Recomeçar não Basta
5 Tempestade a vista
Notas iniciais
[JJ]
-Gin, onde está aquele hollow maldito que enviei semana passada? Lembro-me que era um trabalho simples... Apenas me trazer um humano que nem se quer descobriu seus poderes! –Aizen olhava a grande janela a sua frente, estava de costas com Gin – seu braço direito. Eles estavam naquele mundo – Hueco Mundo – já fazia anos, planejando como se vingar da Soul Society, ao qual os expulsou após realizarem alguns experimentos um pouco exagerados – na visão de Aizen, claro.
Aizen tinha um cabelo preto meio azulado, olhos perspicazes de tom castanho, e possuía uma espada com bainha entalhada de maneira delicada em sua cintura. Com ela já havia feito incríveis destruições, mas ultimamente seu poder não era mais suficiente, queria mais; e foi aí que descobriu um garoto com poder inimaginável, só esperando para ser lapidado, e por isso não poderia perder tempo, pois com certeza o general Yammi já deveria estar de olho no mesmo.
-Ele não vai mais voltar! – Tinha um tom divertido na voz, e um sorriso frio e olhar quase cerrado. – Gin tinha olhos verdes, que quase nunca eram vistos; cabelos cinza curtos, e sua espada era quase imperceptível, pois vivia escondida em suas roupas brancas, eram parecidas com as dos shinigamis, mas de cor diferente.
-Sei! A Soul Society com certeza tem haver com isso! Prepare-se e me traga o garoto! Mesmo daqui, sinto que sua energia está começando a despertar, e preciso tê-lo antes que isso aconteça, pois minha Houngioku não será eficiente se ele já tiver o controle em seu próprio poder! – Exaltou-se Aizen.
-Are, are!Faz tempo que não brinco no mundo material! – Saiu com um sorriso de orelha a orelha. Foi quando no pátio daquele palácio branco, ele fincou sua espada no ar e a retorceu, como se estivesse abrindo algo, e um buraco escuro se abriu a sua frente; ao fundo dele já se podia ver a cidade de Karakura em sua noite de paz. Ele entra e o buraco se fecha atrás de si.
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Fazia cinco dias que Ichigo a havia beijado. Rukia não sabia bem o que estava sentindo. Nunca havia acontecido isso antes, e não a ensinaram nada na escola espiritual sobre este tipo de coisa. Mas o que mais a irritava, era o fato do ruivo não demonstrar nenhuma mudança. Continuava o mesmo cara carrancudo, de pouca conversa, e ainda por cima ficava literalmente viajando nas aulas.
-Oras! “Ela que não deveria estar ali, estava prestando atenção nas aulas, e ele que era aluno de verdade não estava nem aí!” – Pensou. O ruivo ficava o tempo todo de olhar perdido, olhando às vezes pro nada ou para fora da janela, deixando a baixinha com vontade de chutar a cara lavada do garoto. Então escreveu uma mensagem ao desatento novo amigo, e jogou discretamente na carteira dele.
-O que? – Ichigo sussurrou. Abriu o bolinho de papel:
Kurosaki Ishigo, se ficar viajando assim, vou falar para seu respeitoso pai para aplicar-lhe um corretivo. Tenho vários métodos de se torturar alguém que aprendi da minha nobre família.
Ass: Rukia.
-Vai pro infer...
-Falou alguma coisa Kurosaki? Parece que tem algo pra turma hoje! Pode falar, estamos curiosos com seus comentários produtivos! – Caçoou a professora de literatura japonesa. Era maluquinha, não tinha a menor noção da relação aluno-professor, e vivia gritando e amaldiçoando seus intrépidos alunos.
-Não tenho nada pra falar! – Ichigo agora era o alvo dos olhares maliciosos da turma, enquanto Rukia fazia pose de boa moça, olhando pra frente como se não fosse a causadora daquela interrupção.
Ao soar o sinal, o ruivo se apressa, fugindo de Inoue e suas amigas macabras – era o ponto de vista de Ichigo sobre suas colegas – e se escondendo em seu local preferido, o telhado. Rukia, também fez o mesmo e logo já estava subindo alegremente as escadas para o mesmo telhado. Ela havia passado praticamente a semana toda infernizando o garoto. Adorava fazer perguntas descabidas, mas pra ela tudo era novo, e só o ruivo tinha as explicações mais divertidas – no modo de ver dela – sobre tudo.
-Ei Ichigo! Diga-me! Porque aquela caixa com pessoas dentro – falava da televisão – falou que hoje vai chover, se não tem nenhuma nuvem no céu? Acho que seu oráculo vai errar desta vez! — Perguntou inocentemente.
Pra ela tudo era simples assim; Ichigo, já havia tentado explicar que aquilo não era oráculo e sim metereologista, mas a palavra era imensa pra entrar na cabecinha oca da baixinha, e como tinha costume de ligar a TV antes de ir à escola, ela ficava observando cada noticiário ou comercial que passava. Ela era a diversão da família. Todos adoravam a inocência sem noção da menina, e suas perguntas infantis. Ishim achava que era porque ela era pura demais, por isso era assim. Pra Karin, ela era uma menina de alguma minúscula cidade do interior, que vivia enclausurada e desconhecia o mundo lá fora (se bem que estava mais próxima da verdade), e para Yuzu ela era a irmã que pediu a Deus. Tudo que lhe mostrava e ensinava era tratado com muita atenção; Rukia elogiava tudo, adorava tudo, experimentava de tudo. Mas pra Ichigo, bem ele não estava muito presente mentalmente naqueles dias, a garota era só mais alguém que deveria contornar.
-Oi! Terra pra Kurosaki! – Devido à demora do rapaz em respondê-la ela se adianta, pois Ichigo estava literalmente repassando sua vida naquela semana.
-Não é oráculo sua burra; é metereologista, e eles nem sempre acertam todas! – Falou olhando para o céu.
Rukia pensou em perguntar mais alguma coisa, mas se calou novamente, isso era mais por vir a sua mente o dia do beijo do que a rispidez ao qual foi tratada. –“Aff! Sinceramente não sei como posso estar pensando nisso... Nesse morango azedo, cara de quem chupou limão...” – Teimava em seus pensamentos, mas já admitia que adorava ficar perto daquele idiota. Mas logo algo lhe atraiu a atenção, sentiu um poder espiritual que a fez tremer e seus olhos se arregalarem, o que não passou despercebido pelo ruivo.
-Algum problema baixinha? – Olhou fixo para a menina que parecia que iria desmaiar a qualquer momento. -Oi Rukia, tudo bem?
-E-Ele esta aqui... Em Kara-kura! – Gaguejava descontrolada.
-Quem? Quem esta aqui Rukia? – Segurou firmes os braços de Rukia para que esta não caísse.
Não teve tempo de responder, pois do nada recebeu um chute que a fez voar longe. Ichigo havia sido empurrado contra a parede por um braço forte e um sorriso maléfico em um rosto pálido o prensava.
Ichigo tentou se soltar, mas sentiu seus sentidos esvaírem quando recebeu uma pancada forte no estomago, o que o fez expelir sangue pela boca e desmaiou em seguida. Rukia ainda tentou se levantar, mas sem sua katana não passava de uma humana com um pouco de poder de kidou, o que não seria suficiente para vencer seu oponente à frente.
-Dei-deixa ele em paz seu monstro! – Sem se importar com sua fraqueza e medo avança contra Gin que segurava Ichigo pelo pescoço. Tentou chutar seu rosto, mas teve sua perna parada com a mão esquerda do oponente, e levou um chute que a fez voar novamente, mas agora foi tão forte que ela foi lançada contra a grade de segurança do terraço e caiu do prédio que tinha três andares. Não pode ver quando Gin abriu o portal e avançou arrastando Ichigo para o outro mundo. Ela estava inconsciente e seu sangue começou a esvair a sua volta. Alunas que passavam gritaram por ajuda desesperadas pela cena que presenciavam.
Tudo estava acabado para aqueles dois, pois agora Ichigo não poderia mais ouvir as perguntas idiotas da morena que tanto o provocava.
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-Que lugar é esse? – Rukia acorda e percebe que esta novamente em um hospital, mas sente todo seu corpo moído e cheio de dor. Um desespero lhe tomou conta. -Onde Ichigo está? – Tenta se levantar, mas não consegue, sentiu algo duro nas pernas, era o gesso que colocaram. Foi quando Ishin entrou no quarto com o rosto transtornado, mas que logo mudou para um semblante mais calmo ao ver a menina acordada.
-Kushiki-san! Graças a Deus que você esta bem. Achávamos que você ficaria desacordada por dias; você é do tipo “durona”, heim? – Sorriu.
-Onde Ichigo esta? – Repetiu a pergunta; tentava inutilmente se levantar, mas a dor e o gesso não lhe permitiam.
-Calma, não se mexa muito, você tem duas costelas quebradas, e as pernas também em alguns ossos importantes. Teve muita sorte de não sofrer traumatismo craniano, ainda pensamos que foi um verdadeiro milagre sair assim! Quanto a Ichigo, ninguém o encontrou, mas acho que deve ter sido o desespero dele, ou fugiu de novo! – Tentava não preocupar a menina, mas sabia que algo ruim havia acontecido, além do mais desde que Rukia chegou os dois eram inseparáveis. Achava que ele tinha tentado o suicídio novamente e a menina havia tentado impedi-lo.
Rukia olhou para fora de sua janela e viu a chuva forte que caía, junto uma lágrima escorria em seu rosto. O que poderia fazer agora, sem poderes e sem a chave para voltar a Soul Society e pedir ajuda para salvar Ichigo? Fora por sua incapacidade que ele foi seqüestrado.
-Ichi-go me perdoe! – Sussurrou pra si, alheia a todo o movimento dos médicos e Ishin a sua volta.
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Com o corpo dolorido e a cabeça pesada, Ichigo abre forçosamente os olhos e observa ao seu redor. Dezenas de pares de olhos estranhos o observavam com sorrisos escarnecidos, e notou um homem ereto se aproximando. Não conseguia dizer nada nem se mexer, foi quando percebeu que estava pendurado com suas mãos e pés amarrados, esticados ao extremo o que causava a sua dor.
-Ora, ora! Nosso hóspede acabou de acordar! – Aizen ficou cara a cara com o ruivo.
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