Recomeço
3 Na casa dos Peletier
Notas iniciais
(P.O.V Daryl)
"Será que Carol ficaria feliz em me ver? Ou só porque estou levando sua filha para casa em segurança? O que será que ela acha de mim? Será que ela me acha uma boa pessoa? Será que..."
–Daryl? Daryl?- chamou Sophia, agitando as mãos na frente do meu rosto para chamar a atenção.
–Eu..o que...o quê foi,pirralha?- respondi, saindo dos meus devaneios de perguntas que não tinham resposta. Por enquanto.
–Eu estou te chamando já faz alguns minutos e você não me responde. Achei que tivesse sido hipnotizado.- a garota loirinha me falou, me olhando com as sobrancelhas finas arqueadas.
–Hipnotizado pelo quê,garota?- questionei, tentando fugir um pouco do foco do assunto, não queria dizer a ela o que eu estava pensando.
"Há propósito, eu estava pensando na sua mãe, no que ela acha de mim e acho ela super gostosa".
Não seria uma das coisas mais agradáveis a se dizer.
–Talvez por um bruxo, ou por um mago. Sabia que o mágico de Oz...
Pronto. A tagarela estava de volta. Uma parte de mim se sentiu feliz com isso.
Continuávamos andando pelas ruas, a caminho da casa de Sophia. A cidade estava pouco movimentada, poucas pessoas andavam para lá e para cá e os poucos carros que eu via estavam indo para algum lugar bem longe. Me perguntei se alguém estava fazendo uma campanha contra a poluição. Eu deveria me informar mais, eu acho. Devo estar meio desantenado, como dizem os jovens.
Chegamos na frente da casa de Sophia assim que ela começou a contar sobre os filmes do Bambi e como ela adorava o coelinho chamado Tambor. Assim que viu o lugar onde morava, ela ameaçou sair correndo para atravessar a rua, bem no momento em que um caminhão de entregas vinha a toda velocidade.
–SOPHIA!- eu gritei, enquanto a pegava pelo braço e a puxava para trás, tirando-a do caminho do veículo. Eu corpo estava em estado de alerta e eu ainda segurava tão forte o braço da menina que acho que deveria estar doendo.- Vai tomar no meio do seu cú!- gritei para o motorista do caminhão, que virava na esquina. Espero que ele tenha ouvido.- Você está bem? Está bem? O que estava pensando, pirralha?
A garota abaixou a cabeça, constrangida com seu erro.
–Me desculpa, Daryl. Eu só queria chegar logo em casa para ver a minha mamãe.- ela disse, quando eu soltei seu braço.
–Argh!- resmunguei. Por mais que eu quisesse, não estava conseguindo ficar brava com ela.- Tudo bem, tudo bem está desculpada. Mas, só com a condição de que não fará mais isso, PELO AMOR DE DEUS.- deixei bem claro a última parte. Eu nem a conhecia direito, mas o medo que senti ao ver que ela poderia se machucar surpreendeu até a mim mesmo.
–Eu prometo, Daryl. Prometo de dedinho.- ela levantou o dedo mindinho em minha direção.
–O que é isso?- ela parecia esperar para que eu fizesse alguma coisa.
–Você nunca jurou de dedinho?- ela me perguntou, rindo.
–Claro, faço isso todo dia com meu ursinho de pelúcia. É claro que não, menina.- ironizei, fazendo-a rir.
–Você deveria ter mais convivência com os outros. Ia te ajudar com esse seu jeito caladão e insensível. Parece que nada te atinge.- ela disse, depois deu de ombros.- Bom, eu estendo meu dedinho e você faz o mesmo,depois nós os entrelaçamos e dizemos "eu juro".
–Eu não vou fazer isso!
–Por favorzinho.- ela pediu, fazendo bico.
–Ah, que droga!- entendi meu dedinho e fizemos o tal juramento.- Pronto, agora vamos logo.
Nós atravessamos a rua, fiz Sophia olhar para os dois lados antes de fazer tal coisa. Atravessamos o pequeno jardim que a casa tinha, pequenas mudas de plantas cuidadosamente plantadas. Deveria ter sido Carol quem fez aquilo. Aquilo só poderia ser uma obra da sua delicadeza. Bati na porta. Uma, duas, três vezes.
A porta se abriu.
Eu suspirei e controlei meus pensamentos.
Bem ali na minha frente, estava Carol Peletier.
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