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30 Capítulo 30 - A espera de sessenta anos
Notas iniciais
O chalé estava envolto numa densa névoa, um ar sorumbático tomara conta do local, era rotundo.
— O que está acontecendo? — Marjorie questionara, apenas para ser ignorada.
Ao entrarem, um calafrio percorreu seu corpo.
— Bernardo? — chamou. Aquilo só poderia estar ligado a ele.
Não houve resposta, mas sua imagem surgiu tremeluzente em frente a Rosa, o olhar magoado e irritado.
— Por que demorou tanto? — sua voz sombria ribombou furiosa como um trovão.
— Eu não estava pronta. — Rosa parecia uma menina destemida, sua imagem pequena comparada à dele.
— Eu esperei por sessenta anos! Preso aqui, eu esperei por você todos os dias!
— Eu esperei, mas você nunca apareceu. Ele foi me buscar. Vivi por anos atada ao homem que me definhava, o homem que matou o meu amor. — Estendeu a mão para tocá-lo.
— Precisei de você, Lúcia. — Ele cedeu ao toque dela, mesmo sendo um fantasma, Bernardo era uma manifestação bastante real.
— Eu não podia vê-lo sabendo que não poderia estar com você.
— Eu não a traria para este mundo de morte. Só queria vê-la.
Marjorie só notara agora, que Rosa era mulher por quem Bernardo se apaixonou, morreu e esperou. Era ela quem ainda o mantinha preso ao mundo dos vivos.
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