Recomeçar
17 Capítulo 17 - Quando pensa q não podia ser pior...
Notas iniciais
Falarei naaaada sobre esse capítulo para não deixar pistas HE HE, somene vou esperar pela reação de vocês nos Reviews!
Bjks!
Ami ~
- É oque ouviu. Temos ordens para exterminar Terasu Mitsue de Konoha a qualquer custo – Rika ergueu mais a Katana na minha direção – E é isso que faremos.
- Droga... Era oque me faltava – Disse entre dentes o grisalho que logo se pôs na minha frente com uma kunai em cada mão – Não pensem que será tão fácil assim. Se depender de mim vocês não irão triscar num fio de cabelo dela.
Kiseki olhou de cara feia para o Kakashi, e seus olhos estreitaram mais a partir daí.
- Você... Sinto o mesmo chakra dela em você, mas vocês não parecem ser irmãos – Ele estreitou mais os olhos — São completamente inversos um ao outro.
Um dos caras de olhos negros atrás deles deu uma risada, colocando uma das mãos na cintura.
- Não me diga que vocês fizeram transferência direta do chakra... – Deu mais uma risada – Você realmente é forte para aguentar o nosso chakra cara, tenho que reconhecer.
Arisu revira os olhos, impaciente.
- Afe, vocês são um monte de faladores ambulantes mesmo! Não terminam nunca?
Olhei a Arisu com as sobrancelhas curvadas de confusão, e então percebo o quanto a expressão dela é despreocupada. Aquilo me assustou um pouco.
Porque ela não parecia nem um pouco surpresa com a aparição deles?
Porque tanta calma?
Meus pensamentos logo desaparecem com um forte estrondo e eu sou lançada para trás por uma curta distancia. Sento-me no chão com os braços tremendo graças ao susto e então enxergo a Rika exatamente no lugar onde eu estava com o Kakashi completamente chocado na sua frente com os olhos arregalados.
- Já que insiste... – Disse devagar a garota para a Arisu, que já olhava com certo espanto.
Levanto do chão de modo rápido e seguro a kunai na sua direção, sentindo o tremor nos braços diminuir progressivamente. Antes que o Kakashi pudesse ter uma reação rápida contra a garota, ela volta a desaparecer e em seu lugar surge o Kiseki, o olhando com o olhar de aço.
- Deixe-as. Sua luta por enquanto é comigo – Ele disse com a voz grave de volta.
Rika parou mais perto de mim, frente a frente, e eu cerrei os olhos outra vez.
- Por que querem me matar? – Perguntei.
Ela deu um suspiro cansado, com se não estivesse a fim de dizer aquilo e deu de ombros.
- Você ama falar... Mas para resumir tudo, você é uma pedra no nosso sapato que temos que tirar o mais rápido possível antes que nos machuque. Então me desculpe por querer fazer isso sendo você uma de nós, mas é necessário.
Desta vez eu pude ver quando ela avançou em mim, e eu bloqueei com minha kunai o ataque de sua lamina, mas tenho que dar um passo para trás de tanta força que ela coloca sobre a minha kunai, então soube que não tinha outra escolha a não ser usar o meu chakra.
- Genzai no hono jutsu – Murmuro baixinho enquanto concentro a chama violeta dentro de mim e a libero pelos poros de modo que ela me envolva completamente.
As labaredas repentinas de chakra violeta pegam minha adversária desprevenida e elas avançam dos meus poros até ela. Rapidamente sinto sua lamina parar de pressionar a minha e a garota me encara a três metros de distancia de onde a chama de chakra me cobria.
- Que tal igualarmos as coisas? – Perguntei a ela, sentindo um sorriso se formar no canto dos meus lábios enquanto ergo minha kunai e coloco a palma da minha mão por cima dela, concentrando o chakra na lâmina.
Do modo que eu queria, misturei meu elemento vento na lâmina, fazendo que meu chakra violeta e o elemento vento se fundissem e uma lâmina de chakra violeta comprida se formou a partir da minha kunai e fiz uma katana de chakra que era sólida graças a corrente de vento que passava nela, tornando-a mais cortante que uma katana normal, então a katana dela não seria capaz de atravessar a minha.
Apertei o que antes era uma kunai e corri na direção dela com minha katana improvisada em mãos. A garota cerrou os dentes e correu na minha direção também com a sua katana normal e as duas se chocaram fazendo que a área do choque brilhasse graças ao chakra. Nós duas saltamos para trás, e então voltamos a investir, mas eu fui mais rápida, desviando do primeiro golpe e lancei minha katana de chakra perto do rosto dela. A garota se transformou num borrão quando estava prestes a cortá-la, e quando parou na minha frente novamente, mesmo sem a minha lâmina ter atingido a pele dela, a sua bochecha sangrava com um corte longo feito pelas rajadas de vento da minha katana.
- Consegui – Sorri, satisfeita pelo meu improviso ter funcionado perfeitamente bem.
A Rika que estava na minha frente riu de leve.
- Certesa? – Abriu mais um sorriso para mim e então seu corpo desapareceu como fumaça.
Meus olhos cresceram imediatamente.
- Kage Bushin?!
Imediatamente, senti a presença dela atrás de mim, mas antes que eu me virasse, a Katana dela atinge o meu ombro em cheio e o atravessa, deixando a ponta para fora coberta com meu sangue rubro.
Cerrei os dentes, segurando o grito de dor que queria aparecer, mas então me lembro que ainda tinha o chakra ao redor do meu corpo. Aumentei o fluxo de chakra e aumentei as chamas que me cobriam, acertando a garota atrás de mim de modo que ela soltasse um grito e se afastasse com sua espada, retirando-a de uma vez do meu ombro.
Solto um arfar alto de dor e cubro o buraco em meu ombro com a palma da mão, sentindo o sangue rubro escorrer pela minha mão e ensopar minha roupa.
Kakashi que já começava a se desgastar com sua luta, ficou alerta quando viu o sangue escorrer do meu ombro.
- Merda! – Falou em voz alta no instante em que Kiseki já investia nele.
Kakashi encarou o jovem com as sobrancelhas unidas e levantou a bandana que cobria seu olho direito, abrindo o sharingan assim que ele estava prestes a golpeá-lo como punho. Com seu olho amostra, Kakashi bloqueou o ataque com a própria mão, segurando o punho dele e lançou um chute no meio de seu estômago, lançando o homem à alguns metros a frente. Sem perder tempo, ele saltou na direção da minha oponente, dando um soco no seu abdômen quando ela ainda não o tinha visto. Rika perdeu o ar tamanha a dor que sentiu e caiu no chão enquanto cobria seu abdômen com os braços.
- Rika! – Kiseki surgiu na nossa frente, com o rosto coberto de raiva pela sua parceira caída e quando ele estava bem próximo de mim, tirei a mão do buraco em meu ombro e o segurei pelo pescoço assim que tenta passar do meu lado para o Kakashi, e com um só movimento, desci minha mão no seu pescoço até o chão, fazendo com que sua nuca e suas costas se afundassem no chão da floresta.
Ele me olhou de olhos arregalados, sem que eu tirasse a mão do seu pescoço que agora estava manchado com o meu sangue e eu o encarei com os olhos mais claros que nunca.
- Porque querem me matar? – Perguntei pela ultima vez, completamente irritada e quase no fim de minhas forças.
- Por que... Ele disse... Que você atrapalharia... Então mandou... Que... A eliminássemos... – A fala dele saiu rouca e pausada por causa de minha mão no seu pescoço.
Aproximei mais meu rosto dele, ignorando a dor enorme em meu ombro.
- Quem é “ele”?
Ele se manteve quieto, começando a ficar roxo por falta de oxigênio.
- Quem é?! – Perguntei mais uma vez em voz alta.
Os olhos dele se apertaram, e a voz saiu com mais dificuldade que antes.
- Um... Homem que... Odeia você... Pelo oque você fez a ele...
Eu estava prestes a perguntar por mais, mas então uma crise de tosse toma a minha garganta e eu tiro a mão do pescoço dele, levando as mãos até a boca.
Kiseki se senta imediatamente e começa a tossir violentamente ao mesmo tempo que tenta respirar.
Kakashi abandona a mulher que acabara de golpear pelo pescoço para deixá-la inconsciente e corre até mim, sendo que eu não parava de tossir.
- Mitsue!
Assim que o ouve, Kiseki se afasta imediatamente com parte do fôlego de volta e some dali. O grisalho fica agachado no lado onde eu fui atravessada pela katana e pega rapidamente o Kit de primeiros socorros que sempre carregava consigo.
- Se mantenha quieta Mitsue – Pediu com certa autoridade na voz e eu assenti parando de tossir tanto.
Ele rasgou o tecido em volta da ferida, deixando meu ombro ferido e sujo de sangue exposto. Olhei para o rosto dele e vi que ele fez uma careta para a ferida grande no meu ombro e começou a cobrir os dois buracos no meu ombro com algodão macio antes de passar uma faixa de curativo ao redor do ombro. Quando terminou o serviço, cortou a faixa com os dentes e fez um nó para que não se desfizesse. Seu olho negro finalmente pousou em mim, repleto de preocupação.
- Pode se levantar?
- Sem problemas – Dei um sorriso frouxo e apoiei o braço bom no chão para me levantar um pouco cambaleante. Ao me equilibrar, me virei para ele e falei – Você sabe onde está a Arisu?
- Ela estava lutando com aqueles quatro caras agora a pouco...
Mal termina a frase e ouvimos duas pequenas explosões perto de nós. Uma na direção de onde minha adversária estava caída e outra na direção oposta, onde toda a briga havia começado.
Corri na direção do inicio da briga sem hesitar, pois sabia que a Arisu estava lá, e foi então que descobri que as explosões eram bombas de gás que foram ativadas, cobrindo as duas áreas com uma fumaça mal cheirosa sem fim. Entrei na fumaça sendo seguida pelo Kakashi e tentei encontrar alguma coisa entre ela, mas vendo que aquilo era inútil, fiz um pequeno selo com as mãos e induzi o vento a rodar ao meu redor e afastar de modo rápido a fumaça.
Com a fumaça diminuída, encontrei a Arisu de joelhos no chão, com um leve corte numa das pernas. Como não estava em condições de me abaixar e ajudá-la, lancei um olhar sugestivo para o Kakashi e ele rapidamente se dirigiu a ruiva, erguendo a mão para que ela levantasse.
Enquanto ele cuidava da Arisu, me dirigi para o outro ponto onde tinha a fumaça e fiz a mesma coisa que antes para dissipar a fumaça. Do mesmo jeito que antes a fumaça desapareceu, mas não havia mais nenhum sinal da minha adversária por ali.
- Eles sempre somem... – Murmurei, pensativa.
- Ei Mitsue! – Me virei para trás e vi a Arisu correr na minha direção – Oque aconteceu com o seu braço mulher?!
- Eu... A Katana da garota acabou me atravessando...
Os olhos violeta claros da ruiva se estreitaram e ela fez uma cara feia.
- Não dá para acreditar. Eu já estava derrotando o ultimo daqueles quatro esquisitos e você mal conseguiu derrotar uma garotinha? – Ela bufou – Tinha mais expectativas em relação a você Mitsue.
Fiquei levemente corada, e cocei a nuca com o braço bom.
- Foi mal... Acho que eu ando meio fora de forma – Admiti com um sorriso de desculpas.
- Melhor você começar a treinar mais, ou então sempre precisará de alguém para te defender.
- Eu sei disso – Concordei, tirando a mão da nuca – Vou começar a treinar assim que chegar na vila. Provavelmente com o Yuuto.
- Ei vocês duas – Kakashi surgiu por trás da Arisu e ambas olhamos para ele – Melhor voltarmos para a pousada para tratar os ferimentos e mandar um relatório para a vila o mais rápido possível.
Assenti com a cabeça.
- Tem razão. Melhor nos apressarmos e chegarmos lá o quanto antes.
Arisu deu um meio sorriso, também concordando.
- Vamos logo então! – Disse a ruiva pouco antes de saltar na direção das árvores.
- Ela não toma jeito... – Kakashi murmura para si mesmo e então salta também e eu o acompanho logo atrás.
Pousamos nos galhos das grandes árvores características do país do fogo e fomos o mais rápido que podíamos para cumprir com nossa missão e poder voltar para casa.
Tento seguir o caminho num ritmo rápido, mas o meu ombro protesta mais a cada passo nos galhos, e meu corpo dava os primeiros sinais de que precisava de descanso.
- Será que usei chakra demais àquela hora? – Perguntei a mim mesma, arfando levemente por causa da dor.
Arisu olha para trás a fim de checar se eu estava bem, mas quando vê o meu rosto suado, minha respiração pesada e a ferida feia no meu ombro, se aproxima do grisalho e pergunta em voz baixa:
- Hey Kakashi, não acha melhor um de nós carregarmos a Mitsue? Parece até que ela vai desmaiar a qualquer momento.
O grisalho vira a cabeça para mim e aperta de leve os lábios.
- Tem razão... Melhor eu carregá-la pelo menos até a pousada e a deixar descansar lá para podermos sair daqui logo.
Arisu concordou com a cabeça.
- Tudo bem, mas acho melhor você se apressar antes que ela...
Quando os dois ouvem o barulho alto de algo se quebrando, seus rostos voltam para mim bem a tempo de ver parte da casca grossa do galho onde eu estava se soltar embaixo dos meus pés e meu corpo tombar para frente como uma folha de papel caindo ao chão. Kakashi para de correr e se joga na direção que eu caia com seus braços abertos, chegando ao chão a tempo de me segurar em seus braços.
-... Caia – Arisu completou sua frase com um suspiro e desceu até nós.
Assim que ficou do lado do Kakashi, ela se deparou com o meu corpo desmaiado, porém, ainda respirando com dificuldade.
- Precisamos levá-la a pousada agora Kakashi.
Ele concordou de leve, dando mais uma olhada no meu rosto brilhante de suor antes de plantar um beijo na minha testa e voltar a correr na direção da pousada comigo em seu colo.“Isso é mal...” O grisalho pensou enquanto corria comigo “A Mitsue nunca foi de cair tão fácil por causa de uma ferida destas, e tem mais...” Ele abaixou os olhos para mim, vendo minha respiração pesada e aparência cansada “Ela está se cansando muito rápido” Completou, juntando as sobrancelhas de preocupação.
- Oque está acontecendo com ela Kakashi? – Arisu perguntou de repente, notando as mesmas coisas que ele.
- Não sei, mas ela está estranha de mais nos últimos dias. Não tem sido a mesma – Falou em voz baixa, com medo de me acordar ou algo do tipo.
Pela primeira vez desde que chegamos nessa vila, Arisu esqueceu sua briga com o Kakashi e começou a se focar em mim.
- Não tem nenhuma suspeita? O Dr. Mairu deve ter alertado alguma coisa.
Kakashi se calou para pensar um pouco, relembrando sua ultima visita ao hospital quando eu tive uma infecção alimentar.
- Eu acho que isso tem a ver com aquela técnica que vocês usaram para me manter vivo. O Mairu disse que o corpo dela está mais frágil que antes por causa da técnica.
Arisu assentiu de leve, e baixou os olhos para o chão, sem se focar em algo já que corriam.
- Ela realmente abriu mão de muita coisa por você... – Ela virou o rosto para ele – Acho que você talvez seja um cara que valha a pena. Caso contrário você estaria morto.
- Por mais que eu discorde de muita coisa que venha de você, isso deve ser verdade – Arisu se assustou quando notou que ele sorria por baixo da máscara por causa dela – Então, acho melhor eu cuidar dela com todas as minhas forças se eu quiser recompensá-la.
- Verdade, sem contar que você deve um pouco a mim, né? – Ela abriu um sorriso brincalhão, esperando a resposta áspera dele, mas para o seu choque, ele assentiu de leve com a cabeça.
- Vou tratar de cuidar disso também.
- Hã... Tudo bem, eu realmente não me importo com isso... – Falou com a voz surpresa.
- Não se preocupe Arisu. Eu tenho uma dívida com você e estou disposto a pagar você, então não recuse.
- Ok... – Ela voltou a olhar o caminho a sua frente, levemente abalada com o novo tratamento que ele dava a ela.
“Todo mundo está estranho hoje em dia...” Pensou ela, com um sorriso discreto.
Pouco tempo depois o trio, ou melhor, a dupla com a mulher inconsciente, chegou na pousada, se apressando em entrar e procurar a senhora para cuidar de meus ferimentos. Arisu foi quem a encontrou.
- Com licença senhora! – Arisu surgiu na cozinha onde ela preparava o jantar dando um leve susto nela.
- Oh meu Deus! Oque é que aconteceu senhorita? – A idosa apagou o fogo das panelas e se aproximou dela.
- Precisamos urgentemente da ajuda da senhora, por favor, venha comigo – Fez um sinal para que a velha senhora a seguisse e subiu até os quartos com a senhora confusa atrás de si.
Quando elas entraram em meu quarto, ninguém precisou explicar nada a senhora, pois ela se dirigiu até mim imediatamente ao me ver naquele estado.
- Meu Deus! – Voltou a exclamar, enquanto passava a mão pelo o meu rosto a fim de afastar meus cabelos do rosto suado – Oque aconteceu com ela?
O grisalho que estava sentado do meu lado já ia explicar de modo que não chocasse a senhora de idade, mas Arisu se adiantou.
- Ela foi perfurada por trás pela lâmina de uma espada.
Kakashi lançou um olhar de reprovação para a Arisu ao notar o rosto de espanto da senhora, e ela revidou o olhar como se dizia “Oque mais eu podia fazer idiota?!”.
Ao contrario do que todos ali pensavam, a senhora não se preocupou em perguntar o porque de eu ter sido apunhalada por trás, ela apenas se virou para a Arisu e pediu numa voz amena:
- Será que poderia trazer um pouco de gaze, alguns panos, água e gelo?
Arisu assentiu imediatamente.
- Eu tenho a maior parte disso comigo, então deixe que eu consigo o resto – E sumiu pela porta.
A senhora voltou a mim e começou a retirar a bandana violeta da minha testa.
- Deixe que eu guardo isso – Kakashi estendeu a mão e a senhora entregou a bandana a ele.
Enquanto ele se levantava e colocava a bandana perto da minha mochila a senhora disse:
- Você se importaria de esperar do lado de fora meu rapaz?
Kakashi se virou para ela.
- Tem algo que eu não posso ver?
A senhora abriu um leve sorriso e então disse com palavras cuidadosas:
- É que eu terei que expor toda a pele dela para conseguir tratar a ferida, então acho que eu e sua outra parceira podemos cuidar de tudo a partir daqui.
- Ah! Entendi – Kakashi deu um sorriso de desculpas e se dirigiu até a porta.
Lógico que ele não via problemas em ficar ali, pois não encontraria nada que não já tenha visto, mas preferiu obedecer a ela já que seria estranho ter um homem ali apesar da intimidade comigo.
Quando ele saiu, Arisu surgiu no corredor com as mãos completamente ocupadas com uma bacia de água numa das mãos e todo o resto dos outros materiais na outra.
- Porque está ai fora? – Perguntou antes de entrar.
- Parece que terá coisas que não poderei ver a partir daí.
Arisu ficou um pouco perdida com aquilo, mas quando ouviu a palavra “coisa” somente uma “coisa” surgiu na mente levemente impura da ruiva.
- Ahh! – Ela abre um meio sorriso malicioso – Entendo oque quis dizer... Mas acho que todo esse cuidado é inútil para você, não é Kakashi?
O rosto do homem enrubesceu de leve e então Arisu soltou uma risada enquanto entrava no quarto.
- Aproveita que está sem fazer nada e faça o relatório, eu cuido das coisas por você. – Disse com algumas risadas antes de fechar a porta com o pé.
Dentro do meu quarto, Arisu colocou as coisas de modo que ficasse perto da senhora e ela agradeceu de leve. Arisu se sentou no lugar onde o Kakashi estava e fez uma careta ao ver que o sangue havia sujado tudo por baixo da camisa que agora cobria apenas minha barriga.
- O corte foi feio – Ela murmurou, enquanto a senhora terminava de tirar o curativo feito pelo Kakashi agora encharcado de sangue e revelava o buraco horrível no meu ombro.
A senhora pegou um dos panos e os mergulhou na bacia com água, tirando o excesso de água de dois deles e entregou um para a Arisu.
- Poderia limpar as manchas de sangue fora da área do corte enquanto eu cuido dele? – Pediu gentilmente e sem opções, pegou o pano embebido de água.
A senhora começou a limpar a ferida no meu ombro enquanto Arisu limpava meu braço com certa dificuldade, pois o sangue não parava de escorrer novamente por onde tinha limpado.
Quando a mulher limpou os buracos nas minhas costas e no meu ombro, ela pegou uma pequena caixinha em seu bolso com linha e uma agulha e começou a costurar primeiro o buraco em minhas costas, enquanto a Arisu segurava a parte o meu ombro bom para que eu não caísse. No primeiro contato da agulha na minha pele, meus olhos se abriram de repente provocando um susto na Arisu e eu soltei um gemido de dor.
- Agora que você resolveu acordar Mitsue?! – Arisu reclamou, se recuperando do susto.
- Oque está acontecendo? – Perguntei enquanto sentia novamente a agulha me espetar por trás.
- Estamos tentando cuidar dessa ferida horrível que você conseguiu – Arisu esclareceu, soltando meu ombro de leve enquanto eu me apoiava com o braço bom.
- Então o Kakashi deve estar fazendo o relatório agora – Conclui.
- É – Concordou sem muito animo.
Selei os lábios para controlar melhor o impulso de gritar de dor ao sentir minha pele inflamada ser puxada e me sentei de forma que ficasse melhor para a senhora atrás de mim. Ao ver minha camisa manchada de sangue caída na minha barriga, segurei-a e levantei mais um pouco de modo que cobrisse meus seios. Quando os dois buracos foram fechados com a linha, a senhora colocou gaze nos buracos fechados e cobriu meu ombro novamente de faixa curativa.
No final de tudo, a senhora preparou um futôm limpo para mim e trocou minhas roupas, pondo um pijama leve que encontrou na minha mochila enquanto Arisu saia com os panos encharcados de sangue e água dentro da bacia que agora tinha a água avermelhada e mal cheirosa.
Enquanto a senhora me ajudava a vestir a calça longa do pijama, ela deu mais uma olhada no meu ferimento tratado e perguntou:
- Sente algo mais querida?
Dei um sorriso gentil para ela antes de responder.
- Eu só estou me sentindo um pouco molenga... E tenho que admitir que isso é estranho.
- Oras, porque é estranho? Você acabou de ser cortada.
- Eu sei, mas eu já me acostumei a isso já que tive ferimentos piores antes e nem assim eu me sentia tão mole como agora.
- Sério? – Ela deixou a camisa do pijama de lado e colocou a palma da mão na minha testa – Hm... Parece que está febril Mitsue.
- Estou doente?! – Pergunto com a voz mais elevada. Era só oque me faltava hoje.
- É provável – Ela sorriu para me acalmar e me vestiu com a camisa – Deite no futôm por agora.
Assenti e fui até o futôm, me enfiando dentro dele com cuidado para minha ferida não doer. A senhora sentou-se do meu lado com um termômetro nas mãos – não me pergunte de onde ela tirou isso – e colocou debaixo do meu braço bom.
- Quero que me diga tudo oque tem acontecido de anormal com você, e quando digo tudo é tudo mesmo.
- Bem... Como eu disse, ando me cansando rápido, sentindo essa moleza. Meu apetite tem ficado maior que do que normalmente é – Sorri de leve, lembrando das broncas que o Kakashi me dava por exagerar – Eu não sei se isso entra na lista, mas eu tive uma intoxicação alimentar a dois dias atrás, outra coisa que é estranha pois raramente tenho doenças e eu ando aumentando de peso... Ah, isso deve ser consequência do meu apetite – Dei de ombros.
- Só isso?
- Sim, pelo menos é oque eu lembro.
A senhora tirou o termômetro do meu braço e olhou a temperatura, fazendo um rosto preocupado em seguida.
- Parece que você está com 38 graus de febre — Ela guardou o termômetro em seu bolso e voltou a olhar para mim – Eu vou buscar um pano úmido e já volto.
- Ok
A senhora se levantou e foi até a porta, pensando no que poderia ter causado a febre em mim. Poucos minutos depois, a senhora voltou com uma bacia com água fria, e ao encontrar a Arisu no caminho, disse a ela que já podia dormir que ela cuidaria do resto sozinha. Ao chegar no meu quarto, e por a bacia perto de minha cabeça, ela percebe que já havia dormido tranquilamente no futôm. Não menti quando disse que estava cansada.
Em silêncio, ela umedeceu um pano com água e colocou sobre a minha testa enquanto eu ressonava baixinho. Querendo mais pistas sobre o meu estado, a mulher descobre o meu corpo com o cobertor até as minha pernas e observa seu estado cuidadosamente, mas seu olhar para na minha barriga quando percebe algo estranho. Com mais cuidado que antes, ela levanta minha camisa até acima da barriga e a toca com as duas mãos, passando os dedos por ela atrás de qualquer coisa diferente. As mãos dela param assim que vão para o meu abdômen e um sorriso involuntário surge no rosto da velha senhora.
- Ora, ora... Acho que descobri a causa da febre.
Neste momento, a porta do quarto se abre e a gentil senhora vê o grisalho aparecer por ela, desta vez sem todo o uniforme pesado de ninja, apenas com uma camisa branca e uma calça negra cobrindo parte dos pés descalços.
- Posso entrar? – Pergunta em voz baixa, ao notar que eu dormia.
- Claro que sim – A senhora sorri para ele.
Kakashi entra no quarto e senta ao lado da senhora, notando que minha camisa foi levantada.
- O que estava fazendo? – Perguntou ainda em voz baixa.
- Esta jovem está febril, então estava procurando a causa da febre repentina.
- E encontrou a causa? – Olhou para ela, verdadeiramente interessado.
A senhora observou o grisalho por um momento, e então voltou a me olhar.
- Meu rapaz, você parece se importar bastante com ela – Comentou com tranqüilidade.
Ele também me olhou, juntando as mãos nas suas pernas cruzadas.
- Sim, me importo bastante.
- E teria algum motivo em especial para isso? – Ela virou o rosto para ele, e ao ver a parte descoberta do seu rosto corar suavemente, um sorriso surgiu nos lábios dela, e decidiu ser mais direta – Você a ama?
O rosto dele ficou mais corado, mas ele não ousou olhar para a senhora.
- S-Sim, eu amo ela – Ele limpou a garganta ao notar que sua voz falhou – Mas... Porque a pergunta?
O sorriso dela se ampliou. Agora ela sabia exatamente a causa das mudanças em mim, sem medo de estar errada.
- Sabe querido, posso parecer uma senhora solitária, mas eu sou mãe de sete filhos – Falou de repente, sem responder a pergunta dele outra vez.
- Sete filhos?! – Os olhos dele cresceram de leve. Aquela mulher devia ser muito forte.
- Sim, sim. Mas todos eles já cresceram e agora estão espalhados pelo pais com suas próprias famílias e eu fiquei aqui cuidando da pousada.
- Ah... Deve ser solitário sem eles – Kakashi comentou de repente interessado na conversa dela.
- Nem tanto, já que costumo receber várias pessoas aqui, mas isso não vem ao assunto que quero discutir – Então a mão enrugada dela foi para uma das mãos do grisalho, puxando a mão dele para si de modo que o Shinobi lançasse um olhar completamente confuso para ela – Quero que sinta uma coisa antes de eu falar.
- Ok... – Respondeu um pouco hesitante.
Ainda segurando a mão dele, a senhora a guiou para onde sua mão estava a pouco tempo atrás, e o grisalho corou de leve. Quando a mão dele estava perto do meu abdômen, ela soltou a mão dele e colocou a sua por cima.
- Sente algo de diferente?
- Na verdade estou completamente confuso... – Admitiu.
Ela assentiu de leve e então moveu a mão dele ao redor da minha barriga, de modo que eu me mexi um pouco no futôn, mas não acordei. Então a senhora faz um gesto positivo quando vê os olhos do grisalho ficar cada vez maiores que o normal.
- E agora? – Perguntou para ele.
Ele não falou nada, somente com os olhos fixos no lugar onde sua mão havia parado sem encontrar sua voz. Passado alguns momentos, ele olhou para a senhora com os olhos arregalados e ela apenas assentiu com a cabeça, fazendo que o rosto dele começasse a ficar páido.
A porta do quarto é aberta de modo que o Kakashi levasse um susto, mas não tirou sua mão do lugar onde estava.
- Ah, então você está aqui Kakashi! Será que poderia me dizer se você já mandou o relatório? — Arisu andou até o grisalho com uma das mãos na sua cintura e encara-o quando o alcança. – Ei Kakashi? – Ela chamou mais uma vez, mas ele continuou quieto no seu lugar. Ela franziu a testa e olhou para a senhora – O que diabos aconteceu para o idiota ficar assim?
A senhora de modo simples, respondeu:
- Ele acabou de descobrir oque aconteceu com sua parceira.
- A é? E então? – Ela olhou novamente para a estátua humana a sua frente – Oque foi que aconteceu de tão grave para você ficar assim?
Kakashi fechou a boca que estava levemente aberta e levou seu único olho aberto para a ruiva.
- Ela está grávida – Falou com sua voz rouca.
Somente uma palavra passou pela cabeça da ruiva quando ela pensou ouvir oque ouviu.
- Que merda...
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