Quando Amy voltou a abrir seus olhos tudo que lhe tomava a vista era escuridão; aquilo apavorara a pequena, que logo levantou-se as pressas , com todo seu corpo tremulo enquanto tentava recobrar os sentidos, mantinha-se de pé ainda com suas costas apoiadas a porta do quarto, virava-se rapidamente para a parede, suas mãos tateavam tudo a sua volta aflita, até que finalmente sentiu a palma de sua mão bater-se contra o interruptor , e seu quarto era iluminado por completo, retirando-lhe um suspiro de alívio.

Era um quarto belo, com paredes pintadas de um suave rosa-bebê, carpete branco e felpudo, um conjunto de armários, penteadeiras e escrivaninhas de madeira bem claros, levemente amarelados, vários quadros cobrindo as paredes, de paisagens campestres, borboletas e flores; e para completar, ao meio do quarto, uma bela cama de solteiro grande, com sua cabeceira dourada, o colchão branco e macio, grandes almofadas espalhadas pela mesma junto aos cobertores que iam do vermelho ao salmão,; e , acima da cama, olhando para a garota amigavelmente, havia um cavalo de pelúcia marrom, com acabamentos brancos em seu rosto e patas, e uma rala crina loira já gasta pelos seus anos de vida e lavagem descuidada.

A menor abria um sorriso ao ver seu velho amigo ali, lhe consolando, assim aproximava-se do animal pequeno e imóvel, o retirava da beirada de sua cama e o puxava para o meio de seu peito em um apertado abraço antes de sentar-se aos pés da cama, transferindo seu amigo de pelúcia para seu colo, sentado sobre seus joelhos, olhando-a amigavelmente com seus olhos pretos de botão; pronto para escutar suas mágoas por toda a noite, já que tornara-se impossível para menina conseguir cair no sono novamente.

Inicialmente a menor apenas confidenciava o ocorrido daquela manhã para seu fiel amigo, expunha-lhe todas suas mágoas e desejos mais profundos até lhe banhar com suas próprias lágrimas; e quando já consolada pela pequena criatura inerte deixava-se levar por sua forma e cores, assim convertia-se em uma grande amazonas, viajando o mundo apenas com a companhia de seu cavalo selvagem Mr.Patas, salvando as aldeias por qual passava de feras terríveis que rondavam o mundo, desbravando desertos infernais e florestas congeladas; até que finalmente...

— Amy sua pivete! Tem gente querendo dormir!

Após o susto olhou rapidamente para porta de seu quarto, para então poder ve-lo, o menino sardento , nanico e acima do peso, de cabelos castanhos bagunçados em vários caracóis, vestindo pijamas de seda azul-marinho e com uma terrível cara emburrada. Era seu primo; um rapazinho de quatorze anos, o amor da família, melhor que ela em todos os sentidos, além de ser o motivo de seus pesadelos.

Amy apenas abaixou a cabeça e assentiu, porém era tarde demais, o jovem já havia adentrado em seu quarto, e agora aproximava-se afobado da menor enquanto ela tremia e abraçava-se a seu amigo tecido em pedaços de pano; até sentir Mr.Patas ser puxado de seus braços pelas mãos rechonchudas do garoto mais velho.

— Não Junior! Me devolve ele! Por favor, por favor!

Dizia sem nem ao menos criar coragem o suficiente para levantar o rosto, e nem era preciso levanta-lo para o menino reagir; Amy fora empurrada de sua cama, caindo no chão de seu quarto sobre seu braço direito, que poderia ter sido ferido seriamente se o piso não fosse macio. Só pode olhar para o lado para ver os pés de seu primo indo para fora de seu quarto, levando bruscamente em sua mão esquerda seu único amigo, que parecia pedir socorro apenas com o olhar de botão, porém, Amy não ousou levantar, sem poder imaginar o destino que Mr.Patas teria dali para frente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.