Recomeçar
28 Capítulo 28 - Perda e perdão.
Notas iniciais
Olhe só os sacrificios que faço por vocês U-U. Eu estou na metade de minha viajem - Aliás, eu volto na terça ^^ - e por algum milagre divino, descubro que onde me hospedo tem internet wi-fi. Agradeçam aos deuses por isso. Então, resolvi sacrificar quatro horas de diversão para mandar essa capítulo para vocês já que a irresponsavel aqui atrasou pra caramba sem dar um unico aviso. Foi mal gente. Mas esse é o minimo que posso fazer para vocês que me acompanham a tanto tempo e fazem essa história andar! Obrigado mesmo gente *---*
Vish... Acho que estou sentimental hj XD.
Bjks povo!
Ami ~
Ser encurralado. Ficar cara a cara com a morte. Ser pressionado a pensar com uma força sobre-humana para salvar a sua vida e a dos que te confiam a deles. Lidar com a perda de um companheiro. Falhar. Vencer. Superar. Reprimir. Simplesmente obedecer e aceitar. Essas são as coisas para que fui preparado, é a razão de eu ser quem sou hoje. Mas...
... Nunca achei que seria tão difícil aceitar o que estou prestes a enfrentar.
Dezembro, dia 1 — Floresta Leste de Konoha e início do por do sol.
Hatake Kakashi.
Aquele olhar... Simplesmente não conseguia deixar de olhar para ele, para que de alguma forma eu achasse a explicação que satisfizesse minhas duvidas latentes. Talvez nem tanto. Mas entre elas, havia uma pergunta maior e mais perturbadora.
Oque levaria uma pessoa a desejar matar quem amou por quase toda a vida?
Relaxei os músculos do corpo e preguei os olhos na cópia perfeita a minha frente, sabendo que mesmo que o original estivesse a pouca distancia, tirar o olhar daquele clone significaria minha morte. E de qualquer modo... Sei que o Ryo será capaz de me entender.
– O que fizeram com você...? – Perguntei tentando acumular pelo menos oque resta de minha paciência.
O clone abriu um sorriso sem humor, me encarando com os mesmos olhos de um depressivo tom escuro de cinza que o Ryo possuía.
– O que fizeram comigo? – Bufou – E é preciso que alguém faça alguma coisa para eu estar assim?
– É sim, e é necessário também de um excelente motivo para que tenham conseguido te convencer a ficar assim – Falei sem grandes alterações – Você nunca foi fácil de controlar. Sempre foi movido pela Mitsue, já que no fundo nunca foi capaz de aceitar a vila inteiramente.
O clone girou a espada maior entre dois dedos e então a cravou fundo na neve para então se apoiar na ponta do punhal e me encarar.
– Bom Kakashi... Achei que ia demorar para você dar uma de psicólogo pacato. E agora? Vai começar a tentar me convencer que estou sendo iludido e que matar a Mitsue será o pior erro da minha vida? – Ele riu, novamente sem humor algum, e então o sorriso sumiu e seu olhar ficou azedo como leite talhado ao dizer – Mitsue é o pior erro da minha vida. Não adianta o quanto ela ou você tentem me convencer que é mentira. Estou cheio de vocês e suas explicações.
Sabia... Ela já sabe que o Ryo é nosso inimigo e provavelmente tentou detê-lo, mas se ele não a matou no encontro... Oque o Lance está planejando fazer com ela?!
– Fala logo de uma vez! Pouco me importa o quão imenso é o seu ódio, eu quero saber é oque o causou e como evitar a morte da minha mulher! – Falei veemente. A cada segundo que perdia ali, maiores eram as chances dela ser morta.
– Sua mulher? Não me diga que já a pediu em casamento? – Ryo-clone começou a tamborilar os dedos no punhal da espada, e seu olhar se tornou levemente interessado.
– Não... Ainda não – Falei com a voz mais baixa. Quase havia me esquecido da caixinha na minha mochila, mas ignorei o detalhe e voltei a dar atenção a ele – Mas isso não tem a ver com a resposta que procuro. Desembuche.
– Hm... Então realmente está interessado em saber o que sua querida noiva fez? Certeza disso Kakashi? Pode ser chocante. – Ao ver que continuava sério diante de suas perguntas, simplesmente deu de ombros e continuou – Acho que no fim das contas é justo contar, mas lamento se não entender alguma coisa, é que preciso ser breve por causa da agitação na vila – Ele apontou na direção da vila e então se apoiou na outra perna para começar.
O clone lançou um olhar para o original e ele assentiu de leve e então voltou para mim. Yuuto, Ryo e seu clone, todos estavam voltados para a explicação que se desenrolaria ali.
– Soube disso por acidente numa missão apenas uma semana depois de ter assistido a Mitsue salvar sua vida. Durante a noite, todos os quatro que me acompanhavam foram dormir no acampamento que fizemos na floresta, mas resolvi andar por ela. Algo me parecia suspeito em meio as árvores e para minha má sorte, eu estava correto. Pouco tempo depois eu acabei encontrado o Lance e por um momento pensei que ele estava ali para me matar, ou me usar como algum tipo de suborno para a Mitsue, mas é claro que eu não permitiria que fizesse isso com ela – Ele rodou os olhos e então continuou – Mas então o Lance me disse que não estava ali para me fazer mal, oque era estranho. Em vez de me matar, ele disse: Vim contar sua verdadeira história. Fiquei desconfiado do que ele me contaria, aliás, até mesmo agora eu reconheço que Lance não é o tipo de pessoa que você pode confiar nas palavras que dita. Mas como eu disse para a Mitsue a poucos momentos... O que ele disse fazia sentido de mais para ser negado.
– Provavelmente ele inventou qualquer história comovente para te atrair – Disse Yuuto, completamente chateado por alguém como ele ser pego tão facilmente.
– Não era uma simples história comovente – Ambos os Ryos o fuzilaram com o olhar – Era a mais pura verdade. Tudo se encaixou.
– E oque diabos ele disse para te convencer? – Perguntei já impaciente.
O clone voltou a me olhar, tão azedo quanto antes e então respirou fundo para começar a narrar.
– Há anos atrás, quando o Clã Terasu ainda existia, um grupo de pessoas selecionados pelo nosso líder foram para fora da vila para resolver assuntos externos. Acho que você deve saber que ninguém poderia sair da vila, certo Kakashi?
– Eu sei de tudo relacionado ao Clã, não se demore – Minha voz saiu mais controlada. Ele parecia querer cooperar.
Ele assentiu e então continuou:
– Esse grupo de pessoas era composto por duas mulheres e três homens que tiveram o chakra selado para trabalhar fora da vila. E uma dessas mulheres era a minha mãe – Ele fez uma leve pausa e observou minha expressão, e então continuou – Num dos dias de trabalho, minha mãe e seu grupo saíram da vila para negociar alimentos de outra vila para a nossa e então no caminho, um homem da vila em que minha mãe ia começou a segui-la. Esse homem era um ladrão, e como todo ladrão, ele resolveu se aproximar dela quando estivesse só. E foi ai que todo o problema começou... – As pálpebras dele abaixaram de leve e os olhos se perderam, como se imaginasse a cena – No momento em que ia atacá-la, o homem de repente desiste de fazer isso, pois assim que viu a minha mãe, ele se apaixonou por ela e minha mãe também, mesmo que ainda se sentisse um pouco confusa. A partir disso, mesmo sabendo que aquilo era gravemente errado, quando saia da vila a minha mãe se encontrava com esse ladrão em sua casa e se passaram meses com aquilo e então o segredo chegou num ponto que era impossível sustentá-lo. – O rosto dele se distorceu de leve – O clã logo descobriu os encontros dos dois e um grupo especial de ninjas do clã foram enviados para tirá-la de onde ela estava e evitar que qualquer acidente acontecesse. Mas para a infelicidade da minha mãe, foi justamente neste dia que uma tragédia ocorreu na casa do ladrão.
– Tragédia? – Murmurei.
Ryo voltou a ter foco e concordou.
– Ele morreu nesse mesmo dia – Falou com amargor na boca e senti um leve calafrio – Acho que devem ter adivinhado porque ele morreu... mas mesmo assim direi o óbvio. Ele morreu por causa do chakra da minha mãe, que invadiu o corpo dele e o matou de dentro para fora como acontece sempre que há conexão com humanos comuns.
Franzi a testa e abaixei de leve a cabeça.
– Então isso significa que sua mãe ficou grávida deste homem...?
– Exatamente – Concordou novamente – E alguns minutos depois de ele ter sido morto, os ninjas do Clã chegaram e levaram minha mãe de volta para a vila a força e aquele homem nunca mais foi visto por ninguém de sua vila. Depois disso, quando souberam que minha mãe cometeu o mais grave dos crimes do Clã, ela foi mandada para casa, para se ter os últimos momentos com a família e assim que amanhecer, ser morta por um dos Kinjutsus passados de geração em geração pelos líderes.
– Morta?! Mas ninguém da vila dele soube do acontecido! – Exclamei. Até eu fiquei chocado com a punição.
O clone abandou o olhar sobre mim e olhou para Yuuto.
– Vai, fala. Eu sei que você é um expert quando se trata do Clã, então explique a ele.
Yuuto apertou os lábios, mas resolveu obedecer e falar para todos ali.
– O clã Terasu não costuma ser tão severo quanto a isso. Quando quebram essa lei, a pessoa que cometeu o crime será presa permanentemente na pior prisão do país, mas considerando a idade do Ryo, a Mitsue tinha dois anos e por causa do seu chakra poderoso, manter isso em completo segredo era prioridade. Então se um bebê de um humano normal nascesse, as pessoas comuns poderiam descobrir que um deles foi morto por nós e significaria guerra e uma invasão só faria que o chakra da Mitsue fosse descoberto. Então era prudente matar o bebê e a mãe para que nenhum dos dois pudessem deixar pistas e assim manter a segurança da herdeira do clã.
Então é isso... E pensar que eu teria o mesmo destino daquele homem se não fosse a própria Mitsue, mas nesse caso aconteceu uma verdadeira tragédia.
– Muito bem. Mas é de se esperar de um dos herdeiros da liderança – Ryo-clone voltou para mim – É exatamente oque ele falou. Mas minha mãe não era fria para deixar seu próprio filho morrer por sua culpa, então, com ajuda da sua família, ela fugiu do clã com muita dificuldade e foi para longe na garupa de uma carroça cheia de caixas com frutas. Depois de alguns meses sem ser descoberta pelo líder Ichirou, o pai da Mitsue, minha mãe finalmente deu a luz. Mas ela estava sozinha e desnutrida, então ela acabou morrendo no parto – O rosto dele se distorceu numa careta de profundo desgosto – Eu só não morri porque uma senhora me encontrou chorando na casa simples que minha mãe me deu a luz. E foi isso que ele me disse – Com o mesmo rosto desgostoso, olhou para mim e então falou com rancor – Entende porque eu a odeio agora?
– Não – Falei com a voz novamente natural – Mitsue não fez nada de mal para você. Não foi ela a culpada, ela nem sabia falar direito.
– Foi por causa dela que minha mãe morreu Kakashi! Eles preferiram matar uma criança que ainda nem saiu da barriga da mãe para proteger a vida dela! E para ser pior, todo o esforço deles foi em vão! – Um suspiro de susto passou por meus lábios quando vi que a boca dele tremia, mas o Ryo-clone não chorava mesmo assim – Mitsue matou todos do próprio clã com cinco anos de idade com o chakra dela! Ela é um ser que merece a morte mais que qualquer um de nós...! – Num espaço curto de tempo, fiquei de frente para ele e dei um tapa no seu rosto.
– Cale a sua boca suja... – Murmurei com a voz grave e o clone permaneceu no lugar, chocado pelo tapa – Se tem alguém que você deve culpar a morte de sua mãe é o líder do clã. Foi ele quem tomou a infeliz decisão de matá-la por causa da Mitsue, provavelmente movido pelo sentimento que possuía por ela ser sua filha. Mitsue era uma criança em sua natural fase de inocência, então não a culpe por causa disso.
– E o extermínio do clã?! – Ele avançou um passo, mas eu me mantive no lugar – A morte de todos naquele clã foi causada pela “natural fase de inocência” dela?! Me poupe disso!
– Ela não matou todos no clã! – Desta vez o Yuuto interveio – Aquilo não foi causado por ela e sim pelo Lance!
– Ah... Agora todos estão com essa desculpa agora? Já é a milésima vez que escuto isso hoje.
– É porque é a maldita verdade! – Grunhi – Se você entendesse logo que a Mitsue é inocente, não precisaríamos estar aqui perdendo tempo! – Peguei o clone pela blusa e o ergui para perto do meu rosto – Agora vê se acaba com toda essa história e volta para nós!
O clone agarrou minha mão e me encarou, me enfrentando face a face.
– Kakashi...!
A voz dele foi abafada no momento em que ia falar por um estrondo alto que surgiu não tão longe dali.
Todos viraram os rostos para o lugar onde o barulho surgiu e então por um momento, eu perdi o fôlego.
– Isso foi na floresta Leste... – Yuuto murmurou.
Meu coração falhou uma batida assim que eu ouvi outro estrondo, maior e mais forte na mesma direção.
Não...
Não pode ter vindo de lá...
Não!
Soltei o clone que desapareceu logo depois e então corri sem pensar duas vezes na direção da floresta, e então um som além daquilo surgiu.
Um grito. Um grito agoniado e sofrido escoou por todo o espaço e então foi abafado por um terceiro estrondo, mas dessa vez, foi uma explosão.
Aquele grito foi o bastante para que meu coração martelasse e o meu rosto distorcesse de súbito desespero.
– Mitsue!!
Meu grito se misturou aos resquícios de som da explosão, numa tentativa desesperada de alcançá-la.
Se ela estiver morta... Se eu tiver realmente falhado agora...
Não sei oque farei com minha própria vida.
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