Receita Perfeita
2 Ingrediente 2: Olhos perolados
Ingrediente 2: Olhos perolados
Na manhã seguinte, Tenten esperava por Neji para o treino habitual. Começou a se preocupar, pois ela já estava esperando por ele há mais de 30 minutos, e ele jamais havia se atrasado tanto. Decidiu parar de esperar e se dirigiu até a casa do rapaz. Ao chegar à mansão Hyūga, Tenten apenas tocou a campainha e esperou resposta.
– Tenten-san, que bom te ver. – Cumprimentou a doce Hinata.
– Bom dia, Hinata. Posso falar com o Neji? Ele não apareceu no treino, e eu fiquei preocupada.
– Entendo... Neji-nii-san ainda está dormindo. Ele me contou que você o atacou de surpresa durante o treino e ele não está se sentindo bem.
– É sério? Eu não sabia que tinha exagerado tanto assim... – Lamentou Tenten um pouco cabisbaixa.
– Não fique triste, Tenten-san, olha, você quer subir para ver o Neji-nii-san? Ele está dormindo, mas acho que não haverá problema se ele acordar e vir você. Ao contrário, acho até que ele ficaria feliz. – Confessou Hinata.
– O Neji, feliz? Duvido muito. Isso seria um verdadeiro milagre, ainda mais sabendo que eu fui a causadora do seu estado atual. – Rebateu Tenten.
Aceitando a oferta de Hinata, Tenten subiu em direção ao quarto de Neji. Sentou-se na cadeira ao lado da cama do garoto. Sentiu uma enorme vontade de aproveitar a oportunidade para beijá-lo como aconteceu na floresta, porém a razão venceu o coração e ela desistiu. Ele estava apenas dormindo, poderia acordar a qualquer momento. Então a mestre das armas apenas continuou a observar o Hyūga enquanto dormia. Enquanto o observava apenas suspirava e pensava que ele parecia um anjo daquele jeito. Ele estava tão vulnerável que nem parecia o gênio frio e sem coração.
Já eram 10 horas da manhã quando Tenten observou aqueles belos olhos cor de pérolas se abrindo para ela. Os mesmos olhos que habitavam seus pensamentos e abrigavam seu coração. Tenten adorava o olhar de Neji, mesmo esse olhar sempre demonstrando frieza e indiferença, ela o adorava. Não conseguia sequer pensar na possibilidade de ficar sem aquele olhar que tanto contemplava todos os dias. Neji abriu os olhos, ofuscados pela forte luz do sol, ele tentou enxergar algo, tal foi sua surpresa ao ver Tenten.
– Por que está aqui? – Questionou o Hyūga.
– Oras, Neji, já são 10 horas da manhã e você não apareceu para treinar. Então eu fiquei preocupada com você, e...
– E? – Perguntou o Hyūga. Estava surpreso pelo fato de Tenten estar preocupada com ele.
– É que eu te ataquei de repente, então achei que você estivesse ferido, ou algo assim, e você ter faltado ao treino só aumentou o meu sentimento de culpa. – Respondeu a mestre das armas.
– Entendo... eu ainda estou meio tonto graças ao seu ataque. Deve ser por isso. Minha cabeça ainda dói. Mas acredito que amanhã já estarei novinho em folha para treinar.
– Sim, eu queria te pedir desculpas por isso de novo.
– Céus! Tenten! Já chega dessa chuva de desculpas, eu estou bem e estávamos treinando. Dá pra parar com isso? – Indagou o Hyūga.
– Tudo bem, então eu te espero amanhã para treinar. – Mencionou Tenten ao sair do querto do gênio.
Os olhos de Neji naquela hora estavam mais vazios e frios do que o de costume. Tenten não sabia ao certo, mas sentia que Neji escondia alguma coisa.
Os olhos do Hyūga nunca mentiam. Mas nem sempre Tenten sabia como decifrá-los. Ela estava acostumada a encarar aqueles belos olhos de pérolas, só que às vezes eles eram totalmente indecifráveis, enigmáticos, e isso fazia Tenten se sentir ainda mais atraída pelo colega de equipe.
Tenten caminhava pelas ruas de Konoha perguntando-se se Neji apareceria para o treino do dia seguinte. Ao chegar a sua casa, tomou uma chuveirada gelada e dirigiu-se para sua cama. Ela botou sua cabeça no travesseiro e fechou os olhos. A imagem do rosto perfeito de Neji surgiu na mente de Tenten. Com um leve sorriso nos lábios, ela adormeceu.
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O dia amanhecia em Konoha, e Neji esperava por Tenten em seu lugar habitual. Lee e Gai também estavam lá. Faltava apenas Tenten. A garota chegou correndo se desculpando pelo atraso. Depois de todos reunidos, Gai começou a narrar o programa de treino daquele dia.
– Bom dia meus queridos alunos!! – Berrava Gai, no mesmo tom escandaloso de sempre. – Hoje todos nós faremos uma corrida pela vila. Daremos 10 voltas em volta da vila, depois faremos mil flexões e em seguida treinaremos taijutsu e técnicas com armas. Eu conto com Tenten-chan para esta parte.
– Sim! Gai-sensei!!! – Berrava Lee com o mesmo tom estridente do mestre.
Tenten e Neji faziam uma cara de quem queria fuzilar alguém. Tipo, quando você pensa: “que porra é essa? Esse cara pensa que somos palhaços, ou algo assim?”
– O que houve Neji, Tenten-chan? Vamos começar logo o nosso treino! Vocês precisam gastar todo o maravilhoso fogo da juventude que há em vocês! – Exclamou Gai ao incentivar os alunos.
Ao fim do treino, todos estavam anormalmente exaustos e Gai resolveu levar seus adorados alunos para comer em um lugar próximo. Tenten estava achando Neji estranho durante todo o dia. Ele estava calado demais. Ele sempre foi calado, mas hoje estava além do habitual, então a mestre das armas se pôs a pensar:
Tenten POV'S
Aquele dia estava sendo um tanto quanto estranho para mim. Dois dias atrás, quase matei Neji apenas para ver como aquele cretino ficava ainda mais gato com os cabelos soltos. No dia seguinte, ele não se importa com o ocorrido e até pede para eu parar de me desculpar com ele e hoje ele nem sequer olha na minha cara? AAAAHHHH!!!! Que ódio!!! Maldito Hyūga Neji! Por que nunca consigo entender o que se passa na mente desse cabeça dura?
Estávamos no restaurante de lamen e ele continuava naquele interminável silencio que estava me irritando cada vez mais. Lee e Gai-sensei estavam enchendo o saco do atendente e Neji e eu estávamos sentados no balcão comendo.
Eu não suportava mais aquela privação de explicação então comecei a falar:
– Como está o seu lamen? Por que o meu está realmente delicioso.
– Ham... – Apenas assentiu, aquele maldito.
– Qual é o seu problema!? Até quando pretende ficar sem falar comigo? – Exclamei nervosa.
– Meu problema? Isso eu que pergunto. Não vejo razão alguma pra você ter esse ataque de TPM por nada. Você sabe muito bem que quando eu não tenho nada importante para falar, então eu permaneço calado.
– Ataque de TPM?? ATAQUE DE TPM!!!!!!!!!?????? Eu ouvi direito? Ataque de TPM? Vá para o inferno, Hyūga Neji! Quem você pensa que é para falar assim comigo? É você que age de forma estranha e eu que estou de TPM? Coma sozinho! Fará muito bem para alguém tão idiota como você. – Gritei ao despejar toda a minha ira contra ele.
– Faça como quiser. – Rebateu ele com o mesmo tom calmo, inabalável e sarcástico de sempre, enquanto eu saía do restaurante a passos largos.
– Oh, Neji, o que aconteceu com a Tenten-chan? Ela não estava com você? – Questinou Gai-sensei.
– Não precisa se preocupar, ela está de TPM. Foi embora de repente após gritar comigo sem razão alguma. – Respondeu o senhor certinho.
Definitivamente, não sei o que se passou com Neji hoje. O jeito que ele falou comigo no restaurante me irritou profundamente. Pude perceber pela primeira vez em seu olhar a vastidão do total vazio. Sim, os olhos de Hyūga Neji eram frios, tal como o gelo, assim como sua cor alva. Eram vazios, tal como o coração daquele que desgraçadamente habitava cada canto do meu coração. É isso aí, Tenten, você está apaixonada por nada mais, nada menos que o gênio fodão do Clã Hyūga que jamais nota a existência de ninguém na face da Terra. Disse para mim mesma enquanto batia em minha própria cabeça.
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