Rebellion

4 Capítulo 4 - O Fugitivo


O homem corria pelos becos da cidade empurrando vez ou outra as pessoas a sua frente, tentando ao máximo despistar seus perseguidores, mas infelizmente não parecia ter muito êxito, eles pareciam saber exatamente para onde ele ia. Alguns disparos foram feitos contra ele, um ou dois o atingiram, mas isso não é nada pra ele. Os homens ainda tentavam atirar quando achavam caminho livre sem civis, mas perceberam que era inútil contra ele.

Por longos minutos eles continuaram nesse gato e rato, até que o homem vacilou e se viu em um eco sem saída, virou-se e sacou uma pistola. Assim que seus três perseguidores apareceram, disparou inúmeras vezes, atingindo um no ombro de raspão. Os três se esconderam e o mesmo fez o rapaz, atrás de lixeiras e latões velhos, trocaram disparos por alguns instantes, sem muito sucesso. O homem procurava uma rota de fuga e os três homens se mantinham em prontidão para qualquer ação do fugitivo. Um deles pediu reforço que estava a caminho, o outro tentou avançar para uma lixeira mais à frente e um disparo atingiu o chão próximo a seu pé, o fazendo recuar. E novamente troca de tiros, até que o silêncio novamente tomou aquele lugar. O rapaz estava ficando sem munição, e os perseguidores estavam se tornando mais ousados, mas enfim depois de tanto tempo, os reforços chegaram e ele estava cercado. Atiradores nos telhados e o camburão das forças especiais pararam próximo da entrada do beco.

Ele se viu sem saída e desesperado, escutou um homem o chamando e pedindo para que largasse a arma e se entregasse, mas ele ignorou e não chegou a responder nem ao menos a dar tanta atenção. Ele pensou em muitas coisas, mas nada foi suficiente a seu ver, ele não teria outra escolha, então se levantou de traz do grande latão de lixo e correu pelo beco em direção aos policiais, atirando e recebendo inúmeros tiros, que pareciam não lhe fazer muito efeito, deixando os soldados assustados com aquela situação. Um dos atiradores do telhado disparou nele uma munição paralisante, que também não foi muito eficaz, três soldados das forças especiais foram em combate corpo a corpo com o homem, que era mais rápido e forte do que aparentava. Muitos outros vieram depois e o homem foi preso, amarrado e algemado inúmeras vezes. Ele se debatia, gritava e sua voz às vezes não parecia de uma pessoa comum, era uma voz feroz e animalesca, quase demoníaca. Um dos soldados o golpeou na cabeça e o desacordou, o jogaram no camburão blindado e o levaram dali.

Assim que abriu os olhos, se via amarrado a uma cadeira de frente para uma mesa com alguns papéis. Era uma sala branca uma luz forte, e três homens a sua frente, do qual dois soldados fardados e bem armados, e o outro, um homem de cabelo pouco grisalho, porte educado, óculos e terno. Ambos o olhavam a espera que ele acordasse. Assim que percebeu a situação em que estava começou a se debater, mas recebeu um golpe na nuca, e percebeu que mais um estava ali e se aquietou. O homem pegou alguns papéis da mesa e se acomodou na cadeira, olhou firme para o homem amarrado à sua frente. Não sabia o que dizer, nem o que pensar, ele estava sem camisa, baleado sete ou oito vezes, alguns em pontos vitais. Sangrava um pouco, mas não parecia ferido realmente, não sentia a dor, nem estava fraco ou morrendo, era como se nada daquilo ali fosse verdade. Ele deveria ser alguma aberração ou coisa do tipo, mas os exames de sangue e DNA não mostraram nada diferente de um ser humano. Como ele poderia resistir aquilo?

Ele tentou quebrar a tensão na sala começando com perguntas fáceis e que não irritassem o prisioneiro.
_Eu sou Smith Wyrn, governador de Golden City. Estou aqui para conversar com você e fazer algumas perguntas. Gostaria da sua cooperação, não sou um homem mau, mas gostaria de saber o porquê de você ter feito o que fez?
O homem não teve nenhuma reação, olhou lentamente para os soldados atrás do tal governador e voltou os olhos pra mesa, onde uma ficha longa de acusações dos crimes que havia cometido todos na mesma noite. Assassinatos, destruição, roubo, perturbação, e mais um monte de coisas. Ele olhou para o governador e gargalhou como se acabasse de escutar a piada mais engraçada do mundo. Os soldados não gostaram de sua reação e ele recebeu mais um golpe na nuca e parou de rir. Olhou novamente para o governador, um filete de sangue descia de sua boca, e cuspiu nas folhas na mão do governador, que parecia tentar manter a calma. Mais uma vez começou seu questionário.
_Quero saber quem é você e de onde veio?
O homem novamente riu e respondeu:
_Linus, do inferno.
E novamente uma gargalhada, e outro golpe do soldado. O governador não desistiu.
_Por que cometeu esses crimes hediondos? E como foi capaz de fugir e resistir tanto tempo à prisão?
O homem olhou para ele, fez uma cara pensativa por alguns segundos e respondeu.
_Eu queria me divertir, essa cidade é um lugar entediante. E como fiz pra fugir? Ora, esse bando de insignificantes só sabe correr, gritar e atirar, por isso vocês são a raça inferior da qual todos tem pena.
O Governador aproveitou a deixa sem perder tempo.
_Quando você diz raça inferior, significa que você seja alguma coisa superior ? Uma aberração mutante? Um super-robô? Ou um super- herói?

O governador não pode deixar de rir depois de falar isso, sabia que era insanidade demais esse tipo de coisa, mas ele vira o homem levar oito tiros e nem ao menos reclamar de dor.
O homem o observou por algum tempo, fechou os olhos e disse.
_Vocês são cegos para a verdade. Abandonam , traem, mentem, cometem inúmeros pecados e atrocidades, viraram as costas pros seus próprios ideais e irmãos de sangue. Vocês não são diferentes de nós... Na verdade, vocês são sim. Nós somos mais poderosos.
Assim que ele abriu os olhos, eles estavam completamente negros, ele arrebentou as cordas com uma força sub-humana. O governador se espantou com aquilo, os soldados reagiram com disparos, mas novamente foi inútil. Ele atacou o que estava atrás dele com a cadeira, tomou dele a arma e disparou contra os outros dois. Largou o fuzil no chão e foi ate a janela, olhou novamente para o governador, mostrou os dentes no sorriso mais sarcástico e sombrio que o governador já tinha visto na vida.
_Vocês são homens de pouca fé e o castigo pelo pecado é a morte.
Então saltou pela janela e sumiu na escuridão da noite, sem deixar vestígios.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.