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11 Capítulo 11 - O dia em que um clã desapareceu.


Notas iniciais
Yo!
Não falarei muito povinho, mas espero que vocês gostem deste capítulo. Talvez vocês não o achem tão bom quanto os anteriores, mas é que eu estou ocupada e o terminei na correria ^^ Foi mal, na próxima eu melhoro. Rsrs.
Bjks, vou dormir ;D
Ami ~

Um sorriso brotou dos meus lábios assim que o ouvi dizer “Nosso Pai”.

Finalmente, depois de tanto, tanto, tanto tempo esperando por alguma pista, eu a encontro de uma pessoa que eu nunca esperaria ouvir: Do meu próprio irmão.

- Sabe, a história do nosso pai é bem diferente dos outros líderes – Falou em quanto fazia pequenos círculos em minha mão com o polegar coberto pela luva de couro.

- Diferente como? – Perguntei numa voz controlada.

- Vamos dizer que houve muitos imprevistos que balançaram as coisas no clã – Olhou para mim, observando meu rosto confuso – Não se preocupe, eu vou explicar tudo.

- Assim espero – Dei um meio sorriso.

Ele também sorriu, e cobriu minhas mãos com as dele ante de continuar.

- Nosso pai tinha acabado de completar dezenove anos de idade naquela época. Era um homem inteligente, perspicaz, bom em lideranças e bastante belo graças a mãe. Era simplesmente o homem perfeito para ser líder dos Terasu, e Toura se sentia bastante orgulhoso por isso. Como nosso pai parecia estar pronto para tomar o lugar do nosso avô, eles decidiram que naquele inverno, no dia que completasse seus vinte anos de idade, ele se tornaria o líder.

- Nosso pai realmente devia ser bom – Refleti, não deixando de sentir orgulho por ser a filha de um homem como esse.

- Ele foi o homem mais corajoso que eu conheci naquele lugar, mas ele tinha que ser... Só sendo corajoso daquela maneira que ele conseguiu suportar tudo aquilo – A voz do Yuuto diminuindo até chegar ali, e havia pistas de tristeza ali. Pistas de alguma coisa que eu não pude entender de imediato.

- Suportado? Oque aconteceu Yuuto? – Perguntei com a voz um pouco mais baixa.

Yuuto apertou mais minhas mãos e soltou o ar.

- Durante aquele inverno, o nosso pai passava o dia inteiro na casa principal, onde ele e seus pais viviam, apenas estudando, fazendo pequenos trabalhos que seu pai dava para ele se preparar e etc. Somente às vezes saia para resolver algum problema urgente que o nosso avô não podia resolver e mesmo assim, voltava imediatamente para a casa. E foi por isso, faltando muito tempo para o seu aniversário, que ele saiu de casa para resolver um problema numa fazenda que produzia algodão do outro lado do ponto principal do clã. A fazenda estava com problema de pragas no algodão estocado para produzir roupas para o inverno e ele tinha a missão de ir resolver o problema diretamente com os fazendeiros. Quando nosso pai chegou à fazenda, logo encontrou dono da fazenda que o aguardava, e este o convidou para que entrasse e tomasse uma bebida quente antes que começassem a discutir o assunto. Mas como nosso pai sempre foi observador, antes de entrar, sua visão foi atraída para uma silhueta feminina que havia acabado de sair de trás da grande casa que se dirigia com o fazendeiro – Um sorriso discreto brotou nos lábios do meu narrador – De acordo com meu pai, mesmo não tendo a oportunidade de vê-la claramente, ela era a moça mais bela que ele já vira na nossa vila em todos os seus dezenove anos de vida.

Meus olhos cresceram de espanto.

- Meu pai disse isso?

Ele sorriu largamente.

- Com essas mesmas palavras, eu me lembro muito bem. Meu pai ainda acrescentou dizendo: “Era como se em todos esses anos eu estivesse preso em uma sala escura e visse o sol pela primeira vez, incomparável.”

Corei de leve e ri comigo mesma.

- Meu pai era um homem bastante romântico – Yuuto riu também.

- Na verdade ele não reparava nas moças. Nunca foi namorador e sempre teve foco nos estudos para tomar o lugar do nosso avô, por isso que ele descreveu desta maneira.

- Lindo – Murmurei.

- Sim, mas aquele simples olhar comprometeria todo o seu futuro como líder. Naquele dia, sempre que ela surgia, ele dirigia seu olhar para ela e apreciava sua beleza com encantamento. Infelizmente para ele, o trabalho dele foi completado com sucesso no final daquela tarde nublada e teve que deixar a fazenda para voltar com as boas novas para o seu pai.

- Mas ele a viu de novo, não viu? – Perguntei com ansiosidade.

- Sim, inevitavelmente – Soltou minha mão e as juntou em cima dos joelhos – Foi apenas dois dias depois, enquanto ele andava para a biblioteca com uma lista que esvaziaria mais da metade dela. Bem... Seria isso, se não fosse aquele belo imprevisto que surgiu no meio do caminho.

- Foi ela?! – Interrompi mais ansiosa que antes.

- Calma Mitsue, apenas escute – Ele riu de mim. Parecia uma criança que ouvia um conto de fadas – Nevava naquele dia e com toda a neve no chão, a mulher acabou escorregando assim que estava prestes virar a esquina onde meu pai andava e deixou cair todo o trigo que carregava numa grande sacola feita de fios grossos trançados. Claro que meu pai não pôde ignorar a mulher caída, então a ajudou imediatamente. Assim que se abaixou para amparar a mulher, ele sentiu seu coração pular quando reconheceu o rosto dela...

Versão do Ichirou:

Esta mulher devia ter me amaldiçoado por aparecer tão envergonhada e desajeitada na minha frente para que ainda assim me prendesse o olhar somente nela. Mesmo assim, me abaixei para ajudá-la, vendo que ela parecia aflita por ter deixado todo o conteúdo do saco esparramar no chão branco e escorregadio.

- Se machucou em algum lugar? – As orbes negras como o breu de uma noite desprovida de estrelas se dirigiu para mim imediatamente, e seu rosto se tornou mais envergonhado quando pareceu me reconhecer.

- Oh meu Deus! Desculpe-me Terasu-sama! – Falou com no mesmo momento em que levantava o saco que ainda tinha trigo as pressas para se levantar, mas a mulher mal se levantou e já começava a escorregar novamente.

Quando percebi que estava prestes a tombar, minha única reação foi me levantar e receber a mulher que caia nos meus braços. Um pouco confusa, a mulher levantou o rosto para cima, e aspirou o ar de uma vez soltando um som surpreso ao ver que quem a segurava era eu.

Pela primeira vez na vida, eu não soube oque fazer. Aquela mulher desastrada parecia me roubar os pensamentos racionais e ocupar todo o espaço em minha cabeça com o rosto dela. Aqueles cabelos ondulados que caiam numa cascata negra-azulada em suas costas presos cuidadosamente para trás, deixando a mostra o rosto definido, os olhos negros, a pele de porcelana, os lábios quase simétricos volumosos e o pescoço fino que descia até os ombros expostos me deixavam hipnotizados. O tecido do vestido azul claro dava um belo contraste com a pele e os cabelos, com as alças que apenas cobriam o começo dos ombros o deixando quase todo exposto, e o tecido da mesma cobria o restante dos braços. Meus olhos desceram para a clavícula exposta e foram para o restante do vestido grosso que se alinhava pela sua cintura e caia numa saia longa com a barra um pouco suja de terra úmida, provavelmente por causa do trabalho na fazenda.

- M-Me Desculpe Terasu-sama... Algum problema? – Perguntou com os nervos a flor da pele por perceber que meus olhos passavam por ela minuciosamente.

A soltei imediatamente, confuso comigo mesmo e por esta mulher ter aparecido no seu caminho. Não respondi a pergunta dela, apenas observei o saco com metade do trigo desperdiçado e depois a mulher que apertou mais o saco com as mãos ao ver que eu a olhava novamente.

- Onde conseguiu o saco de trigo? – Perguntei inusitadamente, e ela me lançou o olhar um olhar perdido.

- Como...?

Suspirei e apontei o saco que ela segurava nervosamente.

- Isso ai. Onde conseguiu?

Mesmo confusa, ela apontou para trás dela e disse:

- Eu comprei no armazém no final da rua para o meu pai...

Assenti e peguei a mão dela, puxando a mulher confusa na direção que ela apontou.

- O que está fazendo Terasu-sa...

- Ichirou – A cortei sem desviar o olhar do caminho – Me chame de Ichirou.

- Ichirou... Sama? – Voltei a assentir e ela sorriu de leve – Onde está me levando, Ichirou-sama?

- Para o armazém – Mesmo sem olhar para ela, notei que ficou novamente confusa, então esclareci – Não posso deixá-la seguir o caminho para casa com um saco cuja metade do conteúdo foi desperdiçada. É o meu dever como futuro líder deste clã, ajudar meu povo quando precisarem de mim, não importa o meio que eu tenha que usar.

A mulher abriu os lábios surpresa, mas logo começou a dizer:

- Concordo com isso, mas não é necessário. Eu posso pagar outro saco de trigo eu mesma, e quando chegar em casa, eu posso explicar o ocorrido ao meu pai e ele talvez me perdoará... Então, por favor, me deixe cuidar disso sozinha e o senhor poderá seguir o seu caminho sem que eu atrapalhe mais ainda...

- Me desculpe a grosseria, mas você já me deu motivos para que meu caminho fosse atrapalhado, então não me importo em comprar o saco para você – Parei de falar assim que alcançamos a porta do armazém e me virei para ela – Espere um momento. Daqui a pouco eu voltarei com oque precisa.

Assentiu e sem escolhas, me viu seguir para dentro do armazém e a deixar sozinha com meio saco de trigo nas mãos. A mulher deixou um sorriso escapar e soltou uma risada baixa.

- Que homem estranho... – Comentou em voz baixa em quanto soltava mais algumas risadas. Mesmo sendo estranho, algo em mim chamava bastante a atenção dela, e ela se perguntava oque poderia ser.

Voltei mais rápido que o esperado segurando um saco de trigo cheio nas mãos. Ela andou na minha direção e abriu mais um sorriso.

- Obrigada por isso.

- Não é nada de mais – Sorri para ela e observei uma das mãos dela se estender para pegar o saco. Franzi o cenho – Não espera que eu a deixe carregar dois sacos de trigo sozinha?

- Não tem problema. Eu estou acostumada a carregar coisas mais pesadas que estas para casa – Estendeu mais o braço – E acho que já fez o bastante para mim como futuro líder.

Continuei olhando para a mão estendida dela por mais algum tempo, até que decidi oque iria fazer.

A deixando sozinha de frente para aquele armazém, comecei a caminhar com o saco na direção da fazenda que ela morava. Ela virou o rosto para mim, descrente.

Parei de andar já a alguma distancia dela e fiz um sinal de cabeça para que ela viesse.

- É melhor nos apressarmos, ou então seu pai ficará preocupado.

A jovem mulher andou com passos largos, porém cuidadosos, na minha direção e só parou quando estava do meu lado.

- Porque insiste tanto em me ajudar, Ichirou-sama?

- Porque é o meu dever, e como homem, devo ajudar uma mulher quando a vejo obrigada a carregar sacos tão pesados como estes.

Fui pego de surpresa com o sorriso estonteante que cobriu o rosto dela, e novamente a minha cabeça foi tomada por aquela linda visão.

- Você realmente é um bom homem, Ichirou-sama – Alargou o sorriso – E seria uma honra ser acompanhada por um homem tão competente como o meu futuro líder.

Sorri de volta involuntariamente e voltei a caminhar, sendo seguido pela linda mulher que sorria durante todo o trajeto para sua casa.

Quando passamos pelas portas de madeira puída da fazenda, foi a minha vez de segui-la até o pequeno armazém de sua família, e lá, colocamos os dois sacos de trigo num canto seco e protegido do armazém.

Assim que coloquei o meu saco no lugar, bati as mãos, tirando a poeira delas, e a gentil moça se virou para mim ainda sorridente.

- Novamente, obrigada Ichirou-sama. Não sei como posso lhe agradecer – Ela se começou a se curvar para uma reverencia, mas eu a impedi, segurando a parte exposta dos ombros dela.

- Não quero que você me reverencie – Falei em voz baixa, vendo a mulher se erguer novamente com o olhar confuso.

- Mas você é o meu futuro líder, e como uma simples Terasu, tenho que fazer isso pela sua gentileza em me ajudar.

- Só por carregar este sobrenome você não é uma simples mulher, e não quero que se sinta obrigada a me agradecer de uma forma tão antiga, chega até mesmo a ser arcaica.

A mulher se calou e me olhou nos olhos por alguns segundos que se tornaram uma eternidade. Ela pressionou seus lábios de leve e aprofundou mais o olhar dela nos meus olhos cinzentos.

- Então... Qual é a maneira apropriada com que devo agradecê-lo pela gentileza, Ichirou-sama? – A voz dela se tornou baixa e mais delicada, quase que murmurante.

De alguma forma, aquela pergunta se tornou muito complexa para mim. E no meio de tanta complexidade, eu não tirava meus olhos dos dela, e não pretendia tira-los dali.

Aquela mulher... Porque uma mulher seria capaz de me deixar tão perdido somente com um olhar? Eu que nunca falhei num dever e nunca me senti confuso ou perdido como me sinto agora. Não sabia. Mas minha razão parecia adormecer mais cada vez que eu permanecia naqueles olhos e comecei a ter medo que meu corpo começasse a agir por vontade própria.

- Ichirou-sama, porque me olha desta maneira? – Perguntou, novamente com a voz baixa.

- Gostaria de saber a resposta... Está é a primeira vez que não tenho uma – Confessei, abrindo um meio sorriso.

- Mas se não tiver... Como eu agradeceria a você? Não sei oque uma pessoa como eu poderia fazer por você.

Apertei mais os ombros dela, um pouco irritado pela confusão.

- Ichirou-sama... Isso dói... – Ela colocou a mão em cima da minha mão esquerda, tentando impedir que eu apertasse mais.

Quando vi os olhos dela desviarem dos meus para a minha mão eu me senti esquisito e então oque eu temia aconteceu.

Tirei a minha outra mão do ombro dela e a pousei em seu rosto, para vira-lo para mim e possuir seus lábios abertos de surpresa. Ela ficou hesitante, totalmente pega de surpresa, mas então correspondeu com doçura.

Neste dia, eu coloquei aquilo que eu desejei por toda minha vida de lado. Ela se tornou minha prioridade, depois, todo o resto.

Fim da versão do Ichirou.

-... Depois disso, o nosso pai acabou pondo tudo em risco. Pouco tempo mais tarde, chegou o aniversário do nosso pai e ele se tornou o líder do Clã, e exatamente neste dia ele descobriu que Miwa, a nossa mãe, estava grávida de mim.

Eu estava completamente quieta no banco, com a lata de suco de feijão esquecida numa de minhas mãos.

- Grávida? – Murmurei, chocada com a história.

Yuuto concordou com a cabeça.

- Como você já sabe isso foi uma péssima notícia para o nosso pai, mas para a mãe... – Ele balançou a cabeça para os lados, sorrindo – Ela não ligava para isso, não se importava com oque os outros achavam por ela estar grávida do líder do clã. Ela se sentia feliz.

Sorri também, me sentindo mais aliviada por nossa mãe não se importar.

- Mas como ficou o papai depois disso? E a posição dele?

- Ficou seriamente comprometida. Quando nosso avô, Toura, descobriu isso, quase que ele teve um infarto. Um líder ter filhos com outra mulher que não fosse da família de nossa avó era algo grave e errado, pois a partir do momento que nossos pais tiveram uma conexão, o chakra do nosso pai, antes puro e forte por ter vindo diretamente dos descendentes do criador do clã, se tornou diferente, e o da Miwa também, e isso teria grandes chances de comprometer a vida dela e do bebê – Ele olhou para mim e sorriu – No caso, eu.

Pensei um pouco sobre isso, e uma pergunta inusitada surgiu na minha mente.

- Então o meu chakra é diferente de alguns meses atrás? – Perguntei de repente.

Yuuto riu.

- Por causa do Kakashi?

Assenti um pouco envergonhada.

- Não, nesse caso não ouve mudanças porque como o chakra dele não era igual ao seu, então não houve conexão...

- A sim...

-... A menos que vocês tenham feito outra conexão recentemente – Concluiu a fala, reprimindo outra risada.

Meu rosto ficou rubro de vergonha.

- V-Voltando ao nosso pai... Oque aconteceu? – Perguntei com bastante nervosismo.

Yuuto abriu um sorriso gigante cheio de humor e continuou:

- Depois desta notícia, o nosso pai sofreu várias investidas dos antigos superiores que estavam a favor do fim da liderança que mal havia começado. Mas então meu pai tomou uma escolha – Ele fez um silêncio de suspense e apreciou meu rosto coberto de ansiedade, e então continuou – Ele lideraria, mas para que garantisse a segurança da Miwa, ele iria torná-la sua esposa. – Sorri do nada, muito alegre pelo meu pai ter proposto isso. Não me lembrava dele, mas já o achava bastante inteligente – Não tendo escolha alguma, pois o plano era muito bom, o conselho dos Terasu decidiram que ele se casaria com a Miwa e a manteria na casa principal para a segurança dela, do bebê e ate mesmo do clã, pois o país do fogo não podia ter conhecimento disso ou então muitas pessoas de má índole tirariam proveito e acabariam com os Terasu na primeira oportunidade graças ao nosso novo ponto fraco: Miwa.

- Então se você esta vivo e eu também, significa que nossa mãe sobreviveu, certo? – Perguntei antes de dar o ultimo gole no suco de feijão.

- Ninguém sabe o porquê disso. Tudo apontava para a morte da minha mãe e eu, mas parece que ocorreu algum tipo de milagre e o corpo de nossa mãe suportou tanto o chakra mais poderoso quanto o bebê, tudo ao mesmo tempo e o nosso pai ficou louco de alegria naturalmente. Depois disso, a situação amenizou um pouco. Todos pareceram ficar mais tranqüilos e aceitaram – aparentemente – o fato do nosso pai estar casado com uma Terasu comum, e as coisas correram normalmente. Nosso pai cuidava do clã com maestria e ao mesmo tempo, cuidava de nossa mãe e eu para me tornar o futuro líder mesmo que “impuro”, do clã.

Amassei minha latinha e joguei no lixo ao lado do Yuuto antes de perguntar:

- E eu? Como é que eu fico? Fui adotada por acaso? – Brinquei.

- Claro que não! – Yuuto riu de mim – Você nasceu dois anos depois de mim, quando todos da vila pareceram ter esquecido o que aconteceu há dois anos daquela época. E de acordo com a nossa mãe, você foi o terceiro grande motivo de felicidade da nossa família. Primeiro o fato de o nosso pai se casar com ela apesar de tudo, o meu nascimento e depois o seu, e você com certesa foi a que mais impressionou os nossos pais.

Franzi o cenho.

- Eu? – Perguntei, achando aquilo difícil de engolir.

- É que aos seus quatro anos de idade, o seu chakra já tinha amadurecido e como em todo mundo que tem o chakra assim, seus olhos antes negros, ficaram cinza claro. Nosso pai achou que você tinha alguma deficiência no começo, mas foi confirmado que o seu chakra já era forte o bastante para chegar nesta etapa, e isso chocou todos do clã Terasu – Yuuto começou a rir de repente e eu o olhei, pensando se ele estava bem da cabeça – Eu fiquei esquecido com isso, pois você virou o centro das atenções, sempre saindo com nosso pai para fazer exames de checagem, testes no chakra, sem falar que era mimada pela nossa avó – Comecei a rir e também fiquei com um pouco de dó do Yuuto, mas não era minha culpa! – Enfim, todos começaram a falar que você era uma garota prodígio assim que foi descoberto que o seu chakra era o mais poderoso do clã inteiro.

Com certeza eu teria me engasgado se ainda estivesse tomando meu suco de feijão.

- COMO?! – Exclamei, quase segurando ele pela gola só para conferir se ele não mentia.

- É exatamente oque ouviu. Graças a mistura dos chakras dos nossos pais, você obteve um chakra muito forte. Muito mesmo.

- Mas... Mas porque você não teve?!

- Eu não sei. Talvez porque na segunda conexão deles, o chakra dos dois deveriam estar estabilizados um com o outro, ao contrario de antes, sem falar que só depois que eu nasci que minha mãe se adaptou ao novo chakra.

- Ah... Agora eu entendo, eu acho – Dei de ombros.

- Bem, continuando: Com isso, o clã percebeu que sendo você a mais forte, então somente você seria a mais apta a ser a futura líder, e meu pai, lógico, concordou prontamente e colocou toda a sua fé em você. Depois desta decisão, o nosso clã voltou ao clima positivo de antes por saberem que o próximo líder seria o mais forte, e toda a paz de antes foi restaurada. Mas nem tudo é flores... – Yuuto suspirou antes de continuar – Como minha mãe já tinha previsto, e até mesmo avisado ao nosso pai das probabilidades, a noticia passou dos territórios dos Terasu, e em pouco tempo, o País do fogo e quase todos os outros países, ficaram sabendo da garota prodígio do clã Terasu e do seu grande poder. Em questão de dias, o clã Terasu recebeu seu primeiro ataque nas fronteiras da vila por causa da ganância dos homens que queriam apenas roubar você de nossa família para que pudessem usar seu poder militarmente para uma guerra.

Bufei.

- Porque para mim, isso não é uma novidade? – Falei com ironia.

- Não é culpa sua – Yuuto me defendeu – Tudo isso é culpa dos homens gananciosos que ainda existem. A ganância deles foi tamanha que chegou um dia que o nosso clã foi pego de guarda baixa numa madrugada e finalmente, o nosso clã conseguiu ser invadido por inimigos – Arregalei meus olhos e o Yuuto manteve a expressão normal. Achei aquilo estranho – Aquilo chegou em péssima hora, pois nosso pai, apenas a algumas semanas antes da invasão, foi obrigado a ficar de repouso em casa pois o seu corpo começou a fraquejar e a doer repentinamente, e aquilo só piorava.

Meus olhos cresceram mais e eu toquei minhas têmporas.

- Isso me lembra... Na ultima vez que eu vi o Lance, ele disse que meu pai estava morrendo... – Olhei para o Yuuto – É verdade?

Yuuto concordou devagar.

- Por algum motivo, o chakra do nosso pai entrou em conflito sozinho, e isso começou a mata-lo por dentro. O meu avô disse para mim e minha mãe que aquilo acontecia com algumas pessoas em determinado tempo. Só ocorre quando o corpo perde parte da imunidade natural e o chakra não é mais suportado pelo corpo, então ele mata a pessoa de pouco em pouco até que a imunidade zere, e nosso pai já estava bastante debilitado naquela madrugada – Yuuto passou uma mão pelo pescoço. Parecia estar reprimindo seus sentimentos – Naquela noite... Naquela noite os inimigos começaram a invadir as casas e a matar as pessoas que não eram você, e faziam isso em quanto não te encontravam... – Ele parou no meio da frase, e colocou as duas mãos no rosto.

Aproximei-me do Yuuto e passei as mãos pelas suas costas, tentando acalmá-lo.

- Yuuto... Quer continuar com isso? – Peguntei em voz baixa.

Ele tirou as mãos do rosto e assentiu, encarando o chão.

- Você tem o direito de saber – Falou numa voz controlada, e respirou fundo antes de prosseguir – Pois bem... Com nosso pai doente, a vila sendo invadida, e nós ainda crianças bastante jovens, a escolha de nossa mãe, foi fugir nós três o mais rápido possível. Eu realmente não sei de onde meu pai conseguiu ter forças para aquilo, mas ele conseguiu ficar de pé e juntou nós três para fugirmos da casa principal, mas já era tarde. Vários ninjas começaram a surgir na frente da casa, e eles a invadiram um por um. Meu pai sabia que eles nos encontrariam, pois você chorava muito com toda a invasão. Você era muito nova ainda. Então ele decidiu que iríamos à frente, e ele ficaria com os guardas da casa e lutariam até que nós três fugíssemos – Ele deu outra pausa, mais curta – Eu lembro que o céu parecia explodir em cores, mas não eram cores bonitas, elas em sua grande parte eram de uma cor vermelho sangue, e a cada explosão, uma nova onda de gritos era escutada ao longe.

Minhas mãos voltaram para as têmporas, e eu abaixei o rosto.

- Os meus sonhos... – Murmurei para eu mesma, e o Yuuto me olhou, confuso – Quando eu era uma gennin de 12 anos, eu tinha sonhos em que eu fugia no colo de uma mulher para algum lugar, e o céu parecia brilhar em cores, mas elas me provocavam um medo imenso... Mas... Eu nunca tinha entendido até agora o significado destes sonhos.

- Lembranças – Respondeu de pronto – Com certesa são lembranças daquela madrugada... Achei que você não se lembrava de nada, mas pensando melhor, é difícil não se lembrar de uma coisa destas.

- É... – Murmurei, repassando o sonho na cabeça.

Yuuto observou meu rosto pensativo e se aproximou.

- Se lembra de mais algo do sonho?

- Sim... Vagamente – Virei o rosto para ele – Lembro que no final, minha mãe me tranqüilizava e do nada, eu parei dentro de um lugar estranho, e neste lugar tinha um homem... Ele disse que tudo aquilo não passaria de um sonho ruim depois – Entortei os lábios – Pior que ele estava certo. Eu não parava de sonhar com isso.

Yuuto concordou de leve com a cabeça.

- O seu sonho está correto. Quem te disse isso foi o nosso pai assim que ele conseguiu nos encontrar num lugar escondido no subsolo da vila – Yuuto estendeu a mão para pegar uma mecha de meu cabelo – Lá dentro, ele nos submeteu a jutsu secreto que mudou nossas características, mas essa técnica duraria apenas alguns anos por causa do nosso chakra, e em seguida, minha mãe me entregou você nos braços e pediu que eu fugisse dali que ela e o nosso pai iriam atrás de nós quando aquilo terminasse. Em quanto isso, eu tinha que levar você até Konoha, e entregaria você ao Hokage que ele saberia oque fazer, pois foi avisado da invasão assim que aconteceu por uma carta presa a pata de uma ave mandada pelo nosso pai.

- Você... Os viu depois...?

- Não – Respondeu de pronto – Nunca mais vi meus pais depois daquilo, e nem soube do que aconteceu quando eu fugi com você. Eu até mesmo investiguei sobre isso assim que me tornei um ANBU, anos mais tarde, mas achei apenas destroços e mais nada. Nada mesmo.

Ficamos os dois calados, cada um pensando no que iriam falar a seguir. Mas eu só tinha uma pergunta.

- Nossos pais... Estão mortos? – Perguntei num fio de voz.

Yuuto abaixou o rosto.

- Sim.