Recomeçar

25 Capítulo 25 - Vermelho e branco.


Notas iniciais
Yoo!
Antes de tudo... FELIZ NATAL ATRASADO MEU POVO! Espero que este capítulo lhes agrade, pois esta menos trágico que os anteriores >.<.
Desculpe por não responder os Reviews ainda. É que ando meio ocupada graças ao ano novo ^^, então, espero que me perdoem.
Beijos meus fofos, gatos e gatas. Espero seus Reviews!!
Ami ~

Não poderia dizer com certesa quando voltaria para casa. Essa possibilidade parecia distante com o rumo que a missão tomava, me provocando um leve temor interno de não poder chegar a tempo na vila. De já ter sido tarde de mais.


Dezembro, dia 1 – Poucas horas de distancia de Konoha.


– Hatake Kakashi -


Eram nove e meia da manhã, mas o dia parecia ter avançado muito mais que isso com todas aquelas nuvens pesadas acima de nós. A floresta estava nua, estendendo seus galhos grossos retorcidos e secos em várias ramificações pontudas como grandes dedos tortos enquanto passávamos por elas com passos discretos na neve fofa. Tudo ficou silencioso naquele lugar assim que a neve parou de cair e então nossos cuidados se tornaram maiores que antes, fazendo o mínimo de barulho, escutando tudo em meio ao silêncio, observando com olhar afiado e respiração controlada atrás de qualquer sinal daquele tal assassino.

Estávamos naquela busca antes mesmo de o dia amanhecer quando ouvimos um barulho ritmado e abafado na neve como passos cuidadosos, mas desde aquilo, encontramos mais nada que um leve vestígio de seu cheiro no ar que agora era quase imperceptível. Isso tudo está sendo inútil.

Parei meus passos e todos os outros se aquietaram.

– Kakashi-san? Porque paramos? – Um dos que me acompanhava se aproximou.

– Isso é inútil – Me virei para todos os três shinobis e os observei calmamente – Estamos chegando a lugar algum com isso. Ele já deve ter ido com o rastro tão fraco como agora.

– Então oque nós faremos? Já se passou uma semana desde que esta missão iniciou e temos chegado a lugar algum – Perguntou o outro cara, um jovem de pouco mais de 25 anos.

– Ele tem razão. Essa missão passou do tempo previsto pelo Hokage e este assassino continua impune. – O terceiro homem mais velho que o anterior se aproximou, inconformado – Me desculpe a sinceridade Kakashi-san, mas creio que este assassino não exista. Tivemos nenhuma pista sólida sequer.

– Não precisa se desculpar... Até eu estou começando a considerar esta hipótese – Falei num tom evidentemente chateado no fim da frase. Aquilo estava demorando demais, oque era péssimo na minha situação.

– E então? Abandonaremos a missão? – O mais jovem sugeriu.

– Não – Respondi, vendo a expressão dele mais chateada – Eu realmente considero a possibilidade de não haver um assassino de verdade, mas alguém com certesa provocou nossa vinda e pelo jeito, tem tentado nos enrolar com falsas pistas esse tempo todo.

O mais velho franziu o cenho.

– Então passaram a perna em nós todo esse tempo? – Assenti e então ele cerrou os dentes – Porque alguém faria algo assim conosco?! Não faz sentido toda essa enrolação.

– Na verdade faz sim. É fácil perceber se pensar bem nos motivos que uma pessoa enrolaria alguém – Estendi uma das mãos e comecei a gesticular – A lógica é que essa pessoa quer nos atrasar e manter-nos aqui para encobrir algo.

O homem que havia começado as perguntas assentiu, compreendendo.

– Sendo assim devemos armar algum plano para capturar essa pessoa e voltarmos urgentemente à vila. Eu tenho família e tenho compromissos inadiáveis a resolver.

Assenti, paciente.

– Compreendo. Estou na mesma situação, então farei com que não nos atrasemos – Todos assentiram juntos.

– E então? Qual o plano? – Perguntou o jovem

– Vamos para o nosso acampamento para montarmos uma estratégia – Ordenei, recebendo nenhuma opinião contra, então fui o primeiro a caminhar de volta.

Os três me seguiram mais satisfeitos, todos na minha frente enquanto eu pensava em alguma coisa em meio a caminhada, olhando a floresta sem me focar em um lugar específico. Mas então interrompo meu raciocínio assim que encontro algo por acaso em meio à branquidão da floresta. Paro de acompanhar meus companheiros e vou na direção do alvo de minha atenção, pousado ao lado de um arbusto desfolhado coberto por neve. O estendo na minha frente e então aproximo para o meu rosto para sentir o cheiro. Afasto-o do meu rosto ao sentir o aroma, reconhecendo-o de imediato.

– Kakashi-san? – O mais velho me chamou enquanto caminhava para o meu lado e então seus olhos pousam na mão que eu segurava a delicada pista – Oque encontrou?

Virei o rosto para ele.

– A peça chave para nosso mistério – Respondi, guardando a pista no bolso do colete – Avise aos outros que já sei oque devemos fazer.

---

– Quer dizer que abandonaremos mesmo a missão? – O jovem perguntou enquanto eu colocava minha mochila no ombro.

– Sim. Infelizmente as coisas não deram muito certo, então não temos outra escolha – Dei de ombros, olhando para os outros dois, que já haviam arrumado as coisas na mochila – Estão prontos?

– Sim – Responderam juntos e eu apenas concordei.

– Ótimo! Agora vamos logo – Fiz um sinal para eles e saltei em direção as árvores, sendo seguido por eles logo após.

Saltávamos nas partes seguras dos galhos com neve em direção a vila sem fazer mais perguntas. O vento gelado balançava meus cabelos e me obrigava a fechar o olho para evitar que algo entrasse nele. A máscara que eu usava caiu bem nesse frio para meu conforto, evitando que ele queimasse com o frio.

Agora oque eu mais queria era chegar em casa e abraçar a Mitsue, que com certeza devia estar no mínimo irritada com meu atraso de um dia. Mas acho que ela será capaz de me perdoar quando eu colocar a “surpresa” em ação.

Estava pensando em como faria a surpresa, mas então meus ouvidos ainda alertas captam o barulho forte de passos na neve não tão longe. Paro no galho seguinte e viro o rosto na direção dos passos que continuavam.

– Kakashi-san! Aquele barulho de novo – O jovem me olhou com as sobrancelhas erguidas e então esperou minha resposta.

Olhei para os homens atrás de mim e fiz um sinal positivo.

– Vamos atrás do barulho antes que desapareça de novo – Falei carregado de autoridade e nos lançamos pelas árvores em direção aos passos.

Quando nos afastamos o suficiente de onde estávamos, a silhueta que se escondia surgiu a poucas árvores de distancia com o olhar penetrante onde sumimos.

– E caem no mesmo truque outra vez... – Murmura na sombra da árvore ao seu lado – É realmente decepcionante vindo de alguém como o Kakashi – Deu uma risada – Esperava mais de você.

– Espero que possa compensar toda a minha falta de perspicácia com esta ultima tentativa.

A silhueta perde o ar quando ouve a voz atrás de si e então salta do galho até o chão, pregando os olhos violetas no grisalho que a observava de braços cruzados.

– Você! – Ela simplesmente cuspiu a palavra, tomada por uma ira repentina por ter sido pega no flagra, e então é novamente surpreendida pela aparição dos meus três companheiros, que a cercaram. E então, uma risada medonha é solta pela ruiva ao ver o nosso grupo – Realmente acham que vão me capturar com isso? É preciso mais inteligência para me capturar – E então fez o primeiro selo do seu jutsu de emergência, que se não impedido, poderia espalhar uma neblina venenosa em pouquíssimo tempo, mas eu já previra isso. Eu a conhecia melhor que todos ali para cair num truque que já assisti tantas vezes.

– Ainda não terminamos Arisu – Falei com naturalidade, sem medo de perdê-la, e então recebo um olhar repleto de ira e confusão antes que meu plano se concretizasse.

Antes que ela reagisse de alguma forma, a terra treme em baixo dela e meus cachorros surgem em crateras de variados tamanhos, mordendo os cotovelos dela, suas pernas, calcanhar, cintura, ombros até imobilizá-la completamente.

Ela arregalou os olhos e abriu a boca de leve, olhando de soslaio o cachorro que mordia ferozmente seu ombro esquerdo.

– Que merda... É essa...? – Murmurou, com a voz falha graças a dor dos dentes dos animais cravados em sua carne.

Dei um passo adiante e saltei suavemente de frente para a ruiva imobilizada.

– Estes são meus cães ninja com que eu mantenho contrato e não irão te soltar enquanto eu não ordenar isso – Coloquei uma das mãos no bolso buscando mostrar despreocupação e percebi que funcionou quando a vi ranger os dentes.

Era mais pavio curto que a Mitsue...

– Como diabos você conseguiu ver por trás do truque baka?! Pensei que vocês fossem embora! – Berrou, ignorando o rosnar dos cachorros que apertaram mais as mordidas em suas carnes enquanto filetes rubros escorriam pela pele.

– Isso? Foi graças a um leve descuido seu... – Falei enquanto tirava a pista de antes do bolso e a estendi para que ela visse – Acabei encontrando seu fio de cabelo ruivo na neve por acaso, e parece que foi o bastante para que meus cachorros te farejassem e capturassem.

– Maldito Kakashi... – Grunhiu para mim, com os olhos em brasas.

Guardei o fio de volta para o meu bolso e voltei a olhá-la.

– Sei que deve estar sentindo dor agora... Mas poderia me dizer o motivo de toda essa brincadeira?

Ela cerrou o olhar, cada vez mais irritada com minha calma.

– Eu apenas estava a fim de sacanear com sua cara! Algum problema com isso? – Perguntou em voz alta graças a raiva que escapava de seus poros, me deixando um pouco tenso.

– Sim, muitos problemas – Lancei um olhar sugestivo aos animais e eles apertaram mais a mordida, afundando os dentes pontiagudos em sua pele de modo que o sangue minasse dos furos em sua pele – Mas não quero entrar em detalhes por enquanto... O que eu quero saber é a explicação exata disso tudo.

Ela resistiu, me fuzilando com o olhar violeta claro, e então soltei um suspiro, lançando outro olhar para os cachorros. Desta vez ela solta um grito assim que o cachorro maior perfura de maneira que quase alcança seu osso do braço.

– Melhor falar Arisu – Insisti, menos calmo.

Ela murmurou qualquer palavra de baixo calão para mim e então me olhou diretamente nos olhos.

– Acho que posso falar logo toda essa droga para você. Já deve ter dado tempo de as coisas esquentarem... – Enrolou, me deixando mais alerta que antes para suas intenções – É o seguinte: Konoha está bastante agitada no momento com vários dos chamados “rebeldes” fazendo uma limpeza básica no lugar... Então para que não tenhamos muitos obstáculos, fui escolhida para distrair você com minhas “brincadeiras”. Entendeu sabe-tudo?

Todos os três se inquietaram e toda minha postura tranquila foi por água abaixo assim que aproximei o primeiro passo dela.

– Como assim?! Konoha já está sendo atacada pelos rebeldes?! – Perguntei com urgência.

Mesmo no estado que se encontrava, Arisu revirou os olhos com sarcasmo.

– Não, foram os ursinhos carinhosos que resolveram dar uma passada lá... – Falou com secura e oque restou da minha tolerância se esfarelou.

Não conseguir pensar direito, só sei que minhas mãos já haviam agarrado a roupa dela, erguendo-a sem me importar com os cachorros que ainda a mordiam.

– Não tente tirar sarro da minha cara Arisu – Falei com a voz grave, assustando os shinobis em volta — Porque eles atacaram a vila agora?

– Para tirar a vida da Mitsue — Foi direta, sem pensar em diminuir meu choque.

– Mitsue...? – Soltei as vestes dela, com os olhos pregados onde a pouco ela estava, mas agora a ruiva havia caído no chão e os cães desapareceram do corpo dela, deixando-a com as roupas empapadas de sangue e profundas mordidas.

Arisu se ergueu do chão a muito custo, ficado um pouco curvada graças as dores e então olhou para mim.

– Isso mesmo... A essa altura do campeonato ela deve estar morta Kakashi. Foram muitos rebeldes mesmo. Uma multidão de clones da sua mulher morta – Falou cm rispidez, ainda tendo coragem me enfrentar.

Meu olhar foi para ela, coberto por uma sombra de desprezo.

– Ela não morreu e não morrerá.

– Aé? Como pode ter tanta certesa? – Perguntou, com um sorriso divertido no canto dos lábios.

– É da Mitsue que estamos falando. Ela nunca deixaria nosso filho morrer, não importa oque apareça. Eu confio nela com todas minhas forças, e confiança algo que você nunca será capaz de conseguir e entender com sua personalidade mesquinha – Ela fechou o rosto, mas eu logo me afastei dela, indo em direção ao trio – Vamos para Konoha imediatamente.

– Mas... – O jovem olhou para a ruiva – Vamos deixá-la aqui?

– É oque ela merece – Falei com frieza, irredutível.

Ninguém discutiu mais e nos lançamos para a floresta nevada correndo mais rápido que nossas pernas permitiam. Todos eram capazes de sentir a atmosfera pesada de ira ao meu redor e isso os manteve em silêncio absoluto.

Mitsue!

Era a única coisa que eu pensava enquanto corria.

Vou te alcançar a tempo Mitsue! Prometo.

E teria que ser a tempo, pois neste momento, o pequeno menino já começava a seguir seu caminho para o mundo através das dores e gemidos de sua mãe. Só a Mitsue pode fazer com que o bebê morra ou não agora.

Mas não pode ficar sozinha por muito tempo.

Ele está se aproximando e não irá parar até encontra-la.