eu tentava esquecer de uma vez oque tinha acontecido antes, e ignorar os leves apertões que Sayuri dava na cintura do Kakashi quando era pega de surpresa, mas estava complicado com todo aquele silêncio.

Por Deus... Consigo ser mais ciumenta que o Kakashi.

- Mitsue – ergui meus ombros de susto subitamente e virei o rosto para o Kakashi.

- O que foi?

Ele se inclinou para minha direção e apontou para perto das árvores ao longe, o final da trilha de terra.

- Quando chegarmos ali iremos passar numa pequena trilha nas arvores para servir de atalho. Ela é um pouco estreita, por isso só pode passar um cavalo por vez, então passe logo após de mim – Abaixou o braço e olhou para o meu rosto – Tudo bem?

- Sem problemas.

Voltei a olhar para frente com a expressão neutra, esperando camuflar a batalha interna para acabar com os ciúmes. Ele fez o mesmo.

Quando percebi que não me olhava mais, deslizei os olhos para o canto, e observei os dois de soslaio. Kakashi continuava ereto no belíssimo puro sangue branco como um perfeito príncipe mascarado, oque aumentava muito mais o charme dele. Logo atrás, Sayuri estava com os olhos baixos e os braços um pouco frouxos ao redor da cintura do grisalho. Parecia estar bastante cansada com a cavalgada e se continuasse assim, provavelmente dormiria em cima das costas dele.

Olhei para trás de mim e me surpreendi quando notei que ela já ressonava com o belo rosto encostado nos meus ombros e as mãos segurando minha cintura inconscientemente.

Virei o rosto para o Kakashi e chamei a atenção dele com um “Psiu” baixo. Seu rosto virou com uma interrogação e eu apontei para a Ume-san. O grisalho observou a garota inconsciente e deu uma risada baixa.

- Parece que já está na hora de fazermos uma parada – Falou em voz baixa para mim.

Passei meus olhos do rosto dele para a Sayuri.

- Ela não é a única que merece um descanso... Sayuri acabou de dormir também – Respondi também em voz baixa.

Kakashi virou seu rosto para trás e seu rosto ficou suave quando viu que ela dormia em suas costas.

Meu rosto corou de ciúmes e eu limpei a garganta de leve, fazendo-o virar o rosto de volta imediatamente.

- Tem ideia de onde podemos parar?

- Podemos achar uma clareira na floresta, preferivelmente perto do atalho – Abaixou a abeca com a voz pensativa, e depois de uns instantes ele voltou a levantar – Mas é melhor que verifiquemos todo o local antes de acamparmos. Como o Hokage disse, tem aumentado os índices de roubos e tudo mais.

Meus olhos brilharam assim que ele disse a palavra “verificar”. Ai está uma excelente oportunidade de me afastar um pouco dos dois e m concentrar em algo diferente do que em meus ciúmes irracionais.

- Deixe que eu inspecione a área – Ofereci de imediato.

Kakashi franziu o cenho para mim.

- Eu acho melhor você ficar comigo para cuidar das duas aqui. Os garotos podem inspecionar por você.

- Não, acho melhor que eu inspecione o local desta vez já que os índices estão altos assim. Desse jeito eu posso confirmar com toda a certesa que o lugar está seguro e evitar ataques surpresas, oque acha?

Kakashi parou de cavalgar e todo o grupo também parou sem entender direito o motivo.

- Porque de repente você pareceu tão interessada nisso? – Perguntou de repente sério.

Aquele rosto sério me fez recuar um pouco com o cavalo involuntariamente.

- Porque de repente você ficou tão sério? – Perguntei com uma voz meio hesitante.

Ele juntou mais as sobrancelhas.

- Você não respondeu a minha pergunta – Revidou.

- Claro que não vou responder de imediato com esse tom medonho que você usou de repente – Revidei também, e todos ficaram calados ao nosso redor esperando que algum de nós falasse, mas apenas ficamos olhando um ao outro, tentado compreender oque tinha por trás do que o outro dizia.

Isso continuou até que o Kakashi deu um suspiro e voltou a cabeça para frente sem me olhar.

- Tudo bem, pode inspecionar a área em quanto nós cuidamos das duas.

- Obrigada – Falei sentindo o sabor da vitória.

Depois de acordar a Ume para descer do cavalo, desapareci do local em direção a floresta, com os olhos insistentes do Kakashi pregados em mim até que desaparecesse.

Alcancei a floresta perto do atalho que o Kakashi me indicou em poucos instantes e andei com passos lentos pela floresta em quanto olhava ao redor tanto em busca de uma clareira quanto de invasores rebeldes ou o menos provável: Ninjas.

Ainda bem que a família Nozawa não tinha problemas com eles. Menos uma preocupação para a equipe.

Parei de andar ao lado de uma arvore e encostei a mão no tronco grosso. Agucei a audição e me mantive quieta tentando rastrear um provável rebelde sorrateiro. Ao meu redor, apenas ouvi o assobio leve do vento, o barulho da vegetação balançando com ele e sons sutis pequenos animais pisando nas folhas secas do chão e nada de anormal.

Voltei a abrir os olhos em quanto relaxava os músculos do corpo e voltei a andar mais tranquilamente agora que não havia mais riscos. Um pouco a frente, havia um espaço livre de plantas com algumas arvores e raízes em volta formando um círculo irregular. Não era uma grande clareira, mas tinha espaço suficiente pra que nós e os cavalos pudéssemos descansar para finalmente seguir pelo atalho a pouca distancia dali.

- Beleza – Coloquei as mãos na cintura, feliz pelo trabalho concluído – Agora é só trazer todo mundo para cá.

Sorri pela ultima vez e dei um passo para trás prestes a chamar o Kakashi, mas paro por ai quando um vento frio e forte passa por mim serpenteando meu cabelo para trás. Tremi involuntariamente com aquela súbita ventania gelada e apertei as mãos.

- Que sensação esquisita é esta... – Sussurrei para eu mesma antes de olhar para cima.

Levanto minha cabeça e enxergo um vulto rápido passar por um galho no alto de uma árvore próxima e desaparecer.

Um rebelde?!

Antes que eu reagisse, ouço um galho se partir no chão atrás de mim. Viro bruscamente para trás e jogo uma shuriken na direção do rebelde que parecia se aproximar, ouvindo um barulho agudo e assustado a seguir. Busquei o rebelde com o coração agitado e o olhar nervoso, mas me surpreendi quando vi nada menos que uma lebre encolhida da shuriken a centímetros de distancia de sua pequena e peluda cabeça.

- Ah não! – Corri até o pequeno ele e embalei o animal tremulo com se fosse um bebê em quanto balançava-o devagar para que se acalmasse – Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe... – Afastei o coelhinho de mim e olhei para ele, notando que o pobre animal apenas tremia cada vez mais – Não fica assustado... Ah... Foi mal coelhinho! – Apertei-o novamente, desta vez no meu ombro e apertei os olhos – Ai meu Deus... Eu quase matei um coelho...

Do nada, o animal começou a se debater no meu ombro numa tentativa desesperada de fugir de onde estava.

- Espera! Para de se contorcer! – Pedi, afastando-o do meu ombro para tentar segurar o animal peludo, mas em um instante ele soltou um chiado agudo de medo e com uma patada arranhou minha mão, fugindo de mim no segundo seguinte. Apertei minha mão contra o peito, sentindo os três arranhões arderem na palma dela – Meu Deus, será que eu sou tão assustadora assim?

Ergo a palma ferida e observo as pequenas e gordas gotas rubras apenas crescendo ao longo dos arranhões.

Comprimi os lábios.

- Parece que foi apenas o vento que me deixou nervosa... – Murmurei baixinho.

Ainda observando a palma, ouço outro barulho agudo de alguma coisa cortando o ar perto de mim e uma dor aguda atinge a parte de trás da minha coxa direita. Solto um gemido agudo quando surge a dor lancinante, e ponho instintivamente a mão na área atingida, soltando uma lufada de ar quando toco a ponta da kunai, causando mais uma onda de dor.

Arregalo os olhos quando ouço outra vez o mesmo barulho maior quantidade e saio do meu lugar com um salto, e pouso no outro lado da pequena clareira assim que ouço o som de várias kunais fincando a terra do lugar onde estava.

Que porcaria é esta?!

Olho para cima e enxergo uma dúzia de silhuetas espalhadas nas árvores prestes a jogar mais uma chuva de kunais na minha direção.

Agora eu sei oque assustou o coelho.

Num movimento rápido e decisivo, tirei a kunai presa na minha coxa, cerrado os dentes para não gritar de dor em quanto coloco a kunai na minha frente para bloquear a chuva que se segue. Ouvi o som metálico das kunais se chocando contra a que eu empunhava e quando finalmente acabou, olhei na direção dos vultos com as íris brancas como a neve do inverno passado. Sinal de que meu chakra já estava pronto para agir a qualquer momento.

Apertei mais a kunai quando ouvi o barulho das próximas kunais sendo retiradas dos esconderijos em suas roupas e abri um meio sorriso desafiador.

- Ótimo... Vamos ver quantos de vocês eu consigo abater com uma perna ferida – Falei em alto e bom tom, sentindo meu corpo se arrepiar de adrenalina principalmente com aquela sensação quente do meu chakra circulando cada vez mais rápido dentro de mim.

Estavam prestes a lançar as kunais quando eu me lanço no galho do vulto mais próximo, dando um murro forte na sua barriga em quanto eu investia. Virei meu corpo na direção dos barulhos cortantes que resolveram aparecer e bloqueei todos novamente, sendo que quase não vejo quando um deles aparece na direção da minha testa, mas bloqueio a tempo.

Mesmo com o risco daquilo, abro mais meu sorriso quando ouço o baque pesado do homem que acabei de socar no chão abaixo do galho onde eu estava.

- Já foi um... – Murmurei quando avanço com um sorriso maligno na próxima vítima totalmente coberta por roupas negras como todo o resto dos caras ali, e lancei meu punho na direção dele. O homem foi rápido o bastante para bloquear meu soco, mas minha outra mão surgiu no seu rosto totalmente coberto por uma máscara que deixava aparecer somente os olhos e o vejo cair que nem o ultimo cara, direto ao chão – Agora são dois... Sobraram dez.

Minha luta continuou assim, bloqueando e atacando, bloqueando e atacando de novo... Mas a cada novo rebelde, mas difícil de derrubar parecia ser. Por algum motivo, os movimentos deles eram bastante velozes e certeiros, e isso tornou minha luta mais complicada do que com rebeldes comuns, incluindo o fato de que a dor na coxa ficava cada vez maior. Oque me intrigava naquela luta, era o porquê de meros rebeldes terem acesso a armamento ninja de primeira qualidade – pelo menos pelo oque eu pude observar em quanto lutávamos – e serem tão bons usando-o.

Será que os rebeldes agora estão contrabandeando armas? E pior... Estão sendo treinados ilegalmente a usá-las? E se sim, quem está treinando eles e por quê?

Em meio a tantas duvidas, quando sobraram apenas três rebeldes eu acabei me distraindo por um segundo apenas. Infelizmente aquilo foi o bastante para que uma kunai despercebida por mim fosse parar a pouca distancia do meu pescoço. Senti meu corpo congelar de medo quando percebi que não havia como escapar.

Meu pescoço seria cortado.

Soltei um grito rápido no momento que a lâmina ia me cortar, mas ela não veio.

Se eu não tivesse virado a tempo, não conseguiria ver oque tinha acontecido do meu lado.

Um novo vulto surge do meu lado e segura o braço do rebelde a minha direita antes que minha garganta fosse cortada. Afastei-me num salto daquele lugar para evitar acidentes e percebi que o vulto era ninguém mais que o Kakashi. Pouco tempo depois de ele ter evitado a tragédia e eu ter me afastado, ele já tinha puxado o rebelde pelo braço e o usou como escudo contra outro rebelde, lançando o rebelde que segurava contra este, e os dois caíram ao chão. O grisalho deixou os dois caídos e avançou na direção do terceiro rebelde e lançou um soco no rosto dele com força, fazendo que ao ser atingido, perdesse a consciência na hora.

Observei com o coração aos pulos o grisalho em quanto o ultimo rebelde caia no chão. Ele deu uma ultima olhada nos três para confirmar que estavam inconscientes e se virou para mim com os olhos estreitados.

- Eu pensei que você ia morrer agora a pouco – Falou ele num tom de repreensão, como se estivesse dando uma bronca no Naruto – Porque não chamou ninguém?

Dei de ombros.

- Eles eram apenas rebeldes, eu ia dar um jeito neles.

Kakashi aproximou de mim com passos lentos, mas não abandonou o olhar de repreensão.

- Eu sei que você poderia dar um jeito neles – Deu uma pausa, parando na minha frente com as mãos nos bolsos – Mas isso deixa de ser verdade quando se é atingido por trás Mitsue.

Bufei, chateada por ele ter descoberto minha lesão.

- Não foi nada muito grave Kakashi, eu estou bem.

- Sério? – Perguntou com ironia – Vai me dizer que essa ferida na coxa não te incomoda nem um pouco?

- Não o suficiente para me deixar incapaz de lutar.

O grisalho tirou as mãos dos bolsos e cruzou os braços.

- Pule – Pediu.

Levantei uma sobrancelha.

- O que?

- É exatamente oque acabou de ouvir: Pule. Se você der um pulo e não dar nenhum sinal de incomodo, eu admito que seu ferimento seja nada de mais.

- Você está querendo brincar com a minha cara não é? – O encarei sem acreditar que ele ia insistir nisso.

- Eu não faria uma coisa dessas com você – O tom dele saiu tão verdadeiro que eu não contestei – E é uma tarefa tão simples, não vejo dificuldades em dar um pulo. A menos que você não esteja em condições...

Rangi os dentes com a provocação. Dei um passo para trás para ter espaço e de uma vez, dei um pulo para o alto, pousando no chão logo em seguida. Segurei um gemido de dor no momento que pisei no chão e abaixei a cabeça, apertando as mãos de dor.

- Consegui – Minha fala saiu um pouco mais forçada do que eu queria, e obviamente que ele notou.

- Já chega Mitsue, você está sentindo dor – Ele se aproximou de mim, tocando meu ombro.

- Não... Depois que eu terminar de verificar a área eu vou tratar o meu ferimento – Levantei a cabeça para ele.

Ele franziu o cenho de preocupação. Parece que o pulo piorou o ferimento.

- Mitsue acabou. Eu termino de fazer isso...

- Não vai não. Você tem que ficar de olho na Sayuri como fez todo esse tempo e não se preocupar com meus ferimentos. – Me calei imediatamente, notando que meus ciúmes ficaram evidentes na fala.

Kakashi sorriu discretamente ao notar meu evidente incomodo com isso, mas antes que pudesse falar eu já estava andando para longe dele.

- Mitsue, onde você pensa que vai? – Perguntou em quanto observava a mancha de sangue espalhada no tecido da minha calça.

- Vou fazer o meu trabalho e você o seu – Falei com a voz dura que sempre era meu meio de fuga para esse tipo de situação.

Parei de andar bruscamente quando meu braço foi segurado e me virei para trás, me deparando com o olhar novamente sério do Kakashi.

- O meu trabalho Mitsue, é ser o capitão desse time e tomar as decisões para que tenhamos sucesso na missão. Então você vai parar e descansar agora deste ferimento para que eu possa cuidar disso depois porque essa é a minha decisão. Fui claro?

- Sim – Respondi em voz baixa completamente sem graça.

- Ótimo – Respondeu ele e se afastou de mim para dar atenção aos corpos caídos na pequena clareira.

Grande foi nossa surpresa quando no lugar onde estavam os três, sobrou nada mais que pequenas manchas de sangue. Do mesmo modo, o resto dos corpos também desapareceram.

Kakashi aumentou os olhos e virou o rosto para olhar o redor da floresta, a procura dos rebeldes que a pouco pareciam estar derrotados.

- Não é possível... Como eles conseguiram sair sem que percebêssemos...?! – Murmurou o Kakashi completamente chocado por achar nenhuma pista deles sequer. Logo ele que era um ex-ANBU.

- Talvez se nos apressarmos em direção à floresta, podemos achá-los...

- Melhor não – Me cortou com certa delicadeza e virou o rosto para minha direção, observando que eu estava um pouco curvada com o ferimento na coxa – Não é nossa missão ir atrás deles e eu não vou deixá-la se esforçar até essa perna ser tratada.

- Mas Kakashi...

- Mitsue, por favor, fique – Pediu numa voz mais amena.

- Eu sei que é isso que você quer, mas... Eu não quero ser uma inútil – Insisti com a voz mais alta.

Num segundo que quase me fez cambalear para trás, ele surgiu na minha frente e me colocou nos seus ombros com extrema facilidade.

- KAKASHI?! – Reclamei alto em quanto ele andava com passos apressados até a árvore mais próxima – KAKASHI!! ME SOLTA, SÉRIO!

Permaneceu calado quando me desceu e me colou na árvore, passando uma corda fina e resistente de metal com duas pontas cortantes em volta de meu corpo e fincou as pontas no fundo do tronco da árvore de modo que eu não pudesse escapar de lá.

Cerrei os dentes de indignação e inclinei minha cabeça na direção dele com força.

- SEU IDIOTA DO CARAMBA! ME SOLTA AGORA! – Pedi com bastante raiva.

Ele bateu as palmas das mãos contra a outra como se tirasse a poeira e cruzou os braços a seguir.

- Você foi quem me obrigou a me tornar um cara duro – Falou com extrema calma.

- Kakashi! Você está pegando pesado agora! Como pensa que vou descansar amarrada dessa maneira? – Perguntei entre dentes.

Uma risada humorada escapou dos lábios dele e ele se abaixou para ficar na minha altura.

- Apenas espere que eu dê uma vistoria de verdade nesse lugar para trazer o grupo em seguida e depois eu pensarei em tirar você daí.

- Você não vai me deixar sozinha aqui... – Falei em voz baixa, mas com o tom ainda irritado.

Ele toca o meu rosto com uma das mãos e o levanta na direção do dele com o olhar preso no meu, me provocando de um jeito irritante e sedutor.

- Eu não vou demorar – Falou por fim com outro sorriso humorado em quanto levantava a bandana personalizada que cobria minha testa para plantar um beijo rápido, espalhado um formigamento no local.

Fiquei quieta a partir daí quando em um instante depois o grisalho desaparece da minha frente numa velocidade chocante até a floresta.

Dei um resmungo baixo ao notar que tinha ficado sozinha e abaixei o rosto como se fosse uma rebelde rendida, presa numa árvore.

Droga...

Odeio quando caio nas brincadeiras dele...

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Passou-se um bom tempo e eu permanecia com o rosto caído, encarando a grama verde viva até que ouço o trotar abafado dos cavalos que entravam na campina. Estreitei de leve os olhos quando ouvi os gritos de susto das duas mulheres nos cavalos.

- Minha nossa! Mitsue-san! – Sayuri estava prestes a pular do cavalo branco para me socorrer, mas o Kakashi a impediu com um dos braços – Oque está fazendo?! Não vê que ela está...!

- Ela está bem – Em vez do grisalho, o próprio Sasuke foi quem tranqüilizou a mulher com a voz neutra. Depois de me olhar por um tempo, se virou para o Kakashi – Imagino que tenha sido você a pessoa a amarra-la na árvore já que foi a ultima a vir aqui.

- Você é muito perspicaz Sasuke – O grisalho havia acabado de descer do cavalo e agora ajudava a doce Sayuri a descer também.

- Porque você fez isso com ela ttebayo?! – Naruto já havia pulado do cavalo e agora estava de frente para o Kakashi com o rosto chateado.

Seu olho pousou no loiro tranquilamente e depois foi para a mulher rendida na árvore que mantinha a cabeça abaixada, formando uma longa cortina negra nas laterais do rosto abaixado.

- Pode não parecer no seu ponto de vista, mas isso foi feito para o bem dela.

— Meu ponto de vista?! A Mitsue-senpai está amarrada numa árvore dattebayo!

Sakura surgiu ao lado do Naruto concordando totalmente com oque ele disse.

- Kakashi-sensei, não acha que ela está machucada daquele jeito? – A garota olhou para mim e abaixou os olhos de preocupação – Não acho que ela esteja se sentindo bem com oque você fez.

Muito bom Sakura, você me compreende. – Pensei, descendo mais a cabeça.

Sayuri se aproxima mais do grisalho, tocando o braço dele e todos os olhares ali vão para ela. Só agora eles perceberam que ela escutava a conversa.

- Kakashi-san, porque não solta a Mitsue-san? Acho que é uma boa ideia – Sorriu em seguida com a doçura do mais puro néctar.

O grisalho corou de leve e se afastou um pouco dela.

- Não se preocupem tanto, eu já ia solta-la — Kakashi andou até a dupla que o encarava e tocou a cabeça do loiro extrovertido – Agora se apressem e montem o acampamento. Eu tenho que cuidar de um certo alguém agora.

- Para a sua satisfação, não é Kakashi? – Sasuke surgiu com o meio sorriso maligno e os braços cruzados.

- Se preocupe em cuidar da Ume-san Sasuke – Falou com naturalidade, ignorando a provocação do Uchiha e seguiu na minha direção.

Estreitei mais ainda os olhos e mantive meu rosto sério. Ele pode pensar que eu não percebi em quanto me mantive de cabeça abaixada, mas eu sei o quanto ele ficou sem jeito quando a Sayuri se aproximou dele, e isso me deixava mais chateada por dentro.

Por que ele reagia assim com ela?

Os passos dele pararam e ele dobrou os joelhos, ajoelhando-se para ficar na altura do meu rosto abaixado.

- Conseguiu esfriar um pouco a cabeça? – Perguntou serenamente.

Mantive-me calada e fechei os olhos.

Kakashi abaixou a cabeça e soltou um suspiro sonoro, logo levantando-a novamente para me olhar.

- Não vai me dizer que está chateada comigo só porque eu te amarrei ai? – Sem receber a resposta, ele se aproximou mais e ergueu a mão para afastar a cortina de fios de cabelo e observar meu rosto agora inexpressivo – Mitsue, fala comigo – Pediu em voz baixa.

Dei um leve suspiro e ergui o rosto para ele de olhos abertos, sem ligar muito para a proximidade dos rostos. Eu me sentia bastante chateada, não por ele ter me amarrado numa árvore, mas por outro motivo que ainda me deixava confusa.

- Satisfeito? – Agora foi ele quem estreitou os olhos, estranhando meu estado.

- Confuso seria o correto – Respondeu com a voz natural de novo mais com um quê de preocupação transparecendo – Eu realmente te chateei tanto assim?

Neguei com a cabeça.

- Não estou assim porque você me amarrou, eu não sou tão mole. Nesse caso eu te bateria.

- Então...? – Me incentivou a continuar, ainda com o olhar preso no meu.

Corei de leve e virei a cabeça para o outro lado.

- Vai me tirar daqui ou não? – Desviei de assunto. Eu estava muito mais interessada em sair dali do que em falar sobre como eu estava me sentindo.

- Hai, hai... – Se levantou do chão mesmo sem sua resposta. Ele conseguiria assim que possível.

Tirou uma Kunai da bolsa na perna e cortou os fios que me prendiam. Eu dei alguns passos para frente para me equilibrar e estiquei os braços, fazendo uma careta quando meus ossos estalaram por ficarem numa posição tanto tempo.

- Consegue andar? – Os cabelos grisalhos em desordem ocuparam minha visão e eu me afastei um pouco, mas parei assim que minha perna machucada protestou de dor. A ferida conseguiu ficar bem inflamada em pouco tempo – Ok, já estou vendo que não.

- Para melhorar ainda mais a minha situação – Acrescentei em quanto revirava os olhos.

Ele riu com minha careta para o ferimento e se aproximou de mim, puxando um dos meus braços para o redor do seu pescoço e passou o dele pela minha cintura para sustentar meu peso. Fiz outra careta para ele como se dissesse “Não preciso de sua ajuda”. Ao contrario de mim, ele sorriu por baixo da máscara e apertou mais minha cintura.

- Larga a teimosia de lado e deixe que eu cuide de você, pode ser?

Dei um risinho medonho e ergui uma sobrancelha.

- Eu vi o quanto você cuidou de mim agora a pouco...

- Isso é outra história. Agora eu vou ser mais gentil com você.

- Tudo bem então, mas depois você vai voltar a cuidar da Sayuri e vai deixar eu e minha perna em paz.

- Se insiste – Sorriu fingindo não perceber que era a segunda vez que citava a Sayuri nas conversas com aquele tom.

Fomos até próximo de onde o acampamento era levantado e o Kakashi se abaixou comigo para que eu sentasse na grama, encostada a uma árvore. Soltei um gemido leve quando senti uma pontada aguda na ferida que estava na lateral da coxa direita.

Seus olhos experientes pousaram no ferimento e mediu a gravidade dele, mas era difícil com o tecido colante da calça que eu vestia. Com cuidado em quanto eu observava, ele rasgou o tecido da calça o suficiente para expor o corte e um sorriso escapou nos lábios dele.

O corte que antes estava visivelmente profundo diminuiu de tamanho, mesmo que estivesse mais inflamado que antes. Minha recuperação era realmente muito eficaz. Quase comparável com a do Naruto.

- É... Parece que você esteve bastante distraída na luta – Provocou sem medo, mesmo que a ferida não estivesse tão ruim.

- Obrigada doutor, isso me tranquiliza bastante.

Voltei a ouvir sua risada em quanto ele abria a caixinha de primeiros socorros que tirou da bolsa na cintura.

Depois que ele limpou a ferida e enfaixou minha perna, fomos ajudar a terminar de montar o acampamento para que as duas mulheres pudessem cochilar um pouco. No final de tudo, quando todos pareciam bastante ocupados discutindo algo entre si, fui até o cavalo negro e segurei o cabresto na sua cabeça em quanto acariciava a crina entre as orelhas do animal. Em resposta ao carinho, ele relinchou de leve, batendo e arrastando algumas vezes a pata dianteira. Sorri para ele, mas relaxada que antes.

- Você realmente é um animal bastante bonito – Ri de leve quando ele soou o ar pelo nariz e balançou a cabeça como se concordasse – Eu sei que você deve estar cansado de ouvir isso, mas é verdade – Sorri e desci a mão para baixo da mandíbula dele, acariciando a pele macia do local – Pena que você não me pertence. Se bem que nunca pertenceria... Ah, estou nem ai.

- Com licença – Levei um susto e olhei para o cavalo achando por um momento que ele tinha falado comigo, mas só foi eu virar a cabeça para encontrar o grisalho sorridente. Fiquei aliviada por não ter sido o cavalo – Estou interrompendo a conversa?

Revirei os olhos, mas resolvi entrar na brincadeira.

- Sim está mesmo. Será que poderia se retirar?

Ele riu e negou com a cabeça.

- Foi mal, mas isso vai ficar para outra hora. Eu tenho que falar com você.

E qual é a novidade mesmo? – Pensei, mas não permiti que nada saísse da boca, escolhendo por soltar o animal e acompanhar o Kakashi ate algum lugar.

Acabamos nos sentando numa raiz imensa e exposta de uma árvore do nosso lado e continuei calada, esperando a fala dele. Ele olhou para mim e reprimiu uma risada graças a expressão cansada que eu fazia.

- Não se preocupe, eu só quero falar sobre a nossa missão agora que temos tempo.

- Ah sim. Pode continuar.

- É sobre aqueles rebeldes que eu quero falar. Você deve ter percebido que eles não são nada parecidos com os que estamos acostumados a ver.

Assenti de leve.

- Verdade, eles são bastante incomuns e não é só pelas roupas esquisitas que cobrem toda a pele deles. Eles são mais fortes que o normal, quase podem ser comparados com...

-... Um ninja. Eu também percebi isso – Se inclinou para frente e colocou os antebraços em cima das pernas com as mãos cruzadas – Com toda a certesa eu posso dizer que eles receberam instruções de alguém que conhece bem sobre artes ninjas, além de ter acesso as armas.

- Será que é um ninja?

- É o mais provável – Concordou, e ainda apoiado nas pernas, virou o rosto para mim – E também é provável que eles tenham relação com o aumento dos índices de assaltos e desaparecimentos.

Me calei por um momento e parei para pensar. Eu nunca vi um rebelde lutar tão facilmente com um ninja, ainda mais comigo e com o Kakashi...

- Espera! – Exclamei de repente e o Kakashi saiu da sua postura com surpresa.

- Oque foi?

Virei-me para ele com o indicador levantado para o alto. Havia me lembrado de algo importante.

- Você se lembra da ultima missão antes de você ser internado?

- Sim... A da fazenda, certo?

- Correto. Aqueles rebeldes que nos atacaram na volta para a vila eram bastante parecidos com estes que atacamos, tanto na força quanto as vestes estranhas. Mas tinha apenas seis deles.

Uma luz pareceu se acender na cabeça dele e ele levou as mãos para perto dos lábios.

- É mesmo... Eles são bastante parecidos e ambos usam equipamentos ninja. Sem contar que o numero de rebeldes que enfrentamos dobrou... – Os olhos dele rolaram para mim – Isso só pode significar uma coisa e acho que sabe oque é.

- O numero de rebeldes está crescendo – Ele assentiu uma vez com a cabeça – Isso é péssimo.

- Com certesa não é a melhor das notícias... Ainda mais quando os rebeldes parecem estar ao alcance de nós...

- Alguém deve estar juntando eles – Cortei, pensando em voz alta para ele escutar – E não é só isso, está juntando e dando treinamento ninja a eles. Provavelmente devem estar se preparando para algum tipo de revolta ou coisa do gênero contra nós, ninjas.

- Mas porque eles fariam isso conosco?

Coloquei as mãos nos joelhos e mordi o lábio inferior com mil possibilidades passando pela minha cabeça, mas apenas uma parecia ser a mais provável.

- Provavelmente porque somos nós quem dá um fim a eles e impedimos boa parte dos planos que eles armam.

- Vingança?

Virei para ele.

- Provavelmente.

O olho exposto dele se estreita e se foca em mim logo em seguida.

- Em suma: Alguém com ótimos conhecimentos ninja está treinando uma massa de rebeldes, provavelmente para prepará-los para um futuro ataque contra nós ninjas para conseguirem sua vingança.

- Exatamente.

O grisalho solta um suspiro cansado e toca a têmpora com uma das mãos.

- Isso é tudo oque precisávamos. Uma grande revolta para agitar as coisas.

Notas finais
Oieeee!!
Gente eu tenho um booom motivo para ter demorado ^^. É que como sexta foi meu aniversário, o povo me sequestrou e estando fora, foi impossível escrever algo. EEEE no final de semana a minha casita estava abarrotada de pessoinhas alegres jogando farinha em mim >.< Muito doido.
Enfim, me desculpem pela demora! Vou tentar ser mais pontual nessa semana - É possível que eu poste o capítulo de amanha beeem tarde ou até mesmo depois de amanha pois eu vou ter uma pequena ocupação aqui... -.
Bjks!
Ami ~