Reboot
16 Abandonado -- Epílogo
Notas iniciais
Não havia mais alegria. Não havia mais cor. Não havia mais dia. Só a noite permanecia... No dia seguinte — uma sexta-feira —, o Sol decidiu dar uma pausa em seu trabalho, e fez a cidade se encher do brilho negro que as nuvens traziam. Logo, uma leve chuva tomou conta das ruas empoeiradas, e as pessoas que já carregavam guarda-chuvas, os abriram; de forma diferente, as que estavam despreparadas, começaram a correr e a buscar um local protegido para esperar até o fim do pequeno temporal.
Isadora não compareceu à escola naquele dia, e isso preocupou Zack.
— Por que está tão preocupado? — falou Jonas — Só por que sua namorada não veio?
— Sim... Quer dizer NÃO, quer dizer... Ah, você entendeu... Mas ela não é minha namorada.
— Aham...
— Não acredita em mim?
— O que você acha? — zombou.
— Hm... Vou ligar pra ela.
— Ah... Eu acho que você não vai precisar ligar para ela... Olhe aqui.
Ele mostrou uma mensagem que a supervisora havia mandado em seu celular: “cancele toda a operação.”
— O que será que aconteceu para ela cancelar a operação...? —perguntou Zack.
— Droga! Logo agora que eu já tinha pistas de onde possivelmente os pais da menina estariam... Eu até já passei essas informações para Sabrina.
Sabrina, por sua vez, estava sentada em um dos bancos de madeira que se encontravam dentro da escola. Ela estava sozinha, até porque, ninguém gostava muito dela. Chegava a ser triste vê-la dessa maneira; aliás, esse era um dos motivos pelos quais Jonas gostava dela. Ele queria fazê-la feliz, simplesmente isso. Era estranho de se pensar nisso, mas era a pura verdade. Geralmente, é a garota que tenta fazer o garoto se apaixonar, e não o contrário...
A história dos dois já existe há muito tempo: tudo começou quando eles tinham oito anos, e estavam em uma viagem escolar para um acampamento. Em certa gincana que os alunos fizeram, seriam formados pares de alunos para capturar uma bandeira que estaria escondida em um local aleatório da mata que havia ao lado do camping. Por um acaso do destino, Jonas e Sabrina acabaram por formarem um par, e com isso os dois acabaram criando entre si uma pequena relação de amigos. A menina era muito tímida na época, além de muito calada (que não mudou com o tempo); e com isso, muitas pessoas achavam que ela não conversava com ninguém, pois era muito metida — já que seus pais eram ricos. Isso sempre a impediu de ser feliz. Isso sempre a impediu de ter amigos... É por isso que ela se acostumou a evitar as pessoas. Por sua vez, para evitar casos com esse novamente ela se juntou ao Conselho Estudantil daquela escola, com o intuito de parecer (ou de tentar ser) uma pessoa mais legal.
— Ei, Sabrina, você está bem? — perguntou Jonas, aproximando-se dela.
— Hum... Sim, eu estou...
— Você sabe o porquê da “patroa” (Isadora) ter cancelado a missão?
Ela fez que não, balançando a cabeça. Isso deixou Zack um pouco tenso. Isadora não era sua namorada de verdade, mas ele se preocupava com ela. Ele queria protegê-la, ele queria cuidar dela de uma maneira que ele não pôde fazer com Helena. Tudo isso era incomum para ele, já que nunca se apaixonou por ninguém; sendo que o sentimento mais próximo de amor que ele já sentiu em sua vida foi o sentimento que sentia quando estava próximo à Helena. Por falar nisso... Agora ele tinha certeza de algo: ele nunca poderia cumprir a promessa que fez para Helena. Claro, ele já sabia disso, mas é diferente dessa vez, e se ele se casasse com Isadora?! Isso pode até não acontecer, mas algum dia ele com certeza iria se casar; era inevitável...
(...)
No dia seguinte (no sábado)...
Zack estava fazendo suas tarefas diárias em sua pequena e pobre moradia. Ele estava preocupado, logo o dinheiro que seus pais lhe deram iria acabar e ele teria que procurar um emprego. O rapaz já estava bem acostumado com todas as tarefas de uma fazenda, mas uma cidade era diferente. As pessoas de lá não criam vacas em suas casas e contratam pessoas para retirar o leite delas. Pela primeira vez, ter sido criado em uma fazenda poderia se transformar em um grande empecilho. Uma vassoura, rodo e balde d’ água o auxiliavam na limpeza. Talvez a solução seja procurar um trabalho de faxineiro... Pensava enquanto limpava a cozinha. De repente, uma sensação estranha, um pressentimento; o celular tocou logo em seguida. Era Isadora. Com poucas e tristes palavras ela lhe disse: “Fabiana faleceu... O enterro será amanhã...”
Silêncio. Essa é a palavra perfeita para descrever a reação de Zack. Jonas e Sabrina receberam a mesma notícia de forma similar. Agora todos entendiam o porquê da operação ter sido cancelada...
À noite, a supervisora enviou mensagens para todos do conselho estudantil, indicando o local do enterro. No dia seguinte, as nuvens melancólicas ainda não haviam abandonado os céus. 5 horas da tarde — foi o horário marcado. Poucas pessoas estavam lá presentes: Zack, Isadora, Jonas, Sabrina e o coveiro; ninguém mais — pelo menos a chuva havia dado uma trégua. Os familiares da menina fizeram questão de não comparecer ao enterro (inclusive os pais dela), talvez porque não sabiam, ou porque não tiveram interesse.
Isadora carregava em suas mãos, um buquê de rosas; estas estavam um pouco sofridas e murchas (talvez porque eram as mesmas rosas que ela tentou levar para Fabiana no hospital). Aos poucos, o caixão humilde era colocado no subsolo.
— Isadora... — falou Jonas.
— O quê...? — em seu olhar ela demonstrava que não queria conversar, mas isso não impediria o nerd de fazer uma pergunta.
— Nenhum familiar dela compareceu... Sendo assim, nenhum familiar dela deve ter ido ao IML reconhecer o corpo...
— E daí...? — ela segurava suas lágrimas sofridas em seus olhos, talvez para tentar não passar vergonha.
— Sendo assim ela deveria ter sido enterrada no meio de centenas de outras pessoas e em um cemitério aleatório. Mas olhe isso.
Ao lado do buraco onde o caixão estava sendo posto, havia outro túmulo. Na lápide, o nome do falecido: “José Cardoso de Lima”. Depois, Jonas apontou para o escrito na lápide de Fabiana: “Fabiana Cardoso de Lima”. Novamente, o silêncio reinou. Isadora sabia o que aquilo queria dizer, significava que um familiar foi ao IML reconhecer o corpo e pediu para que ela fosse enterrada ao lado de um parente; mas quem teria feito isso?...
Após alguns segundos de silêncio, um mestre de cerimônias veio ao encontro dos jovens. Ele estava atrasado, mas ninguém se importou com isso. Logo, Isadora não pôde conter as lágrimas quando o homem começou a falar; os outros permaneceram em silêncio. Depois de um rápido falatório, tudo estava acabado. O enterro havia terminado, o túmulo havia sido posto, e agora era a hora das despedidas. Ao longe, um carro negro entrou no cemitério e se posicionou atrás de alguns túmulos. Tecnicamente isso não é permitido, mas não havia mais ninguém no local além dos jovens, então não havia ninguém para reclamar de sua atitude. O motorista olhava a cerimônia através da janela do veículo. Uma árvore que estava ao lado estava fazendo muita sombra, o que impedia de qualquer pessoa reconhecer as pessoas que estavam dentro do carro.
Na entrada, um vulto vinha lentamente em direção ao novo túmulo. Ninguém sabia ao certo quem era o dono da imagem distorcida, mas Isadora tinha certeza do que seus olhos viam. Uma velha senhora, que tossia de vez em quando, usava roupas leves e pobres em detalhes. Seu cabelo crespo e branco indicava a idade, e sua respiração ofegante demonstrava dificuldade para respirar. Aquela senhora era a florista que vendeu o buquê para a supervisora. Em suas mãos trêmulas ela carregava um novo buquê, mais lindo que o que ela havia vendido. Sem falar com ninguém, ela deixou as flores em cima do túmulo. Depois do feito, ela virou-se para Isadora e disse:
“Obrigada por tudo menininha...”, e esse foi o momento em que Isadora realmente caiu aos prantos. Ela se lembrou das últimas palavras de Fabiana, e foi correndo abraçar a idosa, que se sentia feliz apesar daquele clima pesado.
É incrível como o tempo passa rápido, não é?... Uma hora pareceu ter durado apenas pouquíssimos minutos. E desde aquela vez em que o conselho encontrou Fabiana, os dias começaram a passar mais depressa. Realmente, o destino estava agitado nos últimos dias...
Isadora, apesar de tudo, era uma pessoa sentimental e sozinha. Ela só queria ajudar as pessoas, assim como Zack sonha em fazer. E por falar nisso, ele era o único que não estava totalmente preocupado com o falecimento da menina. Algo em sua mente palpitava... Algo como um sentimento... Mas era diferente, muito diferente.
“Eu estarei aqui!”. Silêncio. Zack tinha certeza que havia ouvido algo, dessa vez ele estava completamente ciente disso. Olhando ao redor, ele procurava alguém, que ele não sabia quem era, mas pressentia uma presença incomum. Ele olhou (confuso e agitado) para a direção do túmulo. Dessa vez, seus olhos é que queriam enganá-lo. Um anjo doce e pequeno fitava-o com seus olhos lindos. Esse anjo, não era um ser qualquer. Era familiar... Era muito familiar.
“Helena...?” perguntou o rapaz, que sem querer acabou dizendo esse nome em voz alta (apesar de que ninguém notou).
O anjo sorriu em resposta. Depois disso, seu corpo começou a ficar transparente, e logo este desapareceu. Zack entrou em um turbilhão de pensamentos estranhos, mas foi interrompido por uma simples frase: “vamos embora”.
Ele não podia discordar, pois quem disse isso foi a própria supervisora; e também ele não poderia dizer o porquê de ainda querer ficar perto do túmulo, pois ninguém acreditaria em um “trapaceiro” e ainda seria chamado de louco.
O dia nebuloso ameaçava lançar uma forte tempestade na cidade, e isso era mais um motivo para todos retornarem para suas casas. Aliás, você se lembra daquele carro negro que estacionou no cemitério? Pois bem, dentro dele havia duas pessoas: um homem (como motorista) e uma mulher. Ao ver que não havia mais nenhuma movimentação perto do túmulo da menina, a mulher falou:
“Eu vou até lá...” ela pretendia descer do carro, mas o homem a segurou pelo braço.
“Você é uma idiota mesmo... De que adianta ir até lá? A menina não vai ressuscitar.”
“Mas eu tenho fé que algum dia nós vamos ressuscitar...!”
“Me Pope das suas fantasias. Aliás, pare de ler aquela Bíblia, aquilo está te fazendo mal.”
“Não, mas...” ela foi interrompida.
“Cale-se! Eu sou seu marido! Eu te sustento, eu coloco comida na mesa, então CALE-SE! Já é ruim o bastante você ter ido reconhecer o corpo daquele estorvo, agora ainda quer mandar em mim?!”
“Meu amor, ela não podia ser enterrada no meio de tantos desconhecidos!” retrucou.
“E daí? Ela morreu. Ufa, que alívio... Nós dois sabíamos que isso iria acontecer não é?”
“Já chega!” ela se soltou da mão do homem, saiu do carro e começou a correr.
“Eliane! ELIANE!!” ele gritou, em vão, pois ela mal olhou para trás “Bem, se ela quer assim, que seja...” ele ligou o carro e sem se importar com a esposa, foi embora.
***
Isadora e seus colegas já estavam andando pela rua que fica em frente ao cemitério, quando a supervisora notou que havia deixado sua bolsa ao lado do túmulo.
“Ai não...” vale lembrar que ela ainda estava emocionada, apesar disso ser desnecessário naquele momento “Desculpa gente... Eu vou ter que voltar; esqueci minha bolsinha. Tem dinheiro dentro dela...”
Jonas aproveitou a oportunidade para fazer uma piadinha e descontrair aquele clima pesado:
“Ah, não se preocupe. Nenhum defunto vai querer dinheiro estando morto...” Sabrina não pôde esconder uma leve risada; mas Isadora não achou graça alguma. Pelo contrário, ela até deu uma cotovelada na barriga do nerd. Depois ela falou:
“Que bom que você sabe disso, pois se eu te matasse você não precisaria se preocupar com dinheiro... Podem ir na frente, eu volto já.”
“Você quer que eu vá junto?” perguntou Zack, um pouco envergonhado.
Novamente, Jonas agiu:
“Ele quer dar umas bitoquinhas às escondidas”.
A supervisora não o perdoou. Deu-lhe um poderoso chute em uma região bem vulnerável (se é que você me entende) e falou:
“Se você não calar a boca eu te farei dar umas bitoquinhas no chão de concreto!” Sem dizer mais nada, ela seguiu caminho até o cemitério. A garota não respondeu a pergunta de Zack, mas ele entendeu que não precisava ir.
Após alguns corredores de belos e enormes túmulos, a moça notou novamente que ter dinheiro faz diferença até na pós-vida. Em compensação, havia túmulos tão simples que chegavam a dar dó. Alguns eram apenas uma cruz ficada no chão de terra, e isso era realmente deprimente. Ela não entendia o porquê das pessoas darem tanta importância à aparência; afinal, nós somos todos iguais por dentro, não é? E como uma pessoa que já sofreu de bullying ela sabia o quão terrível era ser desprezado pela sociedade. Mas voltando ao assunto: enfim ela chegou até o local onde Fabiana estava enterrada. Surpresa! Havia uma mulher estranha em frente ao local. Magra, linda, mas aparentemente deprimida. Seus cabelos castanhos e seus olhos bem desenhados lembravam (pelo menos para Isadora) a aparência de Fabiana. Quietamente, ela se aproximou da mulher, cumprimentou-a, pegou sua bolsa que estava no chão e partiu.
— Ei, garota — chamou a mulher. — Você pode voltar até aqui por um instante?
Ao obedecer ao pedido, a supervisora ficou um pouco envergonhada ao perceber que a moça estava olhando fixamente para os seus cabelos.
— É você! Com certeza é você!! — falou, em tom melancólico.
— Eu o quê? Desculpe senhora, mas eu não estou entendendo...
— É você que acompanhou o enterro da minha filha! Fabiana...
O coração da menina se apertou. Quem estava à sua frente dizia ser a mãe da falecida Fabiana. Ela não pretendia gritar, mas não pôde se segurar:
— Como você pôde abandonar uma criança à beira da morte?! Você é um monstro!!!
Houve um breve momento de silêncio. Uma troca de olhares incessante começou a persuadir.
— Sei que é isso o que parece... Mas deixe-me explicar primeiro... — Isadora não queria dar a ela esse momento de explicação, mas acabou cedendo. — No ano passado, eu e o meu marido nos mudamos para uma pequena casa em um bairro próximo... Era uma periferia, mas foi o melhor lugar que pudemos pagar. Fabiana era uma criança saudável e feliz, mas infelizmente nós nunca conseguimos pagar uma escola para ela estudar, e não havia escolas públicas próximas da nossa casa... E pagar um ônibus também não era muito viável... E caso queira saber, a Kombi escolar não ia até a nossa moradia.
“Eu me lembro bem que tudo aconteceu em uma manhã de inverno. Fabiana passou mal, e a levei até um médico e depois de vários exames nós descobrimos... Ou melhor, eu descobri que ela tinha uma doença rara e grave. Eu escondi a doença de meu marido, pois se ele descobrisse provavelmente teria abandonado-a, e para ter certeza que ele não descobriria, eu menti para minha filha, dizendo que ela estava saudável...” uma lágrima escorreu dos olhos da mulher. Uma fina camada de chuva começou a cair sobre a cidade. “Eu tentei protegê-la... Mas um dia meu marido foi ao médico e ele lhe contou toda a verdade sobre nossa filha...”
— E esse foi o dia em que vocês a abandonaram... — concluiu a menina.
— Sim... Eu briguei com ele... Eu tentei fazer algo, mas... Eu não pude fazer nada... — Isadora se emocionou com essa última frase. — Eu consegui convencê-lo para me levar até o IML... Eu o convenci para vir até aqui, mas para ele essa foi a gota d’ água. Tanto que ele não veio ver o túmulo da própria filha...
A garota estava quieta em seu lugar. As gotas de água que caiam, iam umedecendo seus cachos brancos. Ela não sabia o que dizer; mas ela sabia que não estava mais com raiva da mulher. Silêncio, mais uma vez...
De um momento ao outro, a garota sentiu que a chuva não lhe atingia mais. Ela olhou para trás: Zack estava segurando um guarda-chuva em sua cabeça.
— Eu já suspeitava que fosse chover, então trouxe um guarda-chuva — falou. — Eu ouvi toda a narrativa; estava escondido atrás de um túmulo ali no fundo... Logo que eu vi que começou a chover eu retornei até aqui, pois sabia que você não havia trazido nenhum guarda-chuva.
— Pelo menos você não está mais falando errado, igual fazia antigamente — lembrou Isadora. — Desculpe por ter gritado com a senhora. Você é uma boa pessoa — falou, dirigindo-se à senhorita.
— Não se preocupe com isso... Podem ir embora... Eu vou ficar aqui com a minha filha um pouco — ela se ajoelhou ao chão molhado enquanto sorria para o retrato de Fabiana estampado na lápide.
— Mas você vai se molhar, e aonde você vai ficar? — perguntou Zack.
— Eu tenho uma tia na cidade. Posso ficar na casa dela; e não se preocupem comigo. Uma chuvinha não vai me fazer mal.
O “casal” decidiu obedecê-la (apesar de que a supervisora parecia um pouco hesitante), e partiu rumo às suas casas. Zack se surpreendeu ao ver o tamanho da casa de sua “namorada”. Era quase uma mansão. E isso comparado à casinha que ele alugou... Bem, ele preferiu não pensar nisso.
***
Naquela noite, Zack teve um sonho... Ele era uma criança, e estava correndo por lindos e verdejantes campos na antiga fazenda onde ele morava. Havia uma garota correndo atrás dele, pedindo-o para esperá-la. A garota era Helena, não tem como errar, sua aparência linda e pálida era inconfundível.
“Ei, Zack!” gritou ela.
“O que foi?” perguntou o menino, parando de correr.
“Posso te fazer uma pergunta estranha?”
“Hum... Pode!”
“Você me deixa ir em paz?” perguntou a menina.
“Ir? Você vai embora?”
“Sim... Sabe o meu avô que morreu há pouco tempo? Ele está me chamando para ir morar com ele...”
“NÃO! Você não pode ir, eu não posso ficar sozinho!” ele se desesperou.
“Eu não vou conseguir ir em paz se você não me deixar partir...” ela segurou as mãos de Zack; nesse momento, a visão foi focada nas mãos dos amigos, mas depois ela voltou ao normal, e mostrava o garoto, já com 16 anos. Helena (por algum motivo) começou a chorar.
“Eu não quero ficar sozinho” falou.
“Desculpa... Eu não posso mais ficar aqui...” as mãos dos dois se soltaram, e ela começou a dar leves passos para trás. Uma enorme e intensa luz cintilava nas costas da menina (como uma espécie de portal). Logo, ela já havia entrado dentro deste.
“Helena? Helena...? HELENA!!!” a visão do rapaz escureceu. Agora, apenas seus ouvidos estavam ativos, e eles ouviram as seguintes palavras:
“Eu tentei te proteger por tanto tempo... Vou sentir tanta saudade... Eu... Eu vou cuidar da alma de Fabiana...”
Silêncio, mais uma vez... O rapaz acordou repentinamente. Já era de manhã. Parece que a chuva já havia acabado, pois os pássaros voltaram a cantar. Um sentimento estranho ardia no peito de Zack. Era como e uma parte de seu corpo houvesse sido arrancada de si. Era como se alguém importante tivesse lhe abandonado... O garoto começou a chorar. Por que ele fez isso? Ele não sabia; só sabia que uma dor inexplicável lhe dava vontade de chorar. O nome dessa dor é: a morte de alguém querido.
Ele nunca havia sentido nada do tipo. Nem mesmo no dia da morte da amiga. Era como se todo esse tempo ele tivesse ficado ao seu lado, e agora lhe tivesse abandonado... Para sempre...
Agora ele teria que viver com essa sensação para sempre? Bem, talvez sim. Mas isso poderia mudar caso alguém, de alguma forma, conseguisse preencher esse vazio em seu coração.
FIM...
Fale com o autor