Recomeço
8 E o trabalho começa...
Acordo assustada sem lembrar onde estou. Não consigo diferenciar o que foi sonho e o que foi realidade. Tudo ainda está confuso em minha cabeça. Olho em volta e me lembro de que estou em Volterra, no quarto que Aro separou para mim. O quarto é pequeno, com apenas uma cama e um abajur.
Depois que aceitei entrar na guarda, Aro me passou algumas instruções sobre meu treinamento e o período em que ia ficar aqui. Ele ia me ensinar a melhorar meus poderes e sobre as leis dos vampiros – já que eu estava com quem criava essas regras, eu não poderia desobedecê-las. Já sabia algumas delas, pois Stefan e Vladimir mencionaram, mas ainda tinha algumas outras para aprender.
A porta se abre e Aro entra.
— Bom dia Claire.
— Bom dia – respondo sonolenta.
— Desculpe ter que tirá-la da cama, mas precisamos começar. Não quero deixá-la humana por muito tempo. Quanto mais rápido você aprender, melhor.
Nunca vou entender a pressa dos vampiros. Eles têm toda a eternidade, mas ainda assim vivem me apressando.
Aro deixa o quarto e me arrumo rápido para encontrá-lo. Não queria deixá-lo esperando muito.
Sigo em direção à sala que os Volturi comem, que apelidei de sala de jantar, e Aro está de pé no centro me esperando. Saímos da sala e seguimos para outra que está totalmente vazia, com exceção de um guarda que espera em pé.
— Claire, este é Michael. Ele está aqui para nos ajudar – Michael acena com a cabeça para mim. Ele não é muito alto e seu cabelo tem corte militar. Ele não parecia muito feliz em estar ali, mas não acho que Aro tenha lhe dado opção – Hoje você não aprenderá nada novo. Quero apenas ver o que você já sabe fazer.
— Mas você já viu isso quando leu a minha mente – digo confusa – E ontem eu mostrei alguns também.
— Eu sei querida, mas gostaria de ver com meus próprios olhos e com mais atenção. Se tiver alguma falha, precisamos consertá-la.
Olho para Michael e percebo o nervosismo em seu olhar. Aposto que ele já deve saber alguns de meus poderes e não está ansioso para senti-los na própria pele, mas Aro não ia me colocar para praticar nele mesmo. Isso é óbvio.
∞
Michael sofreu bastante nas últimas horas. Não sei se ele fez algo de errado e Aro estava querendo o punir, mas era claro que Aro não queria que eu pegasse leve com ele. Alguns momentos eu poderia pensar que Michael ia chorar, mas vampiros não choram. Ele não parece estar cansado, porque vampiros não cansam nunca, mas ele claramente quer que eu canse para que ele possa escapar.
— Terminou? – pergunta Aro. Estávamos treinando há algumas horas quando meu estomago começou a roncar. Aro se desculpou por não ter me dado tempo de tomar café da manhã, mas não podia culpá-lo, ele não estava acostumado a tomar conta de humanos. Sandra, a recepcionista, me trouxe algumas coisas para comer.
— Terminei.
— Que bom. Estamos quase no fim.
A porta da sala se abre e quatro vampiros entram. Uma menina baixa, um homem loiro, um moreno e alto e o vampiro que me levou para recepção ontem. Antes eu não me recordava do nome dele, mas agora vendo ele perto da menina eu consigo identificá-lo. Alec e Jane. Os gêmeos.
— Estamos prontos para partir – diz o guarda loiro.
— Pegaram o envelope? — pergunta Aro.
— Sim, senhor.
— Ótimo. Não se esqueça das recomendações.
O guarda loiro assente e eles saem da sala com sua velocidade inumana.
— Alec, Jane... Felix e Demetri? – pergunto querendo confirmar as minhas suspeitas.
— Sim.
— Eles costumam sair muito?
— Não – responde Aro – Só quando precisam fazer algo.
A resposta vazia de Aro deixou claro que ele não ia me contar para onde eles foram, ou que iriam fazer e decidi não insistir mais. Não precisava conhecê-lo muito para saber que ele era um homem misterioso e tinha vários segredos, e eu estava doida para descobrir todos eles.
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