Recém Casados
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Quando abri meus olhos na manhã seguinte Min Jun me esperava sentado na cama com um sorriso incomum e uma bandeja de café da manhã com minhas comidas favoritas.
Considerei ainda estar sonhando ou delirando, talvez estivesse drogada, mas não me recordava de ter fumado nada. Ele continuava sorrindo a aquilo apenas me deixava mais assustada. Sonolenta me sentei na cama e forcei meus olhos verificando se a cena diante de mim era real. Estiquei meu braço e cutuquei seu ombro ainda incrédula.
— Você é real – Resmunguei e aproximei meu rosto dele – É, é real sim.
— Bom dia Lisa! Você dormiu bem? – Indagou ainda sorrindo.
— Não, eu devo realmente estar drogada.
— Espero que goste do que te preparei, fiz seus favoritos, bacon e ovos, pensei em pizza, mas eles não entregam nesse horário.
Comecei a me beliscar para acordar daquele sonho estranho e perturbador, porém quando abria meus olhos esperando acordar com um homem rabugento ao meu lado, Min Jun ainda estava lá com a bandeja nas mãos e os dentes à mostra.
— O que está acontecendo? Mataram o verdadeiro Hyun Min Jun e substituíram por um robô sorridente?
— Por que diz isso? Apenas estou muito alegre e de bom humor esta manhã, qual o problema?
— O problema é que isso me dá medo. Ainda não resmungou comigo.
— Por que eu faria isso? A vida é tão bela e colorida. Vamos fazer coisas divertidas hoje, eu, você e Park Min Ho, vamos para a piscina, comer coisas gostosas, jogar algo e ouvir músicas, inclusive as suas.
Voltei a me beliscar até Min Jun segurar minha mão me impedindo de continuar.
— Não faça isso com você, vai acabar se machucando de verdade – Fechou o semblante por um instante antes de voltar a sorrir – Agora coma isso, eu posso até comer junto se quiser.
— Não vai beber seu suco esquisito? – Perguntei estranhando sua nova atitude.
— Não – Ele tentou pegar uma fatia de bacon, mas bati em sua mão e puxei a bandeja para mais perto de mim.
— Isso é meu – Para minha surpresa ele não me xingou ou reclamou, apenas deu uma risada baixa e me assistiu comer − Vai ficar aí me olhando?
— Ah, não... Eu me distraí. Vou acordar Min Ho – Saltou da cama com sua disposição matinal e saiu do quarto me deixando sozinha com minha comida.
Ao sair do quarto já vestida com um short e uma regata, me deparei com Min Jun cozinhando animadamente para seu amigo. Eu ainda não acreditava que estava acordada, nada daquilo fazia o menor sentido em minha mente.
— Noona! – Gritou Park Min Ho abrindo um sorriso maior que seu rosto.
— Bom dia Min Ho! – Me derreti outra vez e de relance notei o estranho sorriso de Min Jun se desfazendo por alguns instantes – Dormiu bem? Espero que o sofá tenha sido confortável o bastante.
— Dormi sim, vocês têm um ótimo sofá. Min Jun Hyung está preparando meu café.
— Está? Nem percebi, quer beber algo?
— Café está bom...
— Deixa que eu pego para você, fique à vontade, já que é visita – Dei dois tapinhas em seu ombro e caminhei até a cozinha.
Estranhamente meu marido não parava de sorrir, ele mexia a comida na panela sorrindo, adicionava ingredientes sorrindo e me encarava sorrindo.
— Isso é assustador – Sussurrei para que seu amigo não nos ouvisse.
— O que é assustador? – Indagou animado.
— Você sorrindo o tempo todo. É realmente assustador! – Enchi uma caneca de café quente – Eu posso ter pesadelos com isso sabia?
— Não posso acordar de bom humor?
— Não, você é chato, você simplesmente não acorda de bom humor e come bacon, você acorda chato, bebe seu suco verde, corre na esteira por quase uma hora e continua chato o resto do dia. Esse é você.
— Por isso decidi ser uma pessoa mais alegre e sorridente a partir de hoje...
— Não, não foi por isso, tem coisa aí, eu não sei o que é, mas tem – Fiz um bico e semicerrei os olhos me aproximando mais e mais de sua cabeça que ia para trás a medida que me aproximava até quase bater no armário. Me aproximei o bastante para sentir sua respiração quase ofegante – Foi a Genna não foi? Ela pediu pra você fazer isso não é?
— Pode se afastar, por favor?
— Não, apenas responda!
— Não tem a ver com Genna, foi uma decisão minha – Me afastou com a mão e abriu outro sorriso estranho – Agora leve o cafezinho do seu novo amor antes que esfrie.
— É isso mesmo que vou fazer, ele vale a pena – Sorri sínica e me dirigi até o sofá onde Min Ho me esperava.
— Obrigado Lisa Noona – Pegou a caneca com as duas mãos e me acomodei ao seu lado.
— Ah não foi nada demais. Apenas me avise se precisar de algo tudo bem?
— Sim Noona.
— É tão fofo você me chamando assim – Comentei embaraçada.
— Fico feliz que não se incomode com nossos costumes tão diferentes – Bebericou seu café preto.
— Ah, isso. Eu particularmente adoro os costumes do seu povo, são tão bonitos, sempre me interessei por sua cultura acredita? Ainda acho ridículo quando confundem coreanos com japoneses ou chineses, deve ser muito desrespeitoso.
Mal concluí meu pensamento ouvi uma alta gargalhada vindo da cozinha. Min Jun gargalhava quase chorando e curvando seu corpo depositando o prato que segurava sobre o balcão.
— Ah meu Deus, essa deve ser a coisa mais engraçada que já ouvi em toda minha vida – Dizia quase se engasgando – Sério Lisa, isso foi hilário.
— O que é tão engraçado? – Indaguei me contendo para não tapar sua boca com fita isolante.
— Nada, só me lembrei de uma piada que me contou quando começamos o programa, se lembra? – Trouxe o prato de Min Ho e se sentou no sofá ao lado exibindo um sorriso perverso e sínico.
— Qual era a piada Hyung?
— Hum, vejamos, era muito boa, era sobre uma garota que ia participar de um programa com um cara coreano e ela acreditou que seria com o Jackie Chan – Começou a rir outra vez, mais alto que antes acompanhando por seu amigo.
— Que coisa mais estúpida, as pessoas realmente não noção de como somos diferentes.
— Eu sei, apenas alguém muito tolo confundiria – Me olhou de relance.
— Isso foi bom Hyung.
— Foi sim! – Pegou uma fatia de bacon do prato do mais jovem.
— Foi tão engraçado assim?
— Claro que foi noona, pense, você como uma grande admiradora de nossa cultura – Min Jun soltou um riso e cerrei meus punhos – Deve entender nosso ponto, as pessoas confundem devido à sua ignorância não entende?
— Sim, ignorância – Forcei um sorriso.
— Ah meu humor está cada vez melhor – Assinalou Min Jun – Park Min Ho? – O amigo voltou sua atenção ao mais velho – Vamos ter uma tarde muito divertida hoje em comemoração à sua presença aqui, até preparei algumas coisas.
— Legal!
Me sentei ao lado de Min Jun e entredentes murmurei:
— O que está tramando?
— Nada, apenas quero ter uma tarde agradável com meus dois melhores amigos, não é justo?
— Não confio em você, é bom demais pra ser verdade.
— Espere e verá – Fitou seu amigo – Seu café da manhã está bom?
— Está ótimo – O jovem comia vorazmente até limpar o prato.
— Deixe que eu levo na pia pra você – Peguei o prato de sua mão voltando a me derreter com sua fofura.
***
Eu aguardava sentada na espreguiçadeira os dois homens que haviam ido vestir suas roupas de banho. Minha mente se concentrava em entender o que Min Jun planejava. Ele não havia decidido ser mais animado coisa nenhuma, ele estava tramando algo e eu apenas precisava saber o que era. Meus dedos batiam sem cessar no braço da espreguiçadeira, revezando-se um por um fazendo um barulho irritante que naquele momento sequer me incomodava.
Então eles finalmente surgiram, caminhando em câmera lenta lado a lado, ao som de “You sexy thing” do Hot Chocolate e tudo o que eu podia fazer naquele momento era abaixar meus óculos de Sol para ver tudo com mais clareza e eu tenho certeza que senti um fio de baba descer por meu queixo. Era como assistir uma versão asiática “Baywatch” em 3D, sem as garotas, com os caras apenas de bermuda. Mordi meu lábio me sentindo como uma protagonista de livros adultos e senti minha respiração mudar de normal para ofegante.
— Respire Lisa, respire – Me abanei com as mãos – O Paraíso deve ser assim – Os segui com os olhos enquanto se acomodavam à beira da piscina.
— Está com muito calor Noona?
— Ahn? O que?
— Está se abanando sem parar...
— Ah, sim, está muito quente – Engoli em seco e sorri disfarçando meu desejo implícito.
— Lisa? – Min Jun me chamou passando protetor solar em seus braços tornados e levemente bronzeados – É melhor limpar a baba antes que seque – Apontou para seu próprio queixo e passei a mão em meu queixo de imediato.
— Está se achando demais não acha? – Ralhei semicerrando os olhos.
— Estou apenas te ajudando, me desculpe se a ofendi – Começou a se esticar em minha frente e convidou seu amigo para o acompanhar nos alongamentos.
— Sim, o Paraíso é exatamente assim – Voltei a me abanar – Eu devo ter salvo o país em outra vida, devo sim.
— Vai se juntar a nós noona? – Indagou Min Jun exibindo seu abdômen definido.
— Não, eu vou ficar aqui por enquanto...
“Apenas admirando a bela vista a minha frente” – Pensei.
— Tudo bem, Hyung, vamos ver quem passa mais tempo de baixo d’agua?
— Precisamos de um prêmio para o vencedor – Min Ho concordou – O vencedor dá um beijo na bochecha da Lisa.
— Por acaso eu sou algum tipo de troféu? – Perguntei indignada.
— Vamos lá noona é só uma brincadeira, não quero beijar Min Jun Hyung quando eu vencer!
Pensando bem...
— Bem, às vezes eu me sinto como um troféu sabe? Quando eu era criança minha mãe já dizia “Essa menina tem uma cara de troféu”...
— É claro! – Assinalou Min Jun estampando um sorriso irônico no rosto e pulando na piscina em seguida.
Os dois mergulharam e se prepararam para dar início a sua competição idiota.
— Um, dois, três e já! – Min Ho submergiu na água enquanto Min Jun continuou para fora apenas o observando.
— O que esse bastardo pensa que está fazendo?
Quinze segundos depois, enfiou-se por completo na água e Min Ho emergiu ofegante e admirado por seu amigo mais velho ainda estar segurando a respiração. Passados poucos segundos levantou a cabeça como se nada tivesse acontecido e seus olhos me procuraram.
— Uau Hyung, você é mesmo bom nisto!
— Eu sou, acho que agora terei meu prêmio...
— Não! – Me levantei em negação – Você trapaceou, eu vi muito bem!
— Está dizendo isso apenas por que não quer que eu a beije, não é? – Indagou provocativo.
— Você está mentindo, Min Ho, ele trapaceou.
— Vamos lá Noona, não precisa ficar assim, é só um beijinho bobo na bochecha e você concordou – Hyun Min Jun saiu da piscina e caminhou até mim.
— Você trapaceou seu bastardo! – Murmurei entredentes.
— É apenas um beijo bobo, não é? Como quando me beijou sem minha permissão.
— Foi diferente – Me afastei andando para trás até minhas costas se encontrarem com a cerca viva.
— Sejam mais rápidos, temos que competir em outra coisa pra eu ganhar de você Hyung!
— Sim – Segurou meu rosto e encostou seus lábios molhados em minha bochecha demorando-se mais do que o normal.
— Pronto! – Me afastei para o lado e o fitei enraivecida – Feliz?
— Muito! – Sorriu provocativo.
— Preferia quando você ficava nervoso falando dessas coisas!
— Eu não – Correu de volta saltando para dentro da água.
***
Os dois continuaram brincando na água sem me dar a mínima atenção. Era como se eu não existisse. Pelo menos eu me conformava com a visão privilegiada que nenhuma câmera poderia captar.
Ao meu lado sobre a mesinha o celular de Min Jun tocava e vibrava sem parar e ao contrário do que eu havia imaginado ele não esbravejou nem ralhou por um segundo sequer, ao contrário saiu da piscina com o seu sorriso estranho e atendeu o telefone com bom humor.
— É o meu empresário – Anunciou e entrou na casa sem nenhuma palavra a mais.
Aproveitando sua deixa, resolvi me aproximar mais de meu futuro marido e pai de meus filhos. Retirei meus óculos escuros e entrei na piscina, me aproximando calmamente de Min Ho que sorrindo jogou água em mim numa brincadeira inocente.
— Decidiu se divertir um pouco?
“Eu adoraria me divertir com você por horas à fio”
— Sim, está chato só ficar olhando os garotos brincarem – Mordi o lábio numa tentativa de sedução – Você é amigo de Hyun Min Jun a mais tempo, o que deu nele?
— O que? – Sua expressão parecia confusa.
— Ele não para de sorrir, estou ficando assustada.
— Deve ser por que está feliz com minha visita, somos melhores amigos e não nos víamos a muito tempo.
— Ah eu não teria tanta certeza, ele não estava assim ontem...
— O Hyung deve ter estranhado, mas acho que agora está tudo bem, ele é um cara legal.
— Legal? Ele é um grande chato, mal-humorado e egoísta...
— Não diga isso, Min Jun Hyung não é egoísta, ele pode ser chato ou mal-humorado, mas ele é apenas um cara quieto que aprecia longos silêncios e de pensar mais do que falar. Ele é não é nada egoísta, o Hyung é o tipo de pessoa que se importa até demais, ele sempre quer saber se você está bem, e mesmo que não demonstre no fundo ele sente e sofre junto. Não acredite quando ele diz que não se importa, porque é mentira, ele apenas finge que não.
— Me desculpe, eu não devia ter dito aquilo – Balancei a cabeça e notei Min Jun voltando para a piscina.
— Está tudo bem Noona – Tocou em meu ombro e senti que enfartaria ali mesmo.
— Ei, tire essa mão daí! – Advertiu meu adorável marido e Min Ho o obedeceu no mesmo instante um pouco embaraçado – Ela é a minha esposa.
— E isso é apenas um reality show, não é real esqueceu? Casados de mentirinha.
— Aish...Sobre o que falavam?
— Sobre... Coisas.
— Que coisas?
— Ah, coisas, apenas coisas – Forcei uma risada – Coisas.
— Esquece... Min Ho, antes de você ir eu pedi uma pizza pra comermos...
— Vo-você já, já vai? – Senti meu coração palpitando e começando a morrer.
— Infelizmente sim, aquela loira brigona disse que tenho que voltar essa tarde.
— Mas você acabou de chegar! Eu posso pedir a Genna para que fique mais uns dias, você mal descansou da viagem de chegada, deve estar cansado.
— Estou bem Noona...
— Mas você...
— Ele disse que está bem Lisa, não ouviu? Ele tem um drama pra gravar.
— Hyung está certo, tenho que trabalhar, mas antes acho que vou dar uma passada na Disney.
— Eu posso ir com você! – Me candidatei prontamente.
— Você não pode ir! – Interveio Min Jun e o fuzilei com os olhos – Temos coisas pra fazer!
— Que coisas?
— Coisas importantes, até parece que não sabe.
— Eu não sei.
— Genna nos deu algumas tarefas e você tem que ficar para cumpri-las.
— Podemos nos ver novamente na Coréia um dia Noona!
— É – Concordei chorosa.
Meu amor estava indo embora, e eu nem sabia se ele estava apaixonado por mim.
***
Park Min Ho se despediu de mim com um abraço calmo e Hyun Min Jun o acompanhou até o Táxi. Permaneci parada na porta enquanto conversavam e assisti o carro dando partida, acelerando até sumir no horizonte levando uma parte de meu coração consigo.
— Ele realmente gostou de você Lisa! – Disse Min Jun entrando em casa com um sorriso prepotente.
— Gostou? Ele te disse isso?
— Sim, acabou de me dizer.
— Ah – Dei alguns pulinhos gritando animada, eu estava finalmente sendo correspondida.
— Como ele disse mesmo? Ah sim “ Foi muito bom ter conhecido Lisa Noona, eu realmente gostei dela, era como uma irmã mais velha sempre me cuidando e protegendo, verificando se estava tudo bem comigo, espero vê-la novamente”.
— Irmã mais velha?
— Foi o que ele disse.
— Está mentindo!
— Não estou, ele gravou um vídeo mais cedo para eu te mostrar depois que ele partisse – Me mostrou em seu celular e meu coração se despedaçou quando ouvi as palavras de sua própria boca.
Irmã mais velha. Eu era como uma irmã para ele e isso não teria outro significado a não ser que ele fosse um grande fã da casa Lannister. Era como levar um soco no estômago. Outro amor perdido em menos de um mês. Quando estava prestes a chorar Min Jun pegou em minha mão e me arrastou para o banheiro.
— O que pensa que está fazendo? – Reclamei chorando.
— Precisamos conversar! – Não havia mais nenhum sorriso em seu rosto quando fechou a porta do banheiro e me fitou sério.
— Precisamos conversar no banheiro?
— Não tem câmeras aqui, e não quero que vejam – Ele abaixou a cabeça e fitou o chão por alguns segundos e levantou a cabeça outra vez – Está mesmo de coração partido por um cara que conheceu há um dia?
— Esse cara é seu melhor amigo!
— Isso mesmo, MEU melhor amigo, não seu. Tem noção de como todo esse seu show foi ridículo?
— Ah, se vamos falar de ridículo por que não falamos de como se comportou ontem? De como passou o dia todo emburrado resmungando pra lá e pra cá como se Park Min Ho não fosse bem vindo, nem parecia que eram amigos.
— Claro, você simplesmente tomou ele pra sí mesma.
— Então é isso? Estava com ciúmes? Por isso todo o mal humor? Por isso passou o dia todo grudado nele pra que eu não me aproximasse, e todos aqueles sorrisos? Estava com ciúmes dele?
— Não estava com ciúmes dele!
— Não? Você precisava se ver, era como se você estivesse apaixonado...
— Eu não estava com ciúmes... dele! – Se aproximou mais de mim e segurou meu rosto entre as mãos.
Sua respiração era ofegante, seu peito subindo e descendo rapidamente, seus olhos olhavam firmemente dentro dos meus, seus lábios levemente abertos e sua cabeça se aproximando mais da minha. Eu não podia respirar, nem esperar pelo que estava por vir.
Então seus lábios se apertaram numa linha fina e seus olhos se fecharam com força.
— Você me deixa louco Lisa! – Se afastou nervoso ainda de olhos fechados e com as mãos na cabeça como se estivesse perdido – Você me deixa louco.
— Sobre o que está falando?
— Você não vê, não é? – Ele parecia transtornado.
— O que eu não vejo?
— Lisa eu... – Meu telefone tocou. Genna me ligava em meio à toda aquela confusão.
— Coloque essa droga no viva-voz agora!
— Olá pra você também! – Obedeci a ordem superior.
— O que vocês dois pensam que estão fazendo nessa droga de banheiro?
— Estamos discutindo – Respondeu Min Jun ainda perturbado.
— E por acaso eu pago os dois para discutirem longe das câmeras? Se forem brigar briguem para me dar audiência, mas que merda! Vocês são burros ou o que?
— Não podíamos falar o que falamos em frente às câmeras – Continuou ele.
— Se for muito importante nós podemos cortar na edição final!
— Não confiamos em você Genna.
— Hum, até que não são tão burros assim. Prosseguindo, não foi para isso que liguei. Eu tenho novidades.
— Prossiga! – Disse seca.
— Olhe como fala comigo garota! Vocês irão viajar para o Tennessee! – Concluiu animada.
— Tennesse? O que vamos fazer lá? – Min Jun indagou confuso enquanto eu já sabia da resposta.
— Pergunte a Lisa. O que tem no Tennessee Lisa?
— Minha família – Disse sem acreditar nas palavras que saiam de minha boca – Meus pais vivem no Tennessee – Tentei segurar o choro.
— Está emocionada, não é? Seus pais aceitaram imediatamente quando entramos em contato.
— Por favor, Genna, eu juro que discuto em frente às câmeras mesmo se for um assunto sério, eu faço qualquer coisa, mas não me leve lá, por favor Genna, por favor! – Implorei.
— Já está decidido, o que há de errado com ver seus pais?
— Não há nada de errado – Fechei os olhos tentando não chorar – Esqueça – Desliguei o celular e saí do banheiro batendo a porta. Eu precisava conversar com a única pessoa que me entenderia.
***
Brie guardava um lugar para mim na mesa do bar, o som de música alta dominava o ambiente. Ela bebia sozinha uma garrafa de cerveja e parecia paquerar um rapaz na mesa do outro lado do par entre piscadas e goles. Joguei minha bolsa sobre a mesa fazendo sua atenção se voltar pra mim e me sentei à sua frente.
— Ei, você me assustou sabia?
— Estou com raiva.
— Percebi sua vaquinha – Ela olhou para o homem barbudo com coque samurai que a paquerava e sorriu mordendo o lábio – Acho que aquele cara quer dormir comigo.
— Estamos aqui pra falar sobre mim!
— E ainda é egocêntrica, eu não durmo com ninguém há duas semanas, preciso voltar à ativa.
— Eu não durmo com alguém há alguns anos e nem por isso estou paquerando um cara qualquer que sequer tem coragem de levantar a bunda da cadeira para vir falar pessoalmente comigo.
— Porque não quer. Seu marido falso é bem gostoso.
— E virgem – Brie levantou a sobrancelhas como se perguntasse “O que? ” − Mas não vamos falar sobre ele.
— Certo, sobre o que quer falar? Parecia mal no telefone – Deu outro gole em sua cerveja.
— Estou cansada Brie, cansada dessa droga de reality, de não ser amada reciprocamente, cansada de meu marido de mentira e agora Genna quer nos levar para a casa dos meus pais.
— Que merda! Ela sabe que não fala com eles desde quando saiu de casa há seis anos não sabe?
— Não, quero dizer, eu não sei, ela disse que eles aceitaram nos receber numa boa.
— Eles te chutaram de casa há seis anos por que queria cantar e não ser a droga de uma contadora como seu pai.
— Ele pelo menos pagou minha faculdade...
— Isso não quer dizer nada, eles são os vilões Lisa, você nunca mais teve contato com eles e agora querem receber você e toda uma equipe em casa como se nada tivesse acontecido?
— Isso.
— Eu realmente não gosto deles – Me ofereceu uma cerveja quando a garçonete nos trouxe mais duas.
— Estou assustada Brie, não sei como agir, o que fazer quando estiver frente à frente com eles – Meus lábios tremiam enquanto minhas mãos seguravam a garrafa gelada a girando sobre a mesa.
— Se for necessário irei até lá com você e direi umas poucas e boas pra eles.
— Não será necessário, eu tenho que fazer isso sozinha, eu sabia que isso aconteceria em algum momento, só não sabia quando. Eu nunca estive realmente preparada para isso.
— Tem que certeza que vai ficar bem? – Segurou minha mão sobre a mesa.
— Não. Mas vou tentar – Forcei um sorriso – Bebi um pouco de minha cerveja que desceu queimando em minha garganta.
***
Voltei para casa tarde da noite, não havia bebido muito, não estava a fim de acordar de ressaca. Meu coração já estava machucado o bastante.
Tentei evitar o menor barulho possível para não acordar Min Jun, mas não era necessário. Ele estava jogado sobre a mesa de centro com uma garrafa em mãos e ao seu redor algumas garrafas de cerveja e soju esparramadas. Ele despertou de seu sono bêbado quando cheguei e começou a dizer coisas aleatórias e sem sentido.
— Ei, ei, ei Lisa, Lisa aqui venha – Disse acenando e tropeçando nas palavras.
Receosa me aproximei do homem que cheirava fortemente a álcool e tinha o lado direito do rosto amassado e vermelho pela mesinha. Suas mãos se aproximaram de mim e apertaram meu rosto formando um bico em meus lábios.
— Você é tão.... tão... – Soluçou e sorriu bêbado – Bonita, hum... tão bonita – Elevou a voz olhando para o teto e em seguida colocou o dedo indicador sobe os lábios com o corpo pendente para o lado – Mas não diga para ela que ela é linda, ela não pode saber disso tá bom? – Me ofereceu seu dedinho para um juramento e estendi minha mão tentando jurar, mas seu braço balançava demais – Sabe por que eu bebi? – Fiz que não com a cabeça – Shhh... – Gargalhou alto – Shhh, segredo secretinho – Riu e balbuciou algumas palavras em coreano antes de desmaiar novamente.
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