Reckless

12 Capítulo 12 - Claire


Notas iniciais
Genteee! Tá aqui o cap. prometido já há algumas semanas... tive um rolo imenso com o Nyah e finalmente consegui postar outra vez. Perdão pelo transtorno! Amo vcs, e gostaria de agradecer a todos os leitores que mandam reviews e mensagens, especialmente a Isabella Menezes pelo carinho que tem com a fic. Pessoas assim fazem a diferença! A música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=2iSQGWpy0qY&list=PLjOLZVat-eRA6oZ8N5KfbfWvMjURJht2B&index=3

Daniel aproximava seu rosto meticulosamente do meu até que eu já sentia ponta do seu nariz tocar a minha. Podia jurar que a temperatura do meu corpo estava mais baixa devido ao meu nervosismo. Eu queria beijá-lo, saba disso e tinha força e coragem para tal, mas de onde esses sentimentos vinham, o medo e a insegurança também brotavam, de modo que eu tinha medo de não ser correspondida se o beijasse ou receava ser enxotada do carro de Daniel. Por isso, esperei que qualquer iniciativa partisse dele.

Quando já não aguentava mais esperar, tentando decifrar através de seus olhos, o que ele faria em seguida, percebi uma abertura em sua boca. É agora. Fechei os olhos lentamente e esperei pela sensação de seus lábios nos meus. Mas ela não veio.

— Você tem um arranhão no canto da boca, garota.

No momento em que ouvi aquelas palavras, não abri os olhos. Era mesmo real? Quer dizer, não estava no roteiro que essa era a hora do beijo?

— Deve ter conseguido sozinha, com a unha, ou talvez seu pai tenha feito isso hoje. — Ele se calou por um tempo. Preferi acreditar que ainda havia um beijo por vir — Lizzie, você está aí? — Chamou minha atenção.

Abri os olhos com muita, muita calma, sentindo que até o bichinho da vergonha devia estar rindo de mim naquele momento. Respirei fundo, esperando que ele não tivesse percebido quais eram minhas expectativas e tentei disfarçar a frustração.

— Desculpe. É que estou cansada.

Daniel riu. Por favor, Deus, que ele não tenha notado nada...

— Tudo bem. O importante é que você descanse e fique segura. Qualquer coisa me liga, salvei meu número no seu celular — Avisou-me.

Eu talvez até ficasse feliz sabendo que agora tinha seu número, mas diante daquele papelão que havia feito, tudo o que consegui fazer foi assentir para ele e descer apressada do carro. Minha intimidação e frustração eram tantas que nem fiz questão de lhe desejar um bom sono, apenas corri até a porta da Claire e toquei a campainha, esperando que ela viesse logo e evitasse mais momentos longos e constrangedores a sós com Daniel.

— Garota — O dito cujo chamou.

Mordi o lábio com medo de mais alguma coisa dar errado pra mim e virei para ele com calma.

— Boa noite — Disse Daniel.

Que adorável. Ele devia estar mesmo com muito sono ou muita pena de mim pra ter sido tão educado. Mas, ainda assim, considerei seu esforço e sorri. Claire abriu a porta em seguida e, por sorte, me mandou entrar antes de perguntar qualquer coisa.

Quando ouvi o som da porta fechar, corri para o sofá dela e me joguei nele em posição fetal, escondendo o rosto entre as mãos de tanta vergonha. Esse é o tipo de coisa que só devemos fazer quando encontramos nossa melhor amiga. Considerando que eu não tinha uma e Claire me fazia sentir bem com sua aparente amizade, eu não tive outra escolha.

Segundos depois, a ouvi rindo e caminhando para mais perto, no sofá ao lado.

— Lizzie, é bom ter uma boa desculpa pra chegar essa hora na minha casa com um cara desses num carro de luxo.

Fiz uma careta e sentei abraçando os joelhos. Encarei a loira. Ela segurava uma caneca de café e estava com um rabo de cavalo e cara de choro. Estranhei, mas digamos que aquilo não era a preocupação do momento.

— Você acha que eu sou muito, muito boba por querer beijar um cara que me levou pro carro dele pra dizer que me queria fora da sua vida, mas que ao mesmo tempo já salvou a minha vida umas três vezes só nessa semana? — Indaguei.

Mordi os lábios, insegura, e comecei a bater o pé no sofá insistentemente. Era o que eu sentia: insegurança e medo. Medo de ser uma boba e, com menos de uma semana em Southampton, estragar toda a história legal que eu poderia construir naquela cidade. Insegurança por não saber exatamente se estava pisando em ovos quando aos meus sentimentos. Ou melhor, incerteza se aqueles eram realmente sentimentos e não apenas desejos bobos de uma garota que só beijou dois caras na vida toda. Mas, mesmo assim, não me sentia segura com nenhuma das duas opções.

— Se esse cara for o Daniel, acho que você não deveria nem sequer entrar no carro dele, muito menos querer beijá-lo. É minha sincera opinião. Lizzie... — Claire afirmou com um certo pesar na voz.

Respirei fundo. Decidi que, se quero tanto que ela seja minha amiga, eu tenho que dar o primeiro passo. E ele é, neste momento, abrir a boca e confessar tudo o que tenho sentido e visto nos últimos dias. Foi exatamente o que fiz. Contei a ela que acreditava que ambas estávamos erradas sobre Daniel em nosso primeiro julgamento. Narrei a história de como ele me salvou das mãos nojentas de Brian, de como se importou em ir atrás de mim quando soube que eu estava em perigo e me levou para seu abrigo na praia e, por fim, mencionei os belos socos que tinha metido no meu pai assim que ele me ofendeu.

E, como eu esperava, Claire se encontrava estarrecida.

— Uau... Garota, o Daniel fez mesmo tudo isso por você? — Perguntou com os olhos brilhando.

Afirmei, de certa forma, feliz.

— E hoje, quando ele me deixou aqui, eu quis beijá-lo, Claire... Mas achei que ele ia me rejeitar. Acho que estava certa, porque ele nem sequer tentou me beijar... Eu não sei. Não sei se estou confundindo as coisas. Eu realmente não sou boa com sentimentos e toda essa coisa que eu não sei o que é.

Minha amiga riu.

— Acho que toda essa coisa é só indecisão, Lizzie. Ele não é um monstro, como todo mundo pensa, mas não sabemos com certeza quem ele é. Acho que é isso. Você fica surpresa, depois fica esperançosa... Acho que é normal. Se eu fosse você, tentaria tirar essa história a limpo.

— Como assim 'tirar essa história a limpo'?

— Eu não sei bem, quer dizer — Ela parecia tentar achar as palavras — Eu sou uma administradora, Lizzie. Se fosse comigo, eu transformaria tudo em dados e criaria uma estimativa. Você é uma jornalista. Escreva, analise os fatos, investigue... Vá atrás dele. Converse. Procure saber quem ele é, descubra se você quis beijá-lo simplesmente porque ele te ajudou ou porque você realmente sente algo por ele, eu...

— Claire! — A censurei imediatamente — Eu não sinto nada por ele. Quer dizer, sinto pena. Ele perdeu os pais, não tem família ou amor... E eu gostaria de ajudar. Mas daí a sentir algo por ele é muito longe.

Claire revirou os olhos.

— Como quiser. Só, por favor, não se afogue nisso. Quer dizer, não crie falsas expectativas e ponha sua fé nisso. No fim, isso pode te fazer muito mal.

Então, ela fez um gesto estranho com as mãos sobre a caneca, abaixou o rosto e, muito discretamente, notei uma lágrima cair de seus olhos. Que merda de amiga eu havia sido até então! Ela me disse aquilo justamente porque tinha acontecido com ela. Mas só naquele momento eu percebi.

— Hey, você também precisa de um ombro hoje? — Perguntei sentindo certa agonia por vê-la chorando.

Me aproximei e sentei no mesmo sofá que Claire. Lhe dei um abraço de lado e ela jogou sua cabeça na dobra do meu ombro, chorando ainda mais um pouco.

— Está tudo bem... Pode conversar se quiser. Eu realmente quero ajudar — Disse a ela.

Claire levantou o rosto, limpou-o e respirou fundo.

— Muito obrigada, Lizzie. Acho que preciso mesmo falar sobre isso. Só tem um problema: esse cara é o seu primo, o Ben.

Quando ela citou o nome de Ben, eu congelei. O Ben? Meu primo? E por que ele havia feito ela chorar? Meu Deus, eu vou matar ele quando chegar em casa!

Pedi a Claire que me contasse tudo, toda a história e com riqueza de detalhes. Ela foi em frente. Aparentemente, eles haviam ficado na festa em que eu estava, mas logo depois que eu saí. Nada sério. Mas, alguns dias depois, quando Ben foi fazer aquela entrevista para trabalhar como advogado na Parson's, uma empresa de Whisky da Escócia que planeja se instalar na cidade em dois anos, ele a encontrou lá. Ela era quem estava agenciando as entrevistas do ponto de vista administrativo. Naquela noite, os dois saíram e acabaram transando. Claire me disse que meu primo até almoçou com ela no dia seguinte. Eles passaram o dia juntos, e pareciam estar se dando muito bem. Dormiram juntos por mais duas noites e algo parecia fluir perfeitamente entre eles. O problema é que quando Ben recebeu a ligação da Parson's confirmando que estava contratado, ele imediatamente agradeceu Claire e a deixou. Não retornou suas ligações e não foi mais atrás dela. E agora ela estava naquele estado porque se sentiu usada e maltratada por ele. Com toda a razão, eu acrescento.

Minha sincera vontade era praguejar Ben e mais quinze gerações suas por toda aquela palhaçada, mas eu não podia fazer isso na frente da Claire. Eu a ouvi, prometi que ia fazer o Ben pagar caro por isso e não quis deixá-la sofrer naquela noite. Me auto-declarei sua colega de casa e disse que ia ficar lá até que ela achasse alguém que a merecesse.

Nós duas declaramos aquele dia como o Dia Internacional da Idiotice Masculina e passamos a noite no Netflix assistindo filmes sobre o empoderamento feminino. Confesso: há muito tempo não me divertia tanto e dava tantas risadas. A companhia da Claire era melhor até do que a da minha mãe para ver filmes. Deitamos de cabeça pra baixo no sofá, comemos pipoca, cantamos músicas do Green Day (porque aqui no Reino Unido você só canta bandas americanas com tanto entusiasmo na frente de pessoas que não vão te julgar) e comemos muita porcaria. Claire tinha bastante pipoca e barras de chocolate estocadas em sua casa.

Acabou que a noite foi muito melhor do que o previsto. Eu terminei com a esperança de que minha mãe finalmente melhorasse e, ao mesmo tempo, a alegria de ter uma amiga e uma direção para seguir quanto ao Daniel e a Claire conseguiu se livrar de toda a tristeza por causa do Ben. Nós fazemos uma boa dupla.

Notas finais
Aguardo os comentários de vocês! Beijoooos!