Recomeçar

30 Treinamento


Notas iniciais
Queria agradecer muito a jrs, pela recomendação que ela fez a esta história. Considere este capítulo inteirinho feito pra você, ok? Obrigada mesmo! Adorei o que você escreveu e fico imensamente feliz em saber que você gosta tanto da minha estória. Beijos

POV Bella

A viagem foi tranqüila, ainda que um tanto tensa. Jasper não olhava pra mim. Na verdade, era quase como se ele estivesse perdido em pensamentos e nem ao menos notasse a minha presença. Isso me fez sentir um pouco mais... Eu não sei, pequena? Triste, talvez? Realmente, porque ele me notaria? Eu não passava de uma humana boba que não parava de fazer besteiras.

Me encolhi um pouco mais diante do pensamento, mas sendo a pessoa má que eu sou, eu não consegui deixar de aproveitar a oportunidade para estudar o semblante de Jasper, agora que eu tinha certeza, apenas pelo olhar em seu rosto, que ele não estaria prestando atenção às minhas emoções.

Deus! Ele era tão lindo! Os lábios carnudos estavam trancados em uma linha ligeiramente dura, mas ainda assim, sedutora. Eu só podia imaginar quão doces eles não provariam. Seu queixo era afilado e parecia mostrar um traço de sua personalidade: a determinação. Ele era tão forte! E eu não falo de sua força física, apesar de esta ser sobre-humana. Falo de sua força interior, ele era apenas alguém notável! E ao mesmo tempo tão gentil. Me lembro das inúmeras vezes em que ele me consolou. Da delicadeza e do respeito que sempre mostrou por mim. Eu queria chorar de gratidão e de carinho por ele. E quando eu pensava assim, mais eu lamentava todas as minhas ações. Eu simplesmente não fui capaz de lhe pagar na mesma moeda o respeito que ele demonstrou comigo e com os meus sentimentos.

Seus olhos não eram apenas dourados como os de Edward, eles eram mais profundos, acho que possivelmente isso se devia ao fato de ele ter visto tão mais de tudo. Eu gostaria de ter podido proteger aqueles olhos, para que eles não tivessem que ver tantas desgraças e traições. Mesmo assim, eles brilharam várias vezes com o seu humor inteligente e com um ar levemente provocador que eu adorava. Eu gostava também do seu formato, eram amendoados e a cor, era tão mais rica, cheia de uma miríade de sub-tons. Se eu pudesse, eu gostaria tanto de encopar o seu rosto em minhas mãos, acariciando as suas bochechas com os polegares, queria ser aquela pessoa em quem ele se apóia. De quem ele precisa. Eu nunca pensei que algum dia eu sentiria ciúmes de minha amiga Alice. Mas agora, era impossível não fazê-lo. Eu não conseguia entender como ela poderia ferir um homem como Jasper, jogá-lo fora assim, como se fosse lixo ou uma de suas roupas usadas.

Pensando nisso, ambos Edward e Alice, agiam às vezes como garotos mimados. E talvez no fundo, fosse isso o que eles fossem. Alice, sempre exigindo que as coisas acontecessem exatamente como ela queria. Edward, com seu controle e sua manipulação. Eles simplesmente não pareciam ter idéia do valor das coisas; do dinheiro ou das pessoas. Alice, sempre descartava as suas roupas caríssimas e perfeitamente boas após tê-las usado apenas poucas vezes, senão uma única vez. Eu sei que eles tinham dinheiro, muito mais dinheiro do que jamais eu poderia sequer conceber, mas isso era realmente necessário? Ou até mesmo saudável? Alice parecia precisar o tempo todo de mais e mais... Parecia pra mim algo compulsivo, como se ela estivesse tentando preencher um vazio que jamais poderia ser preenchido com roupas. As pessoas? Bom, eu e Jasper éramos provas vivas de quão facilmente as pessoas ditas importantes em sua vida eram na verdade descartáveis.

Tanto quanto eu via o quão amorosos e atenciosos Carlisle e Esme sempre foram com seus filhos, eu acho que lhes faltava também um pouco mais de disciplina. Eles deveriam ensinar-lhes melhor a questão dos seus limites. E não passar a mensagem, através da sua omissão de que seus filhos poderiam fazer qualquer coisa, mesmo que isso implicasse em magoar outras pessoas. Vampiros ou não isto estava errado! Esse tipo de educação, só ensinava a se tornarem como Renee. Alguém incapaz de se comprometer com nada nem com ninguém.

Tanto quanto eu amava Renee, e que ela era uma ótima amiga, ela deveria ter sido capaz de ser uma mãe. E tanto quanto eu não me importava em cuidar dela, eu não poderia dizer com sinceridade que eu não senti falta disso. Esta foi a razão pela qual eu me apeguei tanto aos pais de Edward e talvez até mesmo a Edward, eu queria que alguém cuidasse de mim. Mas , como a minha história prova, essa definitivamente não foi uma boa idéia.

- Por que você está tão irritada? – Jasper me perguntou. A testa franzida em uma expressão de preocupação. Eu lhe sorri. Tentando assim aliviá-lo um pouco.

- Nada não. Apenas pensando um pouco no passado.

E então ele estava me colocando no chão. Eu olhei em torno, percebendo que tínhamos finalmente chegado à clareira. Ali, já nos aguardando, estavam cerca de dez lobos. E apenas Sam e Jacob estavam em suas formas humanas.

Eu já estava me conduzindo a uma árvore, tão habituada estava a ser posta de lado por Edward quando a situação envolvia algo relativo ao seu mundo. Mas para a minha grata surpresa, Jasper segurou a minha mão e me conduziu ao centro, junto com ele. Ao seu lado.

- Bella! – Jacob gritou e correu para mim, me dando um abraço que rivalizava com os de Emmett. Eu me senti sumir entre os seus braços fortes e o chão fugir dos meus pés quando ele me levantou. Eu devolvi-lhe o abraço, falando o seu nome em um reconhecimento. Notei que Jasper, embora tenha tensionado levemente o corpo, de outro modo não fez nada para impedir que Jacob me abraçasse; como eu podia garantir, Edward teria feito. Isso me agradou. Logo, o chão havia sido devolvido aos meus pés e Jacob deu um passo atrás.

- Sam me falou que você viria. Mas eu não acreditei.

- Por que? – Perguntei sem entender a razão pela qual ele desconfiaria disso.

- Bem, pra começar, você não deveria saber de nada disso.

- Como se Bella fosse se permitir ficar de fora de qualquer intriga que aconteça em Forks. – Comentou Jasper, com um revirar de olhos brincalhão. Jacob sorriu assim como Sam. Mas logo ambos pareceram se lembrar de que não deveriam confraternizar com o inimigo. Sam resolveu bater as palmas uma vez, como a chamar atenção para si.

- Bella. – Ele me cumprimentou com um inclinar rápido de cabeça em minha direção e imediatamente voltou a sua atenção para o vampiro ao meu lado. – Jasper. Como você pode ver, cumprimos o prometido, estamos aqui.

- Eu percebo. Vamos então começar com o curso “Como matar vampiros – 101”.

Com isso, Jacob me levou para a borda da clareira e se sentou comigo à sombra das árvores. Mas a atenção de nós dois estava presa no vampiro loiro, parado no centro da clareira, cercado por lobos, seus inimigos naturais e parecendo estar perfeitamente a vontade, quase como se os lobos fossem apenas crianças a quem eles ensinava as primeiras letras. Um leve sorriso irônico pairando em seus lábios.

- O cara têm coragem. Vou dar isso a ele – Comentou Jacob em um tom de voz baixo.

POV Jasper

- Eu percebo. Vamos então começar com o curso “como matar vampiros – 101”.

Eu começei sorrindo levemente da ironia que eu, um vampiro, estivesse ensinando os meus inimigos naturais a matar a minha própria espécie. O que eu não era capaz de fazer por Bella!

- Sam, me diga o que você sabe sobre os vampiros.

- Homicidas, amorais, mortos, só podem ser destruídos pelo fogo. Com olhos vermelhos bebem de humanos; com olhos dourados, bebem de animais. Alguns além da força, velocidade e sentidos aguçados possuem outros dons.

Senti meu semblante enrijecer.

- Pra alguém que é capaz de resumir tudo o que sabe em uma ou duas frases a respeito de toda uma raça de pessoas ou de seres, como queira. Acho que seria lógico ter mais cuidado com seus julgamentos morais. Especialmente feitos em afirmações absolutas. Nunca ouviu falar que toda unanimidade é burra? Bom, Eu vou me abster de comentar mais a respeito. Porque francamente, se eu fizer, acho difícil que possamos manter a parceria pela qual todos estamos aqui. Dito isso, vamos em frente.

- Você classificou os vampiros em termos apenas de sua alimentação. Mas de acordo com a idade, eles podem ser tidos como recém nascidos ou vampiros maduros. O período de recém nascidos costuma durar um ano. Quando então eles são muito mais fortes e velozes do que o vampiro normal. Ainda que controlados pelos seus instintos. Eles têm pouca ou nenhuma habilidade de luta e são excessivamente confiantes em sua força, assim sendo, tendem a ir para a forma mais fácil e óbvia de morte. Eles são portanto, previsíveis e esta é a sua mais grave fraqueza. Seus olhos, são vermelho intenso, mesmo que se alimentem de animais. Isso é devido ao seu próprio sangue que ainda permeia os seus tecidos. Esta é também a razão de suas diferenças em relação aos vampiros mais maduros.

- Vampiros maduros tem seus olhos de um vermelho escuro, quase vinho. Isso se estiverem bem alimentados. Eles serão mais controlados, possivelmente mais experientes em luta, mais ardilosos e racionais. E por conseguinte, mais imprevisíveis. Mais perigosos, por assim dizer.

- De acordo com o estado de alimentação. Se estivermos sedentos, nossos olhos serão negros e a maioria absoluta dos vampiros será bastante perigoso neste estado. O perigo diminui quanto maior for a idade do vampiro em questão. Pressupõe-se que o tempo lhe tenha ensinado a controlar melhor a sua sede. Mas enquanto estiverem sedentos, eles serão mais ferozes, e terão menor resistência ao dano. Porque estou lhes explicando isso? Porque na medida em que não sabemos que tipo de vampiro está provocando estas mortes, teremos que nos preparar para todos os tipos. E lutar de modo diferente, de acordo com o tipo e o estado do vampiro, quando o encontrarmos. Isso se quisermos vencê-lo, é claro.

- Quando se trata de vampiros recém nascidos, a primeira regra que vocês devem aprender é: nunca, jamais deixar que eles ponham os braços em torno de vocês. Com a sua força eles irão pulverizar os seus ossos. Seja o vampiro maduro ou não, será importante que vocês sejam capazes de lhes prever os movimentos. Uma vez que é sabido que nosso veneno é mortal para vocês, isso será fundamental para a sua sobrevivência.

- O vampiro com que estamos tratando parece se alimentar apenas quando há chuva. Por estarmos em um lugar tão chuvoso, isso dá-lhe inúmeras janelas de alimentação. Mas também parece indicar que é mais provável que ele seja um vampiro mais experiente, já que a cautela definitivamente não é uma característica dos recém nascidos. Mas isso não é uma certeza. Ele pode muito bem estar sendo orientado por alguém mais experiente. Seu criador, possivelmente.

- Assim sendo, ou temos um vampiro inteligente, antigo e cauteloso. Ou temos dois. Um que é inteligente e ardiloso e outro que funciona como seu peão. A primeira questão é: porque tamanha cautela? O cheiro que peguei, tinha algo de familiar. Assim, a cautela poderia ser advinda de o sujeito em questão saber que estou aqui e não querer ser reconhecido. Mas na medida em que ninguém está sabendo que ainda estou aqui, e embora ele possa ter pego o meu cheiro e me reconhecido. Pode também ser por sua causa ou pode ainda simplesmente ser uma característica pessoal do vampiro em questão.

- Sam? Você lhes contou o que aconteceu com Bella há alguns meses?

- Sim.

- Neste caso, vocês sabem da minha desconfiança de que possa ser alguém atrás dela. Por conta disso, eu proponho montar uma dupla como escolta para ela todas as vezes em que eu for caçar e para Charlie, quando ele tiver que ir à delegacia.

- Oh, não. Você não vai fazer isso! – Bella exclamou do alto de toda a sua indignação.

Tanto quanto eu já esperava a sua revolta, ela ainda me irritava. Mais ainda porque aparentemente, nós estaríamos discutindo isso na presença dos lobos. Porque ela não manifestou a sua oposição logo que eu lhe falei sobre os meus planos para o treinamento, quando então poderíamos ter conversado a respeito com privacidade? Será que ela não tinha entendido que o treinamento que eu lhes daria era para que eles fossem capazes de se tornar bons cães de guarda? Em se tratando de Bella, talvez este fosse exatamente o caso. Se fosse Alice, eu juraria que ela apenas estava contando que de alguma forma a nossa platéia canina (que a propósito, no momento estava emanando curiosidade, cautela, protecionismo e diversão) fosse pender a balança em seu favor. Respirando fundo, apenas para me acalmar eu me virei muito lentamente para ela. Cruzei os braços sobre o peito e arqueei uma sobrancelha.

- Eu não vou? Por que eu não iria?

- Você não pode fazer isso! – Declarou ela dando alguns bons dois ou três passos em minha direção – Eles vão se machucar!

Bem, e com isso nós podemos encerrar a questão sobre angariar apoio junto aos lobos. Eles agora estavam se mostrando ofendidos, mais do que divertidos. Bella tinha realmente dado-lhes um pisão em seus egos. Em defesa deste, e em uma ação que nitidamente visava descartar os seus temores; um coro de risos humanos e lupinos foi desencadeado. O constrangimento de Bella era evidente em suas faces muito afogueadas. Eu deixei as risadas morrerem antes de me virar para o alpha.

- Hum, Sam? Para que os lobisomens existem?

- Nós protegemos os humanos.

- Bella, você é humana, correto?

Ela não se deu ao trabalho de me responder.

- Vou tomar seu silêncio como concordância. Primeiro ponto: Sam, eu tenho o poder de proibi-los de efetuar a defesa de Bella, se ela for um alvo potencial?

Agora, os rugidos eram a canção evocada.

- No dia que um sang...

Eu apenas me virei para ele e lhe dei um olhar para lembrá-lo do nosso acordo. Foi entre os dentes cerrados que ele respondeu.

- No dia em que um vampiro tiver esse poder. A nossa função deixa de existir. Eu não descarto mesmo a possibilidade de eu me encarregar de matar o meu bando! Ao menos, desta forma, não desonraremos os nossos ancestrais.

Jacob que tinha se aproximado de toda a confusão e agora estava imediatamente atrás de Bella, resolveu entrar na conversa.

- E você pode acreditar que eu o ajudo a matar ou estendo o pescoço pra ser morto. – O choque de Bella ante as palavras de Sam e de Jacob era medonho. Para mim, não houve nenhuma surpresa, sempre existiu uma corrente subjacente de animosidade em relação a mim, especialmente, vinda de Jacob e de um lobo cinza claro.

- Assim sendo, tudo o que estou fazendo é aumentando as chances que eles têm de terem êxito em sua missão.

Expliquei com um dar de ombros. Porque francamente, tanto quanto eu gostaria que eles sobrevivessem; se morressem... Bom, vamos dizer que eu não ficaria deprimido. Para mim, eles não passavam de garotos especialmente fedidos, super-bombados que achavam que eram muito bons, mas cuja única vantagem era numérica. Eu não era seu amigo e não tinha maiores preocupações com nenhum deles. A única razão de eu vagamente torcer pela sua sobrevivência era em benefício de Bella, e porque era um tanto difícil viver tanto tempo com os Cullens sem desenvolver algum senso humanitário. Carlisle era simplesmente um sujeito que parecia impregnar a sua consciência e fazê-la trabalhar mais do que algumas vezes, você julgava desejável.

- Jasper, não os atice. Eles são apenas garotos, acabarão por ser mortos, por minha causa! Eu não posso aceitar ser a causa de suas mortes.

Jacob bufou.

- Você têm noção do quanto isso é ofensivo?

Bella então voltou-se para ele e me deu as costas.

- Como isso poderia ser ofensivo, Jacob? Será que você não vê que eu estou tentando protegê-lo? Proteger a todos vocês?

- Você está assumindo que um vampiro poderia nos derrotar.

- É claro que eu estou. Jacob, eles são vampiros! Pelo amor de Deus!

- E nós somos lobisomens. Pelo amor de Deus, digo eu! Bella, nós fomos criados para matar essas coisas!

As coisas estavam nitidamente ficando muito quentes por ali, a raiva de Jacob estava em um crescente violento e ele começava a tremer ligeiramente. Eu mandei uma forte onda de calma para ele. E me aproximei de Bella afim de a proteger em caso de algum ataque. Quando todos pareceram ter recuperado um pouco de compostura eu prossegui:

- Bella, vamos estabelecer uma coisa: você concorda que existe uma possibilidade de você ser o alvo deste vampiro? E por conseguinte o seu pai ser um alvo secundário? Porque se você concordar, então é claro que você e seu pai terão uma escolta. Se você não concordar, nenhum de vocês terá. Você disse que não agüentaria que qualquer deles viesse a morrer por sua causa. Mas é para isso que eu os irei treinar. Agora, por outro lado, você poderia agüentar se algo acontecesse com o seu pai?

A reação de Bella foi como se eu a tivesse estapeado. Ela mesmo deu um passo para trás e colocou a mão sobre o coração como se... sei lá, eu a tivesse fisicamente ferido.

- Você não pode estar me perguntando isso.

- Lamento, Bella. Mas tudo aquilo que fazemos têm conseqüências. Eu lhe prometi que decidiríamos as coisas juntos. Eu mantenho a minha palavra. Se você não quiser que eu os treine, eu não vou. Desfazemos o nosso acordo. Eles voltam a me chamar de sanguessuga e eu volto a chamá-los de vira-latas. Eu não os treino ou trabalho junto com eles e eles fazem o que acharem melhor. Mas com isso, você não estará garantindo que eles ainda não irão protegê-la, mesmo que seja contra a sua vontade. Só estará assegurando que eles não vão receber treinamento para executar a tarefa bem. O que inevitavelmente irá colocar você, eles e talvez o seu pai em maior perigo. Se eles optarem por não defendê-la quer seja porque eles também não a consideram um alvo, quer porque você mesma lhes dispensou a defesa. Se alguma coisa acontecer com o seu pai, você vai conseguir suportar isso? Olha, eu lamento ter que lhe fazer esta pergunta. Mas eu não seria um bom amigo se não a avisasse dos perigos de sua decisão.

- Eles estarem lá não assegura que eu ou meu pai estejamos seguros. – Ela disse com uma voz pequena e derrotada. Mas perfeitamente audível para todos. E mais um coro de rosnados ressoou. Com um aceno de cabeça eu concordei com ela, enquanto mandava outra onda de calma muito necessária para todos.

- Os melhores planos ainda têm sempre um jeito de darem errado. Mas se tudo o mais for pro inferno, pelo menos todos poderemos dizer que tentamos. Isso, no mínimo será um consolo; não apenas para você Bella, para todos.

A tristeza emanava dela. E a desistência transparecia em toda a sua expressão corporal. Jacob passou o braço por sobre os seus ombros e sem uma única palavra ele a conduziu até a árvore onde ambos antes estavam sentados. Tão agradecido quanto estava por ele a ajudar. Não deixava de me incomodar o seu oportunismo.

Quer dizer, é claro que ele também tinha amizade por ela. Mas ainda mais claro era o seu interesse. Não deixava de ser oportunista o modo como ele se aproximava, quando ela estava chateada. Sua esperança e desejo eram uma corrente constante que ele irradiava, todas as vezes em que estava em presença de Bella. Aquilo me desagradou. Ela não estava pronta para esse tipo de coisa, especialmente hoje, após ter passado pelo que passou com o tal do Július.

Minhas mãos se fecham em punho a este mero pensamento. E eu não posso deixar de vigiar aos dois enquanto transmito o exercício para os lobos. Peço que formem pares e que a metade deles voltem a forma humana e simulem ser vampiros para melhor aproveitamento. No início eles estão muito relutantes em se colocar em uma posição tão vulnerável, mas eu lhes empurro um pouco de confiança, me afasto um pouco mais e eles logo correm para a floresta para colocar as suas calças. Ao menos desta vez, eu não precisaria ver as partes púdicas dos cachorros. Tanto quanto eu sabia não poder ter pesadelos, esta era uma memória que eu estava muito grato em não ter.

Eles voltam e eu oriento aos que estão sob a forma humana, a ficarem a cerca de um metro do seu parceiro, simulando um ataque de um vampiro. Com um sistema de código de batidas das patas no chão, os que estão sob a forma lupina tentam identificar qual era o ataque. O que está como humano confirma ou nega e em caso de confirmação, eu pergunto ao lobo o que ele faria para se defender. Dou idéias sobre possíveis táticas de evasão e contra-ataque e falo sobre alguns dos ataques mais comuns que os recém nascidos podem fazer.

Enquanto eu fazia isso, Bella e Jacob continuavam em um papo animado debaixo da árvore. Pra minha completa decepção, após um tempo, eu posso notar que Bella também está sentindo luxúria e a julgar pelos olhares, o alvo do seu desejo é Jacob. Agora, é a minha vez de me sentir triste. O que não dava a entender era o porque de eu subitamente estar com tanta raiva. Bem, talvez esta seja pelo subterfúgio? Afinal, ele estava aqui para treinar não?

Nhá. Ao menos pra mim mesmo, era melhor que eu fosse sincero. Eu estava com ciúmes.

- Jacob, você não acha que deveria treinar um pouco?

- Com você? Dez! Vai ser legal pegar o original.

Ele fala com um sorriso arrogante em seu rosto. Eu arqueio a sobrancelha. Ele está falando sério? Ao que parecia, alguém estava ansioso para me enfrentar. Eu estava tão feliz por não ser o único que estava extraindo uma satisfação perversa em duelar com ele.

- Claro! Faseia ai e vamos ver do que você é capaz.

- 30 dolares como o Jacob vai dar uma lavada no frio. – Falou um dos garotos na forma humana.

- Sem chance cara! Ele nos derrotou, a mim e ao Sam em menos de 30 segundos. Eu aposto 50 no vampiro.

- Traidor!

- Nada disso Embry, acredite em mim como eu ainda odeio que ele seja capaz de fazer isso. Mas a minha conta de luz esta atrasada e essa é uma grana fácil.

Eu reviro os olhos enquanto espero Jacob voltar do matinho.

- Tão feliz em ajudar. – Eu digo, pouco antes de Jacob voltar já rosnando para Paul. Todos os demais grupos que até então ainda estavam treinando, param para olhar para nós. Jacob se posiciona a minha frente. Confiança, diversão e presunção se derramando dele. Aquilo me irrita ainda mais do que eu já estava. O que ele tinha para se sentir confiante, aquele pequeno saco de peles fedorentas? Não pode ser por conta da luta. Ele deve ter sabido o que fiz com o seu alpha e seu outro amiguinho. É por Bella? Canalha! Se for por conta dela ele bem pode escorregar e cair em cheio nos meus dentes. Uma única mordida e... adeus Jacob!

Começo a entender melhor as razões pelas quais as vezes era tão difícil para Edward segurar o seu temperamento em torno de Mike Newtom. Se havia uma coisa que eu não invejava em meu irmão era o seu poder.

Eu solto os meus braços em torno do meu corpo e tento forçar-me a relaxar em preparação.

- Você nunca deveria entrar numa luta tão autoconfiante, Jacob. Isso pode ser muito prejudicial a sua saúde.

Ele parece sorrir um sorriso de lobo e como que encolhe os ombros manifestando o seu pouco caso. Eu definitivamente estou a caminho de socar o maldito.

Ele avança e assim, nós começamos.

Notas finais
Lamento a demora. Este capítulo parecia não querer ser escrito. Eu me sentava para escrevê-lo e apenas não saía nada. Ainda não está do jeito que eu gostaria. Mas ao menos, agora está ai. E no final, até que me empolguei um pouco e ele ficou bastante grande. Espero que isso as ajude a não ficarem com muita raiva de mim. Beijos e boa leitura.