Receio de amar
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordava cedo naquela manhã. Era terça-feira. A neve encobria com calma todas as partes da rua. Árvores, calçadas, bancos... Victor acariciava levemente as pernas de uma garota ruiva. Ela se mexia calma pela cama, indo para mais perto do rapaz.
Seus olhos coincidiram com os dela assim que a mesma se aproximou e deitou sob o corpo do rapaz. Conseguia sentir os bicos dos seios dela rígidos. Ela sorria de forma calma enquanto as mãos passavam pelo rosto do rapaz.
- Me diga o que sente. — Ela falou descendo um pouco o corpo.
O homem olhava-a nos olhos e então girava a garota na cama, ficando por cima desta logo em seguida. Seus lábios desceram até os dela com calma e as mãos grandes subiram por todo o corpo despido dela.
- Está na minha hora. — Comentou baixo, olhando agora para a garota. — Eu sou o príncipe de uma noite só... Candice.
Ela o olhou nos olhos e então suspirou. Sentia o corpo do rapaz sair de cima do dela e então voltou o olhar ao mesmo que agora se vestia com certa calma. Preferiu não dizer uma só palavra, apenas observou-o se vestir e ir embora.
O casaco adiantava um pouco contra o frio que vinha contra a pele do rapaz. Não era nada de mais, não tão grosso nem tão fino, mas perfeito para o tempo no qual estava. Victor olhou para cima e percebeu que uma grande nuvem cinza pairava sob sua cabeça. "Começamos o dia bem", pensava.
Após isso, moveu-se, calmo, em direção a uma cafeteria em especial. Como fora andando em ritmo calmo, demorou um pouco mais para chegar lá. O moreno suspirou e então adentrou o lugar. Olhava para o balcão, tentando enxergar alguém, mas ninguém estava ali para atender.
- Kath ! — Chamou olhando para dentro da cozinha.
Uma garota de cabelos longos e louros apareceu logo em seguida. Seu rosto estava sujo de farinha, o que fez o rapaz manear um meio sorriso ao canto de seus lábios.
Logo depois que viu quem lhe chamava, Kath correu em direção ao balcão e abraçou o mancebo de forma calma, com um sorriso aberto em seu rosto.
- Maninho ! — Seus lábios tocaram a bochecha do garoto e ela logo percebeu que o mesmo estava frio. A pele dele estava.
- O próprio. — Comentou ele num tom baixo, ainda sorrindo. Seus lábios tocaram a testa dela e ele pode sentir o calor da pele da menina.
Ela se apressou em pegar um copo de café e alguns muffins. Após o fazer, levou o garoto para uma das mesas do local e ali ambos se sentaram.
A conversa entre os dois fluía de forma calma, mas divertida. Vez ou outra o homem ria junto da irmã que por diversas vezes contava casos de sua vida. Coisas sobre beber até cair ou sair com os amigos e ficar zoando por ai.
Victor sentia falta daquela época. Tinha terminado a faculdade a quatro anos então não se lembrava muito de como era tomar um porre há anos.
- Mas me diga... — Ela falou, vendo o garoto voltar a realidade. — E as meninas ? — Disse sorrindo.
Ele nada falou, apenas maneou a cabeça de forma negativa e então voltou os olhos para a vidraça do lado de fora. Ninguém saíra de casa naquela terça. Ainda mais com a quantidade de neve que caía.
- Victor, você não pode se prender a um erro. — O olhar da garota tornou-se sério enquanto a mesma olhava para o rapaz a sua frente.
- Mas foi aquele "erro" que me mudou. — Sua voz fora fria e por alguns segundos Kath não disse nada.
Flash Back ON
O homem começou a se lembrar de quando estava chegando em casa. A chuva caía forte sob sua cabeça, porém ele não ligava. Um sorriso estava estampado em seus lábios enquanto abria a porta da casa. Ele nada disse ao ver as roupas da mulher sob o sofá e então caminhou em direção ao quarto.
- Eu cheguei am... — Sua voz sumira assim que percebera sua mulher sob o colo de outro homem. Ela estava totalmente nua junto a ele. As mãos do homem desciam pelas costas dela enquanto os lábios deste beijavam o pescoço dela.
Ao abrir os olhos, Sean percebeu que o amigo estava ali e então tirou a mulher deste de cima de seu colo.
- Cara... — Ele começara, mas Victor decidiu que seria melhor não agir pelo raciocínio.
As mãos se fecharam e ele avançou contra o outro garoto ali. Os punhos totalmente cerrados acertaram a cara do "melhor amigo" por várias vezes.
Fora então que as mãos macias da mulher apartaram a briga. Os olhos de Victor fitaram a mesma, despida, com um sorriso no canto dos lábios enquanto ajudava Sean a se levantar.
- Me desculpe...meu amor. — A voz soava irônica e naquele momento uma parte da alma do homem fora arrancada.
Seus lábios se contraíram e ele desceu as escadas logo em seguida.
Flash Back OFF
- VICTOR ! — Kath gritava, tirando o homem do pequeno transe.
- Hm ? — Ele balançava a cabeça, segurando o café agora.
Os olhos da loura observaram os do irmão por alguns segundos e ela suspirou. Ela segurou a mão deste e tirou do bolso de trás de sua calça uma pequena carta.
O mancebo observou-a e então viu o sinal que a mesma fizera com a cabeça de "siga em frente". Sendo assim, abriu a carta e começou a ler está.
"Kath, não diga ao seu irmão, porém, a uma hora dessas, eu devo estar morta. Sei que há muito tempo eu não vou vê-los ou sequer dar um abraço em ambos, mas eu sei que se me vissem nesse estado eu com toda certeza começaria a chorar e não quero isso. Primeiro quero que saiba que eu sempre os amei por demais. Tentei cuidar até quando não estava por perto e de certa forma consegui. Você sempre me entendeu, porém seu irmão, fora ele o cabeça dura, sempre. Quero que cuide dele para mim tudo bem minha querida ? Há uma casa no interior que eu deixo para ambos. Quando quiserem viver com mais calma é só passarem lá. Convença-o minha querida. Eu os amo
- Sua querida mãe, Rebeca."
Ao terminar de ler, Victor apoiou uma das mãos na mesa e observou os olhos da irmã. Estes estavam vermelhos. Ela já sabia daquilo há tempos, percebia isso.
- Quando... — Sua voz soava fraca, as lágrimas vieram e junto destas o abraço da irmã.
Ela começava a soluçar enquanto sentava-se no colo do mais velho que envolvia-a com ambos os braços e contraía os mesmo para mais perto de seu corpo, apertando-a com certa calma contra si.
Kath ainda chorava como uma criança, mas Victor se segurava para não fazer barulho. Apenas sentia as lágrimas rolando por seus olhos enquanto olhava para o nada.
- Ela deixou a chave da tal casa. — Comentou a garota ainda soluçando.
Não tinha percebido mas ela já tinha parado de chorar. Agora apenas observava o nada assim como o irmão que ainda abraçava-a com força.
- Devia ir dar uma olhada por lá. — Dizia descontraída e pensativa.
Victor olhou para a irmã e beijou levemente a cabeça da mesma, suspirando enquanto estava ali com esta.
Um tempo se passou e ele já tinha saído da cafeteria. Após a choradeira, ambos voltaram aos seus deveres.
Não fora tão rápido em voltar para casa. Aproveitava que o vento do local soprava forte seus cabelos e então deixava que o mesmo soprasse para longe todos os pensamentos ruins.
Trabalhar como escritor era uma coisa chata, ainda mais quando estava se inspiração alguma, mas de qualquer modo tinha que dar procedimento ao seu trabalho.
Ao chegar em casa, se viu em um pequeno quarto. Neste vários livros estavam empilhados e ao meio de toda aquela bagunça uma máquina de escrever centrava-se. Rapidamente sentou-se a cadeira e observou com calma tudo aquilo. Via o começo de uma história. Porém está ao menos tinha um título.
- Droga. — Falou num tom baixo, girando de um lado para o outro na cadeira.
As mãos foram em direção aos bolsos e ele sentiu o pequeno e gélido metal da chave. Seus lábios se contraíram e ele se lembrou da carta e da irmã. Talvez fosse uma boa ideia tirar um tempo para relaxar e talvez escrever.
Tudo bem, pensou. Então se levantou. Logo começou a arrumar as malas. Colocou roupas e tudo mais. Seus olhos observaram os livros e a máquina de escrever e então um suspiro escapou por seus lábios.
Logo sua mala estava pronta. A máquina estava dentro. Vários livros estavam encaixados nas brechas entre as roupas e assim ele partira para o carro.
- Vai ser bom. — Comentou consigo mesmo, querendo acreditar que seria mesmo bom.
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