Recomeçar

2 Capítulo 2- De volta ao Brasil.


Era mais um dia qualquer na favela morro do céu, Rio de Janeiro, e, como sempre fazia, Maria acordou, pôs o café na mesa, e sentou-se junto às filhas Nara e Vitória antes de ir ao trabalho na casa de Diana e Dudu, onde era empregada doméstica.

-Bom dia meninas (Maria)

-Bom dia mãe (Nara)

-Bom dia (Vitória)

-Vitória, hoje é seu dia de limpar a casa, não vai fugir como da outra vez" (Maria)

-Tá mãe pode deixar (Vitória)

-Olha só, quero aproveitar um dos raros momentos que sentamos na mesa civilizadamente, pra te falar que eu não te quero mais saindo com aquele traficante, o tal de nenzinho, ouviu? (Maria)

-Mãe olha só, a senhora pode falar oque quiser, fazer oque quizer, mais não vai me impedir de namorar quem EU quiser. Que saco, para de se meter na minha vida. (Vitória)

Vitória retirou-se da mesa e foi para seu quarto, sentou-se sobre a cama e telefonou para Nenzinho.

-Alô (Nenzinho)

-Alô, sou eu meu amor, e ai onde agente vai nessa noite? (Vitória)

- Pô gata vai rolar uma festinha aqui em cima no morro tá ligada! Se quiser vir te pego as dez! (Nenzinho)

-Demorou! Ta combinado então, beijo (Vitória)

E assim foi, Vitória limpou a casa como dito, pois disso se deitou, e memórias vagas de seu passado vieram a tona à sua cabeça, deixando-a sem respostas e com inúmeras perguntas rondando sua cabeça. Ela se via em meio a uma guerra, travada por seus próprios pensamentos. De um lado via uma garota completamente perdida, sem saber oque quer da vida, uma adolescente irresponsável, se perdendo em meio aos problemas sociais, de outro lado via a garota que sempre quisera ser, responsável, madura, em busca de seu passado, tentando buscar soluções e respostas urgente, tentando achar um meio para esse pesadelo parar de vez de atormentar sua mente.

O dia passou voando, sua mãe e sua irmã chegaram, conversaram com ela, almoçar as três juntas como já de costume e, depois de uma rápida conversa foram dormir. Foi aí que Vitória aproveitou e saiu de casa, em passos leves para não acordar ninguém. Nenzinho já esperava ela na esquina.

-Eai minha gata, ta pronta! (Nenzinho)

- Já é! (Vitória)

Ela subiu na moto e os dois foram pra festa. Chegando lá, Maria viu uma festa um tanto quanto ousada, o local mais parecia um ponto de drogas e de prostituição, e, apesar de ela ser uma garota "baladeira", aquele ambiente era muito mais doque ela estava acostumada a ver e em meio aquilo tudo, aos poucos ela foi se soltando e se perdendo de vez naquele mundo, naquele ambiente marginalizado. E naquele momento as drogas começaram a sutir efeito, ela se sentia a outra Vitória, seu lado negro, enquanto isso o lado que queria descobrir a própria vida morria de vez.

Mansão de Mauro/ Sala de Jantar:

Como ja de costume, Mauro o então prefeito corrupto do Rio de Janeiro, sentava-se ao lado de sua mãe na hora do jantar, ultimamente somente os dois frequentavam aquela mesa, já que sua filha Diana de caráter idêntico ao pai, se casara com o simpático e educado Dudu onde dividiam o mesmo teto.

Mauro nunca foi de trocar muitas palavras com sua mãe, alias, seu idolo sempre foi seu pai, que morreu logo depois de ser reeleito prefeito do Rio. Ele queria ser como o pai e dizia que sua mãe sempre foi uma parasita da família, que nunca fez nada, a não ser desfrutar da herança do falecido marido. Porém, ao contrario do que ele diz, sua mãe era a única naquela família a ter uma boa índole.

- Nossa meu filho, hoje a comida está dos Deuses não acha? (Berenice)

- Tanto faz mãe (Mauro)

- Dá pra ser um tanto menos ignorante na hora do Jantar? (Berenice)

- Eu vou ser menos ignorante se você comer mais e falar menos, será que isso é possível? Depois de um dia aturando aquele povinho, ter que falar a mesma ladainha quase todos os dias me deixa assim, completamente pirado (Mauro)

- Ora! E eu pensando que você no fundo tivesse algo de bom, agora tô vendo que você é igualzinho ao seu pai, o mesmo sem-vergonha (Berenice)

- CALA A BOCA! Não fala do meu pai, ele sim era um homem de verdade, e você tem razão eu sou igual a ele, penso grande, penso no meu futuro, não sou igual você e essa sua mente michuruca que não sai do lugar. Agora você fala do meu pai né, mais se não fosse ele te deixar tudo que te deixou você tava na merda. (Mauro)

Berenice poderia ficar discutindo com o filho, mais ao invés disso ela preferiu se calar e retirar-se ao seu quarto. Ela pensou em ligar para algumas de suas irmãs para desabafar mais preferiu ficar sozinha e chorar, colocar pra fora essa magoa que persistia em lhe dominar.

Festa de Nenzinho:

Enquanto Mauro humilhava sua mãe, Nenzinho drogava cada vez mais Vitória, deixando ela completamente desligada do mundo real. Judite a "Dona da festa" e uma das maiores traficantes do Rio, escondia varios segredos do passado, e, quando viu Vitória daquele jeito levou-a pra casa. Nenzinho ficou sem entender, sempre que uma "carne fresca" pinta na area, Judite quer viciá-la em drogas deixando-a dependente do produto. Porém, com Vitória foi diferente. Judite falou que ficou com pena da garota, Nenzinho continuara sem entender.

Enquanto isso, Maria e Nara continuavam a dormir, sem desconfiar de nada.

Uíge- Angola/ Restaurante Spain:

Naquela noite noite era um dia de movimento no Restaurante do espanhol Fernandez, ele foi quem ajudou Virgínia, deu-lhe um bom emprego, cuidou dela, porém, tantos cuidados custaram algo da garota, os serviços eram do corpo, e mais uma vez a menina era explorada, mas isso havia de acabar, Fernandez ficou assustado quando chegou a noite, uma noite muito importante no seu restaurante, uns de poucos homens ricos e de negócios de Uíge (Angola) iriam se reunir em um jantar e sua garçonete, Virgínia, ainda não havia chegado. Ele presumiu que ela estaria aprontando alguma. E acertou. Naquele instante, ela fazia suas malas devolta ao Brasil, depois de trabalhar anos e anos, o dinheiro rendeu e ela sentia estar preparada para voltar, equipada com todas as armas que presisara para vencer o inimigo. Ela tinha dinheiro, não muito, mais o básico, tinha lábia, tinha inteligência e o mais importante para sua vingança, ela tinha Sangue frio.

Aeroporto de Uíge- 00:27

00:27 era a hora exata do embarque de Virgínia, ela se apressou quase perde o voo. Quando entrou no avião, para ela, era algo que sonhara sua vida toda, a viajem de volta ao Brasil para acabar com quem acabou com sua vida era a única coisa que fazia sentido para ela. Ela não se importava com a filha que foi roubada dela, isso era oque menos importava, Virgínia tinha um ódio inexplicável em seu coração, amor nenhum habitara nele.

A viajem não foi facil, e quando finalmente estava chegando perto à aterrisagem olhou para o lado, viu a senhora que estava sentada à poutrona anexa a sua, disfarçou e virou o rosto para o outro lado. Ela não pode segurar e conchichou bem baixinho, oque estava trancando em sua gargante à quase vinte anos:

- Aqui tô eu denovo, se prepara Mauro Coelho, teus dias tão contados!

CONTINUA...

Notas finais
Breve terceiro capítulo cheio de surpresas pra vocês!