Recomeçar

21 Capítulo 21 - Ameaça oculta


Notas iniciais
Yo!
Eu realmente não sei se conseguirei provocar o impacto que eu quero com este capítulo, maaaas eu tentei XD.
Então, não falerei e comentarei mais naaaada. Só vou esperar pelos seus Reviews e/ou pedradas :B
Beeeeijõõões gigantescos a todos os lindos e lindas que leem meus rabiscos!
Ami ~

Três meses.

Para ser mais exata, foram três meses e cinco dias o período em que eu estava grávida, de acordo com a enfermeira que havia me atendido naquele dia, logo após eu ter saído daquela conversa horrorosa com o Hokage. A enfermeira disse que teríamos de esperar mais algumas semanas se quiséssemos ver o sexo do bebê, para que ele se desenvolvesse melhor.

De acordo com meus cálculos, eu já sabia em que época aquilo havia começado, e foi exatamente no dia que eu havia discutido com o Kakashi depois de ele ter me dito os motivos de sair da vila. Fiquei realmente surpresa em o bebê ter saído ileso de todas minhas aventuras depois daquele dia.

Bem, agora vem a parte que mais me desagradou.

Como estávamos em junho, o mês em que se encerra a primavera com chuvas para o mês inteiro, o bebê nasceria no início de Dezembro. E porque eu estaria chateada com a notícia? É que é em Dezembro o dia em que o inverno já estaria no seu esplendor branco e gelado. E para quem não lembra – duvido disso – eu simplesmente não tolero neve. Não gosto e dificilmente irei gostar, já que é no inverno que tudo dá errado para o meu lado. Uma prova disso foi o ser humano grisalho que caiu em cima de mim no meio de uma nevasca, e eu tive que levar – até hoje me pergunto como consegui – para casa, e para encerrar, quando achei que teria descanso a partir dali, descubro que quem eu salvei era ninguém mais que o ultimo ser na face da terra que eu gostaria de ver em minha casa e pior... Na minha frente. Consequencias deste ultimo inverno? Um rosto roxo para o Kakashi e uma mão machucada para mim.

Meu inverno foi ótimo! Mal poso esperar por Dezembro e esperar qual será a próxima tragédia em minha vida – Não me refiro ao bebê -.

Agora que já esclareci tudo que devia esclarecer, vou deixar todos os últimos meses que se passaram e narrar o presente. Acho que o que vocês devem saber sobre estes últimos meses é que foram os melhores que eu podia ter, por exceção de alguns detalhes que entenderão a seguir, então, preparem-se.


Novembro, dia 24 – Cinco meses depois e uma semana e poucos dias antes do grande dia.


Aquele dia estava na sua normal agitação, e então não desviei o olhar do bento que eu acabava de embrulhar com um pano violeta, me assegurando que o pacotinho de pílulas especiais não cairia do nó que fiz, quando o Naruto surgiu com aquele berreiro característico perto da porta da cozinha.

– Kakashi-senseeeei ttebayo! Você me prometeu faz mais de um dia! Você NÃO pode sair nessa missão hoje dattebayo! – Levantei o olhar tranquilamente para a porta aberta a tempo de ver o Naruto – que a propósito, havia crescido muito mesmo, prestes a me alcançar – apontando o indicador acusatoriamente no rosto do Kakashi, bloqueando o caminho dele para ter sua resposta.

Dei um suspiro e voltei a olhar o bento apertando mais o nó do tecido violeta com o saquinho preso a ele, antes de pegar o embrulho e caminhar até perto da porta.

– Eu já disse que lamento muito Naruto... É que está é uma missão realmente urgente. Caso contrário eu não iria – Falou com sua voz neutra, tão acostumado quanto eu aos ataques do Naruto.

– Mas... Sensei... – Naruto abaixou a mão e olhou para os lados, tentando encontrar outro modo de fazer ele ficar ali, e então os redondos olhos azuis se pregaram em mim e ele se virou para o Kakashi, desta vez com o indicador apontado para mim.

– E a Mitsue-senpai?! Vai mesmo deixar ela sozinha por uma semana ttebayo?!

Kakashi soltou um suspiro e virou o rosto para onde o loiro apontava. Lá havia nada menos que eu, com os cabelos presos para trás e um embrulho nas mãos, vestida num vestido azul longo com um avental de cozinha, sendo que havia um grande e definido volume redondo logo abaixo do busto.

Naruto abriu um pouco o seu sorriso ao ver que o Kakashi havia amolecido um pouco ao olhar para mim.

Achando aquilo uma covardia para o Kakashi, caminhei até o Naruto e dei um bom tapa na nuca dele, fazendo-o se afastar do grisalho com a mão no local.

– Ai Mitsue-senpai! Porque você fez isso ttebayo?! – Ele me olhou com os olhos azuis confusos e eu estreitei os olhos para ele, fazendo um rosto cheio de repreensão.

– Para você deixar de ser tão impaciente – Respondi, com a mão que havia dando um tapa dele na cintura – Kakashi já ficou tempo de mais com você e comigo, tentando cuidar de ambos, então tente ser compreensivo. Como ele disse, é uma missão urgente.

O garoto, ou melhor, o rapaz fez um muxoxo e se recompôs.

– Mas quem vai cuidar de você? – Perguntou desta vez com preocupação sincera – Eu mal consigo cuidar de mim mesmo!

Verdade, mas ele tinha feito um bom trabalho apesar disso.

– Não se preocupe com isso, eu posso te ajudar um pouco e não é tão difícil – Soltei a cintura e abri um sorriso – E logo isso vai acabar, então relaxe.

– É por isso que vou ficar fora apenas por uma semana e se tudo correr como eu planejei, posso voltar antes – Kakashi saiu de onde estava e se pôs do meu lado – Mas, acho que oque o Naruto disse é importante, então vou te perguntar pela ultima vez...

– Eu vou ficar bem – Respondi de pronto, já sabendo qual era a pergunta e me virei de frente para ele – Deixe que eu vou estar bem protegida... Tenho impressão que toda essa sensação de estar sendo observada é culpa do Hokage, então, relaxe.

Ele concordou com a cabeça e tocou meu queixo.

– Olhe, você me deu sua palavra, então me espere em segurança até que eu chegue, certo?

– Claro que sim, dei a minha palavra – Abri mais um sorriso e estendi o embrulho violeta com o saquinho – Sei que isso não vai durar muito, mas pelo menos vou estar certa que você se alimentou decentemente por um dia, e... Tem uma pequena ajuda para quando precisar – Apontei para o saquinho e ele pegou o embrulho, levantando o saquinho com as pílulas para dar uma olhada.

Kakashi deu uma risada repentina e eu curvei as sobrancelhas.

– Oque tem nesse saquinho que é tão engraçado ttebayo?! – Naruto surgiu do meu lado, com os olhos atentos no pequeno embrulho preso no nó do tecido violeta.

– É que... Isso me lembra o bento que a Mitsue me deu quando éramos pequenos, ele tinha o mesmo saquinho preso a ele – Estendeu o bento para que o loiro observasse melhor e eu logo me lembrei daquele dia.

– Ah... Você se refere ao dia em que recusou o bento que eu passei a manhã fazendo, dizendo na minha cara que era algo inútil? – Perguntei com certa ironia e Kakashi deu uma risadinha de desculpas enquanto passava a mão pela nuca.

– Eu ainda era cabeça dura naquela época...

– Não brinca? Por pouco eu não te dou um soco inesquecível naquele dia de tanta raiva que senti, só não dei por causa do Mina... – Segurei a fala e dei uma olhada para o Naruto –... O seu sensei – Repuz a fala na frase e o loiro olhou para nós um pouco confuso.

Mas para o nosso alívio, ele não percebeu nada.

– Ah! Então quer dizer que você recusou o bento da Mitsue-senpai? Você era uma pessoa horrível Sensei...

– Nem me lembre disso – Revirei os olhos enquanto dizia.

– Mas eu acabei ficando com ele e acredite, foi de grande ajuda, principalmente as pílulas que usei durante a guerra – Kakashi sorriu e recolheu o embrulho colocando-o num bolso fácil da sua mochila e então voltou a se virar para nós – Agora eu tenho que ir. Sou o líder da missão e é bom que eu não me atrase.

– Nossa, Kakashi querendo ser pontual num encontro. Deve ser importante mesmo – Falei num tom brincalhão e então voltei ao tom normal – Estou brincando, boa sorte na missão Kakashi.

– Obrigada, eu já volto, ok? – Ele se inclinou e depositou um beijo na minha bochecha e então se abaixou um pouco e beijou minha barriga – Tchau carinha, segura até eu chegar – Eu dei uma risada com aquilo e segurei a mão dele

– Deixe que nós te acompanhemos até o jardim – Falei ainda sorridente e ele assentiu, apertando minha mão.

Nós quatro – Vocês entenderam... – fomos até o lado de fora e eu soltei a mão do grisalho que já se dirigia para a portinhola do quintal.

– Até mais Naruto, prometo que treino com você depois que eu voltar.

– Sério ttebayo?! – Naruto se animou do meu lado e ele assentiu – Isso! – Desceu o punho com um sorriso e logo acenou para o grisalho – Até Kakashi-senseei!

E então ele sumiu numa fração de segundos da portinhola e o loiro abaixou a mão, rindo animadamente do meu lado só de pensar no treino.

– Yoooshi! – Naruto se virou para mim com as mãos na cintura e um grande sorriso – Vamos para dentro Mitsue-senpai?! Eu vou fazer um Lámem muito bom para nós dois ttabayo!

Ri do rosto dele e neguei com a cabeça.

– Daqui a pouco eu vou para dentro, pode ir na frente.

– Haai! – E logo sumiu pela porta, cantarolando alguma coisa esquisita.

Desviei o olhar de onde ele sumiu e fui para o canteiro de tulipas num dos lados do quintal. Parei de andar de frente para ela, apoiando uma das mãos de forma instintiva na barriga enquanto olhava para o canteiro.

Várias das tulipas já haviam murchado, mas uma ainda se mantinha de pé, aberta de modo que suas pétalas amarelas brilhassem com os poucos raios de sol daquele céu nublado de Novembro, mas desvio minha atenção da tulipa sobrevivente quando ouço um discreto barulho acima de mim, que por pouco passa despercebido pelos meus ouvidos.

– Olha, eu já sei que você está atrás de mim, então poderia fazer o favor de descer? – Perguntei da maneira calma, até que ouço o leve barulho de algo pousando na grama que já estava secando e me viro para trás.

O homem fica parado em seu lugar enquanto olho para ele, mas não consigo ver seu rosto graças a máscara característica de certa organização...

– Agora posso compreender o motivo do Hokage ter pedido para sermos tão discretos com você – O ANBU falou com a voz um pouco abafada pela máscara.

– Então tem mais de vocês me vigiando durante esses últimos meses? – Ele fez nada, mas acho que a resposta já era óbvia de mais e então soltei o ar pela boca de forma sonora e preguei os olhos neles – Posso saber pelo menos o motivo dessa vigilância? Tenho que dizer não sou muito fã em ser observada por estranhos, muito menos por pessoas da ANBU.

– O Hokage achou que era necessário devido as circunstâncias atuais.

– E oque seriam as “circunstancias atuais”? – Perguntei com uma calma que desconhecia, mas quando ele permaneceu em silêncio, minha calma foi levemente abalada – Pelo amor de Deus, vocês estão acabando com minha privacidade por todo esse tempo então eu acho que tenho o direito de saber pelo menos o motivo disso!

– Acho que você já sabe a que me refiro, Terasu-san – Falou com extrema calma e eu fiquei quieta, esperando por mais – Diante do sério risco que sua vida e a do bebê corre por causa dos rebeldes, principalmente seu líder que tememos ser o Lance, é realmente necessário que a escoltemos, mesmo que não perceba isso.

A mão em cima de minha barriga se contraiu ao pensar nos riscos que meu filho sofria e eu melhorei a expressão, concordando pela primeira vez com oque um ANBU me dizia.

– É... Acho que está correto até este ponto, mas quero pedir uma coisa a vocês.

– O que seria?

– Enquanto estiverem me escoltando, tentem ser mais discretos que agora a pouco para que eu não perceba e acabe perdendo a paciência.

– Certo. Agora, se me da licença – Ele se curvou por um momento, e no outro, desapareceu da minha frente sem um barulho se quer.

Andei a passos cuidadosos até a porta de casa para não correr o risco de cair ou algo pior quando eu sou surpreendida pelo estrondo de um trovão que ecoou ao meu redor, e me apressei para dentro de casa, sentindo dentro de mim que não fui a única a me surpreender com o barulho. Bati a porta atrás de mim e abracei minha barriga, sentindo o inicio de uma contração. A primeira daquele dia.

Soltei um arfar pesado quando a contração aumentou e inclinei mais o corpo. Bem a tempo, o Naruto surge na porta da cozinha atraído pelo barulho da porta da sala e logo corre na minha direção com os olhos azuis presos em mim.

– Mitsue-senpai!

Respiro fundo em meio a dor que parecia só aumentar e falei entre dentes.

– Me leve até o sofá Naruto... Agora.

Ele assentiu, e um pouco atrapalhado, me ajudou a levantar, mais nervoso a cada careta de dor que eu fazia, mas de algum jeito conseguiu me levar ao sofá de modo que eu pudesse sentar e conseguir uma posição confortável para a contração diminuir.

Naruto ficou estático do meu lado, atônito, apenas olhando para mim até que minha expressão voltasse ao normal, e depois de alguns momentos, a contração finalmente alcançou seu fim, me fazendo respirar de alivio ao mesmo tempo que o Naruto.

Abri um dos olhos, que estavam cerrados momentos antes e olhei para o loiro. A expressão dele estava congelada em mim, como se estivesse parado no tempo. Mordi o lábio imediatamente assim que senti que soltaria uma gargalhada com o rosto de pavor dele, mas não adiantou, pois comecei a rir assim que ele caiu na poltrona atrás dele, colocando a mão no rosto.

– E-Eu pensei que... Pensei que você estava em trabalho de parto ttebayo... – Naruto gaguejou enquanto eu ria no sofá e então ele fez uma careta para mim – Para de rir Mitsue-senpai! Você me assustou!

Soltei mais algumas risadas antes de me obrigar a parar e olhei para ele.

– Me desculpe... Mas o seu rosto de pavor era igualzinho a que o Kakashi fez na mesma situação – Soltei mais risadas ao me lembrar do grisalho e então parei de rir definitivamente.

– Isso não é engraçado – Disse de braços cruzados – Por um momento você parece estar com muita dor e então começa a rir de mim ttebayo... Isso não é legal.

Me arrumei melhor em meu lugar e olhei para ele.

– Mas dói mesmo. E parece que a dor é pior a cada dia – Falei com mais calma e então ele descruzou os braços.

– Então para que serve essas contrações além de dar sustos em mim? A gravidez devia ser algo bonito dattebayo!

– E é algo bonito, mas eu não sei o propósito dessas dores... – Pensei um pouco, deixando a frase no ar por um momento até que me lembro de algo e abro um meio sorriso – Quer saber? Eu tenho uma boa teoria.

– Qual dattebayo?! – Naruto se inclinou para mim com evidente interesse.

– Talvez essas dores acontecem para preparar a mulher para a pior das dores de uma gravidez: O parto. Já pensou como seria se a mulher se sentisse completamente confortável e quando chegasse a hora, de repente ela sente aquela dor dos infernos como se toda a geração seguinte quisesse sair de uma vez de dentro de você? — Falei aquilo com tanta normalidade que chegou até a ser hilário.

Naruto deu algumas risadas e então concordou.

– Parece ser uma boa teoria!

Estou prestes a concordar quando um barulho esquisito e alto vem da cozinha.

– Naruto... Você não estava preparando o lámen agorinha? – Perguntei devagar e então as mãos dele foram para a cabeça.

– DROGA! Eu esqueci do lámen...! Já volto Mitsue-senpai!! – Ele saltou da poltrona e correu até a cozinha como louco, me deixando ali sozinha.

Fiquei rindo sozinha ali com o jeito atrapalhado dele, sem ao menos notar que os primeiros flocos do inverno começavam a cair pelo jardim do lado de fora, e entre os flocos que caiam, um pouco longe da casa, uma pessoa estava a espreita, observando a casa há algum tempo.

A pessoa que estava sentada de forma despreocupada no telhado se levantou, dando uma rápida olhada no relógio de pulso.

– Quatro e vinte... – Murmurou as horas para si mesma e começou a caminhar para os limites do telhado, com o vento gelado do começo do inverno esvoaçando sua túnica para trás.

Já na ponta do telhado, pronta para saltar quando quisesse, ela virou o rosto para a casa mais uma vez e bufou.

– Parece tão feliz... Tão despreocupada Mitsue... – Murmurou, apertando os olhos para a casa – Se bem que acho que isso está certo. É bom guardar momentos felizes para si ao lado de quem se ama, para que quando chegue o dia em que tudo acabará de uma vez, você pelo menos não se arrependa de não ter aproveitado a vida, como sempre fazem as pessoas antes de morrer – Sua voz saiu ríspida, estranho para a personalidade que havia acostumado ás pessoas que a conheciam. E então um vento forte, diferente da brisa gelada, passa de surpresa por ela e faz com que o capuz que lhe cobria a face caia atrás dos ombros e sua túnica esvoace ainda mais para trás junto com os fios ruivos de cabelo, agora soltos, dando uma aparência letal a pessoa em cima do telhado – Aproveite Mitsue... Faltam apenas alguns dias para que tudo suma de uma vez – Ela virou o rosto para frente, onde Kakashi e o resto das pessoas que o acompanhavam tinham acabado de sair dos portões depois de terem se reunido ali, e então um sorriso sombrio lhe cobre a face – Cuidarei para que seu amor se ocupe bastante na sua grande missão, para que quando voltar, tenha uma trágica surpresa.

E então saltou em direção aos portões, se assegurando de por o capuz no rosto para que não houvesse acidentes, e começou sua missão em direção ao grisalho que se afastava cada vez mais da vila.

O grisalho exibia um sorriso que os ninjas com ele ainda não haviam percebido, com os pensamentos ainda na vila enquanto pensava na grande surpresa que faria para mim quando voltasse. Uma das razões que aceitou a missão repentina que oferecia um gordo pagamento, para conseguir o resto dos poucos Ienes que havia deixado em débito com um velho amigo dele, dono de uma modesta joalheria na vila, e terminar de pagar o “pequeno presente” guardado com cuidado num lugar escondido junto com ele, e assim realizar o maior dos seus desejos e começar uma nova vida.

Uma nova vida que não veria seu início se não voltasse rápido para impedir algo catastrófico que tinha sua mira voltada a apenas uma vila e a uma pessoa...