Notas iniciais
Oi gente voltei, espero que gostem! Boa leitura

E lá estava ele, com a mão na fechadura, os olhos arregalados e a boca aberta. Min Jun tapou os olhos de imediato com as mãos trêmulas e em seguida virou-se de costas, incrivelmente mais assustado do que eu que gritava feito uma louca tentando esconder meu corpo ao mesmo tempo que tentava alcançar a toalha sobre o balcão.

— Mas que merda! Nunca ouviu falar em bater na porta? – Minha voz soava trêmula.

— A po-po-porta-ta na-na-não estava-va tranc-tran-tranca-da-da-da – Gaguejou ainda de costas para mim enquanto eu finalmente alcançava a maldita toalha e a enrolava em meu corpo.

— Pode virar! – Disse ainda nervosa e cabisbaixo rodou sobre os calcanhares.

— Isso-so na-não v-vai acontecer novamente-te – Permaneceu olhando o chão.

— Ah, mas não vai mesmo! Temos que estabelecer algumas regras, e a primeira delas é sempre bater na porta do banheiro antes de entrar!

— Claro! Re-regras – Lentamente levantou a cabeça e me lançou um rápido olhar tímido.

— Porque tá gaguejando? – Me aproximei alguns passos – Ficou tão assustado assim?

— Eu... eu gaguejo quando fico... nervoso...

— Hummm – Me senti um tanto intrigada, afinal ele não era o senhor perfeição – Desse jeito até parece que nunca viu uma mulher nua antes — Ele permaneceu em silêncio e voltou a encarar o piso – Já viu não é? – Indaguei apenas para confirmar.

— É claro que sim – Riu sem graça – Eu só me assustei, eu vou voltar pra sala – Respondeu ofegante dando meia volta para fora do banheiro.

***

Saí do banheiro enrolada na toalha branca e com outra no cabelo. Eu realmente não me importava com as câmeras pela casa, afinal não estava nua, não completamente.

Min Jun que estava no sofá concentrado em seu celular saltou quando abruptamente sentei ao seu lado.

— Resolveu o problema? – Indaguei sem rodeios.

— Você não está vestida!

— Também não tô pelada... – Ele soltou um suspiro pesado — E aí, resolveu o problema com o seu ronco? Eu realmente tô afim de dormir essa noite, não que eu esteja super exausta porque estou desempregada e fico à toa o tempo todo, mas só pelo fato de que não quero passar a noite acordada sem contar que só o fato dividir esta casa com você me cansa.

— Sim, resolvi.

— Rápido assim? Seu médico deve ser ótimo... – Ele tirou do bolso da calça dois pequenos objetos, pegou minha mão e os depositou sobre minha palma olhando dentro de meus olhos com um sorriso perverso.

— O que é isso?

— Tampões de ouvido, você disse que quer silêncio pra dormir.

— Eu quero que pare de roncar! – Levantei a voz.

— Não vai rolar – Olhou para o teto – De qualquer forma o tratamento levaria tempo. É bom se acostumar com eles! Afinal são seis longos meses.

— Isso está no roteiro? A produtora Owen te fez comprar essas merdas pra me irritar?

— Não, não preciso de instruções pra te irritar – Se colocou de pé – Aliás vou fazer uma coisa que você não pode fazer!

— O que é? – Levantei numa tentativa de encará-lo e intimidá-lo.

— Trabalhar! Tenho uma sessão de fotos para a Vogue.

— Vogue? A essa hora?

— O fotógrafo disse que a essa hora do dia o céu costuma ficar mais bonito. Voltarei tarde. Não me espere acordada querida esposa – Acenou com a cabeça e correu para a porta de entrada.

— Vogue? Eu nunca fui capa da Vogue... – Desanimada me joguei no sofá – Nem quando era famosa – Murmurei.

Min Jun estava me fazendo pagar por ter arruinado seu café da manhã, com certeza estava. Não havia outra razão para me provocar tanto.

Claramente eu não poderia ficar por baixo. Ele já havia me vencido algumas vezes e eu não me permitiria continuar perdendo. Liguei para Brie rezando para que ela atendesse.

— Lisa?

— É sou eu – Era possível ouvir o som de música alta ao fundo – Pode falar agora?

— Poder eu posso, só não queria.

— Preciso de um grande favor da minha querida e super especial empresária?

— E o que minha querida patroa que ainda não pagou meu salário do mês passado deseja?

— Não paguei?

— Não, você não...

— Isso não vem ao caso agora não é? Preciso que me arranje alguma sessão fotográfica.

— O que? Por que?

— De repente senti uma súbita vontade de ser fotografada!

— Eu não sei se você tem essa informação, mas já inventaram os estúdios fotográficos, você só precisa ir lá pra te fotografarem!

— Mas é que esse súbito desejo é pra alguma revista ou marca, é bem mais específico entende?

— Quer que eu encontre alguma empresa que queira fotografar você?

— Sim, é isso aí, você pegou o espirito da coisa. Conto com você Brie, eu sei que você consegue.

— Sou sua empresária, não Jesus pra fazer milagre. Nenhuma revista quer você na capa e nenhuma marca quer associar seu produto com sua imagem.

— Confio em você, você é demais, vou esperar pela resposta tudo bem? Me traga boas notícias!

— Lisa você... – Desliguei antes que ela pudesse concluir sua frase que certamente terminaria com um “me paga sua vadia ingrata” ou qualquer outra ofensa disponível em seu vocabulário.

***

Acordei sozinha outra vez, Min Jun era realmente bom em acordar cedo para se exercitar. Agradeci mentalmente aos tampões de ouvido por não ter ouvido um pio durante a noite. Considerei que eles poderiam mesmo ser a solução para dormir durante esses seis meses, embora nunca fosse admitir isso à Min Jun.

Sonolenta caminhei até a sala com uma escova de dentes e a boca cheia de espuma branca quando ouvi um resmungo choroso acompanhado por um ronco alto. Min Jun estava estirado no sofá num sono profundo, parecia estar tendo algum tipo de pesadelo e ainda vestia as roupas da noite anterior.

Toquei seu ombro com a mão livre numa tentativa de acordá-lo. Seu corpo se remexia, mas permanecia dormindo. Continuei com a escova na boca e já podia sentir minha boca adormecendo com a ardência do creme dental. Me aproximei e insisti em cutuca-lo até que seus olhos finalmente se abriram vagarosamente grudados e repletos de areia. Min Jun olhou para mim e saltou do sofá assustado apontando para minha boca e dei um salto para trás.

— Ai meu Deus, você me-me assustou com essa ca-cara... – apontou para o seu próprio rosto – Desse je-jeito – Concluiu ofegante.

— É só creme dental – Tentei falar tirando a escova da boca – O que tem de assustador?

— Não é algo legal pra se ver quando acorda.

— Não é legal te ver o tempo todo, mas nem por isso fico reclamando. E aliás porque ficou dormindo no sofá? Eu até pensei que os tampões de ouvido funcionaram, mas nem dormiu na cama.

— Eu cheguei tarde, acabei bebendo demais depois da sessão fotográfica e dormi aqui mesmo.

— Hum... Eles não vão descontar do meu pagamento por isso né? A culpa foi sua! Se descontarem vai ficar me devendo! – Disse sem me importar com sua resposta ou suas razões.

— Obrigado pela preocupação – Soou irônico.

— Pra me preocupar eu precisaria me importar com você e não me importo. Dinheiro me importa e você pode ter feito eu perde-lo – Fiz uma careta quando não aguentei mais o ardor em minha boca e antes de voltar para o banheiro fiz um sinal de “estou te observando” com os dois dedos da mão apontado para meus olhos e para ele.

— Temos que sair juntos hoje! – Anunciou enquanto eu enxaguava minha boca dormente.

— O que? – Apareci na porta com os olhos arregalados e testa franzida.

— Está no roteiro – Disse quase sem som para que não nos ouvissem e correu até mim – Devemos ir ao supermercado juntos como um casal, será nossa primeira aparição pública depois que as gravações começaram, precisaremos nos comportar, a equipe estará lá.

— Quem disse isso? – Coloquei as mãos na cintura indignada.

— A produtora Owen me ligou ontem à noite, pediu pra eu te avisar que eles estarão lá.

— Merda! – Tentei não transparecer minha indignação para as câmeras – Quando?

— São dez da manhã, temos que ir às onze, para almoçarmos fora.

— Ainda tem isso? Já não basta ter me visto pelada, ainda tenho que almoçar fora com você?

— Saiba que também não estou feliz com isso, você não é o tipo de companhia que eu escolheria pra me acompanhar num almoço.

— E que tipo de pessoa seria?

— Alguém educado e agradável, ou seja, qualquer pessoa que não fosse você!

— Não é como se eu quisesse sair com você também. Você nem faz meu tipo. E tem esse sotaque irritante.

— Está implicando com meu sotaque? – Arqueou as sobrancelhas e sorriu torto.

— Estou, eu não queria dizer, mas seu sotaque me irrita.

— Meu sotaque ou minha presença?

— Você inteiro... – Bufei frustrada – Agora me dá licença que preciso aparecer incrível no supermercado! – Bati a porta do banheiro.

Notas finais
E aí? Gostaram? Será que vai dar certo esses dois no supermercado? EM breve descobriremos, até mais!