Recomeçar
14 Chapter XIII
Notas iniciais
Desculpem, gente. Eu estava tão atolada, que eu nem percebi que estava demorando até eu perceber que eu tinha passado um semana sem postar... Espero que gostem...
Elas estavam a menos de meia hora na esteira e Puckett já levara uma queda e meia. Isso sem mencionar a expressão assustada desde que chegara, o fato de parecer estar completamente surda e o chute que ela dera no degrau de entrada da academia.
Do nada, a loira pausa a esteira.
-O que houve? Já vai sair? Estamos aqui só faz vinte e poucos minutos...
Sam a olhou como se ela tivesse falado em outro idioma.
-Hã?
-Pra onde você vai, Puckett?
Shay quase ria. A expressão de “acabei de acordar” da amiga não deixava de ser cômica...
-Vou conferir se eu tranquei o carro.
Sem esperar resposta, a loira se virou e saiu. Depois voltou. Pareceu demorar um minuto antes de encontrar a outra, que começava a se preocupar com o comportamento estranho da amiga. Ela nada disse. Apenas subiu na esteira e começou a aumentar a velocidade.
Dez minutos depois, Shay achou que era suficiente. Sam desequilibrara de novo, e talvez esborrachar a cara no chão não fosse ser muito útil para a amiga...
-Vem. Vamos para as máquinas.
-Ã-hã. Deixa só eu conferir se eu tranquei o carro.
-O quê? Sam você tem TOC ou alguma coisa assim?
Mas a outra já tinha saído, como se sequer estivesse ouvindo.
Carly estava tentando ser gentil, tentado esperar que a amiga quisesse lhe contar o que estava acontecendo, mas aquilo estava passando dos limites!
A loira voltou igualmente distraída, mas a máquina que Carly estava usando era muito distante da que Sam estava usando. A conversa teria que esperar um pouco.
Minutos depois, Carly vê a amiga parada em frente à primeira máquina. Preocupada, ela desiste de esperar.
-Sam, quantas séries você já fez nessa máquina?
-Oi?
-Quantas séries, Samantha?
-Eu não sei bem... Acho que vou passar pra próxima e deixar essa pra lá... Antes deixa só eu conferir se eu tranquei o carro...
-O carro... Você enlouqueceu, Samantha?! Eu vou conferir seu carro! Você vai sentar ali e me esperar, ouviu?
Ela chegou perto da Mercedes prateada e apertou o botão. O pisca-alerta acendeu duas vezes. Ela conferira o carro duas vezes, e deixara as portas abertas...
Shay estava preocupada e zangada. Que tinha acontecido na noite anterior pra deixá-la tão distraída?
De repente, ela foi atingida como uma tapa. Freddie! O que acontecera naquele jantar pra deixar aquela doida ainda mais pirada?!
Ela quase correu de volta.
-Você conferiu aquela porcaria duas vezes e ainda deixou aberta! Caiu uma vez e quase caiu mais um zilhão de outras vezes. Você vai me contar exatamente o que aconteceu ou... – nesse ponto do quase escândalo, ela estava próxima o suficiente para ver o pescoço da amiga com clareza – Você passou maquiagem no seu pescoço?
Institivamente, a médica levou a mão ao pescoço.
-Só um pouco. Foi uma noite longa, não queria que meu rosto desse sinais de cansaço.
Ela tentou se afastar.
-Mas não há maquiagem no rosto. Só no pescoço. – a expressão da morena tornou-se nervosa e empolgada e ela quase gritou – Você foi pra cama com ele?!!
Sam quase pulou.
-Grita mais alto, Shay! Acho que só metade da academia ouviu você!
Ela puxou a amiga para dentro do banheiro.
-Ok. Desculpe. Mas isso é ótimo, Sam! Vocês voltaram! Isso é...
-Carly! – interrompeu – Eu estou tentando evitar pensar nisso. É o que está me deixando tão desligada. Mas vai passar, eu prometo. Eu realmente não quero pensar nisso, muito menos falar sobre isso. Podemos deixar pra depois?
A amiga só pode suspirar e assentir.
-Ok, mas hoje a noite, Beer&Belts.
A loira arregalou os olhos.
-Beer&Belts, Shay? Você sabe que só faz besteira naquele bar!
-Eu sei. Mas eu tenho uma audiência complicada na segunda que vem me enlouquecendo há semanas. Eu preciso relaxar. E você também. Além disso, você prometeu ontem à noite que nós iríamos aonde eu quisesse hoje.
-Eu nem lembrava mais desse detalhe... A noite passada foi tão confusa que... Enfim.
-Tem certeza que está tudo bem? Não quer mesmo conversar?
-Não, Carly. Eu ‘tô bem, sério. Não aconteceu nada demais.
Elas saíram do banheiro e voltaram para a academia. Shay a conhecia bem demais para acreditar naquela bobagem de que nada demais acontecera. Algo grave acontecera, e ela sabia. A conversa não fora to simples. Aquela manhã não fora fácil. E acontecera assim:
***
Freddie Benson acordou totalmente perdido no tempo e no espaço. Respirou fundo antes de abrir os olhos, e o cheiro cítrico que invadiu seus pulmões o ajudaram a lembrar.
Sorriu.
Por um momento, ele relutou em se mover. Tudo o que ele queria era ficar ali, deitado ao lado dela, como costumava fazer.
A sensação só durou um segundo, até ele perceber que estava sozinho na cama.
Abriu os olhos.
As cobertas ainda bagunçadas davam uma pista do que ocorrera naquele quarto na noite anterior. Ainda sem conseguir se livrar do leve sorriso que repuxava seus lábios, ele levantou. As roupas dele estava dobradas em cima de um poltrona, as dela já haviam sumido.
Ele pegou tudo e foi até o banheiro. Passou em baixo d’água. As imagens e os sons da noite passada ainda tumultuavam seus pensamentos, e ele estava louco pra ir atrás dela. Nem se vestiu, apenas pegou uma toalha branca com detalhes dourados, como, aliás, era tudo naquele banheiro; enrolou na cintura, e saiu do quarto.
Ainda na porta, ele ouviu um barulho vindo da cozinha. Na sala, não havia mais nada do que ele pusera lá na noite anterior. Ele lembrou que nem jantara, e isso o fez perceber que estava morrendo de fome.
Mas a mesa vazia, a fome, e todo o resto foi mais que rapidamente esquecido quando ele chegou na cozinha.
Ela estava de costas. Usava um macacão de academia branco com manchas cinza e pretas. A peça cobria suas pernas até o joelho, mas tinha apenas duas faixas nas costas. Seu corpo estava perfeitamente delineado, e o cabelo preso em um rabo de cavalo alto deixava seu pescoço à mostra.
Como se sentisse seus olhos nela, Sam se virou. Tomou um susto ao vê-lo, mas ele quase não notou. A frente decotada, delineando seus seios e, mais abaixo, sua barriga, não o ajudaram a se concentrar. Ela também pareceu bem mais focada no fato dele estar de toalha do que em qualquer outra coisa, mas conseguiu se focar mais rapidamente.
-Freddie! Eu não vi você chegar. Esta aí há muito tempo?
-Não. – ele respirou fundo e tentou se concentrar no rosto dela, mas a lembrança daquele corpo perfeito colado ao seu na noite anterior não era fácil de ignorar. – Eu acabei de acordar. Você vai sair?
-Sim, eu vou à academia. Já faz um tempo que eu não vou, e eu estou começando a sentir falta.
-‘Tá bem, deixa só eu me vestir, que eu levo você.
-Não precisa. – ela começava a dar sinais claros de nervosismo. – Eu vou sozinha. Nós nos... Nós nos vemos depois.
Ela tentou passar por ele, mas ele foi mais rápido e segurou-a pelo pulso.
-Espera. A gente precisa conversar, Sam.
Ela o olhou, nervosa.
-Não há o que conversar, Freddie. A noite passada foi um erro que não deve se repetir. Eu agi por impulso, não vou deixar que ocorra novamente. – ela falava muito rápido, mas ele sentia uma navalha que o transpassava bem devagar – Considere isso como a despedida que você não me deu à três anos atrás.
Ela forçou o braço e ele saiu frouxamente. Por um segundo, Benson não soube o que fazer, o que dizer, o que pensar. Mas quando finalmente o fato de que eles ainda não tinham voltado cruzou sua mente, ele acordou.
Ela estava dentro do escritório. Ele entrou e fechou a porta atrás de si com um estrondo, fazendo-a olhá-lo assustada.
-O que está fazendo?
-Não é o que eu estou fazendo, é o que eu não estou fazendo. Eu não estou aceitando o que você disse. Eu não quero uma despedida, Sam! Eu quero você de volta!
-Mas você não pode ter.
-Eu não vou aceitar isso! – ele estava quase gritando, e ela quase gritou em resposta.
-Eu tive que aceitar perder você quando você decidiu que não me queria mais! Agora você vai ter que fazer o mesmo!
Aquilo doeu de forma inimaginável. Ele iria mesmo perdê-la de vez? Depois de ter recebido tanta paixão, era isso que iria acontecer?
-Não faz isso, Sam. Eu te amo, você me ama. Eu não que perder você de novo. Eu não quero perder mais nada.
-O que você sabe sobre perca? Você não sabe o que eu perdi, ninguém sabe. O quanto eu perdi. Ninguém. – ela destilava veneno pelos lábios, e ele sentia a dor. O que doía mais era o fato de ela está certa.
Ela passou por ele com um raio a bolsa e as chaves do carro na mão. Ele a seguiu.
-Sam, eu nunca vou poder compensar tudo o que você passou por minha causa, mas eu estou disposto a passar o resto da minha vida tentando! Tentando compensar o que eu te fiz passar, o tempo que você perdeu...
Uma baixa e cínica quase risada o interrompeu.
-Tempo, foi o mínimo que você me fez perder.
Ela parecia estar falando consigo mesma, mas ele ouviu.
-O que isso significa?
-Não importa mais, Freddie. Eu assumo que você tenha pegado as chaves da Carly pra invadir meu apartamento. Tranque quando sair e deixe as chaves com o porteiro.
Ele a segurou pelo ombro.
-Você não vai sair daqui assim! Eu quero saber o que você quis dizer.
Ela sequer se virou. Estava quase chorando, e não queria que ele a visse quebrar.
-Eu não quero falar sobre isso. Eu já não sofri o suficiente?
-Nós dois sofremos, Sam. Eu preciso saber. Me deixa tentar compensar.
-Não há nada que você possa fazer.
Ela se desvencilhou dele e saiu. Dessa vez, ele não teve forças para insistir.
Notas finais
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