Recomeçar não Basta
11 Início de tudo -Parte II
Notas iniciais
JJ
Os raios solares atravessavam as grades enferrujadas daquela cela, repousando no rosto sereno de Rukia, que ainda estava adormecida no colo do rapaz de cabelos vermelhos. Este encostado a parede úmida da prisão relutava em tentar acordar com a provocação daquele calor da manhã. Estavam ali aguardando sua sentença como muitos outros prisioneiros moribundos e desconsolados em ter justiça. Sabiam que o que os aguardavam era a morte, só não sabiam que tipo de tortura os aguardavam, já que foram acusados do crime capital daquela época – bruxaria. Rukia se remexe desconfortável com os chutes constantes de seu bebê e acaba acordando, despertando também Renji que já não conseguia mais manter os olhos fechados.
-Bomjour Cher ami! – Rukia levantou-se escorregando para o lado e apoiando o corpo pelas mãos, conseguindo assim ficar de pé.
-Bomjour, shorty! – Renji apoiou a amiga para auxiliar em sua tentativa de sentar-se adequadamente. A baixinha estava pesada, mas não era problema para seu amigo contornar. Ficaram observando o local com maior interesse, já que no dia anterior haviam chegado à noite e como iluminação não era prioridade em uma prisão, eles não puderam ver para onde estavam sendo levados. A cela era grande e muito úmida; ratos e baratas corriam pelos corredores e uma porta velha de madeira com grades na parte superior trancava o local. Podiam escutar gemidos de prisioneiros e a frente vislumbrava algumas ferramentas caídas no chão, seu oficio era torturar de diversas formas os prisioneiros que se rebelassem. Na pequena janela que permitia o sol passar, podia-se perceber que o local estava abaixo do nível da rua, e a movimentação já começava a aumentar. Ao longe na praça, um monte de lenha e pedaços de madeiras estava sendo dispostos para formar uma grande fogueira. Em seu centro duas altas estacas de madeira situavam onde duas pessoas seriam colocadas para queimarem nas chamas do fogo da justiça.
Rukia ao ver isso não consegue controlar o choro e os soluços que voltaram com força. Renji se condói da amiga e a abraça com força.
-Rukia, eles irão pagar caro por isso! Sabes que és inocente! Será feito justiça a nosso favor, sei disso! – Renji continha as próprias lagrimas enquanto apertava o abraço a amiga. Rukia fica calada e a única coisa que conseguia pensar era em como Ichigo ficaria após saber o que estava acontecendo.
Um barulho de passos arrastados se aproxima do casal de amigos, e podiam ouvir as lamúrias e choros ao passar por cada cela. Pessoas colocavam os braços para fora implorando clemência ao homem que atravessava os corredores com a cabeça altiva e olhar frio. Ele para ao ficar de frente a porta de Rukia, e com uma pesada chave abre a porta encontrando os dois amigos ainda abraçados. Frio e medo passaram pelas mentes de ambos, o fim deles estava se aproximando e não poderiam fazer nada para conter isso. Renji ainda tentou lutar, mas foi contido por alguns carcereiros que acompanhavam o tal homem. Rukia foi levada pelo braço com asco, como se fosse algo contagioso e fétido. Ela apertou com força a barriga para conter um chute forte que recebeu após o braço ser apertado com violência. Ambos foram arrastados pelos corredores imundos, enquanto ouviam gritos e algazarras pelas celas; alguns gritavam por justiça, mas outros riam e gritavam para queimarem os bruxos, filhos do demônio. Rukia estava ficando desesperada por ouvir tudo aquilo, e enquanto andava sentiu algo quente e viscoso escorrer por suas pernas. Ela não sabia, mas estava com hemorragia; sua pequena criança lutava dentro da mãe para sobreviver.
Já na praça, os dois foram amarrados no poste de madeira, e tiveram suas cabeças cobertas por um capuz branco para não poderem enxergar as pessoas que se juntavam ao espetáculo — como era conhecida na época a execução na fogueira. Em frente deles estavam montadas mesas e cadeiras de madeira, onde sentariam seus juízes. Eles não haviam sido julgados ainda, mas já sabiam a própria sentença.
Pessoas de todas as classes rodeavam o local, e algumas carruagens paravam nas proximidades para ter a visão do lugar. Ao longe o velho bispo presenciava de sua janela a cena deplorável ao qual foi obrigado a colocar a jovem francesa, tudo para proteger sua aluna. Rezava em sua mente, rogando perdão pelo que fazia, mas jamais ousaria impedir aquela atrocidade para salvar a inocente.
O julgamento não tardou em começar. Rukia tremia muito e sentia suas forças esvaírem, mas sentiu um aperto em sua mão, era Renji que mesmo vendado apoiava a amiga naquele momento. Isso a fez se acalmar um pouco. Um carcereiro se aproxima deles e retira o capuz de suas cabeças. Agora podiam olhar para cada rosto que os observavam. Rostos de mulheres, crianças e velhos; uns com tristeza nos olhos, outros com duvidas e alguns com raiva. Mas era unânime a dor geral por ter uma mulher grávida a ser queimada. Alguns imploravam aos soldados para que parassem aquela matança, mas eram rechaçados para longe da praça. Rukia olhou para as pessoas sentadas as mesas a sua frente. Dois eram padres e duas autoridades locais. Levantou a cabeça e olhou em direção a uma janelinha do prédio a frente, percebeu um velho a observando, lembrou-se que era o bispo amigo de sua rival. Ela o encarou com firmeza, e come se soubesse o nome de seu algoz ela o amaldiçoou. O velho bispo pode ler seus lábios que mexiam com lentidão, cada palavra que Rukia lhe dizia em silencio.
Os quatros juízes iniciam a leitura da acusação e sem demorarem já informam a sentença dos dois.
-E pelos poderes a nós concedidos, os declaramos culpados pelo crime de bruxaria, onde a pena é a morte pela fogueira.
-Seus miseráveis! Estais matando sangue inocente! Vosso Deus ira condená-los por tamanha maldade! Eu vos amaldiçôo! – Renji gritou ante seus algozes. Um homem alto e de roupas negras, se aproxima com uma tocha na mão; ele posiciona em frente ao rapaz somente aguardando a ordem para iniciar o fogo. Rukia nada dizia, já havia falado tudo o que queria, e agora só aguardava a morte chegar. Sofria mais por não poder salvar seu filho do que por perder a própria vida. Desejava tanto que a tivessem escutado, quando implorou para que a esperassem ter a criança e depois poderiam matá-la da maneira que lhes aprouvessem, mas não foi ouvida. A permissão foi dada e a tocha lançada na palha ao redor da lenha. O fogo começou pequeno, mas ganhou força e intensidade rapidamente. O crepitar das chamas já podiam ser ouvidas por todos e o calor estava ficando insuportável para os dois. Renji lutava contra algumas chamas que se aproximava de suas pernas e Rukia gritava de desespero e terror com o que via. O silencio só era quebrado pelos gritos dos dois, todos estavam atônitos e sem palavras. Ninguém estava comemorando ou mesmo se mexendo. Quando um galope rápido atravessou o lugar com violência. Um jovem rapaz de cabelos laranja avançava contra a multidão para se aproximar das chamas.
-Rukiaaa! – Gritou com força. Brandiu a própria espada e avançou contra um dos carcereiros. Ninguém entendia porque o jovem herói da cidade estava lutando por aquela moça. Tentaram conte-lo sem muito sucesso. Corpos de soldados caiam imóveis pelos golpes do rapaz. Ele correu pelas chamas e lutava para desamarrar a pequena mulher que já estava desacordada no centro daquele inferno. Um soldado alto arrancou com força o rapaz para que este não se queimasse, e com violência o agarrou pelo pescoço fazendo-o ficar deitado no chão, não permitiriam que alguém como Ichigo se perdesse nas chamas. Ichigo bufava e lutava para se soltar daquele homem corpulento, mas cada vez mais ficava sem forças. Seu sangue escorria pelo rosto e varias marcas arroxeadas apareciam em se corpo. Ficou inerte olhando a mulher de sua vida ser tragada pelas altas chamas. Seus olhos estavam embargados pelas lágrimas que escorriam. Sua vida estava sendo tirada em sua frente e não podia fazer nada para impedir. Não soube precisar quanto tempo durou aquelas chamas, mas já não reagia com as pessoas ao seu redor, já não sentia mais seu corpo. Estava sendo carregado por alguns guardas, mas sua alma já não existia mais, estava morta junto a sua mulher, seu filho e seu melhor amigo.
Três dias já haviam passado e Ichigo ainda estava desacordado. Masaki estava desesperada e procurou os melhores médicos da cidade, mas ninguém sabia como acordar o jovem capitão. Então pediram para que o deixassem estar assim ate que ele mesmo levantasse sozinho.
Ichigo acordou e aos poucos se levantou. Sem dizer nada a ninguém pegou seu melhor gibão e capa; sua bainha e a espada que estavam penduradas na parede, e correu ate o celeiro, onde tomou seu cavalo preferido e montou sem dar ouvidos a um de seus empregados. Cavalgou com velocidade, atravessou a cidade ate seu limiar, parou em frente a uma casinha pobre. Chutou a porta e entrou sem esperar. Atravessou o pequeno cômodo e chegou ante um grupo que estava prestes a iniciar seu almoço. Sentados a mesa estavam Yoruichi, Urahara e Tessai. Ficaram surpresos com a visita repentina, já que fazia meses que Ichigo não os visitam.
-Urahara! Por favor, ligue minha alma a de minha mulher! Faças com que eu possa reencarnar junto à alma dela! – Gritou em visível desespero. Procurou o velho amigo, pois o mesmo possuía um debito com ele por ter-lhe salvo a vida há anos atrás. Não entendia muito bem o que Urahara era, pensava ser algum tipo de demônio ou coisa parecida, mas sabia que ele poderia fazer o que pediu, já havia visto algo semelhante acontecer antes. Urahara tinha poderes sobrenaturais e usaria isso a seu favor, nem que fosse a ultima coisa que ele conseguisse fazer.
-Nossa! Ichigo estas bem? Porque vós me pedistes algo impossível de fazer? – Urahara teve seu pescoço rodeado pelas mãos do amigo, Yoruichi e Tessai tentaram inutilmente soltar o rapaz do amigo, mas não conseguiram.
-Eu lhe imploro Urahara! Minha vida acabou! Tiraram minha vida na fogueira, não irei mais viver em um mundo monstruoso como esse! Tirarei minha vida agora, mas preciso que garantas que irei ficar ao lado de Rukia! Sei que podes fazer isso, disseste-me que era um deus da morte, que encaminhas almas para o alem, então encaminhe a minha para junto de Rukia! – Ichigo começou a chorar e aos poucos soltou o pescoço do amigo ficando de joelhos agarrado as calças de Urahara. Este acariciou o rapaz com pena, e com ímpeto o levanta para que ficassem cara a cara.
-Sabes que isso vai contra as regras de meu mundo, e que só estou preso aqui por ter feito isso! Não sabes? – Esperou Ichigo confirmar com a cabeça. Seus olhos não possuíam mais aquele brilho amarelo de que Urahara tanto apreciava no rapaz. Ele o abraçou com força e continuou.
-Não sei bem o que acontece às almas que são desviadas de seus destinos iniciais, mas vos digo que irei acompanhar-te em cada vez que voltar ate que possas encontrar sua dama! – Ichigo o aperta com força, havia recebido a aprovação do amigo. Estava com medo de tudo aquilo, mas não desistiria de encontrar de algum modo sua amada baixinha.
-Não me importo com o que aconteça, contanto que possa pedir perdão a ela e possa viver ao lado dela para sempre! – Determinado ele olha para seus amigos que o cercavam. Abraçaram-se todos com força e ao terminarem Ichigo se distancia um pouco, e sem exitar retira a espada de sua bainha. Ele a posiciona na altura do estomago e espera o amigo terminar de recitar algo que não compreendia. Os três recitavam palavras em japonês e posicionou-se em volta do rapaz, uma luz azulada preencheu o local e Ichigo recebeu a permissão de Urahara para desferir o ataque. Ele encrava a espada em si mesmo, atravessando o próprio corpo devido à força que usou. Ajoelha ante os amigos e antes de perder os sentidos se despede com dificuldade.
- Grazie Urahara!Vedo dall`altra parte! –Cuspiu um pouco de sangue e desabou pra frente sem vida. Tessai o pega com cuidado e o deita, retira a espada e a coloca ao lado do corpo. Yoruichi chora silenciosamente, enquanto Urahara cobre seus olhos com a mão num gesto de respeito pelo amigo.
-Urahara, o que poderá acontecer a Ichigo? Corremos o risco dele transformar-se em Hollow neste trajeto, devíamos ter-lhe encaminhado ate a Soul Socyte para que possa seguir seu próprio destino! –Yoruichi estava transtornada com tudo aquilo.
-Ele é forte! Sei que conseguira encontrar o que deseja! Nossa responsabilidade agora é cuidar para que tudo aconteça conforme o esperado! Devo minha vida a ele Yoruichi, não poderia negar-lhe este pedido! – Sentenciou o deus da morte, e pediu para que preparasse um funeral digno aquele rapaz que há alguns anos o salvou da morte. Não fazia idéia de como o rapaz conseguiu matar um hollow sem sequer enxergá-lo, e como ele estava quase sem força, devido sua fuga com os amigos feridos, não poderia proteger-se daquele monstro que o atacava.
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Rukia estava atônita com o que acabava de ouvir. Automaticamente sem perceber colocou as mãos contra a barriga e se encolheu. Iniciou seu choro silencioso. Agora podia entender todos aqueles sonhos que tinha, aquelas memórias que ninguém na Soul Socyte conseguiu explicar-lhe. Ichigo também não conseguiu se mexer. Estava de frente a Urahara que com a cabeça baixa evitava fita-lo.
-Então... Esta Rukia é aquela da qual aquele Ichigo pediu para ligar-se? Minha... Rukia? – Um brilho diferente apareceu em seus olhos cor de mel. Ele vagarosamente se aproxima da pequena shinigami e a abraça com força surpreendendo até mesmo a garota que não conseguiu reagir. – Finalmente eu compreendi tudo! Agora nunca mais permitirei que a tirem de mim Rukia! Minha querida! – Apertou-a ainda mais como para certificar-se de que ela não desapareceria a sua frente.
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Vocabulário
Bomjour Cher ami! — Bom dia amigo, em francês.
Bomjour, shorty! -Bom dia, baixinha, em francês.
Grazie! – Obrigado, em italiano.
Vedo dall`altra parte! – Te vejo do outro lado, em italiano.
Notas finais
Grande beijo,
JJ
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