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16 Capítulo 16 - A morte não é uma rodoviária
Notas iniciais
− Eu nunca disse que não era estranha. – Marjorie retrucou indignada com as afirmações dele.
− Você parece ser... Mesmo estranha. – Bernardo achou graça da maneira como aquilo deveria soar como um xingamento, mas para ela soava como elogio ou constatação.
− Você precisa mesmo assombrar esse lugar, não dá para apenas seguir adiante para outro plano? – Perguntou pousando a lamparina sobre a mesa e sentando-se cansada, um suspiro escapando por seus lábios.
− Por acaso você acha que a morte é como uma rodoviária onde você decidiu para onde quer ir, comprou uma passagem e só está aguardando o horário de embarque? – Ele ofendeu-se com a maneira dela, sua áurea adquirindo tons de plúmbeo.
− Desculpe, eu não quis soar leviana ou grosseira, mas é que deve haver uma maneira de resolvermos tudo isso... Eu mereço essa casa.
− Por que você acha que merece viver aqui? Eu não mereço? – Ele perguntou aproximando-se dela, interessado em suas razões.
Bernardo parecia real demais para ser um fantasma. Em alguns momentos atrás Marjorie podia identificá-lo facilmente como algo sobrenatural, mas neste instante ele parecia apenas um homem comum, até que ela notasse algo de incomum, algo que não havia notado anteriormente.
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