Recomeçar

7 Chapter VI


Notas iniciais
Não me matem, plz!! Eu passei uma semana de doido!!
Foi meu aniversario domingo, e teve o churrasco do meu primo aqui em casa, pra comemorar a aprovação dele no vestibular. Segunda eu tinha que apresentar um seminário, não tinha estudado, apresentei na terça. Quarta e quinta eu passei estudando pra uma prova oral que nem teve, e ontem, outra prova e um trabalho!! Foi puxado!!
Segunda e terça tem mais prova, e na quarta é pra ter a tal prova oral... Então vai demorar um pouco...
Esse nem tem tanta coisa, mas... Bom, espero que gostem. Eu vou tentar postar o VII e o VIII logo. Se serve de consolo, IX ta pronto... ;p
bJOEss
ps.: Beijos pra K, minha beta linda! Vlw, flor!!(
KarinaCarvalho)

Ela estava paralisada na porta. Ofegou. O som o fez virar para trás e fitá-la. Seus olhos se encontraram, e ele ficou imóvel, fitando-a.

Medo, amor, raiva, saudade, dúvida... Tudo o que ela não se permitira sentir naquela manhã vinha agora à tona com a violência e a destruição de um furacão. Um turbilhão de sensações virava seu estomago e prendia o ar dentro de seus pulmões, impedindo-a de falar ou respirar. Deus, ele sempre fora tão lindo?

Os segundos se passavam, rápidos, despercebidos.

Ele a fitava com intensidade, mas sua expressão não chegava nem perto de dizer tudo o que ele sentia naquele momento. Que idiota fora! Um idiota, imbecil, maluco, filho da puta, otário... No haviam xingamentos suficientes no mundo para ele, para o que fizera. Como pode deixá-la? Como pode abrir mão de tudo o que aqueles olhos azuis lhe causavam? Como pode abrir mão de algo que amava tanto?

Os segundos viraram minutos. Dez deles, em tempo de relógio. Milhares deles foi o que pareceu.

O ar era pesado, as sensações conflitantes, e eles continuavam parados. Quando a primeira lágrima começou a se formar, ela acordou. Virou as costas para ele e fechou a porta atrás de si. Voltou a olhá-lo.

-Oi... – ele começou.

Ouvir aquela voz a fez estremecer por dentro, como uma adolescente apaixonada, e não uma mulher adulta e independente. Ela sentiu raiva de si mesma por ainda amá-lo tanto, e teve vontade de fazer algo que não fazia há anos: descontar a raiva nele.

Mas ao invés disso, pôs uma máscara, sorriu, e respondeu calma e firme:

-Oi, Freddie. O que posso fazer por você?

Ele estava assustado. Como ela podia ser tão fria! Tudo o que ele queria era que ela gritasse com ele. Ninguém muda tanto em três anos!

Ele tirou calma da puta que pariu, e respondeu.

-Eu vim ver como você estava.

Ela demorou menos de um segundo pra lembrar-se da histria da alergia, naquela manha. Fazia mesmo tão pouco tempo?

-É muito gentil de sua parte. Estou melhor, obrigada. Estava no escritório da Carly. Dormi bastante... – Ele assentiu. – Bem, se foi só pra isso que veio...

-Não. – interrompeu – Eu não vim só para isso. Eu vim pra conversar com você.

Era agora. A hora havia chegado. A hora que ela evitara pensar que chegaria, chegara. E ela não sabia se estava pronta.

Mas tudo o que acontecera naquele dia fatídico, convergia para isso. E ela sempre soube. Desde o momento que ele entrara pela porta do apartamento da Shay, ela soubera. Pensara que, talvez, ele fosse até ela pra contar como estava, pra falar sobre a astronauta. Mas depois do que Carly dissera, tinha a impressão que essa conversa seria ainda mais dolorosa do que previra.

Era chegada a hora, e ela iria ser franca. Tinha tomado sua decisão, e ela não mudava de ideia depois de tomada uma decisão há três anos. Estremeceu ao lembrar quem era a única pessoa que conseguia realmente fazê-la mudar de ideia.

Não, pensou, Não dessa vez.

Ela se adiantou e sentou em sua cadeira, atrás da mesa branca. Indicou uma cadeira a sua frente, que ele recusou.

-Eu sou toda ouvidos. Do que quer falar?

Ele a fitou por meio segundo.

-Eu não queria conversar aqui. Eu ia te chamar pra almoçar.

Ela ergueu uma sobrancelha.

-Almoçar? Há quanto tempo esta me esperando?

Ele olhou o relgio de aço em seu próprio pulso.

-Umas duas horas e meia, mais ou menos.

Uma única lembrança a invadiu.

-Pensei que você no esperasse mais do que vinte minutos por ninguém.

Eles se permitiram parar por um segundo, lembrando de todas as brigas e discussões por causa da pontualidade britânica de Benson, enquanto Puckett tinha o costume de se atrasar.

-Por você, eu espero. – foi apenas um sussurro.

Uma lâmina fina transpassou o coração dela. Havia milhes de respostas irônicas a serem dadas naquele momento, e ela sabia. Mas a única coisa que conseguiu sussurrar de volta foi:

-Eu teria esperado também...

O silêncio voltou a pesar no lugar. A dor da separação era lembrada da forma mais dolorosa. Os dias, as noites. As horas que brincavam com eles, com seus sentimentos. Brincaram, transformando três anos em três séculos.

Doía.

Doía muito.

Um minuto se passou antes que Puckett levantasse e fosse até a porta, pegando a bolsa pelo caminho.

-Eu vou no meu próprio carro, me siga. Abriu há uns quatro meses um restaurante timo há uns vinte minutos daqui. Eu não comi nada ainda hoje, estão estou morrendo de fome.

Eles saíram lado a lado, ela com um cuidado excessivo para não encostar nele.

-No comeu nada até agora? Há uns anos atrás você teria uma dúzia de bolos gordos na mochila.

Ela a olhou como se ele viesse de outro planeta. O que é irônico, considerando que ele passara os últimos três anos em Houston, na Flórida e em Marte...

-Eu não uso mochila. E eu jamais comeria algo que tem “gordo” no nome.

Benson não sabia como se sentia com essa afirmação.

***

Eles ainda não tinham virado o corredor quando uma voz conhecida chamou-a, quase cantando.

-Dra. Puckett?

Sam respirou fundo antes de pôr um sorriso no rosto e virar-se.

-Enfermeira Jones. Algum problema? Eu estava saindo para almoçar.

-Almoçar? A essa hora? O que houve?

Sam sorriu por educação. Norah Jones era uma boa amiga quando se está no estado em que Sam estivera nos últimos anos. Tinha aquela estranha capacidade de falar por horas sem perceber que o interlocutor não dissera uma palavra, e ainda discordar quando alguém diz que tal pessoa é muito calada...

Traduzindo, Norah Jones era uma fofoqueira tagarela.

-Nada de mais. Cheguei um pouco mais tarde hoje.

-E quem é o distinto cavalheiro que a acompanha?

Sam conteve um suspiro.

-Esse é Freddie Benson, um amigo de infância.

Benson sentiu uma pontada incômoda ao ouvi-la chamá-lo de amigo de infância. Era a primeira vez que ela se referia a ele assim.

A senhora o cumprimentou. Ele sorriu, formal.

-Bem, já que estamos todos indo almoçar, porque não se juntam a nós, meus queridos?

A loira ergueu uma sobrancelha.

-Está indo almoçar agora, Sra. Jones? O que houve?

A enfermeira suspirou.

-Ah, milha filha. Um ônibus de crianças bateu aqui perto. Foi um final de manhã conturbado. Muitos enfermeiros abriram mão de seus horários pra ajudar. A ala de pediatria está lotada.

Freddie parecia horrorizado, mas Sam passara tempo demais de sua vida dentro de um hospital para se assustar com qualquer coisa.

-Alguém muito grave? – perguntou, mais por curiosidade.

-O motorista teve traumatismo craniano, e os dois jovens que vinham atrás dele fraturaram algumas costelas, mas nada muito grave. Sem vítimas fatais.

-Quem cuidou do motorista?

-O Dr. Liverwood.

A loira sorriu.

-Ok, então. Se estava com o Benny, então ele vai ficar bem. – Freddie sentiu um ódio repentino do tal Liverwood. – Desejava alguma coisa comigo.

-Sim, mas não se preocupe. Isso pode esperar. Mas já que está indo almoçar, porque não nos acompanha? Iremos apenas eu, Mark Linvigston, Anne White e Theodora Smith.

Puckett ponderou. Linvigston era calado, quieto, não traria problemas. Se só haveria um enfermeiro, era melhor que fosse ele. Era casado, então era um dos poucos que não davam em cima dela.

White era bem sensata para seus vinte e três anos. Novata, tímida. Sabia conversar, mas possuía tudo o que faltava à Jones em matéria de “semancol”.

Smith seria um problema. Se havia uma palavra que ela achava que definiria bem a enfermeira ruiva, a palavra era “vadia”. Dava em cima de todos os médicos, casados ou não. E de todos os familiares de pacientes que fossem jovens, bonitos e com algum dinheiro. Enfermeiros ela dispensava. Interesseira.

Ao ouvir o nome dela, a médica olhou instintivamente para Benson. Ele era jovem, lindo, bem vestido. O alvo perfeito para a vagabunda.

Mas ela não tinha escolha. Recusar daria margem para a especulações sobre quem seria o jovem que almoçou sozinho com ela. Se conhecia bem aquele pessoal, a história do fim do dia seria que ela estava grávida dele, e que se casariam em um mês...

Não. No momento ela não tinha estrutura emocional para lidar com isso...

-Seria ótimo. Pra onde pretendem ir?

***

O restaurante de comida italiana ficava perto. Benson acabou indo no carro de Puckett, ela o levaria de volta para o hospital depois.

-Eu acho que teremos que adiar nossa conversa. Porque aceitou sair com eles, Sam?

A intenção dele era confrontá-la, mas ela tinha uma boa resposta.

-Norah Jones é tão boa pessoa quanto fofoqueira. Não quis dar margem pra falarem da minha vida.

Ele não questionou.

Eles chegaram, escolheram uma mesa, fizeram os pedidos, e resolveram que Freddie era o assunto mais interessante.

-Então, Sr. Benson – começou Jones – o que você faz, se me permite perguntar?

Ele sorriu, educado.

-Bem, no momento eu ainda sou astronauta, mas estou repensando isso.

Se todos na mesa já estavam incrivelmente atentos a ele, de repente ele se tornou dez vezes mais interessante.

-Tipo Neil Armstrong? – Linvigston perguntou, divertido. O moreno sorriu.

-Mais ou menos. Mas sem a corrida espacial.

-Qual sua última missão? – a pergunta de Smith veio carregada de segundas intenções. Mas não as segundas intenções de sempre. Ela estava começando a reconhecê-lo. E ele percebeu.

-Eu estive na missão Ares 15, sim. Sei que você me reconheceu. A NASA fez um senhor estardalhaço sobre isso.

“Voltamos há alguns meses, mas ainda havia muito a ser feito, por isso só pude voltar a Seattle agora.”

Ele agora era a coisa mais interessante de todas. Smith e até White o olhavam com olhos brilhantes e aquilo causou uma reviravolta dolorosa e desagradável no estômago da médica.

-Como é lá? Em Marte? De verdade, sem câmeras, sem cortes, sem intermediários?

Freddie pensou por um segundo antes de responder a pergunta de Anne.

-Quieto. De tudo o que tem lá, o que mais se destacou pra mim, foi o silêncio.

Todos ficaram calados por um segundo, refletindo o significado daquilo. Mark foi quem expressou em palavras confusas o que todos estavam pensando.

-Você se desembestou da Terra pra Marte e o que mais se destacou foi o silêncio?

Todos, incluindo o próprio Benson, tiveram que rir.

-Eu explico. Eu cresci em Seattle. É uma cidade grande, e cidades grandes nunca dormem. Minha escola era relativamente grande. Muita gente. Meus amigos de infância, eram bem barulhentos também. Minha mãe, então, nem se fala!

“Quando eu fui pra faculdade, meu colega de quarto gostava de estudar em voz alta. Eu me acostumei a estudar ouvindo música, porque se não eu estudaria a matéria dele, e não a minha. Acostumei de um jeito que estudava com os fones até na biblioteca.

“Minha namorada do último ano da escola, com quem eu namorei por toda a faculdade, gostava de conversar, de ouvir música. Mas gostava de sentar, embaixo de uma árvore no parque ou no campus, e ficar junto, sem dizer nada, sem fazer nada. Ficávamos em silêncio, mas o mundo ao nosso redor fazia barulho.

“Ficar lá, num lugar onde o som não se propaga, onde os comunicadores ficaram mudos, todos ansiosos com a chegada a um planeta nunca antes visitado... Me lembrou dela. Ouvir o silencio, me fez lembrar das vezes em que nós nos sentávamos, juntos, sem dizer nada. Só... curtindo a presença um do outro.”

Depois dessas palavras, um novo silêncio se instaurou.

-Você e essa namorada... – começou Jones, hesitante – Ainda estão juntos, ainda mantém contato?

Ele e Sam evitavam a todo custo se olharem.

-Juntos? Não... Não mais... Eu fui idiota o suficiente para fazer a maior burrada da minha vida... Se temos contato? Sim... Mesmo que eu não a consiga de volta, – eles finalmente se fitaram – eu nunca a deixaria ir completamente.

A forma como se olhavam era tão intensa, que os outros sentiram necessidade de virar o rosto.

***

Dizer que foi um almoço agradável depois daquilo, seria uma grande mentira. As conversas tornaram-se pontuais e Puckett e Benson não se falaram mais.

Assim que terminaram de comer, pediram a conta e foram embora.

Mas se o clima na mesa, com mais quatro pessoas, estava pesado, isso nem se comparava ao clima quando chegaram ao carro.

Puckett falou, antes que ele dissesse algo em referência ao discurso feito na mesa.

-Não pudemos conversar direito hoje. Podemos fazer isso amanhã.

-Claro. Me espere aqui fora, eu venho te buscar. Quero garantir que iremos sair.

Eles perceberam a conotação involuntária, como se eles fossem ter um encontro, mas ninguém comentou.

Nada mais foi dito. Eles chegaram ao hospital, e saíram do carro. Freddie pôs a mão na cintura de Sam, para dar-lhe um beijo no rosto, um pouco mais longo do que o necessário. Depois foi embora.

Sam se sentiu uma idiota por passar o resto do dia pensando naquele momento, e na sensação da mão dele em sua cintura. Ainda pensava nisso ao chegar em casa muito mais tarde que o normal.

Era por isso que ela não queria tocá-lo. Ela fazia uma boa ideia do que ele era capaz de fazer com apenas um toque, nas sensações e desejos que desencadeava com um simples aperto de mão. Só no lembrava que era tão forte...

E porque as mãos dele lhe causavam tantos arrepios? Porque ela lembrava o que ele era capaz de fazer com elas...

Um calor começava a se espalhar por suas pernas e subindo, quando ela resolveu que era uma boa hora pra um banho frio...

Notas finais
Sentiram que vai começar a esquentar, né?! ;p
Esse capítulo não tem muita coisa grande, mas se ligaram nos detalhes? ;p
Espero que gostem e comentem muito, pra eu ficar bem feliz e escrever mais!! O capitulo só deve sair lá pra quarta, gente, sorry... =/ Mas eu vou tentar por um na quarta e um na sexta, blz?! Não prometo nada, mas se eu ficar feliz eu tento! ;p
E vão por mim, o VIII... ;p
bJOEss