Recém Casados
22 Capítulo 22
Notas iniciais
— Está acordado? – Perguntei surpresa e dei a volta na cama para ver seu rosto.
— Acordei na parte que começou a chorar e dizer que não poderia me perder. Foi tocante – Disse debochado e reprimi minha vontade de esmurra-lo devido sua condição médica.
— Quem disse que chorei por sua causa? – Dei as costas a ele secando as lágrimas, eu não poderia sair por baixo – Devo estar de TPM e meus hormônios aflorados me deixam emocional. Você é como um filme triste para mim. É, é isso, um filme ruim e triste do tipo que o cachorro morre no final.
— Mesmo assim, obrigado, é bom saber que se importa.
— De qualquer forma é meu marido e não queria terminar essa temporada com outro cara, dá muito trabalho se acostumar com alguém novo – Assinalei com desdém – E eu preciso do dinheiro.
— É só por isso?
— Claro, por que mais seria? – Tentei soar desinteressada, mexendo em minhas orelhas de vaca.
— Ainda está fantasiada...
— Não tive tempo de vestir outra coisa, estava ocupada salvando sua vida. De nada – Cruzei os braços tentando parecer o mais arrogante possível.
— Então salvou minha vida?
— É salvei, você me deve muito sabia? Minhas costas doem até agora, você é pesado.
— Me carregou? – Concordei com um aceno e me sentei à beira da cama.
— Obrigado, eu poderia estar numa situação complicada agora.
— Eu já disse que não foi nada demais.
— E eu sei que está mentindo.
— Está me chamando de mentirosa?
— De péssima mentirosa.
— Não deveria estar fraco e morrendo? Está animado demais pro meu gosto – Segurei meu rabo de vaca.
— Deve ser os calmantes, me deixaram meio idiota.
— Você não precisa de calmantes pra isso.
— Engraçadinha, eu volto para casa amanhã. Minha casa de verdade.
— Ah ... Então vou conhecer sua casa.
— Não te convidei...
— Não estou nem aí. Estarei lá amanhã.
— Não sabe onde moro!
— Procuro na internet... – Dei de ombros e ouvi duas batidas na porta.
— Vejo que acordou senhor Hyun – O médico entrou no quarto com as mãos nos bolsos do jaleco branco – Senhora Hyun, infelizmente tenho que pedir para se retirar.
— Senhora Hyun? – Indagou Min Jun surpreso.
— Sim, ela é sua esposa, não?
— É claro que eu sou, não sou meu amorzinho? – O abracei e encostei sua bochecha na minha forçando um sorriso.
— É, ela é minha esposa, nos casamos há três meses – Me afastei e abri um grande sorriso orgulhosa – Estamos pensando em nos divorciar.
— Ele está brincando – Dei uma risada forçada – É brincadeira, nosso casamento não poderia estar melhor, indo de vento em polpa, né amorzinho? – Inquiri entredentes.
— Somos recém casados, sabe como é... – Disse como se o doutor fosse seu velho conhecido – Não foi fácil no começo, na verdade foi terrível, nossa Lua de Mel foi um verdadeiro pesadelo e... — Tapei sua boca com o dedo indicador, porém ele insistiu – Ela queria saber apenas do dinhei... – O calei selando nossos lábios e seus olhos mantiveram-se abertos, arregalados e espantados.
Não era nenhum beijo romântico repleto de desejo e significância poética. Era apenas uma forma estupida de calar sua boca. Me afastei quando ouvi o pigarrear do doutor chamando nossa atenção.
— Me desculpe – Ri sem graça – É que estou tão perdidamente apaixonada por este homem que não resisti a esses lábios que pareciam me convidar...
— Lisa! – Disse Min Jun embaraçado.
— Acha que devemos ter um filho Min Jun? Podemos fazer um se quiser, estou pronta para ser a mãe de seus filhos – Saltei da cama e corri até a porta e girei meu rabo olhando fixamente para meu marido – Estou indo, cuide bem do meu amorzinho doutor Williams, estarei te esperando em casa, amor da minha vida – Acenei e saí correndo antes que ele resolvesse correr atrás de mim.
***
Eu olhava para cima, observando o grande e luxuoso prédio onde Min Jun vivia. Aquele era o tipo de lugar onde apenas estrelas de Hollywood poderiam habitar e eu não poderia sequer me imaginar vivendo em um lugar como aquele. Quem sabe a Lisa rica e poderosa de dois anos atrás, mas não a Lisa falida que cogitava vender sua casa para comprar uma pequena e simples nos subúrbios de Los Angeles e desfrutar tranquilamente do anonimato, apenas recordando dos bons tempos de fama e riqueza.
Um coreano rechonchudo, baixinho e resmungão atendeu a porta irritado com o fato de eu ter tocado a campainha mais vezes do que uma pessoa em sã consciência tocaria, mas eu nunca disse que estava sã.
— O que você faz aqui? – Perguntou mal-humorado – Genna disse que você fez ele ficar assim.
— Ei, eu salvei seu cliente, eu carreguei Min Jun nas costas, fantasiada de vaca sob um Sol de 40 graus, sabia? Genna não sabe o que está falando, ela é doida!
— Tanto faz, por que está aqui? – Insistiu rabugento.
— Por que mais eu estaria aqui? Comprar um apartamento que não é – O homem permaneceu me olhando entediado – Eu vim visitar Min Jun, oras – Ele franziu o cenho – Vamos lá, eu não farei mal a ele, eu o salvei lembra? – O empresário pareceu contrariado, mas abriu passagem para a porta.
— Entre, eu já estava de saída mesmo e não quero deixa-lo sozinho, mas se algo acontecer com ele, vai se ver comigo.
— Ah, tá, tá – Resmunguei com desdém – Não sou uma psicopata, senhor...
— Lee.
— Não sou uma psicopata, senhor Lee – Dei dois passos para frente, parando sob o batente metálico da porta e me inclinei para baixo, o bastante para encará-lo olho a olho — Tenha uma boa tarde – Abri um sorriso quase maníaco e o empurrei para o corredor, fechando antes que ele pudesse entrar ou me xingar em sua própria língua.
Seu apartamento era tão grande quanto minha casa. O chão de tábuas lisas escuras harmonizava com as paredes vermelhas e cinzas, com grandes quadros em preto e brancos de fotos de si mesmo em ensaios fotográficos para revistas. A típica casa de uma celebridade em ascensão. A minha era da mesma forma em meus tempos áureos, as paredes forradas com fotos minhas e nunca parecia ser o bastante, com o tempo e a evidente decadência, substituí as fotos por imagens genéricas de paisagens achadas na internet.
Reparei no grande sofá preto na sala de estar em frente à uma televisão de centenas de polegadas que ocupava grande parte da parede vermelha. Observei os detalhes daquele lugar tentando compreender sua obsessão por vermelho e preto. Caminhei descalça pela sala e notei um pequeno e delicado porta-retratos negro sobre um aparador. Na foto um homem mais velho, cabelos grisalhos e boa aparência sorria ao lado de Min Jun, e me indaguei se aquele era o pobre homem abandonado pela mãe cruel de meu marido.
Vaguei perdida pela casa em busca de Min Jun, quando enfim notei uma porta entreaberta e a abri curiosa, dando de cara com ele que levantou a cabeça e me fitou sem expressão alguma sentado em sua cama.
— Você veio – Murmurou.
— Eu disse que viria – Enfiei as mãos nos bolsos traseiros do short jeans e andei receosa até a cama.
— Como me encontrou?
— Google. Eu poderia ir à Lua pesquisando na internet.
— Certo – Disse ainda sem qualquer expressão.
— Não está feliz em me ver? – Procurei levantar os ânimos – Não parecia tão frio no hospital.
— Eu estava drogado. Agora estou são e pude pensar melhor nas coisas.
— Que coisas?
— Nós, o que está acontecendo entre nós, se devo continuar agindo feito um bobo por gostar de você, mesmo que ignore o fato de que eu queira algo a mais.
— Min Jun – Me sentei à beira da cama – Me desculpe – Pedi sincera – Nunca foi minha intenção te ferir.
— Mas machucou, eu tentei não ser o cara chato Lisa – Olhou para as próprias mãos em seu colo coberto por um fino lençol – Eu sei que sou um cara mal-humorado e rabugento, mas eu realmente tentei ser o cara legal por você.
— Fez isso para eu ficar com você? – Inquiri cruzando os braços incrédula.
— Também – Disse sem ponderar – Mas eu honestamente quis ser alguém melhor pra você... Se quer que sejamos apenas amigos, seremos amigos e nada mais, vamos criar limites e esquecer que um dia quase fomos mais que isso.
— E se eu não quiser? – Min Jun arqueou as sobrancelhas – Se eu disser que sinto o mesmo? – Notei seus lábios trêmulos – Eu nunca soube o quanto você era importante para mim até ontem, quando achei que te perderia. Talvez eu soubesse o tempo todo, mas ainda não havia notado, eu não sei – Cocei a cabeça nervosa – Eu disse que era uma bagunça.
— É você é... – Pareceu engolir em seco e voltou a encarar suas mãos – Meu empresário me sugeriu deixar o programa – Senti um nó na garganta – Estou analisando a ideia.
— Não – Segurei sua mão com força – Não – Repeti e me encarou com um olhar aflito – Você não vai deixar o programa. Eu não permitirei. Vai apenas desistir?
— Você não sabe o que quer, Lisa...
— E se eu souber? E se eu tiver certeza?
— Não quero ser seu amigo colorido, ou seja lá o que isso for.
— Nem eu – Me aproximei mais e mais de seu rosto abatido – Eu quero mais.
— Mais? – Indagou e concordei com um aceno – Não está, pe-perto de- demais? – Prosseguiu gaguejando e nossos narizes se tocaram – Não Lisa, não.
— Shhh! – Sussurrei colocando o dedo indicador entre seu lábio e o meu, e então o removi até nossos lábios se tocarem suavemente, mas suas mãos agilmente me afastaram – O que está fazendo Lisa? Apenas não brinque comigo – Advertiu entredentes.
— Não estou brincando com você – Segurei seu rosto entre minhas mãos – O que eu preciso fazer para acreditar em mim? Para acreditar que posso estar apaixonada por você? Eu posso ter entrado nessa droga de programa pelo dinheiro, mas você é o motivo para eu ficar, e eu só entendi isso agora – Me levantei, andando alguns passos em direção a porta de vidro da sacada, ficando de costas para Min Jun – Eu entendo que esteja magoado, costumo fazer isso com as pessoas ao meu redor, entendo que fui uma vaca egoísta como Brie disse – Fechei os olhos e cerrei os pulsos, tomando o folego necessário para prosseguir – Eu sou egoísta, nós dois somos, somos teimosos, extremamente irritantes e idiotas um com o outro, somos orgulhosos e mesmo assim funcionamos juntos. Eu amo estar com você Min Jun, faz me sentir bem, me deixa feliz, como se nada mais no mundo importasse e houvesse apenas nós em todo o universo, e com todo meu orgulho admito que é uma droga dizer isso em voz alta – Senti seus braços ao meu redor, me trazendo para si.
— Quero que saiba o quanto é difícil para mim fazer isso – Me virou e olhou dentro de meus olhos – O quanto estou lutando com meu próprio ego e dizendo pra ele se danar – Sua mão segurou meu rosto, seu dedão deslizou até meu lábio e seu braço me acolheu num abraço, após um singelo beijo em minha testa.
Mas não era o bastante, não ainda, eu queria mais e pensamentos impuros dominaram minha mente poluída em abstinência por anos à fio. Ele também pensava coisas assim, não pensava? Eu não poderia ser a única com a mente corrompida, poderia?
— Isto é por mim, não é? – Segurou meus ombros de forma quase pudica – Não é pelo programa?
— Não é pelo programa, é por nós, eu e você – Peguei sua mão e entrelacei nossos dedos – Nós.
— Nós – Seus lábios se comprimiram, apertados, quase inexistentes – Lisa? – Disse num tom receoso – Saranghaeyo – Murmurou ofegante.
— Está me xingando? Por que está me xingando?
— Não estou te xingando – Negou abrindo um rápido sorriso.
— Eu não entendo coreano...
— Eu sei.
— Então estamos bem? – Ele acenou com a cabeça.
— Sim, mas você tem que parar com isso.
— Isso o que?
— A me fazer mudar de ideia quando já decidi algo – Eu sorri e o abracei.
— Então o que eu e meu namorado faremos agora?
— Namorado?
— Sim, meu namorado – Sorri feito boba.
— Ah – Abriu um grande sorriso abobado – Gosto como isso soa, sempre quis ser namorado de alguém...
— É, percebi – Assinalei com um leve tapa em seu antebraço.
— Ainda não me recuperei sabia? – Disse divertido – O médico me aconselhou repouso e nada de estresse – Andou para trás segurando minha mão – Mas com você aqui será difícil não me estressar.
— Ah seu... – Levantei a mão para dar outro tapa em seu braço, mas ele desviou, caindo de costas em sua cama, me levando consigo.
Nossos narizes quase bateram um contra o outro e senti minha respiração pesada com nossos corpos e seus olhos vidrados em minha boca.
“Vamos lá, estamos sozinhos de qualquer forma, e acabamos de nos reconciliar, não há momento mais oportuno que esse, ah, vamos lá Min Jun, faça alguma coisa” – Pensei concentrada em seus finos lábios, no entanto sua única atitude foi pigarrear e desviar seu olhar do meu.
— Está com fome? Eu estou faminto – Me empurrou para o lado e saltou da cama – Posso fazer um lámen delicioso.
***
Sentada à bancada da cozinha de armários pretos, assisti Min Jun preparando o que ele chamava de “autêntico lámen coreano” e reparei em seu armário forrados de macarrões instantâneos, o bastante para alimentar a população de um pequeno país.
— Você sabe que poderia acabar com a fome do mundo com todo esse macarrão, não sabe?
— Sou um homem coreano, solteiro, que vive sozinho e mal tem tempo de cozinhar.
— Pode comer fora.
— Ainda sou coreano e isso – Apontou para o pacote vermelho e amarelo – Me faz lembrar de casa.
Ele quebrou um ovo e o jogou sobre o lámen já cozido e trouxe a panela acobreada fumegante até a bancada de mármore escuro.
— Isso parece tão bom – Comentei salivando esfregando uma mão na outra e Min Jun me entregou uma colher.
— Sirva-se – Abocanhou o macarrão escaldante com dois palitinhos e me convenci do quanto eu era inútil e incapaz de fazer algo do tipo.
— Como você consegue? – Apontei para os hashis em sua mão – Não é humanamente possível, é? É algum tipo de habilidade asiática como os ninjas? – Ele apenas riu, quase se engasgando e se levantou, parando atrás de mim.
Min Jun inclinou a cabeça sobre meus ombros e segurou minha mão com os palitinhos malignos.
— Você deve segurar eles dessa forma – Os endireitou entre meus dedos, mas eu mal prestava atenção em suas instruções, minha mente já estava dominada pela perversão.
“ Como ele pode ter um pescoço tão sexy?” – Pensei.
— ... assim, e então leva o macarrão até a boca – Me instruía enchendo minha boca de macarrão instantâneo apimentado – Entendeu? – Demorei alguns segundos para processar sua indagação, eu estava entretida demais com outros pensamentos.
— Ah, sim, é... Entendi, nossa... É mesmo hein – Sorri sem saber direito o que dizer – Ainda sou uma grande adepta do garfo e colher – Entreguei os hashis a ele.
— Então, minha namorada – Disse receoso – O que achou da minha especialidade?
— É realmente bom, mesmo às quatro da tarde.
— Está quase na hora do jantar... Em algum país – Brincou e eu sabia que, no fundo ele apenas queria mostrar seu lado divertido.
— Min Jun? – Segurei seu braço e ele me olhou parando de sugar seu macarrão, aguardando pelo resto da pergunta – Eu estava pensando e afinal nós já moramos juntos de qualquer forma, então, não será estranho.
— O que quer dizer – Perguntou de boca cheia.
— Eu posso passar a noite aqui?
— Pa- pa- passar a noite aqui ? – Se engasgou.
— Eu prometo ir embora amanhã de manhã – Fiz um sinal de juramento – Palavra de escoteiro, eu nunca fui escoteira, mas ajudei uma velha amiga que era a vender biscoitos, isso deve contar – Min Jun parecia perturbado – Tudo bem se não quiser, eu fui meio precipitada mesmo, estávamos brigando à meia hora e agora estou pedindo pra dormir aqui.
— Pode passar a noite aqui – Disse rápido fitando a panela a sua frente.
— Legal, podemos fazer algo, juntos, já que nunca fazíamos nada em nossa casa.
— Eu estava te evitando, não queria que percebesse – Franziu o cenho e seus olhos encontraram os meus – Que eu sentia algo por você. Sinto muito por isso, devo ter sido muito rude.
— Você sempre me evitou, desde o começo.
— Pois é – Concordou e engoli em seco – Terminou? – Olhou para meu prato.
— Sim, posso lavar as coisas se quiser.
— Está tudo bem – Segurou minha mão me conduzindo até a sala de estar.
— Min Jun, como estamos oficialmente namorando – Eu enrolava uma mecha de cabelo sedutoramente – Poderíamos fazer uma coisa que namorados fazem – Mordi o lábio e pisquei o olho tentando parecer a mais sedutora possível – Se é que me entende...
— Claro, vamos ver um filme juntos – Disparou em busca do controle da televisão – Que gênero você gosta? – Inquiriu olhando fixamente para o catálogo de filmes do streaming.
— Qualquer um – Respondi desanimada e me sentei no chão em frente a TV.
— Quer pipoca? Posso fazer.
— Não. Estou cheia – Bati no chão indicando para que se acomodasse ao meu lado e assim ele fez.
Min Jun parecia evitar qualquer tipo de contato visual comigo. Retirou sua mão quando tentei tocá-lo e se afastou quando apoiei meu braço em seu ombro. Quanto ao filme, eu não faço a mínima ideia do que se tratava.
— Está gostando do filme? – Perguntou animado e tudo o que fiz foi forçar uma cara de concentração e balançar a cabeça.
A droga do filme simplesmente não acabava, era como maratonar uma temporada completa de Game of Thrones sem parar, e eu me segurava para não fechar os olhos e cair de sono entediada.
— Lisa? – Ele me cutucou e despertei de um cochilo.
— Ahn? O que? Vamos dormir juntos? – Indaguei antes de me dar conta da realidade e de onde estava – Espera, isso é real, não é? Não estou dormindo?
— É real. O que disse antes? Não, quer saber, eu não preciso saber – Fiz um beiço inconformada.
— Posso perguntar uma coisa? – Pedi ainda meio grogue.
— Pode – Coçou a cabeça.
— Por que está me evitando? Isso é cruel!
— Não estou te evitando Lisa.
— Está sim, eu sou mulher, eu sinto. Foi o que eu disse antes?
— Talvez – Disse embaraçado – Eu sei o que você quer.
— Você sabe...
— É, eu sei, não tenho cinco anos. Você entende que começamos algo há poucas horas?
— Entendo, mas já tínhamos algo antes de qualquer forma.
— Lisa! – Min Jun segurou meu rosto entre suas grandes mãos – Como eu posso dizer? Podemos não pensar nisto agora?
— Acho que entendi, você é do tipo que espera até o casamento.
— Não é isso – Fechou os olhos e suspirou – Eu nunca fiz isso antes e... Eu realmente quero isso, mas pode não ser bom pra você – Explicou completamente envergonhado, enquanto suas bochechas se tingiam de um vermelho vivido – É isso – Olhou para cima e me segurei para não rir de seu evidente nervosismo
— Você é tão fofo – Baguncei seu cabelo – Sempre pensando em mim.
— É embaraçoso.
— É fofo.
— Não quero ser fofo.
— Mas é! – Sorri e beijei seu rosto – Eu vou esperar, você sempre esperou por mim, está tudo bem, em todo caso há diversos caras dispostos à ir para minha casa depois da balada.
— Ei, o que está dizendo? – Resmungou algumas palavras revoltadas em coreano.
— Estou brincando, eu posso ser legal sabia?
— Pode sim – Me abraçou – Vamos dar tempo ao tempo, tudo bem? – Concordei sorrindo e me aconcheguei em seu peito.
***
Eu apreciava a vista noturna de L.A da sacada do apartamento, debruçada sobre a cerca de vidro. Observava o mar, a maré alta contra a areia e as luzes brilhantes como estrelas no céu.
Minha mente vagava em pensamentos tentando compreender a mim mesma sobre o que eu havia visto em um coreano mal-humorado e metido à besta para ser capaz de admiti-lo como namorado, mesmo com minha mente dizendo o quanto tal decisão era ridícula e estupida.
— A brisa noturna daqui é ótima – Min Jun se debruçou ao meu lado – Está quieta, você não é quieta.
— Estou pensando – Me olhou curioso – Sobre o que vi em você. Não faz sentido.
— Penso o mesmo a seu respeito todos os dias – Riu e passou seu braço em minhas costas.
— Vi uma foto sua com um homem mais velho quando cheguei, eram muito parecidos.
— Você conheceu meu pai, e sim, ele é mesmo um homem bonito.
— Cala a boca – Adverti em tom de brincadeira.
— Ele também parece ser legal...
— Ele é, às vezes – Respirou fundo retirando seu braço de minhas costas e o apoiou sobre a cerca – Não nos falamos muito desde que vim para a América.
— Fuso horário, entendo, quando você está acordado ele está dormindo e vice-versa.
— Não é isso, meu pai não aceita a ideia de que eu esteja aqui. Meu pai é ótimo e sempre me apoiou em minha carreira. Eu era um ator de sucesso na Coréia, atuava em dezenas de dramas e isso nos fez conhecer muitas pessoas importantes, meu pai conhece um homem influente e com o tempo se tornaram grandes amigos, mas esse homem tem uma filha e bom, ela é solteira e eles queriam que nos casássemos, mas eu não aceitei a ideia, eu estaria quebrando minha decisão de não estar com alguém por quem não tenho sentimentos, então eu fugi para cá com meu empresário com a desculpa de criar uma carreira internacional.
— Isto te faz um fugitivo.
— É o que sou.
— Eles não podem te obrigar a se casar com quem não quer.
— As coisas não são como aqui Lisa, você simplesmente não desobedece seus pais e sai bem. É como uma desonra para as pessoas que te criaram. Eu ligo para meu pai, todas as semanas e a única coisa que ele me pergunta é quando voltarei para me casar com Park Hae Jin e diz que ainda vai morrer de desgosto por minha causa. Sei que terei que voltar para ele a qualquer momento, antes que isso realmente aconteça.
— Para se casar com essa mulher?
— Se você não for...
— É claro que eu irei, não vou deixar essa Park sei lá o que se casar com meu namorado, você entendeu?
— Está com ciúmes?
— Não, é apenas logica, seu pai vai me adorar, farei bacon e ovos tão bons para ele que até se esquecerá dessazinha. Essa Park blá, blá, blá, sabe fazer ovos e bacon como eu? Eu acho que não. Ah, e eu posso cantar para ele, posso até escrever uma nova música pra ele – Min Jun riu.
— Às vezes eu entendo.
— O que?
— O que vi em você.
***
— Trouxe isso pra você, vista para dormir – Min Jun me entregou uma camisa azul sua – Não tenho nada melhor que isso no momento.
Peguei a camisa e retirei minha blusa sem aviso prévio.
— O que pensa que está fazendo?
— Tirando a roupa, vou vestir o que me deu, pode se virar se não quiser ver – Ele fechou os olhos e virou-se de costas enquanto eu vestia sua camisa – Pronto – Joguei minhas roupas em um canto qualquer – Pode olhar, estou vestida, ou quase – Min Jun se virou me olhou de cima a baixo e seu rosto corou-se imediatamente.
— Quer saber, estou morrendo de sono, vou dormir, boa noite.
Correu para a cama e se cobriu com um lençol. Me deitei ao seu lado e passei a mão por seus cabelos que diferente dos meus, cheiravam a xampu.
— Desde quando dorme cedo?
— Desde agora – Respondeu de costas e me levantei inconformada, marchando até o outro lado da cama e o empurrando para me acomodar de frente para ele.
— Você é inacreditável – Reclamou me dando espaço.
— Eu sou – Baguncei seu cabelo – Ia dormir sem me dar boa noite e nós nem conversamos até pegar no sono como sempre fazemos. Não quero que isso mude.
— Boa noite Lisa.
— Quero um beijo de boa noite, não há câmeras aqui – Ele suspirou e beijou minha testa.
— Não. Aqui – Apontei para meu biquinho e contrariado me beijou rapidamente e o segurei para não se afastar o beijando da mesma forma quase inocente.
Então o beijei outra vez. Beijei seu nariz, suas bochechas e seus lábios o trazendo para mim, sendo completamente dominada por meus instintos, mas voltei a realidade quando Min Jun me afastou arfante.
— Me desculpe Min Jun, eu agi por impulso – Dei as costas para ele, que me virou novamente me envolvendo em seus braços.
— Não quero que pare – Sussurrou próximo demais.
— Tem certeza? – Indaguei e sua boca esmagou a minha quase brutalmente, enquanto suas mãos inexperientes percorriam sob minha camisa.
Eu poderia prosseguir descrevendo cada detalhe daquela noite, mas até estrelas de reality show desejam um pouco de privacidade de vez em quando.
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