Rebelde
1 Capítulo 1
@Emma
Gostaria de não ter sido expulsa do último colégio que estivera. O primeiro ano do ensino médio, foi totalmente terrível. Tudo ia de mal, a pior. Para falar a verdade, nem sei como consegui passar. Mas, eu não tenho lá cem por cento de culpa. Eu estava matriculada em uma escola pública e completamente normal da cidade. Mas, tive que sair do local em que moro, e vir diretamente para cá. Estudar em um colégio particular com prestígio internacional. Onde jovens de classe — bem — alta recebem um elevado nível de educação. E assim, a grande maioria, poder, futuramente, ter posse das grandes empresas e grandes cargos de seus pais. Esse ano, ao ler o panfleto que mamãe havia me entregado, antes mesmo de amassá-lo com muita ira, achei algo em que dizia sobre um grande programa de bolsas de estudo. Alunos interessado em ter um grande futuro, como todos esses outros, fariam uma prova em que, as cinco maiores notas, conseguiriam uma vaga. Por sorte, eu não sou uma bolsista. E se fosse, agradeceria. Pois, saberia que não passaria no teste. E então, eu não precisaria vir estudar em um colégio com tantas pessoas metidas.
O caminho antes de chegar ao colégio foi totalmente perturbador. Começou com mamãe cantando (na verdade, gritando) uma de suas músicas prediletas. E terminou com nós duas entrando na sala do diretor. O lugar em que estou agora. Fugindo meu olhar dos olhos decepcionados e exigentes do diretor Daniel. Ele não nos dava atenção. Muito pelo contrário, mexia em seu computador e não se cansava de repetir, sempre, a mesma frase: "Espere só um minuto".
Ele, muitas vezes, também comentava sobre a lástima de minhas notas. E, mamãe prometia que, esse ano seria diferente. Que esse ano, eu me empenharia. Concordava com a cabeça, enquanto o diretor tentava se concentrar em nossa conversa.
Quando finalmente pareceu que Daniel daria a nossa merecida atenção, o celular da minha mãe começou a tocar. Suas bochechas, de começo, coraram. Ficando, talvez mais vermelhas que seu cabelo.
– Senhora Dianna — o diretor pareceu tentar ser simpático -, celulares, ou qualquer tipo de aparelhos eletrônicos, são totalmente, severamente, proibidos nesse colégio.
– Oh, desculpe — sorriu torto -, mas eu realmente preciso atender esse telefonema. Minha empresa está enfrentando certas dificuldades com a demissão de alguns funcionários.
– Empresa? — Perguntou
– E muito bem sucedida — mamãe gabou-se
– Ora — os olhos de Daniel brilharam por uma fração de segundos -, vejo que é realmente importante. Atenda seu celular, senhora.
Mamãe pôs seu celular ao alcance de suas orelhas, e começou a falar com sua agente pessoal — Hannah -, respondia coisas rápidas como: "Sim", "entendo", "tudo bem", "ok", e em pouco tempo, já havia desligado seu celular.
– Eu estou começando a ficar atrasada para um importante compromisso, então, poderia acelerar a papelada que preciso assinar?
– Claro que sim — ele sorriu amarelo, enquanto erguia seu braço para entregar alguns papéis, e uma caneta. Orientava mamãe, dizendo em que lugar ela deveria assinar. E, assim foi.
Mamãe reagiu totalmente bem, conforme pensava que reagiria ao partir. Deu um abraço forte em mim, enquanto eu tentava desgrudá-la de mim, pegando minhas malas. O diretor, que pareceu não gostar muito de minha aparência e nem de minhas notas, disse simpaticamente que a escola estaria sempre disposta para recebê-la.
Alpinista social.
Isto que o honrado diretor do colégio mais bem sucedido é. Um grande interesseiro. E, sei que de noventa pessoas nessa escola, oitenta serão bem iguais a ele: Interessados no dinheiro, na beleza, e entre outros aspectos. Essa escola será como todos os clichês de escolas particulares: Rico pode, e pobre fica apenas na vontade.
O diretor levou-me até o jardim da escola, lugar em que vários alunos também estavam. Estranharam-me logo na hora em que botei o primeiro pé no terreno deles. Dei uma leve mordida nos lábios, evitando a timidez que senti, e caminhei vagarosamente até um dos bancos que ali havia. Pude ver uma enorme rodas constituídas apenas por garotos. Um deles, arriscou-se a caminhar até o local em que eu estava. Mexeu seu cabelo, e sorriu torto. Sentando-se então ao meu lado. Levantei-me, e pude sentir suas mãos puxar-me para de volta ao banco.
– Sou Percy Martinez — em seu rosto, ainda estava estampado o sorriso torto e infantil.
– Legal, hein — tentei levantar-me novamente, e o garoto segurou minhas mãos mais uma vez.
– Não faz isso comigo — sorriu -, diga-me pelo menos o seu nome.
– Emma. Satisfeito? — Dei um sorriso, que julgaria sarcástico
– Apenas me responda Emma. Estou me afundando em sua beleza. Não dá para você fazer uma respiração boca-a-boca? Aproxime seus lábios dos meus, vai. Por que estão tão distantes?
Dei uma risada fraca pelo nariz.
– Questão de higiene.
Levantei-me do banco, enquanto o garoto de cabelos castanhos e olhos extremamente verdes, olhava fixamente decepcionado para o grupinho que antes estava.
Caminhei até um lado do colégio, e ficando ao lado de uma garota de cabelos encaracolados, com um levo tom preto e um sorriso bastante falso.
– Prazer, sou Katy, filha do diretor — apresentou-se -, e pelo visto, você teve a honra de conhecer Percy.
– Emma — dei um sorriso fraco -, ele é um otário.
– É a primeira vez que vejo uma garota não cair no charme dele. Meus parabéns.
– É a primeira pessoa que não parece ser chata — comentei -, meus parabéns.
A garota deu um leve sorriso torto. Nossa conversa então, fora interrompida por uma das garotas, que estava bem próximo a nós. Dando um grito surpreso, e meio histérico. Correndo a um grupinho de outras garotas. O diretor Daniel caminhou até o portão da escola, recebendo um grande carro preto. Ajeitou sua gravata, e abriu a porta da frente do carro. Saindo de lá, com toda a delicadeza, uma garota de cabelos loiros e perfeitamente ondulados. Usava um short rosa que ia até seus joelhos. Uma blusa branca, e sapatos pretos. Usava também, em sua cabeça, um arco bastante colorido.
– Quem é ela? — Perguntei
– Julie — disse em um tom de desgosto -, eu a odeio.
Ela caminhava e abraçava algumas pessoas que via.
– Quem ela acha que é? A rainha da Inglaterra?
Um tempo depois, todos reuniram-se em um lado do colégio. Estava acontecendo uma festa de boas-vindas aos alunos. O diretor começou com um discurso de quase quarenta e cinco minutos, enquanto eu arranjava um jeito de sair daquela festa enjoativa, e afastava-me de Katy, sem ela perceber.
Entrei no colégio com a maior cara-de-pau, e caminhei até a ala dos dormitórios. Não havia nenhum nome nas portas, e provavelmente dariam os respectivos números dos quartos logo depois da festa formal e nada interessante.
@Rick
Caminhava lentamente pelos corredores do colégio. Carregando em minhas mãos, uma lata de cerveja. E, procurando qualquer lugar para me esconder. Claro que beber ou fumar, seja quais forem as ocasiões, é altamente proibido.
@Emma
Entrei na biblioteca do colégio. Estava escura e, então, procurei um receptor, e quando finalmente achei, um ruído soou por de trás das enormes estantes.
– Quem está aí? — Perguntei, quase em um grito
Andei lentamente até as estantes, e fui surpresa por um garoto correndo até mim. Esbarrando-se em meus ombros, e deixando escapar de suas mãos, uma lata de cerveja. Que derramou-se, completamente, sobre toda a minha roupa.
Passos rápidos e preocupados caminhavam pelo grande corredor, impedindo-me de dar um grande soco no rosto do garoto.
Ele puxou-me para trás das estantes, enquanto a porta novamente se abriu.
– Tem alguém aqui? — Era uma voz masculina, e totalmente familiar. Era a voz de Daniel, o diretor.
O garoto olhava sobre a brecha que havia entre as estantes, e torcia para que Daniel não caminhasse até onde estávamos.
Notas finais
Até o próximo!
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