Recomeço
1 Intervenção
Notas iniciais
Era possível ler em todos os jornais de Storybrooke:” Bruxa Má do Oeste é derrotada por sua irmã, a Rainha Má”, e a cada vez que Regina passava na rua por alguem lendo um exemplar, abaixava a cabeça e fingia não ver o sorriso grato nos rostos dos habitantes. Será que ninguem podia ver o quanto a deixava magoada o fato de ter arrancado o coração de sua própria irmã? Afinal, esse era seu destino, arrancar o coração de sua família? Ou no caso de sua mãe, colocá-lo de volta?
- Regina — Mary Margaret a telefonou num dia em que a tristeza ameaçava sufocá-la. Ainda sem Henry e sentindo-se mais derrotada que nunca, há dias já não saia de casa — Precisamos conversar — a enteada declarou.
- Sobre o que? — Regina perguntou revirando os olhos e tomou mais um gole de sua taça de vinho tinto. Após uma longa conversa com Ganho, o alcool tinha lhe parecido uma boa opção, mas depois de tantas garrafas, já não fazia mais efeito.
- Posso aparecer por aí mais tarde? — ela perguntou gentilmente, e a madrasta estava a ponto de negar quando ouviu o choro de bebê vindo do outro lado da linha, e Mary Margaret acrescentou — Parece que o pequeno Daniel está com saudades da madrinha — argumentou e o coração da rainha pesou. Sim, após o nascimento de seu bebê, Mary Margaret pediu que Regina o aceitasse como afilhado, e pediu também que a mesma escolhesse o nome. Como forma de mostrar que já não se ressentia com o passado, escolheu Daniel. Como todos gostaram, acabou-se que agora um novo Daniel ocupava um grande espaço no coração da mulher.
- Como eu posso negar alguma coisa a ele? — Regina resmungou e ouviu um risinho vindo da enteada.
Poucos menos de uma hora depois, a campainha da residência 108 da Rua Mifflin tocou, e quando a porta foi aberto, era possível ver quase todos os membros da “família” de Regina. Mary Margaret, segurando o pequeno Daniel no colo, David ,e uma enorme bolsa azul pendurada no ombro, Emma e Gancho, que haviam deixado pra lá todo o orgulho e finalmente iniciaram um relacionamento,Tinkerbell, que agora não desgrudava mais da família, e por fim — e para a surpresa da rainha -, Rumple e Bella.
- Isso é algum tipo de intervenção? — Regina perguntou quando todos se acomodaram na sala de estar.
- Na verdade, sim — Mary Margaret respondeu enquanto entregava Daniel à madrinha.
- Nós estamos preocupados com você — Emma afirmou e todos concordaram com um aceno de cabeça.
- Preocupados comigo? Por favor — ironizou enquanto embalava o afilhado.
- Gina, por favor, escuta — David pediu e recebeu um olhar raivoso da mulher, que odiava ser chamada pelo apelido que havia recebido nos últimos dias.
- Falem logo e sumam daqui — ela respondeu tentando parecer brava, mas na verdade estava curiosa para saber o que todos tinham a falar.
- Eu posso começar? — Gancho se pronunciou e todos olharam aquiecentes para o capitão, que tirou um rolinho de papel do bolso e começou a lê-lo : — Regina, eu sei que não é fácil pra você acabar com a raça da sua irmã, e mesmo ela não sendo exatamente a irmã que você pediu, se é que você já pediu por uma irmã, eu entendo como é perder um irmão, porque eu já perdi um irmão, e eu sei como é difícil. Mas, por favor, não se afunde no alcool como eu fiz, porque apesar de dizer sempre que não dói, no fim das conta, dói sim — e com isso, terminou seu pequeno discurso, e a mulher em questão o olhou como se pudesse explodi-lo.
- Tenho realmente que passar por esse tipo de experiência? — perguntou, mas dessa vez estava realmente brava.
- Conversamos com o Archie, ele disse que pode aliviar sua dor ou possível consciência pesada se a família demonstrar que realmente te apoia, e é isso que estamos fazendo, então por favor, não torne mais difícil — Rumple esclareceu e Regina realmente sentiu algo quente em seu coração. Então, eles se importam comigo? perguntou-se mentalmente e revirou os olhos.
- Um dia eu vou me arrepender por isso — resmungou e pediu que continuassem. Emma era a próxima. Tirou um papel dobrado do bolso, e leu-o em voz alta :
- Regina, você e eu tivemos muitas brigas e no começo eu realmente não gostava de você. Mas agora nós estamos na mesma família, e talvez você ainda esteja um pouco ressentida comigo porque eu não queria ficar em Storybrooke com Henry, mas eu mudei de idéia, e vou fazer de tudo para trazer o nosso Henry de volta, mas você tem que sair desse buraco em que você se colocou, eu sei que é difícil fazer o que você fez, mas foi necessário e para o bem de todos, que dizer, ela queria voltar no tempo pra uma época onde você nem era nascida. Por favor Regina, nós todos somos uma família agora, e mesmo com suas atitudes passadas, nós todos aprendemos a te amar e aceitamos o que você fez, e agora tudo pode se acertar,então por favor, não nos afaste de você. Isso é tudo — a loira terminou e deu um sorriso tímido para aquela que um dia fora sua maior inimiga.
- Obrigada — Regina disse com os olhos marejados e foi abraçada por sua pseudo-neta. Quando Daniel soltou um gincho por estar sendo apertado no meio de um abraço, Emma deu uma risadinha e se afastou, abrindo uma brecha para Bella, que sem ler em lugar algum, iniciou seu pequeno discurso.
- Regina, eu sei que no passado você me aprisionou, e me afastou do grande amor da minha vida, e que por 28 anos me manteve num sanatório, mas eu gosto de pensar que fez tudo isso porque tinha muitos sentimentos dentro do seu coração e isso me faz não ter ódio ou ressentimento de você. Nossa relação pra mim é um página em branco nesse momento, pois o passada não significa mais nada, então por favor, não se feche dentro de uma redoma, pois sem você, nossa família não estará completa — foi curto, e poético, e toda aquela sinceridade, fez com que a rainha tivesse vontade de abraçar a moça.
- Me desculpe — ela pediu e soluçou. Estava sendo soterrada por uma avalanche de sentimentos conflitantes, e sabia que se falasse mas do que duas palavras, desabaria em lágrimas e pedidos de perdão. Bella sorriu aquiescente e olhou para Tink, que se aproximou da rainha e pegou em sua mão.
- Minha querida, você precisa abrir os olhos. Há três semanas você vem se escondendo aqui dentro, enquanto o homem da sua vida está lá fora, andando por aí, confuso, sem saber por que, depois de tudo, você ainda não o procurou. Essa é sua chance de encontrar o amor …
- Eu tenho amor, vocês disseram que me amam — Regina a interrompeu como uma criança ansiosa e Tink apertou a mão da amiga.
- Você precisa daquele amor, e quando você o aceitar, vai ver como toda essa dor vai passar — a fada estava certa, a rainha sabia disso, e mesmo querendo negar, apenas deu de ombros e apertou Daniel mais forte em seus braços. O menininho riu e esticou as minúsculas mãozinhos para tocar-lhe o cabelo.
- Ele vê o lado bom em você — David comentou — e nós também vemos. Mesmo com tudo o que você já fez, nós queremos esquecer o passado e seguir em frente, mas não podemos fazer isso se você não nos deixar entrar. Nós todos queremos fazer parte da sua vida, como deve ser — era tudo o que ele tinha pra falar. Mary Margaret sorriu, e Regina sabia que agora não teria escolhas a não ser respirar fundo e tentar não chorar.
- Me perdoa — foi o que ela disse e todos a olharam chocados. Ela já havia, um milhão de vezes, pedido desculpas por seu erro passado, mas dessa vez, sentia como se aquele fosse o divisor entre tudo o que passou, e o que ainda viria — Me perdoa por ter errado com você — a madrasta segurou a respiração, levantou de seu assento, lentamente, entregou Daniel a David, e abraçou sua enteada
- Você nunca teve culpa de nada. Você era apenas uma criança inocente e eu nunca deveria ter descontado todo o meu ódio e ressentimento em cima de você — ela disse soluçando — Eu errei tanto com você, eu poderia ter te dado todo o amor, você era criança certa pra mim, e eu não pude ser a mãe que você precisava … Me perdoa — ela pediu com tanto carinho, e tanto desespero, a voz tão embargada, que seria capaz de derreter o maior coração de pedra do planeta.
- Eu amo você — Mary Margaret disse com um sorriso, e apertou com força sua madrasta, trasmitindo a ela o que sentia.
- É, eu amo você — Regina concordou, e riu, pasma por ter demorado tanto tempo para perceber isso.
- Eu sinto que também devo pedir perdão — Rumple afirmou colocando-se de pé. Mary Margaret sentiu que era hora de se afastar, pois sabia que a história dos dois era muito mais complicada. Regina soluçou novamente e o abraçou. Era estranho para todos, vê-la tão emocional.
- Não precisa, por favor — ela pediu soluçando contra o peito daquele que um dia fora seu mestre — Você não teve culpa de nada.
- Tive… Tive sim. Fui culpado por ter te convencido a se livrar de Cora, por ter ensinado tudo de ruim a você, culpado por te incitar a lançar essa maldição, culpado e egoísta. Até mesmo quando a ajudei, há 12 anos atrás, foi pensando somente em mim, e hoje eu sei como errei. Não se pode ter tudo, não é mesmo? — Rumple não era o tipo de homem que abre o coração dessa forma.
- Rumple, por favor — Regina disse com um sorriso — Tudo o que você fez, ou melhor, tudo o que nós fizemos, nos trouxeram a este momento, e há muito tempo eu não me sinto tão bem. Com tudo o que você disse, e todos vocês disseram, é como se um peso de uma vida saísse das minhas costas, e vocês não imaginam como eu sou grata. Eu não sou muito boa lidando com o que sinto, e muitas vezes acabo machucando aqueles que eu amo, mas eu não tenho mais razões para ferir nenhum de vocês. Isso é um novo começo — era tudo o que conseguia expressar através de palavras. A confusão de sentimentos havia se esvaído, deixando-a leve, flutuante. Sentia como se tudo o que já havia vivido tivesse a encaminhado direto para aquele momento, onde tudo finalmente pareceu se encaixar. Ou quase tudo.
- Tudo resolvido então? — Gancho perguntou, parecendo desconfortável por estar envolvido e tocado por todo aquele sentimentalismo.
- Ainda há uma coisa que eu preciso resolver — Regina disse e todos sorriram.
- Vai logo — Mary Margaret disse e a rainha deu um rápido abraço em sua enteada. Com um sorriso renovado, correu para a porta, pegando apenas o casaco e a chave do carro, e saiu para a calçada, com a confiança renovada.
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