Reciprocidade
3 Poder persuasivo.
Notas iniciais
O jornal da manhã havia sido entregue e o acréscimo de poucas moedas fez o milagroso bom humor da ruiva ir pelos ares. Ela sabia que mesmo tendo ganho um desconto hoje, amanhã e depois não teria a essa sorte, e talvez fosse isso que estivesse a incomodando no momento.
Sentou-se em uma almofada jogada pelo chão, a tripulação inteira havia se reunido em uma única cabine para comerem pizza. Abriu em seguida o jornal para lê-lo, pulando as primeiras páginas que não lhe interessavam. Sentiu algumas folhas escorregarem do meio do jornal, julgando serem possíveis novos piratas procurados. Chopper as entregou de volta para ela.
— Obrigada. — Devolveu um sorriso para a rena. Com os papéis em seu colo, largou o jornal de lado para lê-los e surpreendeu-se quando viu que não se tratava de novos cartazes. — Pessoal, olhem isso aqui! — disse entusiasmada, sentindo seu bom humor voltar.
Eram folhetos convidativos que informavam uma comemoração que haveria em breve. Chamava-se Festival Pirata e aos olhos de Nami, aquela seria uma ótima oportunidade de conseguir novas roupas e renovar o estoque da tripulação, quem sabe até lucrar em cima disso. Definitivamente, uma oportunidade única. Leu também que haveria competições divertidas e segundo seus cálculos, a ilha onde aconteceria o festival não estava muito distante. Aquilo realmente a empolgou.
Olhou ao seu redor e viu que ninguém estava interessado naquilo além dela e Robin, todos estavam concentrados em comer as pizzas que Sanji servia, isso a tirou do sério.
— Ei, eu falei com vocês! — Distribuiu os folhetos colando-os na cara de cada um para que pudessem notá-la. — Nós vamos neste festival. — Posou autoritária, de peito estufado e as mãos na cintura.
— Nami, desde quando você decide alguma coisa? — Usopp perguntou de boca cheia.
— Alguém cala a boca dessa bruxa, está me incomodando. — O espadachim não perdia uma chance de irritá-la.
Nami sentiu uma veia pulsar na têmpora, respirando fundo para não acertá-los com seu Clima Tact. Pensou de novo, não faria sentido convencer Sanji, ele estava entretido servindo Robin que já o persuadia sobre essa comemoração. E mesmo gritando e os ameaçando, qualquer outro idiota que chamava de companheiro não lhe dera ouvidos, estavam todos ocupados em comer ou não davam a mínima para esse tal festival, restando-lhe somente uma única opção.
— Luffy, o que acha de mudarmos o percurso por hoje? — perguntou com um sorriso forçado, aproximando-se da poltrona em que o menino se encontrava.
— Huh? — questionou dando uma enorme mordida em sua pizza, ainda mastigando de boca aberta. Nami revirou os olhos com aquela cena, não poderia esperar menos de seu capitão. — Por quê?!
— Acho que seria ótimo se fôssemos a esse festival — Apontou para o folheto em sua mão. —, e bem, como sua navegadora, sei o quanto gosta de aventuras... — Acenou convencida.
Aquela única palavra foi capaz de atiçar todos os sentidos do garoto. Fazia algum tempo que haviam deixado a última ilha e o mar estava tornando-se chato o suficiente para o moreno aceitar qualquer proposta que lhe interessasse. Com as mãos engorduradas, pegou o folheto da ruiva, passando seus olhos curiosos por cada palavra colorida presente ali. Levantou-se em um salto, puxando a mulher pelos ombros para que pudesse encará-la de mais perto.
— Lá vai ter comida?
— Aham — respondeu desconcertada com a proximidade entre eles.
— Lá vai ter muitos monstros?! — questionou-a novamente com os olhos brilhando, dessa vez com um sorriso enorme estampando seu rosto.
— Mas é claro! — Nami seguiu o tom do garoto, entretanto, nem ela sabia se teria comida ou se seria um local realmente seguro a ser explorado, estava mesmo interessada nos tesouros que outros piratas descuidados deixariam cair por acaso. — Você poderá fazer o que quiser! Já ouvi falar de festivais como esse, são todos muito divertidos. — Sacudiu a cabeça confirmando cínica o que dizia.
— Sempre soube que nenhuma outra pessoa poderia te substituir, Nami! — gritou ao sair correndo para fora da sala, levou Usopp e Franky juntos para que o ajudassem a virar as velas e a proa do navio.
Ela ficou sem entender aquela frase curvando levemente a cabeça para o lado enquanto o assistia mudar o percurso da navegação todo animado. Mas o que de fato importava, era que havia convencido outra vez seu capitão a fazer algo que ela queria, afinal, ninguém nunca fora contra sua persuasão, especialmente ele.
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