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19 Capítulo 19 - É muita coisa para um dia só...


Notas iniciais
Yo!!
Demorou, mas eu consegui terminar antes das 18:00 XD. Dedico esse capítulo a todos aqueles - Deli - que disseram que meu capítulo anterior foi pequeno de mais! HAHAHAHA. Quero ver oque dirão - Deli - agora!
KKK
Bjks meus amores S2!
Ami ~

Saímos cedo da pousada depois de nos despedir e agradecer a tudo que a senhora fez por nós, então iniciou nossa caminhada de volta.

Depois da notícia completamente inesperada daquela noite, Kakashi pareceu ter ganhado uma dúzia de olhos a mais no rosto, pois não parava de me olhar e perguntar se me sentia bem, se tinha fome, se estava cansada, se queria sair mais tarde, e várias outras coisas que eu me cansaria apenas em pensar. Arisu tem sido paciente com todo o surto de super proteção do Kakashi e se limitou a algumas provocações leves que ele mal notou já que a cabeça dele estava dirigida a apenas um lugar: A mim, especificamente para oque eu carrego.

Um pouco antes de sairmos da pousada, eu percebi que estava sem roupas adequadas para vestir já que minha única roupa estava rasgada no ombro, mas sem todo o sangue já que a senhora tinha feito a gentileza de lavá-la. Notando isso, a senhora apareceu em poucos instantes com um lindo vestido azul claro rendado de manga curta com saia rodada que quase alcançava meus joelhos. Ela disse que era um presente e algo que havia sido de uma de suas filhas, mas como havia engordado, não cabia mais nela.

Depois de tudo isso finalmente alcancei o lado de fora e pude respirar o ar puro da manhã que mal havia amanhecido. Como esperado, Kakashi não deixou que eu carregasse minha mochila – mesmo que pesasse quase nada -, caminhando com ela em suas costas já que raramente levava muita bagagem para missões tão curtas.

Na metade do caminho, não pude deixar de notar o olhar persistente dele nas minhas costas.

Pelo visto a Arisu, que estava ao meu lado, também não.

– Ah! Pelo amor de tudo que é sagrado! – Arisu parou de caminhar e se virou para o grisalho – Será que você pode relaxar por um momento? Todo esse seu surto está me deixando nervosa, droga!

Soltei um suspiro e me virei para a Arisu antes que ele falasse algo.

– Dê um crédito a ele Arisu, ele está preocupado – Falei numa voz tão tranquila que até eu me choquei.

Meu deus... Estou deixando de ser eu mesma!

– Olha Mitsue, eu sei que você está grávida dele e toda essa noticia repentina tem sido... Repentina, mas vamos admitir que o Kakashi está um pouquinho obcecado em te proteger agora.

– Eu não estou obcecado e muito menos estou surtando Arisu. Só quero ficar atento a ela já que fomos muito descuidados por não saber disso antes...

Arisu umedeceu os lábios e gesticulou com as duas mãos para ele enquanto falava:

– Okay, então fique atento de um jeito menos nervoso, porque eu não vou aguentar mais tempo desse seu olhar perfurante seja em mim ou nela. Isso esta começando a se tornar incoveniente.

Kakashi curvou as sobrancelhas e olhou para ela por mais um tempo, e então virou o rosto para mim.

– Seja sincera Mitsue. Estou te incomodando com tudo isso?

Meu rosto corou ao ver que tanto ele quanto Arisu me encaravam, esperando pela minha resposta. Afastei-me um passo e engoli em seco antes de dar minha opinião.

– Incomodar não é palavra certa... Só acho que você está extrapolando a dose de preocupação diária. Posso estar grávida, mas eu continuo sendo a Mitsue de sempre, então relaxe um pouco.

Arisu desviou seu olhar para o Kakashi e levantou uma sobrancelha enquanto cruzava os braços como se dissesse “Não te avisei?”.

Ele revirou os olhos para a reação da Arisu e concordou com a cabeça.

– Tudo bem... Eu vou tentar me preocupar menos com tudo isso. Satisfeitas?

Arisu dá uma risada irônica e diz enquanto se vira:

– Você nem imagina...

Revirei os olhos também e acompanhei a Arisu sem evitar um sorriso no canto dos lábios. Por mais que irritasse a Arisu, eu achava aquela nova face do Kakashi muito divertida, e desde que soube da gravidez, algo diferente parece ter envolvido nós três, e toda a atmosfera ruim de antes desapareceu por completo. Por mais que a gravidez tenha melhorado o clima entre nós, ela também tem mostrado seu lado negativo, e o principal é o fato de meu corpo estar bastante limitado assim como minha resistência física.

O fato se mostrou real logo no final da viajem.

Perto de alcançar os grandes portões de madeira da vila, o sol da manhã pareceu tão forte como quando estava a pino e meu corpo começou a ficar mais quente, tornando minha pele suada, a respiração mais pesada e meus passos mais lentos.

Passei as costas da mão na testa molhada e brilhante de suor e apenas isso bastou para chamar tanto a atenção da Arisu quanto do Kakashi que permaneciam intactos.

– É... Parece que já alcançou seu limite – Arisu abriu um sorriso suave e me estendeu uma garrafa com água.

– Obrigada – Sorri em desculpas e peguei a garrafa, dando um longo gole de seu conteúdo.

O grisalho surgiu na minha frente quando eu havia terminado meu primeiro gole, e retirou um lenço claro do bolso para secar meu rosto. Corei com aquilo, desacostumada em receber algo do tipo e então segurei a mão dele, pegando o lenço em sua mão.

– O que foi? – Perguntou com a sobrancelha erguida.

– Nada, só deixe que eu faça isso – Ele afastou a mão e eu terminei de secar meu rosto sozinha.

Kakashi deu uma risada leve quando eu estendi o lenço e eu fiquei sem entender o motivo.

– Qual o motivo da graça?

– Só estou pensando se agora você vai negar todos os “cuidados especiais” daqui em diante – Fiz uma cara feia para ele e seu sorriso alargou.

– Tem coisas que não são necessárias Kakashi! Eu não quero que todos me sirvam ou fiquem vinte e quatro horas do meu lado sendo que eu posso fazer algo por mim mesma – Encostei o indicador no peito dele enquanto continuava – Então, enquanto eu puder fazer algo, não tente me impedir. Posso estar grávida, mas meu temperamento é o mesmo.

Ele segurou minha mão e se inclinou para mim.

– É por saber disso que eu temo por você – Ele ergueu minha mão e a beijou de leve, ignorando o som repulsivo que a Arisu soltou – Então me deixe agir como um pai preocupado as vezes.

Voltei a corar, mas dessa vez a vermelhidão em meu rosto era completamente evidente.

– P-Pai?

– É. Agora somos pais, certo?

Abaixei o olhar, mordendo o lábio inferior.

Eu ainda não tinha me dado conta disso até agora... Eu sou uma mãe. Uma mãe gorda, mas uma mãe.

– Ok, ok. Chega de enrolação e mais ação. Kakashi, carregue a Mitsue para a vila – Disse Arisu com autoridade.

– Sim senhora – Kakashi abriu um sorriso contente.

Virei o rosto para ela com os olhos maiores.

– Carregar? Mas eu posso andar! – Como ninguém costuma me ouvir, mal falei e o grisalho já havia me erguido em seus braços com extrema facilidade – Kakashi!

– Não adianta reclamar – Falou com tranquilidade e então deu meia volta na direção dos portões da vila que já eram visíveis.

– Muito bem Kakashi – Arisu deu um sorriso discreto e o acompanhou.

– Sério gente, pode me soltar, eu estou bem! – Insisti, implorando para o Kakashi com os olhos, mas ele apenas fingiu que não percebia.

– Mas como vamos assegurar que seu bebê estará bem até lá? Não podemos te deixar ficar cansada – Inacreditavelmente foi a Arisu quem disse isso e não o Kakashi.

– Ah, agora você quer dá uma de super protetora Arisu? – Cerrei os olhos para ela.

Ela ergueu as sobrancelhas, me lançando um olhar sarcástico.

– Eu não sou o Kakashi – O grisalho revirou os olhos, ignorando o comentário – Mas, eu concordo com ele sobre não correr riscos. Não te quero ver desmaiando outra vez.

Soltei um suspiro chateado e cruzei os braços, sendo alvo outra vez das risadas do Kakashi.

Meu alivio foi grande quando passamos pelos portões e então olhei para o grisalho, esperando que me colocasse no chão, mas ele não o fez.

– Acho que já posso andar.

Ele me olhou de soslaio e deu um meio sorriso.

– Eu não disse que te soltaria.

– Kakashi! – Exclamei, despertando cada vez mais minha teimosia interior.

– Olhe se não é o meu rival eterno e sua parceira ali Kurenai – Ninguém precisou olhar para o individuo graças à voz inconfundível.

Observamos eles se aproximarem de nós e Arisu soltou uma risada.

– Que incrível, sobrancelhas com personalidade própria.

Minha risada veio indisfarçável. Não me surpreenderia se elas começassem a se comunicar.

– Deixarei seu comentário de lado minha jovem, já que é normal que as pessoas demorem a notar minha beleza indiscutível. – Finalizou com o balançar de seus cabelos super lisos que davam a sua cabeça aparência de um coco perfeitamente arredondado.

Kakashi limpou a garganta.

– Vamos deixar esse comentário de lado... – Falou com humor.

– É melhor assim – Concordei.

Kurenai deu uma risada alegre e então olhou para nós dois.

– Hm, parece que a missão foi bem sucedida. Tiraram bom proveito dela? – Kurenai abriu um sorriso sugestivo para nós.

Kakashi e eu nos entreolhamos, ambos se perguntando se ela quis dizer oque pensávamos.

– Vocês amam essas coisas imorais heim? – Arisu falou sem pudor e nós dos a olhamos com pura repreensão. Ela levantou as mãos em rendição e se afastou – Nossa me desculpem, mas não é verdade?

– Claro que não! – Rebati.

– Como se acreditássemos – Kurenai murmurou para o Gai e eu escondi o rosto no peito do Kakashi, incrédula e envergonhada.

– Gente, mudando drasticamente de assunto... Vocês dois podem nos encontrar daqui a uma hora naquele restaurante que costumamos nos encontrar?

– Eu posso – Kurenai se virou para o Gai — tudo bem para você Gai?

– Se o Kakashi convidou para mim está ótimo!

Kakashi sorriu e algo naquele sorriso me deixou desconfiada.

– Ótimo. Então você poderia avisar ao resto do pessoal para ir lá Kurenai?

– Sem problema nenhum, mas... – Ela passou os olhos por nós três como se lesse nossas expressões e então voltou ao grisalho – Tem algum motivo especial para precisar convidar todo mundo? Vocês andam muito suspeitos.

Kakashi levantou os ombros e fez um rosto de desentendido.

– Esperem e vão saber. Agora nós precisamos ir ao Hokage para acabar de uma vez com a missão.

– Tudo bem Kakashi, te vejo em uma hora – Deu uma piscadela para ele e pegou o braço do Gai, puxando-o com ela – Vamos Gai, temos muitas pessoas para convidar.

Chegamos ao prédio do Hokage de maneira bem rápida graças a pressa incomum do Kakashi em direção a ele. Quando chegamos de frente a porta, cruzei os braços e direcionei meu olhar incisivo para o rosto do grisalho.

– Agora você precisa me soltar.

Ele me olhou de rabo de olho e abriu um meio sorriso humorado.

– Acho que o Hokage será capaz de entender minhas intenções...

– Ah Kakashi! Deixe de agir quem nem um tarado e coloca a Mitsue no chão – A ruiva também cruzou os braços e ficou encarando-o enquanto ele lançava um olhar para ela como quem diz “Ninguém pediu sua opinião aqui.”

– Kakashi eu juro que se você não me soltar, eu vou me jogar do penhasco mais próximo enquanto você não estiver olhando!

Ele me colocou no chão quase que imediatamente e eu sorri em vitória. A ruiva se dirigiu a porta e fez um sinal de mão para ela.

– Ok, agora que toda a palhaçada acabou, será que poderíamos...?

– Podem entrar.

Arisu virou o rosto para a porta com os olhos maiores e a encarou, conferindo se a voz realmente veio dela. Com naturalidade, Kakashi tomou a frente e abriu a porta.

– Ele adora fazer isso... – Murmurou assim que a porta começou a se abrir.

– Sejam bem vindos de volta! – O velho sandaime que a pouco estava de frente a grande janela observando a paisagem com o fiel cachimbo entre os lábios, se virou para nós, dando uma tragada no fumo.

– Hokage-sama, creio que já tenha recebido o relatório que lhe enviei ontem...? – Kakashi assumiu uma postura e fala formal, diferente de alguns momentos atrás.

– Sim, recebi no final daquela tarde e tenho que dizer que fiquei bastante surpreso com oque me enviou... – O Hokage soltou a fumaça do fumo enquanto falava e se dirigiu a sua grande cadeira, sentando de forma lenta e cuidadosa -... Porque quem imaginaria que agora os rebeldes estariam atrás da Mitsue?

– Acho que o motivo disso é bem claro – Falou enquanto dava uma rápida olhada para mim – O chakra da Mitsue realmente tem atraído maus olhares.

– É verdade, mas mesmo que pareça ser a mais provável dentre as possibilidades, acho que podemos repensar sobre ela. O chakra da Mitsue tem sido mantido em sigilo pela vila inteira e ninguém de fora sabe de sua existência, ou amenos deveria saber. E tem outro detalhe importante nisso, de acordo com oque me relatou, os rebeldes que encontraram possuíam exatamente as mesmas características da Mitsue, e para ser sincero, tenho grandes duvidas do porque disso.

– Poderiam ser sobreviventes? – Arisu perguntou, com a voz tão calma que eu tive que confirmar se realmente era ela quem falava.

– Não. Com o extermínio de anos atrás duvido que tenham sobreviventes, claro que com suas exceções, mas possuímos estas em nosso controle agora.

– Hokage-sama, acho que devemos considerar esta possibilidade – Falei com certo cuidado, mas todos olharam para mim com evidentes duvidas.

O Hokage analisou minha expressão com cuidado e então tragou seu fumo, soltando uma nuvem de fumaça antes de falar.

– Mitsue-san, sabe da alguma coisa que não tenhamos posse?

Soltei o ar pela boca de forma leve, relembrando dos momentos incomuns de minha EQM há alguns meses.

– Pode parecer estranho, mas eu falei com uma integrante do meu clã há alguns meses atrás.

– OQUE?! – Arisu arregalou seus olhos em mim com o rosto chocado, de maneira não tão diferente da expressão do Kakashi e do Hokage, que quase deixa seu cachimbo cair dos lábios envelhecidos – Como você pode ter falado com uma sobrevivente sem nos avisar Mitsue? Você ficou LOUCA?!

– Espere Arisu – Hokage estendeu a palma da destra para ela sem desviar o olhar de mim – Mitsue, diga exatamente onde, quando e como conseguiu falar com ela?

– Olhe Hokage, antes de tudo, ela não é uma sobrevivente – Esclareci de forma lenta para que ficasse claro.

– O que quer dizer Mitsue? – Kakashi perguntou ao meu lado, e eu olhei para ele, passando o olhar de volta ao Hokage em seguida.

– Eu falei com ela... Ou melhor, ela me contou há alguns meses que existem sim sobreviventes do extermínio durante a minha EQM.

– A não... A não, espere ai Mitsue – Arisu se colocou na minha frente com o olhar focado no meu – Quer dizer que além de ter um chakra incrível e uma capacidade de auto recuperação veloz, você consegue falar com os mortos?! Pelo amor de cristo! OQUE VOCÊ É CARAMBA?!

– Arisu, eu já disse para você esperar! – O Hokage a olhou em advertência e então voltou a mim – Mitsue, você vai ficar me devendo uma boa conversa sobre esse assunto mais tarde já que não é hora e lugar para falar sobre isso, entendido?

– Sim Hokage-sama.

– Ótimo, estão dispensados.

Saimos do prédio logo depois, mas eu mal pude pisar o pé do lado de fora sem que a Arisu bloqueasse o meu caminho de braços cruzados.

– Então você consegue falar com os mortos? – Perguntou com tanto interesse que eu fiquei desconfiada.

– E qual motivo você tem para ficar curiosa? – Rebati, recebendo um olhar de escárnio dela enquanto levantava as mãos para cima.

– Ah, me desculpe, é que eu não tenho falado muito com os mortos durante minhas EQM´s, será que estou com algum problema?

Kakashi surgiu do meu lado com uma boa risada e tocou meu ombro.

– Deixando os mortos de lado, você não devia estar na segunda fase do exame chunnin Arisu? Soube que começa hoje.

– Ai que droga! – Ela bateu um dos pés no chão enquanto resmungava algo que não pude compreender, e então se virou para nós – Eu já vou indo lá para ficar ocupada pelo resto de minhas duas semanas, então aproveite os seus longos meses de folga Mitsue – E sumiu de onde estava com um aceno.

Kakashi deu mais uma risadinha diante da insatisfação da ruiva que pelo visto o divertia bastante e então apertou o meu ombro de leve, fazendo que o sinal de alerta em minha cabeça soasse, e logo me afastei dele lançando outro de meu olhar incisivo. Ele uniu as sobrancelhas junto com a expressão confusa que fez.

– Oque foi que eu fiz?

Apertei o olhar.

– Não faça esse rosto de pura inocência que eu sei que você esta pensando em me carregar de novo.

– Ahh Mitsue, qual é o problema? Eu tenho esse direito – Deu um passo na minha direção e eu logo me afastei.

– Mas minhas pernas também têm o direito e o dever de me fazerem ser capaz de andar – Revidei, revirando os olhos quando vi o sorriso de formar sob a máscara.

– Acho que isso pode ser desconsiderado se pensar em quanto você abusou delas nos últimos dias.

– Eu somente estou fazendo uso do que eu tenho, então me fale logo para onde pretende me levar – Falei enquanto me virava e comecei a andar para longe dali, sendo rapidamente alcançada pelo grisalho.

– Para a sua casa – Respondeu assim que chegou ao meu lado – Acho que seria uma boa ideia você se lavar e vestir alguma coisa antes de nos encontrarmos com o pessoal.

– E você? Vai deixar de cuidar de si mesmo por minha... Ou melhor – Estendi as mãos e apontei para eu e minha barriga – Por nossa causa?

Kakashi me pegou pela cintura e me puxou para si, com seu olho descoberto me observando em seus braços.

– Você e você... – Tirou uma das mãos da minha cintura e colocou sobre a minha barriga, fazendo que eu abrisse um sorriso –... Se tornaram minhas maiores prioridades.

– Bem, eu tenho uma ideia melhor então. Você me levaria para casa para que eu me arrume e enquanto isso, você iria para o seu apartamento para se arrumar também para nos encontrarmos depois na porta da minha casa. Que tal?

– Por mim está ótimo – Falou enquanto me virava para seu lado com a mão na minha cintura, e eu passei a minha pela dele para pousar minha cabeça em seu peito de forma que pudéssemos andar.

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Estava na porta de casa com cinco minutos de antecedência vestida num simples vestido amarelo de alças que se firmava abaixo do meu busto e caia a partir daí numa saia que alcançava meus joelhos. Como o dia ficou mais quente para mim, prendi meus cabelos com uma liga lilás num longo, negro e esvoaçante rabo de cavalo.

Querendo aproveitar meus minutos restantes, sai da porta e atravessei o modesto quintal até onde havia um canteiro de tulipas da cor do meu vestido. Agachei-me e toquei os botões amarelos com a ponta dos dedos, sabendo que era apenas questão de dias até que minhas flores desabrochassem naquela primavera.

Levantei de onde estava e fui até a torneira que havia na parede externa da casa e peguei o regador que sempre deixava ao lado dele, enchendo-o de água. Voltei para as tulipas e me agachei regando com cuidado as flores de maneira que a água não alcançasse os botões.

– Elas me lembram o Akio-sensei – Murmurei para mim mesma enquanto terminava de regar as flores – Mas ele desapareceu desde que me recuperei... E parece que levou o Ryo com ele – Apertei os lábios de preocupação e saudades, e quando o regador esvaziou, coloquei em cima da grama ao meu lado, apenas observando os botões – O que será que aconteceu?

– Amor sem esperança... Não é o melhor dos significados.

Me sobressaltei com a voz repentina, mas relaxei assim que vi o Kakashi ao meu lado a observar os botões.

– Então é isso oque elas significam? Amor sem esperança...

Ele assentiu e olhou para mim.

– Mas isso não se aplica a nós, é apenas o significado que deram a ela – Deu um sorriso por baixo da máscara enquanto estendia a mão para mim e eu a retribui, segurando sua mão para me levantar.

– É um significado meio triste para um flor tão bonita – Admiti, entortando os lábios para as pobres flores.

– Bem, elas podem significar oque quisermos desde que desejemos isso. Quem vai nos impedir?

Dei uma risada com sua pergunta e assenti com a cabeça.

– Verdade, então teremos que pensar muito no significado que daremos.

– Sim, mas isso ficará para mais tarde. Agora temos uma notícia a dar.

Franzi o cenho e olhei para ele.

– Tenho medo da forma que eles possam reagir a ela.

– Não se preocupe, eu estarei do seu lado se eles derem um surto e quiserem te atacar – Sorriu para mim, brincalhão e eu devolvi com um tapinha em seu ombro.

– É melhor mesmo, ou então descontarei em você mais tarde.

– Em mim? – Fez um rosto inocente.

– Lógico, foi você quem atiçou a curiosidade deles – Toquei o nariz coberto dele ao terminar e caminhei para a portinhola do jardim, levando um susto quando Kakashi surge na minha frente e a abre para mim.

Quando passamos por ela, iniciamos a nossa caminhada e meus pensamentos tomaram um rumo diferente, mas preocupante, obrigando-me a parar assim que tomamos uma boa distancia da casa. Kakashi para de andar já na minha frente e se vira para mim, se apressando em voltar quando vê a minha expressão.

– Mitsue... Oque foi? – Perguntou em voz baixa, tocando meu queixo para levantar até ele.

– Sabe... Eu estou feliz por estar grávida de você, mas eu andei pensando se eu realmente estou pronta para isso.

Ele observa meu rosto por uns momentos e então pergunta:

– Porque está pensando nisso Mitsue?

– É que... Eu não faço ideia se eu conseguirei cuidar de um filho quando ele vier, eu... Tenho medo de errar em algo.

De modo inesperado, um sorriso surge no canto dos lábios dele e ele passa o polegar pelos meus lábios enquanto diz:

– Não precisa ficar tão insegura. Aliás, não foi você quem cuidou de um bebê jinchuuriki até hoje?

– Provavelmente você ficaria decepcionado ao ver os apuros que passei para cuidar do Naruto sozinha... – Soltei um suspiro cansado só de lembrar – Foram os anos mais complicados da minha vida.

– Mas você conseguiu, não foi? – Olhei para ele, encontrando o olhar morno que me dirigia, e apenas balancei a cabeça afirmativamente – Olhe, sei que foi difícil cuidar dele sozinha, ainda mais por ser um jinchuuriki, mas agora é diferente – Ele desceu a mão do meu rosto para o meu abdômen, pondo a mão por cima da mão que eu havia pousado sobre ele – Você não vai mais ficar sozinha, e esse filho virá de você e não de outra pessoa. E Mitsue... eu estarei com você em todos os momentos, não importa oque aconteça, eu sempre vou cuidar de você e do nosso bebê.

– Promete? – Perguntei em voz baixa, sentindo uma lágrima minúscula descer de forma discreta pelo meu rosto.

– Claro que sim – Ele encostou sua testa na minha, apertando a minha mão pousada no meu abdômen – Vocês são a minha vida agora.

Abri um sorriso de puro alivio e felicidade, colocando minha mão livre no seu rosto, acariciando-o.

– E pensar que você já foi tão insuportavelmente chato e indiferente em relação a mim... – Sorri enquanto falava, arrancando uma risada dele.

– Até hoje me arrependo pelo tempo precioso que perdi naquela época, mas agora vai ser diferente – Afastou o rosto de mim e sorriu.

– É... Vai sim – Concordei, abrindo um sorriso largo.

– Agora que encerramos este assunto, melhor nos apressarmos que estamos oito minutos atrasados...

O meu sorriso sumiu do rosto e o sinal de alerta vermelho soou imediatamente.

– Ah não Kakashi! – Reclamei, me apressando em me afastar, mas como eu nunca consigo oque quero, ele me puxa de volta e me ergue em seus braços outra vez, correndo para a direção do restaurante enquanto ria de mim.

– Que droga Kakashi! Eu posso andar!! – Reclamei em voz alta, mas logo mais risadas abafaram minhas reclamações.

Ele é um idiota dos grandes...

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Entramos no restaurante de sempre comigo no colo do Kakashi com os braços cruzados e um rosto impaciente enquanto ele exibia um sorriso grande no rosto. Kurenai conversava de forma animada com o Gai enquanto o Yuuto falava de algo interessante com uma pessoa que eu realmente não via a bastante tempo.

– Ora, ora! Finalmente posso vê-la outra vez Mitsue – O característico sorriso abobalhado surgiu no rosto do velho Sennin e um arrepio percorreu meu corpo.

– Jiraya... – Falei com um leve tique nervoso num dos olhos.

– Isso sim é uma surpresa – O grisalho comentou enquanto me colocava no chão.

– Não é o máximo?! – Kurenai surgiu na minha frente com um sorriso – Eu acabei esbarrando com o Jiraya logo depois que vocês saíram! Parece que ele resolveu dar uma visita na vila.

– Nossa... Não tenho palavras para descrever oque eu sinto – Falei com ironia, me afastando de modo instintivo quando o Jiraya surgiu ao lado da Kurenai.

– Hm, parece que você andou crescendo bastante desde a ultima vez que te vi Sue-san... – Falou com o rosto levemente ruborizado enquanto passava os olhos descaradamente pelo meu corpo.

Apertei os punhos.

– OLHE PARA O MEU ROSTO QUANDO FOR FALAR COMIGO! – Puxei a orelha dele com força para baixo, fazendo-o desviar o olhar de mim rapidamente.

– A-Ai Sue-san! Parece que continua com o pavio curto... – Jiraya massageou a orelha que eu já havia soltado.

Kakashi deu uma risada baixa do meu lado e colocou a mão no ombro do Jiraya.

– Você continua o mesmo Jiraya... – Falou com humor.

– Não posso dizer o mesmo de você Kakashi. Na ultima vez que te vi você ainda era aquele moleque mimado.

– Excelente descrição – Comentei, dando um meio sorriso para o Kakashi.

– Bem... Acho que melhorei um pouco, né? – Ele sorriu, coçando a nunca com uma das mãos.

– HÁ! Você nem se compara com o antigo Kakashi! – O velho abriu um sorriso largo.

– Mitsue! Você apareceu! – Yuuto surgiu entre todos e estendeu os braços para mim.

– Yuuto-nii! – Sorri, usando o apelido carinhoso enquanto pulava nos braços dele, abraçando-o com força.

– “Nii”? – Jiraya indagou para o Kakashi – Quer dizer: Nii-san?

Kakashi concordou, batendo no ombro dele duas vezes antes de se afastar.

– Tem muita coisa que precisa saber Jiraya, mas deixando isso de lado... – O olhar dele pousou em mim, e eu de pronto entendi, deixando o Yuuto para ir até o Kakashi.

– Ora Kakashi, parece que está escondendo algo de nós! – Gai também surgiu com as sobrancelhas unidas de um jeito que elas haviam se tornado uma monocelha.

– Vocês entenderão – Kakashi deu uma piscadela para ele, me recebendo em um de seus braços – Bem, o motivo de vocês estarem aqui hoje é por uma notícia especial que queremos dar.

– Vocês vão se casar?! – Kurenai indagou num tom alegre.

– Bem... Não é isso – Kakashi riu dela.

Revirei os olhos, prevendo que não o deixariam falar tão cedo e então tomei a frente.

– Eu vou falar de uma vez, então prestem atenção! – Olhei para cada um deles, me chocando com o completo silêncio que fizeram para eu falar, e então continuei – Eu estou grávida.

– OQUEEE?! – Os homens ali falaram em uníssono por exceção do Kakashi que apenas sorria para a reação deles.

– Oh Kakashiii seu safadinho! – Kurenai deu um tapinha nele – Eu não imaginava que você era tão impaciente!

– Cara! Quando eu disse que você poderia fazer tudo com segurança, eu não pensei que você fosse levar tão a sério! – Yuuto falou com os olhos quase saltando do rosto.

Kakashi corou imediatamente.

– Fica quieto Yuuto! Eu não sou esse tipo de pessoa!

– Me desculpe Kakashi, mas tudo aponta para o contrário – Kurenai deu um meio sorriso.

Uma gota gigantesca de suor pareceu escorrer da minha testa.

– Gente... Eu ainda estou bem aqui, ok?

– Ah, foi mal Mitsue – Yuuto abriu um sorriso de desculpas.

– Como você se sente Mitsue? – Kurenai se aproximou com os olhos fincados na minha barriga.

– Hm... Normal – Dei de ombros, levemente corada – Mas eu ainda preciso ir ao hospital depois para ver a quanto tempo eu estou grávida.

– Kakashi... Cara... Porque sempre é você quem leva a melhor em tudo...? – Jiraya praticamente chorava de decepção, como se em algum dia houvesse esperanças para ele.

Ignorei a choradeira dele e voltei a Kurenai e o Yuuto.

– Gente, onde é que está o Akio-sensei, o Ryo e até mesmo o Iruka?

– Bem, o Iruka está ocupado com o exame, mas eu não faço ideia de onde o Akio e o Ryo estão – Kurenai apertou os lábios ao ver que minha expressão mudou de leve.

– Mitsue, se quiser eu vou até o Hokage e...

– Não Yuuto, não precisa disso – Melhorei minha expressão e sorri – Aliás todas as pessoas que amo... – Jiraya virou o rosto, com um brilho no olhar – Por exceção do Jiraya...

– Sue-san... – Jiraya voltou a chorar.

–... Estão aqui. Não é? – Aumentei o sorriso.

– É verdade! Agora vamos encher a cara!! – Gai surgiu de repente já virando um copo de saquê.

– Gai... Tem uma gestante aqui – Kurenai olhou para ele com a mão na cintura.

– Não faz mal! É só ela tomar água como se fosse saquê! Garanto que a sensação será a mesma! – Piscou, já com o rosto corado.

– Vindo de quem consegue ficar bêbado até com água... Acho que acredito – Brinquei, arrancando uma risada do meu irmão que passou o braço pelo meu ombro, me guiando a mesa.

E assim se inicia uma longa tarde.