Recomeçar não Basta

10 Inicio de tudo - parte I


Notas iniciais
Como prometido, estou postando mais um capitulo fresquinho! Prestem atenção nestes caps que serã o postados, pois muita coisa sera revelada destes dois.

Florença século XVI

Em frente ao grande espelho de moldura entalhada e revestida em ouro amarelo, uma jovem de cabelos negros colocados delicadamente sob um toucado de renda, deixando a mostra sua franja anelada, tentava forçar o corpete branco de armação de barbatana a se fechar em sua cintura; vestida somente com sua chemise de tom pastel; Rukia lutava contra para deixar sua silhueta já alterada pela gravidez de forma acinturada. Estava se achando gorda e feia com aquela barriga de cinco meses, mas amava o filho em seu ventre. Sem perceber alguém se aproxima por trás, ela estava de cabeça baixa e não notou um homem alto vestido de calca justa azul marinho, blusa preta com o gibão de cor azul escuro, uma capa curta com desenho floral, com longos cabelos laranja amarrados em um rabo de cavalo com uma fita azul escura. Ele a abraça por trás na altura da cintura, esta treme assustada pela surpresa, mas com carinho acaricia as mãos que pareciam enormes junto as suas pequeninas e delicadas mãos.

-Porque tentas colocar esta coisa apertada, meu amor? Tu já és linda por natureza, e serás a mamãe mais charmosa e delicada de toda a Itália! – Beijou delicadamente o ombro exposto da morena.

-Minha barriga está enorme Ichigo! Não precisas mentir para mim, sei que estou horrorosa! –Virou-se para ficar frente aquele olho cor de mel. Um sorrisinho delicado e triste surgiu em seu rosto esperando a resposta do ruivo que a fitava com ternura e aproximava mais seu corpo a moça para sentir seu suave perfume de jasmim.

-Rukia, não digas bobagem, sabes que estás linda e que te amo mais que tudo neste mundo! – Encostou levemente a testa junto à dela, e com fervor beijou-lhe os lábios que ainda estavam sem a devida maquiagem. A baixinha enlaça o pescoço do rapaz e por alguns minutos passaram a contemplar o sabor da boca um do outro. Sem timidez ou pressa seus movimentos eram sincronizados e delicados, a língua do rapaz explorava com avidez a boca da garota que vez ou outra gemia baixinho com o contato. Terminaram e encostaram novamente as testas, passando a contemplar cúmplices o olhar um do outro. Estavam visivelmente apaixonados, e aquela criança que estava sendo gerada era à maior prova de seu amor.

-Quando voltas para vossa esposa Ichigo? Fico nervosa só de pensar em compartilhar vossos beijos com aquela dama; meu coração parece que irá explodir de tristeza e ânsias por vós! – Rukia se solta e torna a virar-se para o espelho, deixando o corpete de lado e tentando vestir a saia de cor amarela floral em sua cintura. Ela odiava o fato de ser considerada uma amante por seus amigos, sendo que ela era a verdadeira mulher de Ichigo; este não podia assumir seu relacionamento com Rukia e não tendo escolhas foi obrigado a desposar uma condessa por sua família.

-Sabes que não sinto absolutamente nada por Masaki, Ru! Meu amor e meus beijos cálidos são somente para vós e ninguém mais! – Passou as mãos pelo ombro da pequena que sentiu um pequeno arrepio. Ele a vira para si e torna a tomar seus lábios em uma paixão avassaladora. Sem se importar com as pequenas palmadas que Rukia lançava em seu peito, Ichigo a levanta e encaminha abraçado sem parar o beijo até a cama com dossel em seda vermelha, depositando-a devagar e com delicadeza. Retira a saia que não estava bem colocada em sua dona, esta balançando o indicador em reprovação, mas com um sorriso sapeca no rosto sem perder o contato com o olhar cheio de luxúria de seu amado. Ichigo se deita ao lado da moça e a puxa com força para cima de si; teria certa dificuldade em fazer amor com a jovem já que a barriga estava com uma saliência causada pela gravidez, mas nada que com uma boa posição não resolva, pensava enquanto se preparava para tomar sua linda mulher e amante.

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Uma bela residência despontava imponente na pequena cidade de Florença. Suas janelas eram enormes em forma de arco, com vidraças coloridas e cheias de desenhos e afrescos. O movimento não mansão era grande, empregados vestidos com suntuosidade e cores vivas corriam de um lado para outro com bandejas de iguarias e flores, taças de vinhos e garrafas de bebidas, tudo para preparar a festa em homenagem ao governador geral da província. Masaki a senhora daquela casa lutava desesperada para disfarçar a ausência de seu marido ante alguns convidados que chegavam antecipadamente ao evento. Vestida com um lindo vestido floral de tons vermelhos e laranja, um corpete de cor branca e mangas longas bufantes, conversava graciosamente com os convidados, vez ou outro bagunçando a mecha de cabelo ruivo em tom avermelhado que emoldurava seu belo rosto e olhos vivazes. A fúria dentro de si só aumentava, pois sabia muito bem onde o marido se encontrava, junto à pequena camponesa que roubou o coração do ruivo. Ainda não estava ciente de sua gravidez; evitava contato com aquela usurpadora de maridos, detestava fingir que nada estava acontecendo frente aos seus amigos e parentes, sabia que não tinha chance contra a garota que era a paixão de Ichigo desde que entrou para a guarda especial. Se pelo menos ela fosse uma bruxa, poderia pedir apoio ao governador para queimá-la em alguma fogueira na cidade. Naquela época pessoas suspeitas a feitiçaria, ou simplesmente que estavam no caminho de algum nobre, eram sentenciados as mais horríveis torturas e queimados em fogueiras, atração geral para muitos expectadores. E essa idéia ficou martelando na mente da jovem nobre, ate que foi interrompida por um empregado que sussurrava ao seu ouvido a chegada de mais um nobre a sua casa.

-Perdoem-me a minha retirada, mas terei que atender a sua Eminência que me presenteia com sua ilustre presença! –Suavemente cumprimentou o casal que atendia e se direcionou ate o convidado de honra que entrava no salão principal luxuoso. Ao aproximar-se dele ela cumprimenta flexionando as pernas enquanto segurava a saia com as duas mãos, e beijou a mão de luva branca coberta ate a altura do antebraço do velho senhor a sua frente. Este em sinal de agradecimento faz o sinal da cruz em direção a cabeça de Masaki que permanecia abaixada em sinal de respeito e submissão.

-Como estás minha doce menina? Estou lisonjeado por ser convidado a vossa festividade! Soube que darás um espetáculo de fogos de artifício? Estes me encantam com sua beleza, e pena ainda serem raros em nossos céus! – Sua voz suave e intimidade ao falar, denunciavam o longo contato que ambos possuíam; não era à toa, Masaki havia sido sua aluna preferida no convento quando era menina.

-Bispo Teronio, sabes que és bem vindo em minha casa! –Acalorada com o elogio, Masaki pega delicadamente a mão do bispo e o encaminha até algumas cadeiras almofadadas que circundavam o salão para que pudessem conversar com mais comodidade, aja visto que ele já tinha a idade avançada, próximo de seus oitenta anos.

Ao sentarem ela pede a um dos serviçais que corria com uma bandeja repleta de doces os servisse aos dois. E após servirem-se de alguns doces franceses, ambos reiniciam a calorosa conversação.

-Estou vendo que vosso marido não se faz presente novamente! Entendo agora porque este ar de preocupação em vosso belo rosto! – O velho afaga as mãos da moça contra a sua; era ciente do sofrimento ao qual a jovem passava com Ichigo.

-Não vos preocupeis minha Eminência! Sei muito bem me portar ante isso, e sei que mais cedo ou mais tarde meu marido tomará amor por mim! – Virou o rosto para que não notasse um inicio de lágrima em seus olhos.

-Não minha menina; infelizmente o pobre foi enfeitiçado por aquela jovem, terás que agir de forma mais ativa para conquistar o coração daquele rapaz! – Era nítida a preocupação com sua protegida, ele a amava como se fosse uma filha sua.

-Mas o que poderei fazer? Se ela fosse pelo menos uma Stregheria poderia entragá-la as santas autoridades, e seria condenada por bruxaria, então poderia ver-me livre de sua interferência.

-Ora, mas quem disse que ela não é uma Stregheria? Ninguém sequer sabe a origem de seu nascimento ou de sua família? Se esta é a única maneira que temos para nos livrarmos deste pequeno demônio, usaremos isto com confiança da solução certa! – Exaltou-se arqueando o corpo em direção a moça, esta se assustou com tal reação do velho amigo, mas teria que tentar algo se quisesse a atenção de seu marido.

-Farias isso por mim Eminência? – Um brilho surgiu em seus olhos, ainda existia esperança de ter o amor de Ichigo.

-Sim minha querida, faria sim! – Firmou contrato com Masaki. Ele tinha poder para isso, e com ajuda de alguns velhos conhecidos faria a vida da intrusa tornar-se um inferno, pois faria qualquer coisa por Masaki. Ele tinha adoração pela jovem, e desejava do fundo da alma a felicidade da moça. O sorriso dos dois selava o conluio para o plano já arquitetado em suas mentes. Rukia agora corria sérios perigos.

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Ao se despedir de Rukia, com muita dificuldade, já que não fazia nenhuma questão de retornar para sua "casa", Ichigo tomou seu cavalo negro e cavalgou com pressa em direção ao centro da cidade. A jovem morava nos arredores de Florença, uma necessidade do casal para que pudessem se encontrar sem longos vácuos de tempo entre si. A jovem futura mamãe se preparava para deitar-se, já que ultimamente cansava mais rápido e o sono lhe brindava com maior freqüência, quando ouviu toques desesperados em sua porta. Ao abrir avista um dos empregados de Masaki e velho amigo seu ofegando enquanto entrava em sua pequena, mas confortável casa.

-Renji? O que faz aqui uma hora dessas? Não deverias estar cuidando da festa que estão dando na casa do Ichigo? – Arqueou a sobrancelha ao ver o amigo correr pela casa procurando por roupas e alimento, o que fez a baixinha se preocupar.

-Precisamos tirar-te daqui Rukia! Corri o mais rápido que pude quando ouvi Masaki e o bispo da cidade conluiar contra ti. Eles irão fazer-lhe algo muito cruel, e por isso precisamos fugir o mais rápido possível! –Tomou o braço da jovem e sentou em uma cadeira próxima, temia pela gravidez da jovem; era sua melhor amiga e mulher de seu querido amigo, aquele que os havia salvado quando se conheceram a primeira vez no porto Italiano. Eram imigrantes franceses que entraram ilegalmente na Itália em busca de uma vida melhor devido o progresso daquele país.

-Mas como avisarei Ichigo? Não podemos sair assim, e meu bebê? Como pensas em tirar-me neste estado? –Lágrimas começavam a traçar o alvo rosto da moça.

-Eu sei minha amiga, mas teremos que proteger-te destes nobres que só possuem em vista os próprios umbigos! Temos que salvar-te a ti e vossa criança! Avisarei Ichigo assim que estiverdes em lugar seguro! – Tentava acalmar a baixinha que mostrava seu desespero e temor a possível vingança de Masaki. Sabia que algo assim poderia acontecer, mas amava tanto Ichigo, que correu o risco assim mesmo.

Ao terminar de pegar roupas e alimentos, algumas moedas de ouro que Ichigo lhes havia dado, ambos saíram às pressas na pequena carruagem que Renji trouxe para levar a amiga sem levantar suspeitas aos vizinhos. Os cavalos avançavam com pressa e fúria no caminho, quando Renji foi obrigado a frear os cavalos com força, para desespero de Rukia que lutava dentro da carruagem para não se machucar com a frenagem repentina. A frente deles dezenas de cavaleiros em seus cavalos bloqueava o lugar, quando um avançou e anunciou a sentença que os amigos tanto temiam.

-Tentavas fugir bruxa? Sereis sentenciados a morte pela fogueira, não só vós quanto a este que ajudou na tentativa de fuga deste demônio! – Cercou a carruagem e abriu com violência a portinhola tomando com violência Rukia pelo braço que gritava desesperada, lutando contra seu algoz.

-Pelo amor que vós tendes por Deus nosso Senhor, não machuquem uma mulher grávida! Eu não posso ser acusada de ser algo que nunca fui! Tenham piedade e deixem-me ir! –Exasperada e com medo olhou para o amigo que estava sendo espancado pelos soldados.

-Grávida? Só pode ser coisa demoníaca! Não minha pequena senhora, fostes acusada por nossa Eminência, acaso achais que ele mente? Só mostra vosso desrespeito aos servos do Senhor! – Subjugou a baixinha e a fez sentar no cavalo que a levaria para o seu maior pesadelo.

Era noite quando Ichigo chegou a sua residência, e estava completamente desinformado do que acontecia a pessoa que mais amava. Trocou-se o mais rápido possível, e se pôs junto à esposa para atender aos convidados que já se preparavam para assistir ao espetáculo de fogos de artifício no imenso jardim. Masaki olhava desconfiada para o bispo, sabia que ele já havia iniciado seus planos, e temia que algo pudesse sair errado, ou pior, que Ichigo soubesse de alguma maneira que ela estava metida nisso. Conhecia a fama do rapaz, este já havia vencido centenas de soldados e era considerado herói pelo povo da cidade, ate o próprio rei o havia elogiado e oferecido a patente mais alta de seu exercito, mas que foi recusado pelo ruivo, pois este teria que se mudar para outra cidade e ficaria longe de sua amada.

Fogos coloridos explodiam no céu estrelado. Enquanto lágrimas de uma pequena mulher escorriam enquanto era levada para receber sua sentença. Passava delicadamente as mãos sobre a barriga, na esperança de acalmar a criança que se mexia muito devido o medo crescente de sua mãe. O que seriam deles? Pensou.

-Ichigo, por favor, venha me salvar! – Sussurrou para si enquanto avistava ao longe o colorido dos fogos que sabia ser da residência de Ichigo.

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Vocabulário

Gibão: veste de homem usada durante os séc. XIII a XVII, que cobria o corpo do pescoço até um pouco abaixo da cintura.

Chemise: camisola geralmente de algodão que era colocada por baixo dos vestidos para evitar que o suor os sujasse.

Stregheria: um termo usados para a antiga Bruxaria italiana.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Mantive os nomes para que pudessem entender quem eram os personas desta era! Semana que vem tem mais! Lembrem de deixar reviews!Beijos,

JJ